Governo Dilma: o desafio do setor energético

Da Folha

Opinião: Sistema energético do Brasil continua em crise permanente

ILDO SAUER
ESPECIAL PARA A FOLHA

Mesmo com os crescimentos da economia e do consumo de energia abaixo do previsto, desde meados de setembro as termelétricas foram acionadas e estão em operação à plena capacidade.

Isso reflete a deterioração de planejamento e gestão do sistema, resultando em custos que serão transferidos aos consumidores em 2013.

O custo adicional supera R$ 1 bilhão por mês e, a depender da evolução da meteorologia e do consumo de combustíveis, poderá chegar a R$ 4 bilhões.

E, pior, uma hidrologia muito abaixo da média –improvável, mas possível– não autoriza a afastar o risco de racionamento.

Projetos de geração e transmissão que deveriam estar operativos não estão disponíveis, por erro de planejamento ou por atraso na execução das obras. Projetos eólicos, prontos, não foram conectados ao sistema por falta de obras de transmissão.

Nos leilões de aquisição, estava previsto que as usinas térmicas contratadas, com elevado custo de combustível, seriam raramente acionadas, somente em períodos hidrologicamente críticos.

Todavia, nos últimos anos a operação tem sido frequente. O sistema energético brasileiro, dez anos após o racionamento devastador, continua em crise permanente.

Faltam mecanismos coerentes de coordenação entre planejamento, execução de projetos e operação. O planejamento deveria se pautar por escolha dos melhores projetos.

A gestão e a implantação dos projetos deveria se dar nos prazos e custos planejados. E a operação dos recursos disponíveis deveria seguir os padrões de otimização.

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