A questão fundiária no Paraguai

Por Marco Antonio L.

Do Opensante

Camponeses paraguaios dão 24 horas para entrega de terras

Milhares de camponeses paraguaios sem terras deram, nesta quinta-feira (5), 24 horas ao governo para que lhes sejam repassados mais de 15 mil hectares que estão nas mãos de uma empresa latifundiária, na região de Ñacunday, a cerca de 80 quilômetros de Cidade do Leste.

Os camponeses, em assembleia geral, rechaçaram uma proposta oficial de aguardar sete dias para a adoção de uma decisão, devido à negativa do empresário, acusado de apropriar-se ilegalmente de mais de 30 mil hectares, e assinalaram que realizarão a ocupação das terras se não chegarem a uma solução.

A transmissão ao vivo por um canal de televisão da tensa situação existente mostrou mais de 1.500 camponeses agrupados à beira da propriedade, em total desacordo com alguns de seus dirigentes situados na sede do Instituto da Terra, que lhes repassaram a petição governamental de uma semana de espera.

Os manifestantes fazem parte de 5.700 famílias que, vivendo em barracas, pressionam há mais de um ano pela recuperação de parte das terras em poder da empresa, amparados por um laudo oficial obtido no governo do destituído presidente Fernando Lugo e que pelo qual tinham seus direitos reconhecidos.

Na realidade, a empresa constituiu no lugar um “Parque Nacional”, que explora, incluindo em sua extensão os mais de 5 mil hectares apropriados ilegalmente e que são reclamados pelos camponeses.

Durante esse período, os camponeses instalaram até escolas para seus filhos nas barracas em que vivem, enfrentararm também várias tentativas de expulsão, que chegaram a levar seu dirigente, Victoriano López, ao cárcere.

Embora os atuais chefes do movimento tenham pedido aos seus companheiros, por meio da televisão, que aceitem o prazo de sete dias pedido pelo governo, a assembleia não aceitou e assegurou que realizará, em 24 horas, a ocupação das terras.

“O governo é nosso inimigo”, disse ao repórter da emissora de televisão um dos dirigentes camponeses que permanece na região, diante dos manifestantes.

Por sua vez, o ministro do Interior, Carmelo Caballero, que se pronunciou há alguns dias favoravelmente ao uso da força para terminar com as ocupações de terra pelos camponeses, se negou a dar novas declarações.

Fonte: Prensa Latina

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