Bancos com US$ 3,4 tri a europeus em crise

Do Valor

Países em crise na Europa devem US$ 3,4 tri

Assis Moreira, de Genebra e Bruxelas

A cifra inclui bônus dos governos, dívidas de empresas e até empréstimos pessoais

Os bancos internacionais têm uma exposição gigantesca de US$ 3,4 trilhões ao grupo de países europeus com maior vulnerabilidade fiscal e que ameaçam a zona do euro – Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, os chamados Piigs, na sigla em inglês. A cifra inclui bônus dos governos, dívidas de empresas e até empréstimos pessoais. Os dados do Banco Internacional de Compensações (BIS) indicam que, embora as atenções dos investidores estejam focadas na Grécia e em Portugal, a exposição da banca é muito maior na Itália, Irlanda e Espanha.

O risco de calote provoca especulações de qual seria a perda potencial dos bancos envolvidos nesses países. Dados consolidados obtidos pelo Valor mostram que a banca internacional tem exposição de US$ 298 bilhões na Grécia, a maior parte de instituições alemãs. Na Itália, ela chega a US$ 1,196 trilhão; na Espanha, a US$ 944 bilhões e na Irlanda, a US$ 710 bilhões. Por sua vez, a exposição dos bancos em Portugal é de US$ 252 bilhões, a menor do grupo.

O euro enfrenta sua pior crise em 11 anos de existência, em meio ao alto endividamento de governos que ameaça as perspectivas econômicas da região. Dos 16 países que utilizam a moeda europeia comum, 12 enfrentam investigação de Bruxelas por “déficit excessivo”. O enorme déficit da Grécia aumentou os temores de um calote, deflagrou uma onda de especulação contra o euro e ameaçou outros países com saúde financeira claudicante.

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A crise grega expôs um problema estrutural na zona do euro: o desequilíbrio entre a centralização da política monetária (no Banco Central Europeu) e os instrumentos de política econômica (política fiscal, de salários etc.) em nível nacional. Existe uma união monetária que não se incorpora numa união política. Essa divergência está no centro dos problemas orçamentários dos países, nas crises e nos mecanismos para corrigi-las.

A regra implícita de uma zona comum como a do euro exige que o aumento real de salários em cada país siga estritamente os progressos da produtividade. Como a taxa cambial é fixa, se a regra não for respeitada, como ocorreu na Grécia, há perda de competitividade. Hoje, um produto grego custa 25% mais do que se fosse produzido na Alemanha.

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