Criptomoedas, a maior pirâmide da história, por Luis Nassif

Em breve essa bolha estourará e sairá definitivamente de cena. Só aí a mídia e o mercado se darão conta de que foi a maior pirâmide da história.

Nos últimos dias, a mídia corporativa foi invadida por reportagens laudatórias sobre as moedas digitais. Seria o caminho para a democracia total, a saída para os problemas cambiais. Em muitos casos, parecia uma reedição de drogas milagrosas, como o ipê roxo – apresentado, décadas atrás, como droga milagrosa para lumbago, dor de dente, cura do câncer.

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Não entre nesse jogo! Estão vendendo como investimento seguro uma bomba que estourará a qualquer momento. 

Essas moedas nasceram a partir de uma tecnologia segura, o blockchain, que permite a cada pessoa ter uma chave individual da sua conta. A partir dela, os espertalhões resolveram criar uma moeda. A pioneira foi o bitcoin. Para emular o ouro, inventou-se uma “mineração”, a criação de moeda a partir do uso de computadores com uso intensivo de energia elétrica. Cada grupo define uma quantidade máxima de moedas deixando por conta de pessoas “minerar” a moeda, com um custo alto de energia.

Depois, dispondo da segurança do blockchain, os investidores vendem ou compram moedas digitais, que são cotadas diariamente.

A partir daí, vendem vento. Garantem que o investimento é seguro, por não estar sujeito às políticas monetárias de cada governo nacional. Se tem uma quantidade fixa de moedas, estariam imunes à inflação. Além disso, estaria a salvo dos controles da Receita e dos bancos centrais.

As criptomoedas são filhas diretas do excesso de liquidez que invadiu a economia global, e que se ampliou após a crise de 2008. O dinheiro salta de um mercado para outro, criando bolhas. Encontraram o ambiente ideal nas criptomoedas, porque não há limites para a criação de novas moedas e novas bolhas.

Faz parte desse jogo os NFTs, que são a representação de um bem – que pode ser até uma imagem em JPEG -, armazenada em um token pela tecnologia blockchain. Nem no auge das bolhas pós década de 70 se viu algo tão inusitado. Desenhos de um macaco de gorro laranja, o CryptoPunk oram vendidos por US$ 5,59 milhões. 

A revista Exame levantou os 10 NFTs mais caros de 2021. Alguns exemplos:

10 – CryptoPunk #5217 — US$ 5,59 milhões

9 – Ocean Front (Beeple) – US$ 6 milhões

4 – CryptoPunk #7523 – US$ 11,75 milhões

As contraindicações são tão amplas que causa espécie o endosso de bancos, corretoras e jornais.

Primeiro, por não ter a segurança da renda fixa, como era apregoado. Os preços das moedas digitais guardam relação direta com a liquidez da economia. São afetados pelas taxas de juros do FED, do Banco Central Europeu, pelas crises internacionais.

Pior. Como não são submetidas a nenhuma forma de regulação, nem à supervisão de bancos centrais, ficam sujeitas a movimentos radicais de valorização e depreciação. No início do ano, o bitcoin – a mais conhecida das moedas digitais – caiu 38% em relação à máxima histórica, registrada apenas três meses antes.

O segundo ponto, é seu uso para lavagem de dinheiro e pelo narcotráfico – o que sujeita qualquer moedas a intervenções de polícias nacionais e internacionais.

O terceiro ponto é a facilidade com que se criam pirâmides financeiras.

Tome-se o caso da BlockFi Lending LLC. Durante 18 meses, operou como uma empresa de investimento não registrada, oferecendo a seus clientes um rendimento anual de até 9,25%, Em dezembro de 2021, administrada uma carteira de US$ 10,4 bilhões, em ativos de mais de 572 mil investidores, 391 mil dos Estados Unidos.

Foi autuada pela SEC (a CVM americana) em US$ 100 milhões por empréstimos irregulares em criptomoedas.

Na semana passada, Ilya Lichtenstein, 34 anos, e Heather Morgan, 31 anos, foram presos em Nova York,  acusados de lavar um recorde de US$ 4,5 bilhões em criptomoedas roubadas. 

Em junho de 2020, Heather Morgan escreveu uma coluna para a Forbes intitulada “Dicas de compartilhamento de especialistas para proteger seus negócios dos cibercriminosos”. 

As extravagâncias dos novos ricos não têm limites. 

Anthony Welch, investidor imobiliário, comprou uma ilha de 3 milhões de m2 e está oferecendo imóveis para 21 mil investidores de criptomoedas, com o objetivo de criar uma “utopia para criptomoedas”. Segundo ele, todos os pagamentos da ilha serão feitos em criptomoedas permitindo criar uma “democracia baseada na blockchain” – a mesma estultice estampada em reportagens de jornais brasileiros das últimas semanas.

Em breve essa bolha estourará e sairá definitivamente de cena. Só aí a mídia e o mercado se darão conta de que foi a maior pirâmide da história.

7 Comentários

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KKY

- 2022-02-15 17:09:20

https://noticias.r7.com/sao-paulo/investidor-em-criptomoedas-se-aliou-a-corretor-para-matar-megatraficante-do-pcc-diz-policia-15022022 Esse advogado Kakay já é famoso por ter clientes famosos.

AMBAR

- 2022-02-15 15:04:49

Ditados populares e outras citações: 1-"Se você não sabe o que fazer com o seu dinheiro, deixa comigo que eu sei. 2-"Um tolo e seu dinheiro logo se separam" 3-Todos os dias um malandro e um otário vão dormir. Quando amanhece eles se encontram pra fazer negócio. Princípios jurídicos: O PRINCÍPIO DA BOA FÉ - Todos os negócios, em todos os tempos, têm como princípio a boa fé, a confiança que as partes têm umas nas outras de que o que foi contratado será cumprido, o que foi dito ou será feito é verdadeiro. Tem sido pela boa fé que a moeda dos países, a maioria agora moeda podre, ainda tem valor de negócios, pois que o ouro que lhes garantia já se esvaiu há muito tempo É pela boa fé que deixamos aos cuidados dos bancos o nosso suado dinheiro. Não será, entretanto pela boa fé que não recebemos mais nossos salários em dinheiro nem que sejamos obrigados a "autorizar" o uso de nossos valores para negócios de terceiros. MAS será pela boa fé que confiamos a espertalhões a administração de nossos recursos como se joga na loteria? Ou será pela ganância? A ganância, e somente ela permite que existam coisas como esse inacreditável bitcoin. É uma fraude tão evidente que é difícil acreditar que pessoas confiem seus bens e os de terceiro numa idéia sem materialidade como esse bitcoin. Será feitiçaria?

R. Vizin

- 2022-02-15 13:04:49

Nassif, vc é uma Cassandra. Vc sempre acerta nas previsões, mas ninguém acredita em vc. Apolo deve ter amaldiçoado vc também. E eu rio, muito, mas de puro nervosismo, pq não consigo mais nem chorar....

Julio Medina

- 2022-02-15 10:15:08

Tulipomania.

Antonio Uchoa Neto

- 2022-02-15 10:02:47

Levando-se em conta que bancos, fundos de investimentos, enfim, que todos esses homens de bem que controlam essas venerandas e respeitáveis instituições, que não são bobinhos, nem ingênuos, nem queimam dinheiro ou comem cocô, e estão envolvidos até o pescoço na lavanderia universal do dinheiro - que, como as águas de todos os oceanos, mares, lagos e rios do mundo, são a mesma água - não duvido nada que, aos 45 minutos do segundo tempo, o dinheiro do contribuinte será chamado para entrar em campo, e resolver o jogo, com um gol milagroso no último minuto. Não é possível que pessoas ainda estejam investindo nessa picaretagem. Não pode ser ingenuidade, ou burrice. Acho que essa gente olha para o contribuinte, em toda a parte, e cochicham entre si: "La garantia son ellos." Pois é. La garantia soy yo.

José de Almeida Bispo

- 2022-02-15 09:19:14

Mais uma jogada perigosa, feita sob medida pra espertalhões garfarem o dos quase espertalhões e das legiões de otários que os seguem religiosamente. Em minha cidade, tempos atrás (e ainda hoje, em verdade) havia as "loterias de moto", ilegais, claro, mas avidamente buscadas pelo ilusionistas, ativos e apassivados. O cara imprimia 1.500 bilhetes, vendia 100, e, claro, o premiado sempre caía nas mãos do "vendedor"; por acaso, o responsável, e, sem eufemismos... o dono. Era uma moto para a quarta, e a outra para o sábado. Houve fortunas feitas na casa dos milhões da noite pro dia. Depois de algum tempo e alguns enriquecidos a olhos vistos a turma ficou mais esperta. Mas os crentes continuam a incensar essas fortunas. Isso em escala global, porém vai dar muito mais pano pra manga. Até que nova catástrofe humana infinitamente maior do que a que se consolidou em 1945 dê em outra Bretton Woods. Ou outra Idade Média, também muito mais piorada que a do fim da Era do Bronze, e mesmo a do fim do Império Romano.

jOSÉ OLIVEIRA DE ARAÚJO

- 2022-02-15 08:09:57

As criptomoedas lembram-me um velho adágio: QUEM PLANTA VENTO, COLHE TEMPESTADA.

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