A oligopolização, sob Thatcher

Por Pedro

Oi Nassif,

Thatcher defendia as pequenas empresas, apenas como instrumento de retórica. É verdade que seu discurso em favor de uma “democracia de pequenos proprietários” teve grande impacto na mídia, e foi um poderoso expediente de marketing político. Contudo, na prática, seus 11 anos de governo (1979-90) apenas reforçaram o capital monopolista. Desde que Marx escreveu “O Capital”, as tendências à concentração e centralização do poder econômico só avançaram, e não existe nenhum caso no mundo de reversão dessa tendência (aqui no Brasil, Chico de Oliveira e Conceição Tavares estudaram um pouquinho o processo de oligopolização da economia, ocorrido a partir do governo JK).

Em 1980-81, houve o famoso “short sharp shock” britânico: uma grande contração da economia britânica, provocada por um ajuste monetarista que forjou, deliberadamente, um processo de fortalecimento dos monopólios. As coisas funcionavam assim: primeiro, uma forte abertura da economia, expondo os fabricantes ingleses à concorrência internacional. No começo, recorde de falências e concordatas. Depois, “ajuste’ e “saneamento” das empresas, forçadas a reestruturarem-se. Resultado: as pequenas e médias empresas sucumbiram diante da concorrência implacável, e foram fechadas ou adquiridas por um preço vil

(Aqui no Brasil, o Collor seguiu esse modelo à risca; quem não se lembra do “quem não tem competência, não se estabelece”?).

O PIB britânico encolheu 2,3%, enquanto a produção industrial diminuiu em 14%, entre 1979 e 1981. A Inglaterra, antiga “oficina do mundo” (século XIX) passou por um processo, por assim dizer, de desindustrialização; fechou as antigas smockestack industries (“fábricas de chaminé”) e buscou vantagens comparativas em setores não-industriais, como serviços, seguros, fretes marítimos, finanças etc.

Leia também:  Pela primeira vez em 60 anos, BID será presidido por norte-americano

Quanto à diminuição do tamanho das fábricas, trata-se de uma tendência mundial: Toyotismo, kanban, just-in-time etc. são formas de controle do movimento operário, e funcionam melhor num universo de trabalhadores dispersos e atomizados. O antigo modelo fordista, aquele do “operário-massa”, constitui um poderoso obstáculo à implementação das novas formas de controle dos sindicatos. Mas ainda assim, não se trata de estimular um retorno ao “capitalismo concorrencial”, mas criar um ambiente mais favorável à exploração desenfreada das grandes corporações.

O ex-presidente FHC também dizia que defenderia as pequenas e médias empresas. Mas, como Thatcher, apenas encobria os favores concedidos às grandes companhias. Quem não se lembra que um dos argumentos para privatizar o setor de telecomunicações era justamente o do “incentivo à concorrência”? No caso da telefonia fixa, apenas substitui o monopólio público pelo monopólio privado (por exemplo, Telesp X Telefonica), assim como em muitos outros setores.

São todos cabeças de planilha. Mas não são ingênuos, todos sabiam exatamente o que iria acontecer.

A propósito, uma sugestão de leitura, para entendermos o pensamento de FHC: “Empresário industrial e desenvolvimento econômico no Brasil”, de FHC (1964). Há mais de 40 anos, esse entreguista já dizia o que pensava a respeito das grandes empresas – e as admirava, com um servilismo indisfarçável.

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40 comentários

  1. “Aqui no Brasil, o Collor
    “Aqui no Brasil, o Collor seguiu esse modelo à risca; quem não se lembra do “quem não tem competência, não se estabelece”?”

    Uai, que gozado! Ninguem se “estabeleceu” mesmo! Nao sei como isso aconteceu… sera que era todo mundo incompetente, ou era so Collor mesmo?

    A respeito do “abrir o mercado” de Collor, acho ingenuo apontar lo como grandes coisas. A verdade mesmo eh que nao ha *falta* de bens sendo produzidos no mundo, ha *excesso*. Que ninguem se iluda que a “abertura” do mercado tinha a ver com o bem estar do Brasil porque nao tinha. Tinha a ver com escoamento de mercadorias inferiores devido a excesso de producao mundial de mercadorias que nao qualificavam pra mercado de primeiro mundo.

  2. No entanto, a baixa de precos
    No entanto, a baixa de precos raramente seguiu o escoamento de mercadorias de terceira Brasil adentro. O golpe era mesmo pagar preco de primeiro mundo.

  3. Caro Ivan,
    Pagamos, por
    Caro Ivan,
    Pagamos, por vezes, até mais caro que no primeiro mundo. Esta é a razão de que aqui as empresas do setor automobilístico estão muito bem.
    A diferença entre mercado aberto e fechado está somente à partir de qual referência falamos.
    A máxima de produzir mais a menor preço e a menor custo está custando muito para todo o mundo.

  4. A questão do oligopólios e as
    A questão do oligopólios e as pequenas e médias empresas merece uma boa avaliação, vejam o exemplo dos hipermercados:

    Na França não podem existir grandes hipermercados, lá protegem as pequenas empresas, em vez de um hipermercado que espreme os fornecedores,fazendo promoções em alguns itens e esfolando no preço da grande maioria de itens , eles fortalecem o açougue, a padaria, a loja de orgânicos, a loja de laticinios, etc…, com certeza gera-se maior distribuição de renda.

    Porém outro aspecto a verificar é a preferência do consumidor que, por falta de tempo ou por comodidade não se importa de pagar mais e comprar tudo em um só local…

    No Brasil nos últimos 5 anos o setor supermercadista tem tido ótimos resultados, se perguntar para alguns dos proprietários dirão que não, mas na prática este setor está nadando de braçada, com rentabilidade muito boa, menor é claro, que os banqueiros, mais ai já é covardia né…

    As grande redes internacionais estão com bolsos cheios e muito interessadas em abocanhar este mercado rentável, mas os nativos proprietários de redes regionais não querem deixar o setor, a não ser que façam uma proposta muito indecente$$$…

  5. (parte 1)O historico dos EUA
    (parte 1)O historico dos EUA ja foi assim: lancamento de produto, preco alto, popularizacao, baixa de preco, acesso a todos.

    Ja foi. Hoje os precos ficam altos e o resto da sociedade tem que “compensar” com uma corrida de precos. Tipo “gasolina subiu, laranja sobe”.

    Nao eh que todas as mercadorias deixaram de alcancar seu mercado. Isso eh evidente quando se nota que existem um milhao de bens que de fato alcancam o consumidor. Comida em lata, por exemplo, prohibida na minha casa porque temos uma filha, era impensavel quando eu era pequeno, e hoje ja esta mais ao alcance de mais pessoas.

    Isso eh so tangencialmente relevante, ja que eh que o excesso de producao ja nao atinge os precos. Se atingisse, os chineses comprariam suas bujigangas de 1 dolar e os mineiros comprariam o ferro que produzem. Isso provocaria um enorme problema para a exportacao causado por um mito capitalista: se os locais consomem o produto, a competencia dos produtos dentro do mercado de exportacao estaria ameacada (pois os mineiros comeriam o ferro antes de ser exportado, ja que estao com tanta fome assim!)

    Uma vez meu irmao descobriu quem estava quebrando a represa dele e foi reclamar. O cara e sua mae eram incapazes de entender que a agua so para de correr ate a represa encher, depois retorna ao normal. Exportadores de dinheiro e de bens sao exatamente iguais. O sistema eh uma burrissima vaca.

    Ja que estamos falando em mercadoria ruim, noto agora que meu isqueiro esta cheio de gas e quebrado. Eh meu **quarto** isqueiro seguido que se quebra cheio de gas, um atraz do outro.

    Ponto: o suprimento de mercadoria de primeira, a nivel mundial, esta cada vez menor porque as companias nao teem condicoes de fazer controle de qualidade. Mas porque razao encher o mercado mundial de produtos de qualidade inferior? Pela razao chinesa: as condicoes locais (a nivel mundial) ja nao permitem sobrevivencia e o governo vira as costas.

    (tenho que sair, continuo mais tarde)

  6. O discurso ideológico não tem
    O discurso ideológico não tem como objetivo representar as coisas como elas são, mas criar uma concepção de idéias para fazer com que se acredite nelas. A concepção liberal de capitalismo, com a livre concorrência, propriedade privada e liberdade de mercado, é uma concepção ideológica.

    O problema, é que hoje dois terços da riqueza mundial são controlados por apenas 400 megaempresas. E com tamanha concentração, onde ficou a propriedade, a liberdade de mercado e a livre concorrência?
    Esta é a globalização, baseada na monopolização de capitais, de meios de produção, de matérias-primas, do mercado e, principalmente, do conhecimento.

    http://blogln.ning.com/profiles/blogs/2189391:BlogPost:21373

  7. O Brasil sempre foi o
    O Brasil sempre foi o “depósito de lixo” das multinacionais, recebendo tudo o que não têm qualidade suficiente para ser vendido lá fora. E é um belo negócio, pois apesar de recebermos um artigo interior pagamos até MAIS do que é pago lá fora pelo equivalente de qualidade.

  8. Não foi apenas a defesa das
    Não foi apenas a defesa das pequenas e médias empresas que funcionnou “como instrumento de retórica”. A suposta diminuição da carga tributária e do gasto estatal com as privatizações também foi “instrumento de retórica” que ecoou apenas para pessoas condicionadas a acreditar nisso. Os gastos públicos imediatamente antes e imediatamente depois do governo Tatcher não se alteraram. Aqui, até hoje tem gente que repete esse discurso como verdade.

  9. Nassif,

    Acredito que a
    Nassif,

    Acredito que a gestão Thatcher merece uma reflexão mais profunda.
    Pode ser que ela tenha contribuído para a derrocada da Inglaterra como potência mundial, mas daí a dizer que ela foi a responsável pelo processo de desindustrialização da Inglaterra vai uma distância enorme.

    A desindustrialização da Inglaterra começou há mais de um século e meio, pelos idos de 1850-60. A questão foi puramente econômica (e nisso você pode falar bem mais que eu). Enquanto a Inglaterra, berço da Revolução Industrial, produzia produtos de alto valor agregado, o resto do mundo, ainda com industrialização bastante incipiente, apenas engatinhava no processo de produção. Disso decorreu uma verdadeira torrente de riquezas em direção ao Reino Unido, que exportava bens de alto valor praticamente de forma monopolista, ao passo que importava matérias-primas a preços vis. Resultado: a absurda valorização da libra.

    Para se ter uma idéia, em torno de 1870, 3/4 (isso mesmo: 75%) de TODOS os capitais investidos no planeta provinham da Grã-bretanha. Antes um país industrial, a Inglaterra passou a um processo de “financeirização” da riqueza. Passou a ser mais rentável investir em ativos financeiros do que na produção fabril. Isso tudo agravado pelo fato de que, a partir de uma visão míope da classe política, deixou-se que a agricultura local fosse à breca com a concorrência estrangeira. Com a libra valorizada, era muito mais barato importar de países como a Argentina (que viveu seu esplendor naquela época) do que produzir no próprio país.

    Quem analisou todo esse processo de forma brilhante foi Eric Hobsbawn, num livro chamado Era dos Impérios. Recomendo a leitura.

    Em suma: Madame Thatcher certamente não contribuiu para reerguer a Grã-bretanha, mas certamente não foi o fator decisivo para a sua derrocada.

    Um abraço,

    Marco Antônio

  10. (parte 2)A primeira vez que
    (parte 2)A primeira vez que comprei um isqueiro que se quebrou 2 horas depois eu o comprei de uma loja chiquerrima em uma das Dales na beira do Columbia River em Oregon, eu estava a caminho de Idaho; deve ter sido 92. Achei estranhissimo. Duas semanas depois, na volta, parei na mesma loja e troquei o isqueiro -mesmo sem recibo, praticamente ninguem se importa nos EUA. Agora, todo dia eh um isqueiro quebrado!

    A sociedade *nao* pode entrar em uma corrida de precos compensatorios para acompanhar mercadorias porque eh obvio que a sociedade vai estar em uma posicao inferior -porque cronologicamente atrazada, e eh evidente que numa corrida de precos pequenas companias vao desaparecer e o consumidor vai pagar o pato.

    Nessa corrida, o governo desiste do controle de qualidade pela sobrevivencia dos locais(!!!!) por causa de uma corrida de precos que o proprio governo causou.

    Fica assim: se o aço americano tentasse invadir o mundo ao preco que eles cobram aqui nos EUA, os produtores aqui morreriam de fome. Esta aberta a corrida. Ninguem quer aço de ouro, mas todo mundo quer aço. Advinhem o que vai acontecer com a qualidade do aço mundial?

    Mas nao eh de aço e isqueiros que estou falando, essa eh a situacao mundial a respeito de qualquer coisa. Minas exporta ferro e eletricidade mais baratos do que os mineiros pagam -tem um mundo de coisas erradas na politica de precos das companias estatais e privadas de Minas que nao podem ser faladas porque o governo nao deixa.

    A infraestrutura eletrica e telefonica brasileiras nunca foram construidas por causa da distorcao de precos. Nem menciono saneamento e rodovias, porque todo mundo ja sabe o que aconteceu. A telefonia celular foi privatizada praticamente de graca mesmo que a telefonia imovel sequer tenha estrutura construida -uma tremenda cara de pau, mas a corrida de precos nao deixa outra coisa acontecer. Alguem tem telefonia boa no Brasil? Quando chove sua eletricidade desaparece tambem? Seu servico “alta velocidade” de internet tem alta velocidade ultimamente? Corrida de precos = baixa qualidade em tudo.

    E quem esta atraz dela eh o governo, mais precisamente os lobistas infiltrados dentro do governo.

    Agora que estamos aqui, releiam o item de novo, e vejam como tudo pode, de fato, ter comecado com Tatcher na Inglaterra e Reagan nos EUA.

    Eu vivia aqui em 1980.

    O mundo ja foi diferente.

  11. “Esta é a razão de que aqui
    “Esta é a razão de que aqui as empresas do setor automobilístico estão muito bem”: e a qualidade das pulguinhas assassinas que os brasileiros chamam desavergonhadamente de “carros”? Ta boa ultimamente?

  12. Deveriam proibir pura e
    Deveriam proibir pura e simplesmente fusoes e aquisicoes no setor de bens de consumo onde a empresa resultante teria mais de 10% do mercado. Simples assim.
    No setor de supermercados proibicao pura e simples.

    Eu, particularmente, detesto o Carrefour e acho que nos faria um bem danado se fizesse as malas e fosse embora. Alias, eu detesto hipermercados. Como pode um lugar vender pao e pneu? Eu gosto mesmo e de shopping center (abertos ou fechados), onde vc encontra de tudo em pequenas lojas. Lojas que vendem de tudo, tem vendedores que nao sabem de nada. Um horror.

    Acho que o agrupamento de lojas complementares (acogue, padaria) numa mesma rua ajudaria a enfrentar a concorrencia dos hipermercados.

  13. “Eu gosto mesmo e de shopping
    “Eu gosto mesmo e de shopping center (abertos ou fechados), onde vc encontra de tudo em pequenas lojas”: o que passa por “shopping center” no Brasil, ou pelo menos em BH e Brasilia, da ate vergonha de entrar! Eh tudo carissimo e falsamente “luxuoso”, como se shopping center tivesse sido inventado pra rico!

    Sou mais de Galeria Ouvidor mesmo.

  14. Curioso ressucitar esse texto
    Curioso ressucitar esse texto de FHC. Este indivíduo sempre enganou os desavisados. Gente de esquerda que acreditava na falácia de que o príncipe dos sociólogos se alinhava ao campo popular democrático. Talvez seja o maior engodo da história do Brasil.

  15. Francamente, Sr Pedro. Uma
    Francamente, Sr Pedro. Uma verdadeira coleção de atrocidades e desinformação ao leitor deste blog. Sua retórica definitivamente não resiste ao números. Vou pegar aqueles que são os mais “conservadores” ,diferentemente de você, que escolheu períodos curtíssimos para sua diatribe “analítica”. As implicações das reformas de Thatcher, começam a surtir efeito a partir dos anos 90. O PIB em libras de 1990 era 557 bi (tx câmbio 0,56 pounds/US$). Em 2005, o PIB estava em 1,3 tri (tx de câmbio 0,54 pounds/US$) com inflação no períod0 de 41%, portanto a preços constantes um crescimento real de 54%(!!!!) do PIB. O PIB per capita em PPP (medida mais fidedigna, mas pode pegar outra que não difere em nada!) saiu de U$ 11,9 mil em 1985 para US$16,2 mil em 1990 (Vc acha pouco? Bem, faça o seguinte: pegue os valores a partir da chegada de Thatcher e vc vai ver, para sua surpresa, um crecimento mais robusto).De 1990 até 2006 (último dado da OCDE), período no qual as reformas privatizantes se fazem sentir com maior peso, o PIB per capita praticamente duplicou para chegar a US$ 33 Mil em 2006, acima da média da OCDE, superando todos os países do continente, a Finlândia, e ,de sobra, o Japão. Faça também um exercício menos retórico, e verifique o IDH (muito apreciado também) e mais uma vez vc se surprenderá.
    Não basta somente uma retórica pseudoanalítica virulenta, totalmente improcedente e oportunista, na qual só se vê viés idéológico sem qualquer fundamentação por conta de um período de turbulência em que todos os atores econômicos globais estão envolvidos para oportunisticamente soltar impropérios por simples predileção ideológica. Um pouco de respeito ao números é bom e todos merecem.

    Arthur

    PS.: Todos os dados estão disponíveis no “sigiloso” website http://www.ocde.org

  16. “Uma verdadeira coleção de
    “Uma verdadeira coleção de atrocidades e desinformação ao leitor deste blog. Sua retórica definitivamente não resiste ao números. Vou pegar aqueles que são os mais “conservadores” ,diferentemente de você, que escolheu períodos curtíssimos para sua diatribe “analítica””:

    Aqui esta a retorica da colecao de atrocidades e desinformacao em forma de diatribe analitica:

    1-Thatcher defendia as pequenas empresas, apenas como instrumento de retórica.
    2-seu discurso em favor de uma “democracia de pequenos proprietários” teve grande impacto na mídia, e foi um poderoso expediente de marketing político.
    3-seus 11 anos de governo (1979-90) apenas reforçaram o capital monopolista.
    4-tendências à concentração e centralização do poder econômico só avançaram
    5-não existe nenhum caso no mundo de reversão dessa tendência.

    6-“short sharp shock” britânico forjou, deliberadamente, um processo de fortalecimento dos monopólios
    7-primeiro, uma forte abertura da economia, expondo os fabricantes ingleses à concorrência internacional.
    8-No começo, recorde de falências e concordatas. Depois, “ajuste’ e “saneamento” das empresas, forçadas a reestruturarem-se.
    9- pequenas e médias empresas sucumbiram diante da concorrência implacável, e foram fechadas ou adquiridas por um preço vil

    10-O PIB britânico encolheu 2,3%, enquanto a produção industrial diminuiu em 14%, entre 1979 e 1981.
    11-Inglaterra passou por um processo, por assim dizer, de desindustrialização; fechou as antigas smockestack industries (”fábricas de chaminé”) e buscou vantagens comparativas
    12-Quanto à diminuição do tamanho das fábricas, trata-se de uma tendência mundial: Toyotismo, kanban, just-in-time etc. são formas de controle do movimento operário.
    13-modelo fordista, aquele do “operário-massa”, constitui um poderoso obstáculo à implementação das novas formas de controle dos sindicatos
    14-se trata de criar um ambiente mais favorável à exploração desenfreada
    15-não são ingênuos, todos sabiam exatamente o que iria acontecer.

    Qual dos items numerados eh a retorica da colecao de atrocidades e desinformacao em forma de diatribe analitica?

  17. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios encontram-se espantados pelo fato de existirem súditos saudosistas da Sra. Tatcher, mãe do neoliberalismo, com seu séquito de receitas espúrias — desregulação, liberalização, privatização, abolição dos controles sobre os movimentos de capital, repressão de sindicatos, rebaixamento de salários –, que tiveram beneficiários certos, que reduziram cada país a simples nódulo de uma teia mundial de especulação que acabou de explodir inexoravelmente… Será que ainda não viram? Em que planeta vivem? Ressucitar o neoliberalismo da Sra. Tatcher agora? Acorda, gente!

  18. Respondo ao Marco
    Respondo ao Marco Antonio:
    Concordo contigo: a gestão Thatcher merece uma reflexão mais profunda. Minha intenção não era analisar o declínio do império britânico (um processo histórico de longa maturação, com profundas raízes históricas), apenas fiz um breve comentário em cima de uma observação aqui neste blog.
    Você afirma: “Pode ser que ela tenha contribuído para a derrocada da Inglaterra como potência mundial, mas daí a dizer que ela foi a responsável pelo processo de desindustrialização da Inglaterra vai uma distância enorme”. Eu não afirmei que Thatcher foi “a responsável” pelo processo de desindustrialização. Tenho consciência que, durante o seu governo, o que aconteceu foi o reforço de uma tendência – a assim chamada desindustrialização – que data da segunda metade do século XIX. Lênin, no seu conhecido “Imperialismo, fase superior do capitalismo” tem algumas estatísticas que corroboram a sua afirmação (que, repito: não divergem das minhas teses): entre elas, a de que o proletariado industrial da Inglaterra declinou de 23% para 15% da população inglesa, entre 1851 e 1901. Quanto às informações sobre concentração naquele período, baseio-me no economista austríaco Rudolf Hilferding, e seu livro sobre o capital financeiro.
    Já Hobsbawn, em outro livro (A era dos extremos), identifica a continuidade do processo de decadência da Grã-Bretanha, chamando-a de “lerda”, pois durante todo o século XX cresceu a taxas inferiores a de países como Itália, Japão e Alemanha.
    Como se nota, não há contradição naquilo que escrevi. É claro que existem lacunas, devido sobretudo à necessidade de escrever um comentário enxuto para este blog. O assunto ainda dá muito pano pra manga. Mas espero ter contribuído para o debate.
    Saudações.

  19. Ivan,
    Ach que você não
    Ivan,
    Ach que você não entendeu o espírito da coisa. É só uma questão de dismistificação. O autor Pedro está querendo mostrar os efeitos deletérios do suposto neoliberalismo no Reino Unido, mas, excetuando-se o período que ele marotamente escolheu, de 1979 a 1881 (3 aninhos só, será que não valeria saber o que ocorre neste período no mundo??)não há mais nenhum dado macroeconômico que sugira a tal da destruição econômica nos anos Thatcher. A tal da queda na produção industrial acontece mesmo quando uma economia madura se converte de vez ao setor de nontradeables. Por que não mencionou o que ocorreu após este período? Claro porque não interessa ao discurso. Já em 1983, apesar da queda do produto industrial, o crescimento econômico foi robusto com inflação sob controle e taxas de juros básicos, assim como os juros hipotecários baixos.
    O texto do Sr Pedro é hiperbólico e retumbante escorado em pouca substância: profético às avessas. Frases do tipo:….todos sabiam o que iria acontecer….. Pergunto: Que todos, cara pálida?? O que ele quer dizer é o seguinte: “Viu, pessoal, no que dá você embarcar em reformas liberalizantes do tipo Estado Mínimo e etc,acaba resultando em uma hecatombe.” O que eu digo é:”Tire a máscara ideológica esquerdóide e olha para os indicadores. Pouco importa este debate embotado de “neo-qualquer-coisa, ele não leva a nada”. Como se isso não bastasse, o autor publicou inverdades. Não é verdade que Thatcher era contra microempresas. A partir de suas reformas, houve uma explosão (sim, explosão) de microempresas ( inclusive do setor não-financeiro e 99% delas contribuintes na economia formal) no Reino Unido. O setor imobiliário expandiu-se vigorosamente durante sua gestão, abriu oportunidades de emprego e mais de 1,5 milhões de residências existentes, estoque de capital não-remunerado pertencentes ao estado britânico, foram vendidas aos seus inquilinos de 1980 a 1985. Só a privatização do monopólio estatal carvoeiro, setor em franca decadência e de baixíssima produtividade, poupou milhões de libras de subsídios aos cofres públicos. A vida econômica do cidadão britânico melhorou muito desde a era Thatcher e ,em boa medida, isto se deve ao saldo de seu legado(mais acertos do que erros)
    Apesar da defesa que aqui faço,não sou thatcherista e reconheço sua truculência, mas estas demonizações gratuitas são muito chatas e obtusas.Quase sempre joga-se o bebê com a água suja fora. Disponibilizarei mais dados aqui (se for de interesse de alguém) para desmontar estas teses espúrias do Sr Pedro, que, digo e repito, são sim de um primarismo analítico atroz.

  20. Respondo a Arthur
    Respondo a Arthur Selke:

    Você afirma: “Não basta somente uma retórica pseudoanalítica virulenta, totalmente improcedente e oportunista, na qual só se vê viés idéológico sem qualquer fundamentação por conta de um período de turbulência em que todos os atores econômicos globais estão envolvidos para oportunisticamente soltar impropérios por simples predileção ideológica. Um pouco de respeito ao números é bom e todos merecem”.

    Bom, alguém já falou que “torturando-se os números, eles confessam qualquer coisa”. Você deve ter aprendido com a imprensa brasileira, especialista em “interpretar” pesquisas eleitorais, popularidade do governo etc. Então, que tal falar dos números que você não cita: recorde de desemprego na Inglaterra, impopularidade das medidas adotadas por Thatcher (que era conhecida como “dama de ferro” não exatamente por ser a queridinha dos trabalhadores), aumento da desigualdade social?

    Puxa, mas então os “resultados” da política de Thatcher só apareceram mais de uma década depois? Ela chega ao governo em 1979 e os resultados aparecem nos anos 90??? Meu caro, saiba também que até relógio quebrado acerta o horário duas vezes por dia. É óbvio que o “saneamento” da economia britânica só teria resultados a longo prazo, a um custo social enorme. Sim, a economia britânica se recuperou, assim como entre 1968 e 1973 o PIB brasileiro cresceu a taxas superiores a dois dígitos. Se você fica deslumbrado com o crescimento do PIB em termos absolutos e não se preocupa com a forma como a riqueza é distribuída, então fica claro o seu viés ideológico: reacionário.

    Saiba que o desemprego, durante o governo Thatcher, foi o maior de toda a Europa do período. Se o problema é a linguagem, veja o que disse o assessor econômico de Thatcher, o sr. Allan Budd, numa entrevista na televisão:

    “Aumentar o desemprego foi uma maneira muito conveniente de reduzir a força da classe operária. O que se procurou forjar – para falar numa linguagem marxista – foi uma crise no capitalismo, que repôs o exército industrial de reserva e permitiu aos capitalistas a obtenção de grandes lucros daí por diante”.

    Viu só? Não é preciso ser marxista para reconhecer a força explicativa do pensamento de Marx.

    E saiba também que a concentração de renda aumentou, e que hoje cerca de dois terços dos postos de trabalho na Inglaterra são precários, resultado da assim chamada flexibilização laboral. Em resumo: a recuperação da atividade econômica foi obtida por meio da compressão do poder aquisitivo da classe operária, da intensificação da jornada (Thatcher aboliu até mesmo o salário mínimo e a fixação legal da jornada, que agora dependem da barganha direta entre capital e trabalho – que favorece o primeiro, em tempos de crise como foram os anos 80).
    De resto, Thatcher era autoritária. Queridinha dos Chicago Boys, formava com estes e Augusto Pinochet um trio bastante curioso, não é mesmo? Ah, você deve ser um daqueles que admiram, como Thatcher, a experiência chilena do pós-1973? (Milton Friedman e os Chicago Boys levaram a experiência do “laboratório chileno’ para a Sra. Thatcher, que ficou encantada).

    Bom, sr. Arthur. No seu comentário, há mais juízos de valor do que números. E estes, você usa para “provar” qualquer coisa. O curioso mesmo é que você fala na minha linguagem “ideológica”, mas exalta o todo-poderoso Deus mercado dos cabeças de planilha.

    É claro que a questão é ideológica. Afinal, como diria o Celso Furtado, “a política econômica, antes de ser econômica, é política”. Todo tecnocrata é, no fundo, um impostor: fala nos “interesses gerais da nação” para defender essa ou aquela classe, ou grupo social. E se esquecem, assim como você, que vivemos numa sociedade de classes, com interesses profundamente contraditórios.

  21. As informações sobre o
    As informações sobre o governo Thatcher fazem parte de uma pesquisa mais ampla que estou realizando. O Sr. Arthur cita apenas uma fonte, mas pode também consultar as seguintes:
    ANDERSON, Perry (1995). “Balanço do neoliberalismo”, in: SADER, Emir, & GENTILI, Pablo (orgs.): Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
    BEYNON, Huw (1995). “A destruição da classe operária inglesa?”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 27, fevereiro 1995
    __________ (1999). “Globalização, neoliberalismo e direitos dos trabalhadores no Reino Unido”, in: OLIVEIRA, Francisco, & PAOLI, Maria Célia (orgs.): Os sentidos da democracia. Políticas de dissenso e hegemonia global. Petróplis: Vozes; Brasília: NEDIC.
    __________ (1999). “As práticas do trabalho em mutação”, in: ANTUNES, Ricardo (org.): Neoliberalismo, trabalho e sindicatos: reestruturação produtiva no Brasil e na Inglaterra. São Paulo: Boitempo.
    GAMBLE, Andrew (1993). “The entrails of thatcherism”. New Left Review, 198, March/April 1993
    GLYN, Andrew (1995). “Os custos da estabilidade: os países capitalistas avançados nos anos 80”, in: SADER, Emir (org.): O mundo depois da queda. São Paulo: Paz e Terra.
    IBARRA PALAFOX, Francisco A. (1999). “La reforma del Estado británico”. Boletín Mexicano de Derecho Comparado, número 95. México: Instituto de Investigaciones Jurídicas de la UNAM.
    KRIEGER, Joel (1987). “The United Kingdom: symbiosis or division”, in: LODGE, George C. & VOGEL, Ezra F. (eds.). Ideology and national competitiveness. Harvard Business School Press.
    LEYS, Colin (1985). “Thatcherism and British manufacturing: a question of hegemony”. New Left Review, 151, May/June 1985
    MARSDEN, Chris, & HYLAND, Julie (1999). “Lo que el caso de Pinochet revela sobre Gran Bretaña”. Comitê Internacional da Quarta Internacional, World Socialist Web Site, 9 de janeiro de 1999. (www.wsws.org)
    McILROY, John (1999). “O inverno do sindicalismo”, in: ANTUNES, Ricardo (org.): Neoliberalismo, trabalho e sindicatos: reestruturação produtiva no Brasil e na Inglaterra. São Paulo: Boitempo.
    NATIONAL LIBRARY OF WALES. “Las huelgas de los mineros en 1972, 1974 y 1984-5”. http://www.llgc.org.uk
    NAVARRO, A (1997). “Bancarrota conservadora: la crisis en manos laboristas”. Liga Comunista Argentina (www.members.tripod.com/~ligacomunista/BR25/14-Granbre.html)
    POLITICAL COMMITTEE OF SOCIALIST EQUALITY PARTY. “After 18 years of Tory rule. A socialist alternative is needed”. http://www.socialequality.org.uk/elect97/1b232.htm
    RESHEF, Yonathan (2001). “British labour legislation after 1945”. Edmonton: University of Alberta.
    RODRIGUES, Iram Jácome, & RAMALHO, José Ricardo (1998). “Dilemas do sindicalismo na Inglaterra e no Brasil: uma abordagem comparativa”. Texto apresentado ao XXII encontro anual da ANPOCS – Associação de Nacional Pós-Graduação em Ciências Sociais. Caxambu/MG, outubro de 1998.
    RODRIGUES, Leôncio Martins (1999). Destino do sindicalismo. São Paulo: Edusp/Fapesp.
    TAVARES, Maria da Conceição (1996). “Ajuste e reestruturação nos países centrais: a modernização conservadora”, in: TAVARES, M. C. & FIORI, J. L.: (Des)ajuste global e modernização conservadora. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
    TAYLOR-GOOBY, Peter (1991). “Welfare, hierarquia e a ‘nova direita’ na Era Thatcher”. Lua Nova, n. 24, setembro de 1991
    TAYLOR, Paul (1997). “Reino Unido e Brasil no sistema político internacional nos anos 90, com particular referência às Nações Unidas”. Trabalho apresentado no Seminário Brasil- Reino Unido, 18 e 19 de setembro de 1997, Rio de Janeiro
    THELEN, Kathleen (s/d). “Varieties of labour politics in the developed democracies”.
    WOODS, Alan (1998). “Una alternativa socialista a la Unión Europea (2)”. Marxismo Hoy n. 04, fundação Friedrich Engels, maio de 1998

  22. “Disponibilizarei mais dados
    “Disponibilizarei mais dados aqui (se for de interesse de alguém) para desmontar estas teses espúrias do Sr Pedro, que, digo e repito, são sim de um primarismo analítico atroz.”: ta, mas o primarismo analitico atroz do esquerdoide oportunista foi precisamente o que aconteceu NO BRASIL quando a elite importou a tecnologia financeira do neoliberalismo aperfeicoada na Inglaterra e empurrada goela abaixo da populacao brasileira e todo mundo passou fome por causa dela, sem contar com as marcas mentais na psicologia brasileira ate hoje.

    A analise esta correta -e ele nao deixou de mencionar Collor. O neoliberalismo foi importado, dane se quem nao pode “competir”. Ninguem pode exceto as elites, mas aas custas da populacao brasileira.

    “Por que não mencionou o que ocorreu após este período? Claro porque não interessa ao discurso”: nao, a razao eh bem mais simples. Blinders. Desde a introducao do neoliberalismo no Brasil os brasileiros tiveram dificuldade apos dificuldade, sem parar um minuto. O artigo eh a respeito do que aconteceu no Inglaterra mas nunca aconteceu no Brasil porque quem lucrava com as politicas importadas era so exportador de dinheiro. Se assim nao fosse nao haveria uma razao no mundo pra tecnologia financeira ser exportada como se fosse um bem, comprada por elites de outros paises, e usada contra a populacao enquanto 15 ou 20 mil pessoa exportavam trilhoes do pais.

    Foi a (…) da Inglaterra sim, e foi o cavalo do presidente americano sim. Se “não há mais nenhum dado macroeconômico que sugira a tal da destruição econômica nos anos Thatcher”, eh porque exportacao de tecnologia financeira da lucros imensos. Tanto que ela foi empurrada no Brasil traicoeiramente, sem ninguem ninguem dizer nada a ninguem da populacao. E “todo mundo sabia sim, pelo menos no Brasil sabiam. E mesmo assim o fizeram, pelo lucro.

    Nao tente esfregar no nariz dos brasileiros os “acertos” do neoliberalismo aas maos de quem lucrou com ele no leitor brasileiro porque eu vi o Brasil em 93, depois 94. O Brasil estava estracalhado fisica e mentalmente. Minha irma da Australia foi visitar o Rio no meio dos anos 80 e disse que tinha gente chegando pra ela na rua vendendo bugigangas e dizendo “Pelo amor de Deus compre isso porque meus filhos tao com fome”.

    Quanto a “Viu, pessoal, no que dá você embarcar em reformas liberalizantes do tipo Estado Mínimo e etc,acaba resultando em uma hecatombe”: nao aconteceu la? Otimo. No Brasil foi um desastre. Nada tinha que acontecer, absolutamente nada, porque no futuro tudo vai ser de todo mundo por 15 minutos. Todo privilegio de reis vai ser obrigacao de todo mundo. Toda responsabilidade, todo dever, todo cliente, todo dinheiro, toda mercadoria. Vai ser tudo de todo mundo.

  23. (…) !!!!!

    Essa carreirista
    (…) !!!!!

    Essa carreirista incompetente e inescrupolosa ao ser lhe perguntado sobre MADELA(ainda preso) na ex colonia (INGLESA) Africa do Sul!!!!

    DISSE ::::

    “””” nunca”””!!!!

    ESSA VELHA( SEUS ASSECLAS VELHACOS )

    NO TtRIBUNAL iNTERNACIONAL

    SOH “”””pena capital “””!!!!

  24. Luis Nassif,
    Não sei até que
    Luis Nassif,
    Não sei até que ponto a discussão sobre quem foi e o que fez a Margareth Thatcher seja relevante. De todo modo não considero correto as avaliações que se fazem de Margareth Thatcher. Que ela era conservadora não se discute. Foi sobre ela que tratava o texto aqui do blog com o título “Até os conservadores mudam” de 02/02/2009 às 10:55. O título era um truísmo. O problema maior era a primeira frase do texto “A grande mentora do chamado neoliberalismo foi Margareth Thatcher e o partido conservador inglês”.
    Primeiro neoliberalismo é expressão do mundo acadêmico. Não há no mundo real governante que ponha em prática as idéias neoliberais. Chamar Margareth Thatcher que teve que abandonar a liderança do partido dela por que ela queria aumentar a carga tributária, de a grande mentora do chamado neoliberalismo é enrolar os fatos (Uma forma de se aferir o tamanho e força do Estado é pela carga tributária e, portanto, quem quer aumentar a carga tributária é a favor do estado máximo). Aqui no Brasil se faz a mesma coisa com o FHC, um grande defensor do Estado forte, embora na minha opinião, Margareth Thatcher possuia, à época dela, muito mais capacidade de governar que o nosso príncipe dos Sociologia em qualquer época.
    Se conforme o Pedro disse, Thatcher defendia as pequenas empresas, apenas como instrumento de retórica, há que se bater palmas para ela, afinal isso apenas comprova que , como pessoa inteligente que era, ela sabia muito bem que a idéia de concorrência é ruim para o capitalismo. A concorrência é cara aos acadêmicos, mas apenas serve para reduzir o lucro das empresas e conseqüentemente produzir um investimento menor no futuro. A essência do capitalismo é a concentração de capital. Para que esse processo concentracionista não o destrua, o capitalismo precisa de um Estado cada vez mais forte. Provavelmente no final, o Estado será tão forte que destruirá o capitalismo, ou melhor, permitirá que o capitalismo seja superado, mas até lá muitas águas vão rolar.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/02/2009

  25. É injusto comparar Collor e
    É injusto comparar Collor e FHC. A abertura de Collor teve o condão de, pela queda de um protecionismo que se justificava apenas na fase da implantação de indústrias, forçar a modernização e competitividade industrial “na marra”. Caso clássico é o da indústria automobilística: ao tempo de Collor, nosso “top de linha” era um velho sedan dos anos 60, com um anacrônico e beberrão motor de seis cilindros. Hoje, mesmo os carros populares oferecem desempenho, economia e qualidade inimagináveis para o Brasil dos anos 80.
    FHC, o que fez? Desmantelou as comunicações – estabelecidas arduamente pelos governos militares – com a alegação de ineficiência, entregando-as de mãos beijadas a grandes grupos. O detalhe macabro: a tal “eficiência privada” no setor é uma falácia, haja vista que FHC praticou um tarifaço no setor que avalizou – com sobras – os investimentos que tornaram possível a imediata habilitação de linhas telefônicas ou celulares. Ora, ora! A estatais de comunicação praticavam tarifas sociais por política de estado, o que esvaziava o caixa para investir. Uma assinatura mensal de uma linha custava menos que um real, com 90 pulsos inclusos! Por que o (como bem salientou o autor do texto) “entreguista” não majorou as tarifas e manteve as comunicações sob controle estatal? Ou, outra hipótese, manter empresas-espelho estatais como instrumento de regulação de mercado, concorrendo com empresas privadas?
    Tenho fé que o tempo colocará FHC e Collor em seus devidos lugares na história. FHC sozinho foi pior para o Brasil que 100 PC-Farias.

    Concordo. O Collor fez muita besteira, como a reforma administrativa, o desmonte da indústria de defesa. Mas seu desafio era o de derrubar um modelo fechado aparentemente irremovível. E sua estratégia de abertura comercial foi mais responsável. FHC deveria ter sido a consolidação desse modelo, mas com as jogadas cambiais de 1994 em diante, em nada avançou.

  26. Nassif, por que não fazer uma
    Nassif, por que não fazer uma comparação objetiva em vez de tanto blablabla?
    Alguém com tempo poderia pegar alguns indicadores (crescimento do PIB, evolução da renda per capita, etc) da economia inglesa e compará-los com as outras duas grandes economias da Europa, a francesa e a alemã, desde o início do governo Thatcher até 2007/8. Dá quase 30 anos de comparação, acho que fica muito mais produtivo o debate com estes dados.
    Ah, proponho isso sem ter a menor idéia do que vai dar.

  27. Ivan Moraes,
    Muito bom o seu
    Ivan Moraes,
    Muito bom o seu resumo do texto do Pedro, que aparece no seu comentário de 03/02/2009 às 19:47, mostrando a Arthur Selke que era ele o retórico.
    Ricardo Montero,
    Você fala da injustiça de comparar Collor com FHC. Eu também penso que não se deve compara coisas assim tão ruins. Mas ao dizer que FHC e Collor são ruins eu estou apenas emitindo uma opinião que pode ou não está sendo coerentemente obtida. A ênfase que eu quis dar na última frase foi na coerência. Havendo a coerência a nossa opinião avaliativa pode ou não ser obtida a partir de critérios objetivos. De todo modo, com certeza, a menos que minha escolha dos critérios seja aleatória, eu os escolhi ideologicamente. Seja, por exemplo, o PIB. Eu sou leigo, mas se você for economista e adotar critérios de desenvolvimento segundo o modelo de Nicholas Georgescu-Roegen você vai considerar bom político aquele que não deixou a economia crescer muito. Sobre o Nicholas Georgescu-Roegen você pode ir em um texto sobre ele que saiu na aba de economia (Houve a chamada na aba principal do blog com o título de “Termodinâmica e Sustentabilidade”, mas é mais fácil achar na aba de economia) depois da metade do ano passado no blog do Luis Nassif. Também muito bom é fazer uma consulta no site do professor José Eli da Veiga. Lá, em artigos publicados nos jornais e revistas há textos sobre N. Georgescu-Roegem e outros sobre o PIB que merecem ser lidos. Um deles “A força que o PIB tem” mostra que o PIB nada mais é do que a demonstração da capacidade de um país sustentar uma guerra. Enfim, trata-se de critério altamente subjetivo.
    O Luis Nassif gosta muito de referir-se à competência administrativa e empreendedora dos nossos governantes. Eu considero isso uma falácia. O ser humano não possui um mecanismo para dizer se fulano é um bom gerente ou coisa que o valha, no setor público. Mesmo na iniciativa privada alguns que, em razão dos lucros elevados das empresas que geriram, passam anos sendo louvados, depois, passam para o descrédito total. Nossa ideologia é que nos faz aproximar mais de um do que de outro. Achamos quem pensa mais próximo da gente mais competente do quem pensa diferentemente, a menos que estivermos mudando os nossos conceitos.
    Há algumas afirmações no seu texto, entretanto que não são assim fatos muito bem comprovados. Você diz que a abertura de Collor foi na época certa. Será? Se a proteção a informática perdurasse por mais uns dez anos talvez nós pudéssemos ter hoje uma forte indústria de informática. Provavelmente o que nós ainda temos de vanguarda nessa área seja fruto da política restritiva que adotamos até Collor, mas a quebra naquele momento impediu-a de se despontar mais.
    Há também sua referência, como caso clássico, à indústria automobilística para a qual houve a célebre frase de Collor: “Os carros brasileiros são uma carroça”. Bem, quando Collor disse a frase eu brincava retrucando: “Para quem cara pálida, para quem cara pálida?”. Se você pegar uma estradinha do interior não fique surpreso se você topar com uma brasília sendo carregada por (ou carregando) uma família de até cinco filhos (embora hoje não se façam famílias com cinco filhos). E o melhor. Em 1985 foi lançado o Fiat Uno. Ainda hoje, o mesmo modelinho de antanho, com alguns reforços de proteção para os passageiros e motorista, é um dos carros mais vendidos no Brasil.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/02/2009

  28. Clever,
    O argumento do Fiat
    Clever,
    O argumento do Fiat Uno valeu mais do que qualquer livro escrito por um professor de economia da PUC do Rio.

  29. Boa Tarde,

    Sr Pedro.
    Boa Tarde,

    Sr Pedro. Responderei à sua réplica tão logo sobre-me um pouco mais de tempo.
    Sr Wilson. Leia o que está acima. Alguns dos dados que solicitou sem o blalbla que lhe incomoda.Passarei mais dados e todas as fontes diretas para a consulta dos mesmos sem o filtro da literatura existente para que faça sua avaliação e sua contextualização de forma autônoma , sem mimetismos e sem se escorar apenas em grandes autores, pois aí já são “índices” de índices com um baita ruído de informação. Abs

  30. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios lembram que Tatcher tentou uma versão inglesa do friedmanismo (Milton Fridman – Escola de Chicago, cujo experimento inaugural foi o Chile de Pinochet), ao defender proposta que ficou conhecida como “sociedade da propriedade”. Seu esforço se concentrou nas habitações públicas da Grã-Bretanha, ou imóveis públicos, contra os quais Tatcher se posicionava por razões filosóficas, por acreditar que o Estado não deveria desempenhar nenhum papel no mercado imobiliário.

    Os imóveis públicos eram habitados por pessoas que jamais votariam nos conservadores, porque isso não fazia parte dos seus interesses individuais; Tatcher estava convencida de que se elas fossem levadas ao mercado, começariam a se identificar com os interesses dos individuos mais abastados que se opunham à redistribuição.

    Com essa idéia na cabeça, deu grandes incentivos para os residentes de imóveis públicos comprarem seus apartamentos com taxas reduzidas. Os que puderam, se tornaram proprietários imobiliários; os que não conseguiram, tiveram que enfrentar aluguéis quase duas vezes mais altos do que antes.

    Era uma estratégia do “dividir para reinar”, e funcionou; os inquilinos continuaram a se opor a Tatcher, as ruas das grandes cidades da Grã-Bretanha assistiram ao crescimento visível de desabrigados transformados em sem-teto, mas as pesquisas mostraram que mais da metade dos novos proprietários havia mudado sua filiação partidária para os conservadores.

    Embora as vendas de imóveis oferecessem um lampejo de esperança para a implantação de medidas econômicas direitistas numa democracia, Tatcher ainda sentia a ameaça de perder o cargo após o primeiro mandato. Em 1979, fizera sua campanha com o slogan “O trabalhismo não esta funcionando”, mas, em 1982, o desemprego havia dobrado, tanto quanto as taxa de inflação.

    Ela tentou enfrentar o sindicato dos mineiros de carvão, um dos mais poderosos do país, mas não conseguiu. Depois de três anos no cargo, Tatcher viu seu nível de aprovação pessoal cair para apenas 25% — inferior ao nível mais baixo até então atingido por George Bush (pai) e menor que o de qualquer outro primeiro-ministro britânico, desde quando as pesquisas começaram a ser feitas. A aprovação de seu governo como um todo caiu para 18%.

    Com uma eleição geral se aproximando, o tatcherismo parecia estar perto de um desfecho rápido e inglório, logo depois de os conservadores terem alcançado seus objetivos mais ambiciosos, com a privatização em massa e a fratura de muitos sindicatos operários.

    Foi em meio a essas circunstâncias atribuladas que Tatcher escreveu para Hayek, informando-o educadamente de que uma transformação no estilo chileno (“Pinochetaço”) era “completamente inaceitável” no Reino Unido.

    O primeiro mandato catastrófico deTatcher pareceu depois confirmar as lições do governo Nixon: as políticas radicais e altamente lucrativas da Escola de Chicago não podiam sobreviver num sistema democrático. Estava claro que a imposição bem-sucedida da terapia do choque econômico requeria outro tipo de choque — proveniente de um golpe, ou da câmara de tortura implementada por regimes repressivos.

    Seis semanas depois que Tatcher escreveu aquela carta para Hayek, algo aconteceu para modificar suas idéias e alterar o destino da cruzada corporatista; no dia 2 de abril de 1982, a Argentina invadiu as ilhas Falkland, uma relíquia do império colonial britânico. A Guerra das Falkland, ou Guerra das Malvinas para os argentinos, entrou para a história, com justiça, como uma batalha violenta, porém menor.

    Na época, as Falkland pareciam não ter nenhuma importância estratégica. O grupo de ilhas situado ao largo da costa argentina ficava a milhares de quilometros da Grã-Bretanha e custava caro para ser vigiado e mantido.

    Para a Argentina, também tinha pouca serventia, embora uma base militar britânica em suas águas fosse vista como uma afronta ao orgulho nacional. Jorge Luiz Borges, o lendário escritor argentino, descreveu essa disputa de terra, com mordacidade, como a “luta entre dois homens, carecas por causa de um pente”.

    De um ponto de vista militar, a batalha de onze semanas não aparenta quase nenhuma relevância histórica. Analisando com maior atenção, no entanto, o impacto da guerra no projeto do livre mercado foi imenso; afinal, a Guerra das Falkland deu a Tatcher a cobertura política que ela precisava para implementar, pela primeira vez, um programa de transformação capitalista radical numa democracia liberal do Ocidente.

    A Guerra das Falkland foi para Tatcher a última esperança de dar uma guinada em sua carreira política. Embora tivesse cortado os gastos militares para as ilhas, Tatcher não vacilou em usar os militares para seus próprios objetivos políticos, ao promover a guerra. Assim se manifestou o Financial |Times: “A posição, e talvez a própria sobrevivência do governo conservador da Grã-Bretanha, também está”.

    Tatcher manteve-se distante das Nações Unidas, do mesmo modo que Bush e Blair fizeram ao iniciar a guerra do Iraque, desisyenressados de qualquer sanção ou negociação.

    A contra-invasão dos militares britâncos nas Falkland foi apelidada de Operação Corporação e, embora o nome parecesse esq

  31. As notícias do Alto Xingu me
    As notícias do Alto Xingu me fazem recordar o quadro desolador para os trabalhadores britânicos, durante os anos oitenta. Repressão policial cotidiana, muito sangue derramado, terrorismo de Estado, aplicação do código penal em lugar da legislação trabalhista etc.

    Tudo isso foi retratado como plano de fundo para o filme “Billy Elliot”, que pode ser conferido no link abaixo:
    http://www.youtube.com/watch?v=9kei1b0MF5A

    Esse belíssimo filme, por sua vez, me falar lembrar o diálogo entre o personagem Tom Joad (interpretado magistralmente por Henry Ford) e sua mãe, em “As vinhas da ira”, de John Ford:

    “Eu estarei nos cantos escuros
    Estarei em todo lugar
    Onde quer que olhe
    Onde houver uma luta para que os famintos possam comer
    Eu estarei lá
    Onde houver um policial surrando um sujeito,
    Eu estarei lá.
    Estarei onde os homens gritam quando estão enlouquecidos
    Estarei onde as crianças riem quando estão com fome e sabem que o jantar está pronto.
    E, quando as pessoas estiverem comendo o que plantaram
    E vivendo nas casas que construíram
    Eu também estarei lá”.

    Estarei sempre naqueles lugares que Thatcher fingia que não existiam.
    E que são cada vez mais comuns nesse começo de século.

  32. Pedro,
    Grato pelo elogio.
    Pedro,
    Grato pelo elogio. Como diria um seu conterrâneo (se você for do RJ) é muita gentileza sua.
    Indio Tupi,
    Eu não concordo com duas idéias normalmente presentes em seus textos. Uma é a idéia da conspiração e outra é que se trata de uma conspiração neoliberal.
    No meu discurso contra os críticos dos ditos governantes neoliberais, eu menciono os dois: Margareth Thatcher e Ronald Reagan. Figuras de distintos matizes, embora fossem ambas da direita. Margareth Thatcher cortou os gastos militares, privatizou (privatizava para ganhar dinheiro como no final dos anos 80 um palestrante inglês explicou em exposição em BH e ali no final da década de 80 há textos de Ignácio Rangel também com propostas de privatização) e acabou perdendo o cargo de primeiro ministro porque pretendia enfrentar o déficit público com aumento dos tributos.
    Ronald Reagan construiu os maiores déficits da história americana. Conservador como Margareth Thatcher, ao contrário da Dama de Ferro, governou no limite da irresponsabilidade. Não vejo como esses governos podem ser vistos como liberais ou neoliberais. Neoliberalismo é em si um anacronismo e se estudarmos com profundidade os atos de um governante veremos que se trata apenas de teoria acadêmica jamaisi adotada por governo sério no mundo.
    E ao analisar o liberalismo, eu saliento que se colocarmos a solidariedade em uma ponta e na outra o individualismo, no meio estaria a corporação, sendo os Estados Unidos a pátria dela, ou a pátria da, como se diz lá, General Motors Corporation. Quer dizer tudo conspira contra essa idéia de governos neoliberais em pleno séc. XX.
    Tudo é circunstâncial. James Callaghan conseguiu baixar a inflação inglesa de 28 para 9% (Prometeu que baixaria para 7%, mas não conseguiu). Nesse esforço ele perdeu votos (As coisas não soam em Topeka como soam em Nova York. O Brasil vota em Lula e votava em FHC por causa da inflação baixa (Em Lula há outras razões também), lá se tiram votos) e em um voto de desconfiança ele preferiu não contar com a presença de um parlamentar doente. Talvez com mais um ano de governo, ele poderia não ter perdido as eleições para Margareth Thatcher. Mas se você tiver contato com os estudos que se faziam nos dois partidos verá que muito do que foi adotado por Margareth Thatcher era pensado também no partido Trabalhista inglês. (Nunca li esses estudos mas já li esse comentário que eu fiz em textos que não eram meus).
    Ainda sobre o liberalismo, tenho insistido em comparar o governo de Ronald Reagan e de Bush filho como governos keynesianos e não esqueço de lembrar que foi no governo Nixon, ao se acabar com o padrão-ouro que se cunhou a frase “somos todos Keynesianos agora”. Só Bush pai e Clinton aumentaram os tributos. A crise atual seria uma falácia do modelo Keynesiano (É exagero, mas só para justificar o argumento que se segue). E fico certo dessa minha interpretação quando procuro algum texto do Keynes em que ele defenda o aumento da carga tributária. Como não sou economista e a obra do Keynes é vasta ficaria grato se você pudesse fazer uma referência a algum texto do Keynes com esse conteúdo.
    Não creio que tudo aconteceu por acaso, mas que a circunstância faz um diferença muito grande, isso faz. A crise do primeiro ano do governo Tahtcher esteve também associada ao aumento do juro nos Estados Unidos, dado a grande vinculação das duas economias. Alias, como nos últimos 30 anos em virtude da irresponsabilidade fiscal os Estados Unidos cresceram mais do que a Europa Continental é provável que a Inglaterra, mais vinculada aos Estados Unidos do que a Europa Continental, também tenha crescido mais. Como lá os governos foram mais de direita do que de esquerda é possível que a distribuição de renda tenha melhorado mais ou piorado menos na Europa do que na Inglaterra
    Penso que é muito mais difícil analisar tudo isso como se fosse produto de uma grande conspiração. Aqui Margareth Thatcher associa-se com Milton Friedman. Ali ela associa com Hayek. Depois ela se junta aos financistas árabes e assim vai moldando a realidade. Como eu lembrei, por pouco ela não assumiria na época em que foi eleita e, como você lembrou, por pouco ela perdia no término do primeiro mandato dela.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/02/2009

  33. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios avisam que, antes de que pudessem terminar o texto que postaram acima, o “blog” interrompeu a conexão e ele ficou incompleto. Passam, então, a finalizar.

    A contra-invasão dos militares britâncos nas Falkland foi apelidada de Operação Corporação e, embora o nome parecesse esquisito para uma campanha militar, provou ser presciente.

    Thatcher usou a enorme popularidade que engariou com a vitória para deslanchar a verdadeira revolução corporatista que, antes da guerra, havia dito a Hayek ser impossível.

    Quando os mineiros de carvão entraram em greve em 1984, |thatcher usou de grande frieza, como se estivesse numa continuação da guerra contra a Argentina, e empregou a mesma brutalidade para enfrentá-los.

    Conforme sua famosa declaração: “Nós tivemos que lutar contra o inimigo de fora, nas Falkland, e agora temos que lutar contra o inimigo de dentro, que é muito maisd defícil, e também muito mais perigoso para a liberdade”.

    Qualificando os trabalhadores britânicos como “os inimigos internos”, Thatcher concentrou a força total do Estado contra os grevistas — num único confronto, oitocentos policiais bem armados, muitos montados a cavalo, reuniram-se para desfazer uma linha de piquete numa unidade, resultando em cerca de3 setecentos feridos. No curso da longa greve, o número de feridos chegou a milhares.

    Em 1985, Thatcher havia vencido essa guerra também; os trabgalhadores estavam famintos e não podiam continuar;no total, 966 pessoas foram demnitidas. Foi um resultado devastadorpara o sindicato mais poderoso da Grã-Bretanha e serviu como clara advertência aoas demais.

    Foi uma mensagem muito semelhante àquela que, assim que assumiu o poder, Ronald Regan enviou como resposta aos controiladores de vôo que estavam em greve. Numa só penada, demitiu 11.400 trabalhadores de um dos setores mais importantes do país — um choque do qual o movimento sindical dos Estados Unidos não se recuperou completamente até hoje.

    O passo seguinte de Thatcher foi privatizar as empresas estatais de gás, telecomun icações, controle de aeroportos, aço, aviação e vendeu também a participação do Tesouro na British Petroleum. Essa foi a verdadeira Operação Corporação, com grandes implicações históricas. Foi a evidência de que o programa econômico da Escola de Chicago não precisava de ditaduras militares para avançar. A versão limitada da terapia de choque podia ser aplicada numa democracia, graças a utilização de uma grave crise política como justificativa.

    Aqui no Brasil, o programa neoliberal adotado por Fernando Henrique Cardoso somente poode ser implementado após o confronto com a greve dos petroleiros, que durou meses e terminou com enfrentamento de piquetes por parte da polícia e do exercito e, no final, com a demissão de milhares de trabalhadores da Petrobrás.

    Alguns ingênuos acreditam que essas iniciativas não configuram uma conjuração conservadora e retrógrada. Mas, os índios perguntam: Foi puro acaso a OCDE, o Banco Mundial, o FMI, os governos dos países mais avançados e a mídia conservadora terem imposto, difundido e propagado as medidas de caráter neoliberal — privatização, liberalização dos movimentos de capital, câmbio flutuante, redução de impostos corporativos, redução das funções do Estado ao mínimo e a retirada e cancelamento de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários?

    Vamos acordar, gente!

  34. Pedro,

    vc escreve “Há mais
    Pedro,

    vc escreve “Há mais de 40 anos, esse entreguista já dizia o que pensava a respeito das grandes empresas – e as admirava, com um servilismo indisfarçável” se referindo ao traste-mor, usando palavras como “entreguista” (tenho certeza q essa palavra foi inventada pro traste-mor, certeza, simplesmente encaixa de forma demasiadamente perfeita nele pra ser coincidência), e toca meu coração já entupido de tanto colesterol e carcomido pela arteriosclerose, que quase falha de tanta felicidade. Mas ao mesmo tempo isso significa que vc leu algo que o traste-mor escreveu. Deu “audiência” a esse lixo.

    Assim você confunde meus sentimentos.

  35. Luis Nassif,
    Está muito
    Luis Nassif,
    Está muito instável seu blog. Há pouco eu lia o comentário do Indio Tupi em que ele aproveitava até para explicar a finalização abrupta do comentário anterior dele. Agora já não leio mais o comentário dele. Hoje cedo li o texto sobre o Mino Carta e depois o texto desapareceu. Não tenho a menor idéia do que está acontecendo.
    No meu windows 98 é um trabalho e tanto chegar a esse texto “A oligopolização, sob Thatcher” Vim a ele para comentar as últimas declarações do Indio Tupi. Ia reclamar dele, pois não me indicou nenhum texto de John Maynard Keynes em que o economista britânico defenda o aumento dos tributos e além disso insistiu na tese de que os governos conservadores de direita são neoliberais e que teriam agido em conluio ou conspiração com os grandes organismos internacionais para impor as normas de conduta deles (alias se são neoliberias não teriam que impor normas nenhuma).
    Continuo a defender a opinião contrária. Os governos conservadores de direita não podem ser qualificados de neoliberais. É claro, entretanto, que isso é apenas uma questão terminológica. Nada obsta que ele chame de neoliberais esses governos.
    Eu prefiro dar um sentido maior para o termo neoliberalismo. Neoliberalismo para mim seria a defesa do Estado mínimo. Acontece que o melhor instrumento de medição do tamanho do Estado é a carga tributária. Assim o neoliberalismo seria a favor da redução dos tributos. O neoliberalismo também significaria impedir a intervenção do Estado na economia. Ora, o Estado é um instrumento de dominação e de manutenção do modo de produção capitalista. Assim, impedir a intervenção do Estado é ir contra o capitalismo. É nesse sentido que eu vejo a impossibilidade prática do neoliberalismo.
    Neoliberalismo como modelo teórico é uma tentativa de ressurreição de Adam Smith. Por isso pelo modelo neoliberal dever-se-ia incentivar a competição. Adotar esse modelo seria um estrupício. Os países capitalistas estavam em disputa com a URSS e para ganhar deveriam percorrer a rota de maior eficiência do sistema. Essa rota evidentemente não seria a pulverização das empresas, mas a concentração delas. (Aqui na América Latina a esquerda infantil ainda quis fazer algo semelhante, mas apenas reduziu os lucros das empresas que foram obrigadas a se dividirem). É claro que pode-se fazer algum controle quando a concentração é demais e desnecessária como os Estados Unidos fizeram com a ATT. É claro também que mesmo sabendo que a tendência no mundo é a propriedade da terra ficar cada vez mais concentrada para usufruir de economias de escala, pode-se, para resolver problemas de urbanização descontrolada, impedir essa concentração e até mesmo reverter o processo via uma reforma agrária, mas sabendo que daqui a vinte a trinta anos o processo concentracionista será retomado. E é medida de fácil implementação porque se sabe que a produção agropastoril representa um percentual cada vez menor no PIB e, portanto, uma medida como a reforma agrária, apesar da baixa eficiência econômica, não terá efeito muito grande na economia e pode ser defendida pela série de externalidades positivas que ela traz.
    Lembro de duas avaliações dos governos neoliberais no mundo feitas na década de 90. No início da década, em reprodução na Gazeta Mercantil, havia editorial da revista The Economista reclamando que dez anos após a pratica neoliberal no mundo a carga tributária tenha saltado de 35 para 36% do PIB. Cinco anos depois, no meados da década, creio que em 1996, também em reprodução na Gazeta Mercantil, havia editorial do Financial Times dizendo que nos últimos 5 anos a carga tributária no mundo desenvolvido aumentara de 36% para 36,5%.
    E não há o conluio, não há conspiração. Há a fraquezas dos países, há testas-de-ferro que estão prontos a representar o interesse alienígena e há o caráter imperialista do capitalismo. Sempre dependeu do Brasil adotar a política que melhor nos interessava. A China é um exemplo de país que não submeteu às regras impostas pelos organismos internacionais. A Colômbia, só com o governo de Uribe é que se veio trazer a inflação para patamares de um dígito. Durante toda a década de 80 e 90 os colombianos conviveram com inflação de 30% ao ano e taxas de crescimento provavelmente maiores do que as da era de Uribe. Com a inflação alta a Guerrilha era forte, mas a Colômbia crescia. Uribe preferiu reduzir o crescimento econômico para ter menos inflação, pois sabia que o povo agradeceria a ele por isso e ele poderia ser reeleito. A Turquia também resistiu à pressão do FMI para acabar com a inflação, mas precisando entrar na Comunidade Européia resolveu seguir as ordens do Fundo.
    Nós também tivemos essa oportunidade. Se o Brasil não tivesse pressa e reduzisse o crescimento em 1995 talvez hoje nós tivéssemos um PIB maior do que o da China. O Nosso grande atraso foi o Plano Cruzado. Em 1985 o Brasil cresceu 7,8% (Nos cálculos apresentados pelo IBGE na época). Tratava-se do maior crescimento desde 1982 e que seria o maior crescimento até hoje. Se não tivéssemos seguido os aloprados Pérsio Arida e Andre Lara Resende a história brasileira seria bem outra. A culpa em segui-los foi nossa. Pelo estrago que eles fizeram no Brasil, repercutido na taxa de desemprego, na ausência do Estado que se tornou incapaz de assegurar a mínima condição de subsistência a uma camada grande da população, pelos país de família que foram primeiro para o desemprego e depois para a criminalidade, eu sempre desejei um outro destino para essa dupla. No entanto, tenho que ver o A. L Rezende correndo faceiro em Interlagos e muitos, que na época deram todo o apoio aos dois, ainda se passam como os grandes entendidos da realidade brasileira (Aqui estou falando especificamente de José Serra e a entrevista – intitulada “o Cruzado já vingou” – que ele deu para a Veja em março de 1986.
    Enfim, não houve conspiração. E chamar os governantes dos países desenvolvidos, principalmente Margareth Thatcher e Ronald Reagan, de neoliberais, é dar um enfoque muito pobre ao neoliberalismo. Se se quer chamar de neoliberalismo o pensamento conservador, elitista e de direita, isto é, defensor dos interesse de quem detém o poder, eu terei de concordar que isso foi prática corrente durante os últimos trinta anos. E penso que continuará a ser por outros longos anos.
    E não esqueça ao falar em conspiração de lembrar do apoio que a Margareth Thatcher teve dos trabalhadores das minas de carvão da polônia para enfrentar os trabalhadores ingleses.
    Se quiséssemos poderíamos ter aprendido outras lições lá de fora. Em 1991 ou 1992 fui atrás de texto de economista britânico que fora indicado por Delfim Netto no artigo dele na Folha de São Paulo. O texto indicado era “Tax Policy – a Survey” de John Kay e saído no Economic Journal, vol. 100 (Março de 1990). Além de artigo de Gustavo Franco sobre os processos hiperinflacionários na Europa Central, encontrei no Economic Journal uma resenha do livri Tax Reform in Developing Coutries que me chamou bastante atenção. Nela há a seguinte passagem que transcreverei como no original pelo sentido fácil de ser entendido e que talvez uma má tradução pudesse estragar. “Tax reform is an important issue for many LDCs partly because resort to inflation financing and external debts appears a far less attractive and viable proposition than once believed and also because of a growing awareness that ill-designed and badly conceived fiscal ystems can impose severe costs in terms of resource misallocation, inequities and impediments to economic growth and development”.
    Até aqui eu escrevi sem ter o texto do último comentário do Indio Tupi. Agora, ao entrar de novo no blog e no texto “A oligopolização, sob Thatcher”, eu pude reler o comentário dele e vi a referência a greve dos petroleiros. Bem, meu comentário já está longo e eu não pretendia falar mais sobre FHC. Ainda mais que teria que misturar três personalidades tão distintas. Como já mencionei, Ronald Reagan foi irresponsável com as finanças públicas americanas, coisa que Margareth Thatcher não era. Os dois, entretanto, tinham experiências administrativas, coisa que FHC nunca teve. Foi um mal sem tamanho para o Brasil ter permitido (Na verdade, parodiando Nabuco, eles roubaram a alma cívica do povo brasileiro mediante um plano que levou o Brasil para o buraco) a um professor universitário com todas as características de professor universitário ter assumido a chefia do executivo da União. Alem disso, o FHC é um tanto deslumbrado, com ele mesmo, com a realidade, que nunca é a mesma, isto é, nunca é igual aquela que contaram para ele nos livros e isso acaba nos distraíndo da análise que estaríamos a fazer dele. Talvez as quatro peças de teatro que a Folha de S. Paulo nos proporcionou no domingo da eleição de 1994 recontando o que Eneas, Lula, Brizola e FHC fariam se não fossem eleitos presidente tenham permitido mostrar bem a personalidade dos 4. Na peça sobre FHC, ele aparece como uma pessoa perdida no mundo. Isso, entretanto, não faz dele um neoliberal. Talvez a carga tributária tenha aumentado no governo dele sem que ele saiba que é carga tributária. Eu brincava que se perguntassem a FHC o que era o crescimento vegetativo da folha ele não saberia do que se estava falando. FHC, entretanto, tem compreensão do que é o Estado, da importância do Estado para o capitalismo e é defensor do fortalecimento do Estado. Não creio que isso seja concepção neoliberal. A luta contra os petroleiros estava inserida no modelo de administração que tinha dado certo lá fora e era a única que FHC saberia seguir. Ele não tinha alternativa a não ser agir como um direitista reacionário conservador. Continuo não considerando essas características como da teoria neoliberal. Um neoliberal pode ser de esquerda e radical. Ele (o neoliberal de direita ou de esquerda) está na minha opinião errado em querer aplicar o neoliberalismo no mundo moderno. O conservador de direita ao contrário pode estar certo na prática dele. FHC o copiou. No caso dos petroleiros, ele foi exitoso, para o interesse dele naquele momento.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 05/02/2008

  36. Prezado Chato Feliz,
    Sou
    Prezado Chato Feliz,
    Sou professor de sociologia e ciência política,
    Li os trabalhos de FHC não para “dar audiência” ao sujeito, mas para entendê-lo. E criticá-lo.
    Como poderia criticá-lo sem conhecê-lo?
    Ok?

  37. Com atraso. Há um livro
    Com atraso. Há um livro genial solto no mercado há cerca de 1 ano, chamado “Como a picaretagem conquistou o mundo”, de Francis Wheen, jornalista do Guardian inglês. Ele parte, exatamente, do conceito de neoliberalismo imposto pelo governo Thatcher no começo do 80 para demonstrar como bruxarias econômicas/administrativas/políticas foram vendidas ao respeitável público com o doloroso auxílio da mídia internacional . Ao final, ele trata do rompimento da Nasdaq e da quebra da Enron e descreve como o mercado morreu naqueles dias. O mais impressionante é que o esquema descrito é idêntico ao mecanismo de quebra dos mercados do ano passado. Ao ser ler hoje, parece até profético. Vale muito a pena e fica a recomendação para o colega que está estudando o período tchatcherista.

  38. Luis Nassif,
    Deixo aqui a
    Luis Nassif,
    Deixo aqui a informação a seguir como referência para futuras consultas. Devo fazer um comentário tanto em “Fora de Pauta” de 13/04/2009 às 09:11, como em “Fora de Pauta” de 15/04/2009 às 09:27 mencionando o livro “Como a picaretagem conquistou o mundo” do jornalista do Guardian inglês e que foi indicado pelo blogueiro West no comentário acima enviado em 11/02/2009 às 17:31.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 15/04/2009

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