Carta Aberta aos Dez Banqueiros mais Ricos da América

Amig@s,

Este artigo tem uns dois meses (saiu no “Huffington Post” em 28 de maio), mais creio que ainda vale a pena ser lido. Segue, pois, uma tradução – apressada, mas legível:

Caros Srs. [David] Tepper, [George] Soros, [James] Simons, [Henry] Paulson, [Rodgin] Cohen, [Carl] Icahn, [Edward] Lampert, [Ken] Griffin, [John] Arnold e [Phillip] Falcone,

Estima-se, neste momento, que cerca de 150 mil professores perderão seus empregos no próximo ano devido à crise financeira detonada pelo seu ramo de negócios.

 

Em nome dos 3 milhões de jovens que teriam sido alunos deles, eu tenho uma proposta para vocês: Doem 50% dos seus ganhos realizados em 2009 para manter aqueles 150 mil professores em sala de aula.

 

Sobraria, para cada um de vocês, em média, uns 935 milhões de dólares para as despesas anuais (talvez vocês consigam sobreviver com isso) – e o dinheiro de que vocês abririam mão asseguraria a educação de 3 milhões de crianças.

 

Que vocês dez tenham recebido pessoalmente 18.700.000.000 dólares (isto mesmo, bilhões, não milhões) em rendimentos de seus fundos de hedge em 2009, é uma façanha, uma vez que aquele foi o pior ano para a economia desde a Grande Depressão. Cada um de vocês ganhou cerca de 36 milhões de dólares por semana – mais de 900.000 dólares por hora! Entretanto, como resultado das malandragens que vocês ajudaram a arquitetar em Wall Street, 29 milhões de americanos agora estão sem emprego ou subempregados.

 
Embora vocês possam não se sentir pessoalmente responsáveis por esta tragédia, vocês têm, sim, alguma responsabilidade, uma vez que são os principais representantes da indústria financeira. (Aliás, é engraçado como ninguém está aceitando a responsabilidade pela crise financeira.) Como Leo Hindery Jr. definiu, sua indústria é uma

 

“instituição com fins lucrativos, gananciosa, egoísta e que, com suas práticas de remuneração desenfreada e sua regulamentação praticamente inexistente, está por trás – creio sinceramente – de todos os males sociais e econômicos que se abateram sobre os EUA desde 1980”,

 

Como vocês sabem, provavelmente não teriam ganhado nada, ou muito pouco, em 2009, se os contribuintes americanos não resgatassem o sistema financeiro. Os 18,7 bilhões de dólares que vocês ganharam não caíram do céu. Temendo outra Grande Depressão, derramamos aproximadamente uns 10 trilhões de dólares no sector financeiro na forma de empréstimos, programas de liquidez e garantia de ativos e assim por diante. Esse dinheiro dos contribuintes deveria ter sido usado para melhorar o bem público, não para anabolizar os lucros privados a níveis obscenos. Em vez disso, o resultado líquido do nosso gigantesco esforço de resgate é a demissão de 150 mil professores enquanto vocês amealham mais de 36 milhões de dólares por semana.

 

Esta é uma saga perturbadora de decadência pública: suas manipulações financeiras bem-sucedidas ajudaram a derrubar a nossa economia. Milhões de pessoas perderam seus empregos e já não eram capazes de pagar impostos; negócios faliram por toda parte. Agora, os governos estaduais e municipais vão quebrar e cortar seus orçamentos. Dezenas de milhares de professores perderão seus empregos. (Aqueles de vocês que vivem em New Jersey podem estar apreciando este espetáculo, enquanto os orçamentos escolares são raspados até o osso.) Enquanto isso, vocês levam bilhões para casa, como cortesia dos contribuintes dos EUA.

 

Eu os desafio a explicar esta história para seus filhos, ou a qualquer um que não esteja em suas folhas de pagamento. Como vocês podem justificar os ganhos de mais de 900.000 dólares por hora em uma indústria que é essencialmente responsável pela perda de 150 mil professores?

 

Mr. Tepper, não se trata de uma questão pessoal, mas você é o primeiro da lista, tendo feito US$ 4 bilhões em 2009. Isso é mais de US$ 1,9 milhão por hora, ou US$ 32.000 por minuto. Você ganha mais um minuto que do que um professor iniciante ganha, em média, por ano! Por favor, explique.

 

Vocês, pessoalmente, podem fazer algo sobre essa insanidade. Vocês podem evitar a deterioração do nosso sistema público de ensino. Vocês podem fazer com que a América saiba que estão dispostos a corrigir este erro.

 

Vocês sabem melhor do que ninguém, neste país, a sorte que têm. E sabem que podem facilmente se dar ao luxo de trazer milhares de professores de volta ao trabalho, salvando o sistema público de ensino que está no cerne da nossa democracia. E vamos ser honestos, vocês podem escarrar US$ 9 bilhões e ainda continuarem mais ricos do que os faraós.

 

Em um mundo mentalmente sadio, nós teríamos introduzido um imposto extraordinário de 50% sobre todos os ganhos financeiros em 2009. Isto teria ajudado a compensar os subsídios maciços que nós fornecemos aos seus negócios. Este imposto teria reabastecido nossos cofres municipais, estaduais e federais. Mas somos uma nação intimidada pelo poder financeiro. Simplesmente falta-nos a vontade de desafiar a nossa distribuição distorcida de riquezas – pelo menos não por enquanto. No entanto, com uma canetada, vocês podem ajudar a reequilibrar os pratos da balança.

 

Na verdade, eu não espero que vocês aceitem enfrentar este desafio. Desconfio que, se tiverem a oportunidade de ler esta carta, vocês virão com mil e uma razões para indeferir o meu pedido. Alguns de vocês provavelmente alegarão que já estão a dar centenas de milhões para instituições beneficentes e educacionais. Ou, quem sabe, ficarão indignados pelo fato de que alguém como eu tenha a ousadia de fazer uma proposta tão ultrajante. Mas não precisam se incomodar comigo, e sim com os 150.000 professores e as 3 milhões de crianças que não terão aulas com eles no próximo ano. Sua riqueza valerá muito pouco se a sociedade em torno de vocês se desintegrar.

 

Pode estar próximo o dia em que o povo americano exigirá um mínimo de justiça financeira e sanidade econômica. Isso exigiria algo além da reforma financeira em curso, que é basicamente um presente para Wall Street e seus fundos de hedge. (Afinal de contas, nos termos desta legislação, vocês terão somente a obrigação de pagar impostos de 15% sobre seus lucros, o que é virtualmente criminoso, em vista das limitações de nossas receitas.)

Pode estar próximo o dia em que pararemos de deixar os financistas ganharem bilhões enquanto jogamos nossa infraestrutura pública pelo ralo. Eu não sei quando isso irá acontecer ou como vamos chegar lá. Mas se vocês continuarem acumulando seus bilhões sem qualquer consideração com o povo americano, acabarão por fazer chegar mais rapidamente o dia em que um povo enraivecido e determinado baterá às suas portas.

 

Seria melhor que vocês colocassem nossos professores de volta ao trabalho, não?

 

 

P.S. Se voltarem a dar emprego aos 150 mil professores, eu doarei os royalties da venda do meu último livro, The Looting of America. Afinal, vocês fazem parte da razão pela qual o livro continua a vender.

 

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