FMI reduz projeção de crescimento do Brasil e recomenda reformas

"No Brasil, a principal prioridade é conter o aumento da dívida pública, garantindo simultaneamente que as despesas sociais necessárias permaneçam intactas", recomenda relatório

O ministro da Economia, Paulo Guedes, após reunião para detalhar a reforma da Previdência. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta terça-feira (08) um relatório onde corta a estimativa de crescimento global em 2019 para 3,3%. É o segundo corte consecutivo, desde outubro do ano passado, quando a organização projetou avanço esperado de 3,7% e, em janeiro, atualizou para 3,5%.

Segundo o FMI, a freada no crescimento começou no segundo semestre de 2018. No mesmo período aconteceu o aumento nas disputas comerciais, especialmente, entre China e Estados Unidos. O quadro se completa com a queda de confiança das empresas, aperto financeiro e incertezas políticas em muitos países.

No Brasil, a organização prevê crescimento de 2,1% em 2019 – um corte de 0,4% em relação ao relatório de janeiro. Para 2020, o crescimento esperado para o Brasil é de 2,5%.

A projeção do FMI é semelhante a de organizações brasileiras. Na semana passada, o relatório Focus do Banco Central apontou 1,98% a perspectiva de crescimento do país em 2019. O BC também vem reduzindo as projeções. Uma semana antes do relatório mais recente, a expectativa era de um crescimento de 2% e, na primeira semana de janeiro, o boletim Focus falava de um crescimento de 2,53% para o ano. Para 2020, o BC prevê crescimento de 2,75%.

Segundo o relatório do FMI o que mais pesa à economia brasileira são os desequilíbrios fiscais e as trocas comerciais moderadas. O Brasil depende fortemente das commodities para manter sua balança positiva, produtos mais suscetíveis aos humores do mercado internacional.

O relatório cita, por exemplo, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) que contribuiu para elevação dos preços de minério de ferro em todo o mundo.

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Tradicionalmente, da organização é defensora de políticas neoliberais como forma de expansão da economia. Por isso, o relatório recomenda ao Brasil reformas na massa salarial do funcionalismo público e na previdência.

“No Brasil, a principal prioridade é conter o aumento da dívida pública, garantindo simultaneamente que as despesas sociais necessárias permaneçam intactas”, diz o FMI.

“Baseada em recentes reformas nos mercados de trabalho e de crédito, esforços para melhorar a infraestrutura e a eficiência da intermediação financeira ajudariam a elevar a produtividade e impulsionar as perspectivas de crescimento a médio prazo”, recomenda no relatório.

Em termos mundiais nas projeções de crescimento, houve um enfraquecimento na demanda de importações na China, impactando o relacionamento do país com outros parceiros na Ásia e Europa. A disputa comercial com os EUA também reverteu a projeção de crescimento da China. Além disso, o país colocou em andamento um aperto regulatório para controlar dívidas e um sistema financeiro que opera paralelamente.

A redução de crescimento da China se soma a queda de confiança de consumidores e empresários na União Europeia. O relatório cita, por exemplo, a queda na produção e automóveis na Alemanha, por conta dos novos padrões para a redução na emissão de poluentes, e a crescente preocupação para um acordo do ‘brexit’ (saída do Reino Unido da União Europeia).

“Tensões comerciais, cada vez mais, prejudicaram a confiança das empresas e, portanto, o sentimento do mercado financeiro se agravou, com condições de aperto para mercados emergentes vulneráveis na primavera [outono no hemisfério sul] de 2018 e depois em economias avançadas no final do ano, pesando sobre a demanda global”, diz o relatório.

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O FMI prevê que as economias emergentes devem crescer 4,4% em 2019 e 4,8% em 2020, liderados por China e Índia que devem expandir 6% e 7% respectivamente. Nesse grupo, apenas o Brasil apresenta crescimento mais modesto.

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