BC e Fazenda discutem mudanças no câmbio

Do Estadão

Banco Central pode mudar regras de câmbio

BC e Fazenda discutem ações para conter a queda do dólar, incluindo alteração de limites de bancos para operar com o câmbio

Beatriz Abreu / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O Banco Central e Ministério da Fazenda estão discutindo uma série de medidas para conter uma valorização ainda maior do real, na tentativa de impedir que o dólar recue abaixo dos R$ 1,70.

Os economistas do governo identificam um movimento especulativo com a moeda e defendem que o mercado seja surpreendido com as compras do Fundo Soberano e com a possibilidade de o Banco Central alterar os limites que os bancos têm para operar com câmbio.

Algumas medidas já são conhecidas e apenas o momento de uso de uma delas é que ainda está em discussão: a oferta de “swap cambial reverso”, que equivale a uma compra de dólar no mercado futuro. Esse tipo de operação é usado para equilibrar as apostas no mercado futuro sobre a tendência do dólar.

Enxurrada de dólares. Hoje, os investidores apostam em forte entrada de dólares por causa do ritmo de captação de empréstimos por empresas brasileiras no exterior e pela expectativa do forte interesse dos investidores estrangeiros pela capitalização da Petrobrás. Com tantos dólares entrando no Brasil, a expectativa dos investidores é que a cotação da moeda americana derreta.

A ação articulada entre Henrique Meirelles, presidente do BC, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode ser reforçada com as operações de compra de dólares com recursos do Fundo Soberano. Ao contrário do BC, que divulga ao mercado suas operações diárias, a entrada do Fundo não é precedida de uma comunicação. “É esse efeito surpresa que poderá ser usado”, afirmam fontes do governo ouvidas pela Agência Estado.

Enquanto isso, o Banco Central está reforçando as compras no mercado à vista.

Nos últimos dias, o BC tem intensificado suas compras, retomando a realização de dois leilões diários, para evitar que a cotação fique abaixo do piso de R$ 1,70. Os economistas afirmam que não se trata de um piso oficial, mas de uma referência para o câmbio.

Nessa estratégia até mesmo a capitalização da Petrobrás, que muitos identificam como um momento de vulnerabilidade para a excessiva valorização do real, pode ser administrada sem afetar fortemente o mercado de câmbio.

O governo poderá estabelecer um cronograma para o ingresso dos dólares da participação estrangeira na capitalização. “A Petrobrás não precisa trazer os dólares de uma única vez”, comentou uma fonte.

Fazenda e BC. Nessas avaliações sobre o comportamento do mercado de câmbio, embora o Banco Central e a Fazenda estejam articulados, a equipe de Mantega gostaria de uma atitude mais agressiva de Meirelles. Por exemplo, na oferta do swap cambial reverso, operação em que algum banco toma empréstimo em dólar e vende a moeda ao BC em troca de reais que são aplicados no mercado de juros. Com esse instrumento, o BC atuaria no mercado futuro, contendo o movimento “daqueles que estão aproveitando a cortina de fumaça do forte ingresso de capitais no país” para especular.

Investidores estrangeiros. Os investidores estrangeiros estão apostando que o real continuará se valorizando e elevaram para US$ 11 bilhões a posição vendida no mercado futuro. Essa posição estaria oferecendo resistência a uma desvalorização momentânea do real no mercado à vista, apesar dos dois leilões diários do BC. Essa forte aposta dos investidores, segundo uma fonte, foi motivada pelo descrédito de que o BC poderia utilizar o swap cambial reverso.

A tese é de que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria desaconselhado a operação pelo seu elevado custo. Esse impedimento, no entanto, já foi removido. O Banco Central já dispõe de pareceres jurídicos garantindo a operação e eliminando os temores do TCU. A questão agora é acertar a estratégia em que o timing e o elemento surpresa se reforcem e impeçam a excessiva valorização do real.

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