Obama e o modelo sueco

Por Joel

Nassif,

Dá uma olhada nesta notícia do jornal sueco “Dagens Nyheter”, de hoje, 16 de fevereiro.

Segundo o principal jornal sueco, “Dagens Nyheter”, o governo Obama não está considerando resgatar o seu sistema bancário segundo o modelo “escandinavo”, que foi implementado na Suécia em 1992, quando o país passou por uma aguda crise financeira.

Na época, o Estado Sueco comprou o equivalente a 8 bilhões de dólares em ações do sistema bancário, tornando-se na prática o seu principal acionista. Após o saneamento e a retomada da confiança no sistema, os bancos foram vendidos ao setor privado gerando dividendos para o Estado.

O próprio presidente Obama declarou à Rede ABC que “À primeira vista, o modelo sueco parece bom. Mas o problema é que a Suécia tinha 5 bancos, nós temos milhares. E a Suécia tem uma outra cultura quanto a relação do Estado e o Mercado. Nós (nos EUA) queremos manter a noção de que os investimentos fundamentais do país devem vir do setor privado”.

Mesmo assim, dois economistas de peso, Matthew Richardson e o agora famoso Nouriel Roubini, publicaram um artigo na edição deste domingo do Washington Post com o título “Nacionalizem os Bancos – Agora Todos Somos Suecos” .

Nele, os economistas dizem “Como economistas a favor do livre mercado (… ) sentimo-nos heréticos ao propor uma estatização ampla do sistema bancário, mas o sistema financeiro americano chegou a um tal ponto de perigo que poucas alternativas nos restam”.

O ex-ministro das finanças sueco, Bo Lundgren, que liderou o processo em 1992, afirma que a experiência sueca poderia, sim, ser aplicada nos EUA. “Os princípios de nosso resgate do sistema financeiro não criaram um poder burocrático estatal sem controle. Na época nós garantimos a liquidez dos bancos e restabelecemos a confiança no sistema”.

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Segundo o ex-ministro sueco, ele não achou que o discurso do novo Secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, na semana passada, tenha infundido a confiança necessária para o sistema financeiro norte-americano.

o Lundgren diz também não entender o porquê de tamanho medo, nos EUA, em relação a uma garantia estatal para o sistema financeiro via a participação acionária nos bancos. “O Estado não dever ser o dono dos bancos a longo prazo, mas estamos passando por uma crise e nessas horas há que se tomar medidas corajosas. Nos EUA dá-se uma imagem totalmente errada quando se fala em nacionalização dos bancos”.

A deputada democrata Maxine Waters declarou, também à ABC, que “o Citibank na verdade já deveria ser considerado nacionalizado, com tanto dinheiro que colocamos nele. Mas eu não acho que nós estamos prontos para um programa formal de nacionalização dos bancos”.

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21 comentários

  1. Perdas dos bancos suecos, em
    Perdas dos bancos suecos, em 1992: 12% do PIB; quanto o governo sueco despendeu para saneá-los: 4% do PIB; garantias do Estado aos credores dos bancos em maus lençóis: todas; garantias aos acionistas de tais bancos: nenhuma; quando os bancos suecos voltaram a dar lucro: 2004 – ao que, incontinenti, o governo sueco pulou fora.

    Roosevelt chamou Keynes. Que Obama chame Arne Berggren.

  2. Obama precisa aplicar o
    Obama precisa aplicar o modelo sueco.

    Se aplicar logo, de forma correta e eficiente – bingo! a crise a acaba rapidinho.

  3. Mas eh tao facil entender, eh
    Mas eh tao facil entender, eh uma questao de ideologia : Pra eles isso eh socialismo. Admitindo isso, temem admitir tambem que sairam feridos de morte da guerra fria. Simples.

  4. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios assistem de camarote ao seguinte drama:

    Primeiro Ato

    Obama segue dando continuidade ao mais do mesmo da era Clinton-Bush que ocorre agora por meio de Tim Geithner, o protegido de Robert Rubin. São mais de US$ 2,5 trilhões para reinflar a Economia de Bolhas e premiar os insiders em Wall Street e o cartel de um punhado de instituições financeiras que já coletaram US$ 9 trilhões do Tesouro até agora. Isso é que é programa de inclusão social!

    Os banqueiros estão vencendo com folga o jogo de esconde-esconde, mas continuam ameaçando: “Dêem-nos o que queremos ou jogaremos a economia no abismo!” As asas dos banqueiros deveriam ser cortadas com a anulação das mudanças feitas por Robert Rubin e Clinton, que permitiram a bancos comerciais atuarem por meio de conglomerados, fundindo-se com bancos de investimentos, edge funds, empresas gestoras de títulos lixo, escritórios de advocacia especializados em evasão fiscal, empresas de fachada em paraísos fiscais, etc. etc., dentro do modelo testado na ditadura de Pinochet, nos anos 1970, conhecido como os “Grupos Piranhas”, que levaram o Chile a experimentar a maior depressão da história.

    O cataclisma financeiro que ocorre foi planejado pelos aficcionados da Escola de Chicago, testado em todo o mundo nos últimos 25 anos, e agora aplicado sem a menor cerimônia e pudor no próprio centro do sistema gêmeo Americano-Europeu. O poder do punhado de bancos comerciais foi usado não para financiar o setor produtivo, mas para inflar bolhas sucessivas em diferentes mercados, tudo com o beneplácito dos legisladores e dos órgãos supervisores, os quais, desde os anos 1980, prepararam a arquitetura legal para isso.

    Foi assim que laborou a “mão invisível” do dogma do “livre mercado”, atraindo para poucos bancos a centralização do planejamento, da criação de dívida e a extração de renda em nível nacional e internacional, tudo com o apoio das agências de classificação de risco e o olhar complacente e solícito dos bancos centrais e das comissões de valores mobiliários de cada país.

    No processo, os executivos (executaram mesmo!) auferiram dezenas de bilhões de dólares em compensações. Agora, o último pacote de Obama reduziu-as, embora deixando aberta a porta para pagamentos de altíssimos salários. Mas, continua vigente a filosofia e a prática dos banqueiros: “Somos melhores administradores do que os governos.”

    O cartel do pugilo de grandes bancos, cheios de títulos podres, vem usando os recursos recebidos do Tesouro para comprar bancos menores, saudáveis. O fato concreto é que a dívida pendente do setor público é maior do que a economia pode pagar: a “criação de riqueza” de Greenspan transfigurou-se em “criação de dívida”, novo objetivo da atual doação bancária, que irá se alastrar e aprofundar a crise em escala mundial. Esse é o colapso que está sendo planejado em minúcias.

    Primeiro vamos afundar até mais além do fundo do poço as cotações de qualquer coisa que tenha ou não preço. É onde estamos. Depois, é só questão de, com recursos infinitos do Tesouro (contribuinte), inflar as bolhas sucessivas novamente. O rescaldo será uma dívida pública absolutamente impagável e moedas nacionais em evaporação. Restarão relíquias bárbaras como moeda, como o ouro e metais preciosos.

    A recuperação que ora se intenta é para quem? Evidentemente, é para o lobby bancário que elaborou os pacotes de auxílio. O negócio agora é endividar a economia para ressuscitar a Economia de Bolhas, ou os “Anos Dourados” dos banqueiros. Mas, é impossível inflar outra bolha agora pois os abutres financeiros cuidam de represar recursos, aguardando o momento em que as garantias governamentais começarem a injetar um sopro de vida nas dezenas de trilhões de dólares em títulos podres. Então, disputarão acirradamente essa carniça. Esse será mais outro lucro sem risco que essas aves de rapina auferirão com recursos dos contribuintes em todo o mundo.

  5. Segundo Ato

    A população
    Segundo Ato

    A população mundial se verá às voltas com medidas férreas de grande austeridade enquando a banca estará nadando novamente em mares aventurosos. Os 1% mais ricos da população nos EUA poderão aumentar ainda mais a fatia na renda nacional, que cresceu de 37% dez anos atrás, para cerca de 70% atualmente, nível invejável até para a cleptrocracia russa.

    Mas, como inflar as cotações de títulos podres? Uma alternativa seria o Tesouro comprar dos bancos esses títulos, a fim de evitar que registrem prejuízos. O prejuízo seria lançado às costas dos contribuintes, cujos impostos vem sendo aumentados nos últimos trinta anos. Um “banco crocodilo” – e não um “banco ruim”, como dizem — será usado para comer (comprar) essas aquisições, as quais serão repassadas a uma instituição pública. Vão comer tudo que virou lixo, embora ninguém se pergunte por que o Tesouro pretende dar um valor mais alto a algo que todos no setor privado se recusam a comprar pelos preços que os bancos estão pedindo.

    Os fundos de rapina estão cotando esses títulos podres ou tóxicos a 22 centavos cada dólar de título, enquanto os bancos pretendem 75 centavos!!! Quanto o Tesouro ofertará? Os bancos e os fundos abutres querem que o Tesouro dê garantia ao preço que os investidores privados quiserem comprar: 75 centavos por dólar de ativo podre! Ah Tupã, quanta complacência dos contribuintes! Mas, até agora o Sr. Geithner ainda não chegou a uma conclusão.

    Mas, enquanto isso está em gestação um projeto de bolha imobiliária. Vamos supor que uma casa tenha sido comprada por US$ 500 mil (com taxa de juros ajustável e hoje de 8%) e tenha, em fins de 2009, preço de mercado de 50%. Aí entra em ação a Parceria Público-Privada (PPP), instituição privada financiada com injelção de recursos do Tesouro, feita para recapitalizar os bancos, mediante a entrega de títulos podres próximo ao valor par.

    Com esse dinheiro, os bancos adquirirão ações das PPP, as quais adquirirão e renegociarão as hipotecas em mãos de outras instituições ou do governo. Irão comprá-las ao preço de mercado, de US$ 250 mil, como no exemplo citado. O devedor da hipoteca ficará satisfeito, pois sua dívida cai para US$ 250 mil e a taxa de juros pode recuar para 5,5%, permitindo que a prestação caia em quase 2/3. Continuará com a casa e não terá mais patrimônio negativo. A família vai vobrar: “Obama é o maior!”

    Esqueceu-se que o contribuinte — ele mesmo — assumiu o prejuízo, que será cobrado via impostos mais altos logo à frente. E haverá um compromisso adicional: se, no futuro, o proprietário da hipoteca quiser vender o imóvel, digamos por US$ 400 mil, os US$ 150 mil de lucro (ganho de capital) irão para a PPP privada. Apenas se o imóvel for algum dia vendido por mais de US$ 500 mil, o valor excedente será repartido em partes iguais entre a PPP e o antigo proprietário.

    Os banqueiros se aproveitam do fato de que os proprietários sonham, hoje, em apenas continuarem com sua casa. E o governo não se importa em ceder todo o eventual ganho de capital à PPPs privadas e nem em imporem uma férrea tributação futura para responder pelo vultoso subsídio concedido à banca. Temos aí uma nova bolha de “criação de riqueza”, à la Greenspan, em gestação! Mas, nenhuma novidade em relação às do passado, eis que envolve a criação de dívida e crédito.

    Não adianta Adam Smith ter afirmado que “Um governo de um grupo exclusivo de negociantes é, talvez, a pior forma de governo.” É como a banda toca, enquanto a servidão e a passividade dos contribuintes continuar. Até aqui, não estão à vista o cancelamento das dívidas, a punição aos bancos especuladores, a imposição do imposto de 1% sobre todas as opções em ações e em moedas e o uso da tributação como freio às operações financeiras desestabilizadoras.

  6. É Nassif, para os neoliberais
    É Nassif, para os neoliberais “entendidos” do mercado dói muito saber que o único remédio é uma dose cavalar de comunismo: A estatização dos bancos.

  7. Terceiro Ato

    Enquanto isso
    Terceiro Ato

    Enquanto isso não ocorrer o serviço da dívida expulsará o dispêndio em bens e serviços e a economia não se recuperará. A deflação da dívida derrubará a economia enquanto os ativos serão passados mais ainda para as mãos dos 10% mais ricos da população, via o setor financeiro.

    Se Obama quiser significar alguma coisa ele repelirá a legislação de falência que privilegia o credor – patrocinada pelos bancos e empresas de cartões de crédito — e patrocinará a restauração da tendência de longo prazo das leis, de favorecer os devedores e não os credores, a fim de que, doravante, as dívidas reflitam efetivamente a capacidade dos devedores em pagar.

    Reflexo disso tudo é que a relação entre o dólar e o ouro acabou. A negociação de ouro segue agora um curso próprio, diferente do passado. O ouro se transformou simplesmente na melhor moeda, uma vez que o mundo rumo para taxas de juros em direção a zero e explosão monetária e de crédito maciças. As desvalorizações competitivas serão inevitáveis.

    À medida em que a elite bancária tentar implementar uma nova moeda para uma Nova Ordem Mundial, o processo de desvalorizações competitivas se acentuará, assim como o de inadimplência de países. A correção nas taxas dos títulos do Tesouro dos EUA acarretará rupturas adicionais nos mercados de derivativos e provocará o colapso.

    Tal evento derrubará o dólar e provocará uma fuga em escala internacional dessa moeda, levando ao aprofundamento da economia e do comércio mundiais. Não haverá mais emprestadores. Com todas as moedas em liquefação, o ouro e os metais preciosos brilharão como nunca, e, então, a elite financeira tentará impor a moeda única para a Nova Ordem Mundial.

    Não se sabe quando a elite financeira puxará o plug dos mercados acionários e de obrigações, já quase no fundo do poço. Mas, sabe-se que ela o fará quando sobrevir algum incidente internacional de monta. Ela já desestabilizou todo o sistema econômico e financeiro, que está em processo de colapso, de que são testemunhas o desemprego em forte ascensão e as maciças operações de resgate.

    A confiança em Wall Street e nos sistemas bancários se evaporou, assim como também nos respectivos instrumentos financeiros, não obstante os contribuintes já tenham comprometido – via governo – US$ 10 trilhões (equivalentes a 71% do PIB) para resolver a crise financeira, valor suficiente para resgatar mais de 90% de todas asa hipotecas!!! O próprio dólar míngua em relação ao ouro e à prata, em decorrência da repetição dos mesmos “erros” do passado, que pretendem a recriação de nova bolha às custas de vultosas dívidas e déficits públicos e, em seguida, de inflação galopante, no bojo de uma crise sincrônica global, até que seja possível a implantação de uma Nova Ordem Mundial e da moeda única. Por isso, ninguém pretende, por ora, salvar a economia.

    Cerca de US4 30 trilhões já foram perdidos nos mercados mundiais (metade do PIB global) nos últimos 19 meses. O comércio mundial já caiu 45%. Os bancos não emitem mais cartas de crédito, instrumentos financeiros que financiavam 90% do comércio mundial. Não poderá haver crescimento mundial quando os bancos se recusam e não podem emprestar. Em 2009, haverá uma depressão mundial entre 3% e 5%.

    Enquanto isso, o FED e o Tesouro dos EUA – os Senhores do Universo – estão tentando provocar uma desvalorização massiva do dólar via inflação. Mas, isso não funcionárá, pois os demais países estão fazendo o mesmo. Em certo momento, eles assumirão a desvalorização global conjunta, cenário em que o ouro e a prata brilharão e os mercados acionários e de obrigações despencarão, abrindo espaço para a implementação do pretendido projeto, o da criação de Novas Ordem Mundial e da moeda unica global.

    Com isso, o processo de globalização conduzido pela elite financeira buscará superar a contradição entre a desregulação dos mercados, a abolição dos controles de capitais e de câmbio e a continuidade de governos nacionais impondo políticas econômicas distintas em áreas separadas do mundo, com suas moedas nacionais e respectivos bancos centrais e orgão reguladores. O capital exige um mundo único, uma só moeda, um Banco Central Global (BCG) e uma única comissão supervisora mundial, o big brother regulador global.

  8. Aqui o jornal O Estado de São
    Aqui o jornal O Estado de São Paulo, reproduziu o artigo do Richardson e Roubini mas enfiou a tesoura no título cortando “Nacionalizem os Bancos”, e publicou apenas “Agora Somos Todos Suecos”.
    O venerando jornal paulista exala a sua ideologia por todos os seus poros, não é fiel nem na reprodução de artigos de terceiros. Por isso a partir de agora só podemos ler na fonte original.

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090215/not_imp324032,0.php

  9. No setor financeiro a
    No setor financeiro a confiança só aparece se o dinheiro governamental for a fundo perdido ou seja, de graça.
    Se é para o governo se tornar acionista os “reis do capitalismo selvagem” não aceitam cabresto, preferem a morte. Será?

    Quem diria, os reis do capitalismo sendo salvos pelo socialismo selvagem, em pleno solo Americano.

  10. Quarto Ato

    O projeto da
    Quarto Ato

    O projeto da elite financeira de aprofundamento da crise pode ser comprovado ainda pelo “esquecimento” de um dos aspectos mais ruinosos do atual processo de colapso financeiro: o dos mercados de derivativos de balcão e especialmente um dos tipos de derivativos conhecido como “credit default swap (CDS)”.

    Os prejuízos da AIG (que recebeu imensa ajuda financeira federal por parte do FED de Nova Iorque para o benefício do Goldman Sachs e de outros grandes bancos operadores de CDS) resultaram, em grande parte, dos contratos de CDS. E ainda existem muitas outras situações do tipo da AIG que estão começando a pegar fogo nos EUA e na Europa e que explodirão nos meses vindouros.

    A sina da AIG foi supor que podia conseguir crescimento com baixo risco por meio dos CDS, mas, mesmo seu veterano CEO Herb Greenberg não conseguiu captar o verdadeiro risco de garantir perdas com crédito. O lado triste é que, ao caçarem crescimento correndo riscos com CDS, Greenberg e a AIG entraram num negócio de margem relativamente baixa em comparação com o seguro tradicional.

    O problema fundamental dos CDS – até hoje negligenciado propositadamente pelos Senhores do Universo – resulta do fato de que foram projetados com diversas falhas básicas deliberadas: a ausência de uma contraparte central, a inexistência de limite efetivo na alanvagem do operador e uma metodologia esquizofrênica de precificação que não tem nada a ver com os diversos tipos de riscos subjacentes contidos nesses contratos.

    O risco fundamental dos CDS é que esse foi um mercado projetado por e para os seus vendedores, e jamais para seus compradores, que sempre ficaram em desvantagem. Esse é o vírus mais mortal da atual degeneração financeira. Curiosamente, sua letalidade não tem sensibilizado as autoridades do Olimpo.

    Os ingênuos podem estar surpresos com o fato de que, decorrido mais de um ano de crise e mais de seis meses que a AIG foi “resgatada”, o FED ainda se recuse a impor qualquer tipo de disciplina de margem de crédito sobre os operadores do mercado de CDS, o que elevaria a níveis realistas as exigências de garantias sobre as posições dos operadores.

    O risco sistêmico dos mercados globais provem principalmente não dos hedge funds rapaces, os quais, em sua maioria, são forçados a registrar garantias reais por conta de suas operações em CDS, mas dos outros operadores e instituições financeiras nos EUA e na Europa particularmente. Esses bancos estão subscrevendo posições em CDS para respaldar as vendas a descoberto contra outras grandes instituições, ou comprando CDS para proteger exigências de capital ou ambos. Traduzindo: grandes bancos estão se canibalizando.

    Para quem não sabe, um contrato de CDS é essencialmente uma forma de seguro contra uma falência ou uma inadimplência. Ou, sem nenhum pudor, um contrato de jogo, cujo texto implica em que o subscritor do seguro é obrigado a comprar uma obrigação emitida pela Ford ou o Citigroup, detida pelo comprador, na eventualidade de que essas entidades incorram em inadimplência.

    Parece agora que os grandes bancos operadores e alguns bancos na Europa encontram-se no elo mais fraco na cadeia dos riscos sistêmicos. Por isso é que o FED de Nova Iorque insistiu em resgatar a AIG, uma instituição não bancária, fora das preocupações regulamentares dos bancos centrais. É que o Goldman Sachs era o maior parceiro financeiro da AIG.

    Ao deixar de impor limites de margem sobre a alavancagem em CDS enquanto investe novo capital no Citigroup, no Bank of America e em outros grandes bancos via TARP, parece que o FED e o Tesouro, bem como outros bancos centrais pelo mundo afora, estejam, na verdade, tentando encher um tanque com um buraco em baixo.

    O FED e o Controlador da Moeda são cúmplices integrais desse esforço contraditório de proteger a capacidade dos principais bancos operadores em CDS de Londres, Paris e Nova Iorque de continuarem a fazer negócios sem qualquer limitação prudencial básica. Será que o Congresso não compreende verdadeiramente a duplicidade do FED e do COC em esconder o risco dos mercados de derivativos de balcão?

    Se não houvesse nada de errado com o modelo básico dos mercados desregulados de derivativos, tal como o de CDS, então, não haveria a necessidade de que a indústria financeira tivesse “bebido” em 2008 US$ 30 trilhões, ou a metade do valor nocional dos contratos.

    Mesmo que isso tudo não constituísse um problema verdadeiro, o fato é que a inadimplência empresarial – das empresas – está aumentando para níveis recordes. Isso gera trilhões de exposição líquida em CDS concentrada entre os jogadores mais simplórios do cassino bancário e de investimento mundial, inclusive alguns dos maiores bancos europeus.

    O FED e o COC são cúmplices por inteiro nesse esforço contraditório de proteger a capacidade dos principais bancos operadores em CDS de Londres, Paris e Nova Iorque de continuarem a realizar negócios sem qualquer limitação prudencial básica, numa inclinação mais do que suspeita em direção aos grandes bancos que ilustra como foram capturados pelo sistema financeiro.

    Assim, algumas interrogações são inevitáveis: Quantas débâcles iguais à do Lehman Brothers ainda ocorrerão em 2009? O crescimento selvagem de mercados especulativos, tais como o de CDS, não são sinais de uma decadência projetada? Quando um mercado especulativo adquire porte que é muitas vezes o valor real em caixa e, portanto, não é validado pela economia real, pode haver alguma surprtesa no fato de que os grandes bancos mundiais estejam insolventes e falidos? Há alguma dúvida de que o cataclisma financeiro não foi projetado?

  11. Nassif, está claro, que a
    Nassif, está claro, que a nacionalização, seria a solução mais rápida e segura para o sistema bancário americano.
    O problema é de ideologia, de afastamento do controle dos grupos acionistas majoritários e o tamanho da operação.
    No Brasil, a sua já tradicional tragicomédia, o governo (nós), “comprou” o Votorantim, mas o grupo continua comandando.
    Nos EUA, coração do “falido” capitalismo, para Obama tomar essa decisão, na verdade tem que ter “tutano”.
    Entre outras questões, e se eles “gostarem”, vão virar socialistas?
    quem vai comprar depois, esses bancos saneados, os chineses?
    Vai ser um daqueles negócios “dois sorrisos”, um quando compra e outro quando vende.
    Na verdade é decisão mais difícil de ser tomada nos EUA, do que na Suécia, até porque lá, transformaram o capitalismo em ” selvagem”. Sdc

  12. O conceito não é ruim, mas
    O conceito não é ruim, mas agora ficou impraticável politicamente.

    O Barak iria ter de arranjar um meio bilhão para fazer isso – levando-se em conta é claro, que os bancos americanos ja perderam quase 1 trilhão do seu valor.

    E a votação apertada da aprovação desse ultimo “pacote” deixou bem claro que os republicanos não vão dar moleza.

    Sem contar a opinião publica americana, que não acho que aceitaria bem que o governo de mais dinheiro para bancos – na pratica o povão lá vai entender isso.

  13. A doutrinação levada a cabo
    A doutrinação levada a cabo na população americana durante a guerra fria continua rendendo frutos. Nessa questão, não conseguem ser pragmáticos e vão acabar pagando caro por isso.

  14. Creio que o novo fundo de
    Creio que o novo fundo de resgate de títulos do tesouro americano irá resolver o atual problema de liquidez do sistema financeiro americano.

    Este fundo irá permitir uma troca de ativo dos bancos por títulos do tesouro americano por um prazo maior que as atuais linhas de troca oferecidas pelo FED de 28 dias, o que dará mais segurança aos investidores dos bancos americanos no investimentos de mais longo prazo.

    No início o tesouro deve entrar com a totalidade dos recusos, mas na medida em que se for renegociando os contratos da hipotecas e reduzindo o nível da inadimplência, aumentando a rentabilidade dos títulos atrelados as hipotexas subprime deve começar a atrair o interesse dos investidores privados, e o títulos do tesouro passariam a funcionar como âncora para períodos de baxa liquidez no mercado internacional.

    É preciso lembrar ainda que o FED está mostrando grande disposição para garantir líquidez dos títulos de dividas das empresas, fundamental para garantir a travessia e a renegociação dos contratos das hipotecas sub-prime.

  15. Índio Tupi,

    Tendo sido
    Índio Tupi,

    Tendo sido arquitetado o cataclisma financeiro, terá sido uma ampliação dos ataques de 11/set/2001 ?

    Ou no seu entendimento os executivos do mercado financeiro acharam que será mais fácil continuar enriquecendo e principalmente, desfrutando da riqueza do mundo, numa economia sem moeda e sem sistema financeiro?

  16. ïndio,

    Você anda assistindo
    ïndio,

    Você anda assistindo muita novela. Suas teorias conspiratórias em “atos” wagnerianos, hum……. beiram um transe psicótico. Não sei não, parece um plágio bem rastaqüera dos “protocolo dos sábios de sião”, lá se lê “judeus”,como significante mestre de “elites financeiras” .No seu texto a semelhança (que não parece ser mera coincidência) é espantosa. Incrível, só faltou nomear o bode expiatório de plantão. Quem será? Alguma “raça” talvez? Acho que não, não seria politicamente correto, não é? Mas, pelo visto, falta muito pouco para você convergir a algum fulcro centralizador identificado a “alguém”, a alguma “classe”, ou “grupo” como agente histórico da debacle que deverá ser condenado a um gulag! Sua elocubração é o anverso do nacional socialismo: ele se olhando no espelho.
    Não se esqueça que consistência não é sinônimo de verdade.

  17. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios relembram palavras de Bruto:

    “”Sede pacientes até o fim. Romanos, concidadãos e amigos!. Ouvi a exposição da minha causa e fazei silêncio, para que possais ouvir. Crede em minha honra e respeitai minha honra, para que possais creditar nela. Julgai-me segundo vossa sabedoria e ficai com os sentidos despertos, para que possais julgar melhor. Se houver alguém nesta reunião, algum amigo afetuoso de César, dir-lhe-ei que o amor que Bruto dedicava a César não era menor do que o dele. E, se esse amigo, então, perguntar porque Bruto se levantou contra César, eis minha resposta: não foi por amar menos a César, mais por amar mais a Roma. Que teríeis preferido: que César continuasse com vida e todos vós morrêsseis como escravos, ou que ele moresse, para que todos vivêsseis como homens livres? Por me haver amado César, pranteio-o; por ter sido ele feliz, alegro-me; por ter sido valente, honro-o; mas por ter sido ambicioso, matei-o. Logo: lágrimas para sua amizade, alegria para sua fortuna, honra para seu valor e morte para sua ambição. Haverá aqui, neste momento, alguém tão vil que deseje ser escravo? Se houver alguém nessas condições, que fale, porque o ofendi. Haverá alguém tão grosseiro para não querer ser romano? Se houver, que fale, porque o ofendi. Haverá alguém tão desprezível que não ame sua pátria? Se houver, que fale, porque o ofendi. Faço uma pausa, para que me respondam.””

    Cidadãos: “”Ninguém Bruto, ninguém.””

    Bruto: “”Neste caso, não ofendi ninguém. Não fiz a César senão o que faríeis a Bruto. O inquérito sobre sua morte se acha depositado no Capitólio; sua glória não foi depreciada, com referência aos seus merecimentos, não tendo sido, também, exagerado os crimes pelos quais veio a sucumbir.””

  18. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios respondem ao Arthur Selke:

    Parece que alguns terroristas construíram uma bomba financeira que aplicava altíssima alavancagem (relação ativos/capital) a instrumentos financeiros ilíquidos (sem preços e sem mercados). Então, multiplicaram o poder destruidor dessa bomba mediante o financiamento desses instrumentos financeiros nos mercados de dívida de curto prazo (overnight, mercado interbancário e de papéis comerciais). Em seguida, elevaram exponencialmente o efeito devastador da bomba montando-a sobre uma base de portfólios (carteira de instrumentos financeiros) fabricada com títulos arriscados (sem garantia de pagamento), como, por exemplo, hipotecas subprime (de pessoas sem renda, emprego ou propriedade) e empréstimos dos mais diversos tipos, todos altamente alavancados. Finalmente, envolveram toda a bomba com um tipo de derivativo de crédito que garantia rapidíssima propagação da explosão localizada por todo o sistema financeiro global. Curiosidade: essa bomba aterradora foi montada nos últimos 25 anos com o auxílio dos órgãos de fiscalização, os quais, por sinal, garantiram toda a segurança aos terroristas enquanto as montavam e vendiam, com vultuossímos lucros, por todo o planeta. A primeira bomba explodiu em meados de junho de 2007, quando dois hedge funds (fundos de… proteção!) do Bear Stern não puderam atender às chamadas de margem. Daí em diante, a reação em cadeia seguiu-se com grande furor, destruindo as camadas tectônicas do sistema financeiro global, que desabou fragorosamente. Evidentemente, nenhum terrorista morreu ou foi preso. Mas, sabe-se que milhões de famílias perderam suas casas, milhares de fábricas foram destruídas e dezenas de milhões de trabalhadores em todo o mundo ficaram sem emprego. Os que conseguirem manter seu emprego serão fortemente tributados para pagar os esforços de reconstrução, a serem liderados pelos próprios terroristas, pressurosamente contratados pelos governos a eles subservientes do mundo inteiro. Dificilmente alguém poderia imaginar uma explosão com tal poder de destruição e um assalto às arcas do Tesouro de todos os países com tamanha eficiência. Mas, os contribuintes de todo o mundo são compreensíveis e mansos: em hipótese nenhuma deixarão os terroristas desamparados…

  19. Índio,

    Brutus ofendeu sim.
    Índio,

    Brutus ofendeu sim. Acusava César de ambicioso, mas ele não era menos ambicioso. Justificar o assassínio em nome de grandes “ideais” totalizantes(e no caso em tela aqui, idéias ancoradas em premissas corretas, mas conclusões abstrusas) , já sabemos ao que conduz.
    Já que fez a citação, recorrerei a uma mais contemporânea e apesar de o autor, Luiz Felipe Pondé(Folha 09/02/2009) mencionar “índio”,não entenda como ofensa pessoal, pois aplicar-se-ía a diversas outras etnias e, além de a mim não caber alterar o texto do filosófo, o ponto fulcral do autor não é discursar sobre origens étnicas. Aí vai : “….Os índios não vivem em comunhão com a natureza. apenas ficaram na idade da pedra em técnicas de domínio da natureza, como muitos africanos que ficaram na África. A ciência e a política tampouco fazem os homens melhores. O MUNDO NÃO É DIVIDIDO ENTRE ELITE MÁ E POBRE BOM. Se a elite é cruel, o povo é violento e interesseiro (aliás, Júlio César sabia muito bem disso ao contrário do estulto Brutos que foi logo apupado e acossado pela plebe). Os homens não são iguais, alguns são melhores. A igualdade ama a mediocridade. É mentira que todo mundo possa julgar as coisas POR SI SÓ. A propaganda desta mentira gera uma horda de invejosos que sonham em destruir quem eles julgam livres”

    De minha parte, encerro, pois reconheço fugi demais do tema

  20. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios avisam que não possuem neurose e, portanto, desconhecem a forma de tratá-la.

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