O desafio de adivinhar o futuro

Vamos a um apanhado sobre o estágio atual da crise no mundo e no Brasil. Os artigos que menciono aqui podem ser lidos no endereço http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDRItSwoQ7LvJ7vkj

A conclusão final dos artigos é que o calcanhar de Aquiles da economia brasileira está na política monetária do Banco Central e nos seus reflexos sobre a estrutura de crédito do sistema financeiro.

Começo pelo artigo de Yoshiaki Nakano na Folha – “Interrupção da dinâmica virtuosa”.

Primeiro, ele constata o óbvio, a interrupção dos cinco  anos de crescimento na economia, período em que o crescimento do emprego formal era aumento de aumento de produção e da produtividade, “o que permitia o aumento do salário real dos trabalhadores sem pressionar os preços, gerando aumento na demanda agregada e nos investimentos produtivos, o que garantia um crescimento sustentado”.

Depois, chama atenção para o risco do círculo virtuoso ser substituído pelo círculo vicioso: o aumento do desemprego reduz a demanda agregada, que levará à contração na produção, à queda na produtividade, à elevação nos custos médios, à redução nas margens de lucro com consequentes cortes nos investimentos e a novos cortes nos postos de trabalho.

Finalmente, indaga se será possível reverter o quadro em plena crise internacional. A resposta é “sim, mas pouco provável”.
“Com a atual configuração do nosso sistema monetário, do refinanciamento da dívida pública e da política monetária praticada pelo BC, isso será pouco provável. Aliás, com juros tão elevados, num quadro de liquidez internacional adverso, a manutenção da dinâmica virtuosa se torna uma impossibilidade”.

Sem fundo de poço

A segunda matéria é da Reuter com George Soros não vendo o fundo do poço.

Soros afirmou que a turbulência é, na verdade, mais severa do que durante a Grande Depressão e comparou a atual situação com o desmantelamento da União Soviética.

Para ele, a quebra do Lehman Brothers em setembro marcou um ponto de inflexão no funcionamento do sistema de mercados.

“Nós testemunhamos o colapso do sistema financeiro”, disse Soros em um jantar na Columbia University.

“Não há sinal algum de que estejamos perto do fundo do poço.”

Seus comentários ecoaram declarações feitas mais cedo na mesma conferência por Paul Volcker, ex-chairman do Federal Reserve e atualmente alto conselheiro do presidente Barack Obama.
Volcker disse que a produção industrial no mundo está caindo ainda mais rapidamente do que nos Estados Unidos, que já estão sob severa pressão.

“Não me recordo de qualquer tempo, mesmo talvez durante a Grande Depressão, quando as coisas foram para baixo tão rapidamente, tão uniformemente ao redor do mundo”, disse Volcker.

A retomada brasileira

Finalmente, uma boa matéria no Estadão sobre a retomada desigual da economia brasileira, com ampla dispersão entre os diversos setores – mas com a produção geral em queda até janeiro. Matéria do Fernando Dantas, aliás um dos melhores repórteres econômicos do país há tempos.

Leia também:  Classe média é o vetor de mudança social, diz Nelson Barbosa

O Índice de Situação Atual da Fundação Getúlio Vargas (FGV), componente do Índice de Confiança da Indústria que melhor mede a avaliação das empresas sobre a demanda a cada momento, teve quedas expressivas de dezembro para janeiro em importantes setores industriais: 4,4% em material elétrico e de comunicações; 8,3% no mobiliário; e 14,3% em vestuário e calçados.

Esses resultados foram contrabalançados pela alta em setores como produtos alimentares e material de transporte (que inclui a indústria automobilística), que tiveram altas no Índice de Situação Atual de respectivamente 10,3% e 4,6% em janeiro.

O problema, porém, para vários analistas, é que o setor automotivo pode estar se recuperando por causa de uma queda muito forte no fim do ano passado. O bom desempenho dos alimentos, por sua vez, é compatível com a atual fase da contração econômica, que ainda está mais concentrada nos produtos dependentes de crédito.

“Quando desagreguei o resultado por setores, fiquei mais preocupado porque o índice mostra que há segmentos nobres de consumo, como eletrônicos, mobiliário e vestuário, que ainda têm quedas muito significativas”, diz Vagner Ardeo, vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV no Rio.

Bráulio Borges, da LCA Consultoria, está mais otimista. Ele nota que a indústria automobilística é responsável, direta ou indiretamente, por 25% da produção industrial, afetando segmentos como siderurgia, petroquímica, etc. “É um poder de influência muito grande, e essa recuperação é um bom sinal para economia como um todo”, diz.

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26 comentários

  1. Nassif,só para instigar um
    Nassif,só para instigar um fora de pauta.Olha só a Veja hoje desmentindo o Reinaldo Azevedo.

    DEU NA VEJA
    Xadrez tucano

    Da coluna Radar:

    Ao convidar José Serra a percorrer os estados com ele e debater propostas para o Brasil e mostrar que o PSDB pode somar forças para vencer as eleições no ano que vem, Aécio Neves pôs o governador paulista contra a parede: só resta a Serra topar, mesmo que contrariado – e ele está contrariado. A opção de recusar o convite é deixar o campo aberto para Dilma Rousseff fazer campanha sozinha pelo Brasil a bordo do Aerolula – enquanto Serra e Aécio fingem que não existe 2010 e se concentram em administrar São Paulo e Minas Gerais.

  2. Creio que para o Brasil é
    Creio que para o Brasil é fundamental o COPOM abandonar a política gradual de juros, e dar uma pancada dos juros da Selic, reduzindo para 8% ou 9% ainda no primeiro semestre de 2009.

    Temos que aproveitar ainda para vender parte das reservas cambiais e realizar um lucro que reduza a dívida bruta e juros pago na rolagem da dívida pública.
    A forte queda dos juros da selic viabilizará um menor custo de financiamento para as empresas instaladas no Brasil, ainda mais no ambiente de avanço do crédito público, principalmente do anaço do BNDES.

    Tudo indica que a economia americana não conseguirá recuperar o nível de consumo anterior ao estouro da bolha imobiliária, o que exigirá um maior esforço do restante da economia mundial em expandir a demanda interna.

    Em função da magnitude da contração da atividade econômica no Brasil, é necessário dar uma resposta na mesma magnitude com estímulo fiscal e monetário para poder recuperar parte do ritmo da atividade econômica anterior a queda do Lehman Brothers.

    É isto que o COPOM precisa entender, o Brasil tomou uma pancada em setembro de 2008, e somente uma pancada no sentido contrário para deter a instalação do inferno do desemprego e da recessão no Brasil.
    E já faz quase seis meses, não temos mais tempo.

  3. Nassif, parece que se
    Nassif, parece que se depender da economia chinesa, o Brasil sairá rapidamente da crise.

    Notícia:

    Um ponto para os comunistas
    Com uma economia centralizada, a China começa a sair mais rápido da crise – e ajuda a puxar também o Brasil

    SOB A PESADA MÃO DO EStado centralizador, a economia chinesa vem mostrando sinais de recuperação. O pacote de US$ 585 bilhões começa a dar resultados, materializados pelo maciço investimento na infraestrutura do país. Uma ferrovia de passageiros de US$ 17,6 bilhões cruzando o deserto do noroeste da China, uma rede ferroviária para cargas de US$ 22 bilhões na província de Shanxi e um trem-bala de US$ 24 bilhões entre Pequim e Cantão estão entre os maiores projetos. Apenas para este setor, o Partido Comunista direcionou US$ 88 bilhões. E, como para construir é necessária matéria-prima abundante, a China voltou a comprar.

    O movimento começa a influenciar o preço das commodities e o Brasil só tem a ganhar. “Eles vão gastar como se não houvesse amanhã”, avalia Qu Hongbin, economista-chefe do HSBC para a China. O banco, inclusive, chegou a divulgar um relatório na sexta-feira 6 elevando a recomendação para as ações brasileiras. O motivo para o upgrade é o benefício que o Brasil pode ter justamente com a melhora dos números chineses. “A guinada para cima do crescimento da China parece agora estar dando mais tração aos preços das commodities”, destaca o estudo do HSBC. “Olhando para o futuro, uma combinação de retomada da alta dos preços e alívio monetário deve dar suporte ao crescimento.”

    http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/593/artigo125949-1.htm

  4. Só uma observação, creio que
    Só uma observação, creio que onde se lê “o crescimento do emprego formal era AUMENTO de aumento de produção e da produtividade” deveria se ler “o crescimento do emprego formal era SEGUIDO de aumento de produção e da produtividade”.

  5. Caro Luis

    Com relação a
    Caro Luis

    Com relação a crise americana , entendo que estão tentando resolve-la com as pessoas que a fizeram; acho que deveriam colocar pessoas comprometidas com o pensamento mundial e não “lobos em pele de cordeiros”.

    Com relação ao Brasil, “a nossa crise é de identidade” ….muito pessimismo com nosso gigante, ainda adormecido.

    Abraços

  6. Bom dia!
    Estava lendo um
    Bom dia!
    Estava lendo um jornal daqui de são jose dos campos , a respeito das demissões da embraer ,e que voçê comenta sobre o assunto, como fui um dos demitidos tenho uma opinião a respeito:
    A EMBRAER está preocupada com os futuros concorrentes ,e está implantando na empresa o sistema LEAN, criado pelos japoneses(Acredito ser da TOYOTA),este sistema consiste em produzir mais de uma forma mais racional ,ou seja com menos pessoas nas áreas produtivas , então de uns tempos pra cá a empresa vem promovendo KAIZEN , projetos 3P, e outras atividades ligadas ao LEAN ,então se a proposta deste sistema LEAN é diminuir a quantidade de pessoas na produção , o caminho mais fácil é demitir as que sobrariam.
    Tem uma outra curiosidade a respeito , no final do ano passado no ultimo dia de trabalho antes das ferias, fomos surpreendidos por um acordo de compensação de horas , dos feriados de 2009,onde não tinhamos outra opção a não ser assinar o acordo ,veja você o absurdo,os funcionarios trabalhariam uma hora a mais todos os dias no mes de janeiro para compensaar os feriados,no meu caso como entrava as 6 horas da manhã
    passei a entrar as 5 horas ,e assim foi o mes de janeiro inteiro.Isso tudo me leva a crer que já estava planejado, e o plano era explorar todo mundo até a ultima gota de sangue e depois simplesmente nos dispensar.
    Será que ninguem ou nenhuma autoridade vai tomar uma providencia para esse desmando desta EMPRESA.
    Para mim até então era um orgulho fazer parte do quadro de funcionarios desta empresa ,mas hoje tenho vergonha em dizer que trabalhei nesta organização incosequente ,sem criterio social e tecnico para demitir as pessoas e que tratou seus funcionarios ,como MOLEQUES , profissionais que tanto contribuiram para seu reconhecimento mundial .
    Coclusão : A EMBRAER foi um orgulho nacional, hoje é apenas uma ilusão e abrigo para gerentes e supervisores sem preparo tecnico e humano.

  7. Nassif e Roberto SP

    Desculpe
    Nassif e Roberto SP

    Desculpe a ignorancia, mas…

    Faz alguns meses que posto comentários dizendo que a taxa Selic justa poderia e deveria ser entre 7,5 a 8,5%. E olhe lá …
    Para mim já não é caso de visão sobre economia ou conceitual diferente, é simples caso de polícia.

    Não creio que é por falta de entendimento que o Copom nos fez campeões mundiais de taxa básica, é por puro comprometimento pessoal com seus verdadeiros patrões, os bancos nacionais e estrangeiros.

    Entre o “mal informado e o mal intencionado” fico com o segundo.

    A fraqueza da nossa elite econômica e política abriu, abre e abrirá espaço para a sangria de nossa sociedade via rolagem de dívida pública.
    Com o enfraquecimento dos organismos como BID e FMI quem tem muito papel pintado de verde (dólar) precisa arranjar outro jeito de extrair mais-valia. Quem vive de renda de capital sobre capital também.

    Vocês dois devem saber melhor que os demais quanto dinheiro foi para o bolso do rentista ao invés de ir para a construção de infra-estrutura que o nosso país tanto necessita.

    Na outra ponta sabemos também que um dos grandes problemas economicos do mundo atual é a falta de lastro do dólar. Desde 1962 De Gaule já tinha percebido o estelionato em que se transformou o plano Marshall.

    Mesmo sabendo que é papel pintado de verde ninguém quer arrebentar a corda para não ficar com o “mico” nas mãos.

    Mas a hora da verdade parece ter chegado. Mesmo com um player enorme como a China entrando no jogo e querendo manter a roda girando, a manutenção do sistema está a ficar muito complicada.

    O acerto do sistema deve passar pela re-pactuação do poder político e economico e pela maior divisão de forças entre os países.
    Coisa difícil de explicar aos eleitores de Roma.

    Mais fácil de fazer em nosso próprio país, é só chamar a PF.

  8. A crise de crédito se alastra
    A crise de crédito se alastra pelo mundo com uma velocidade e simultaneidade inédita. A contração da riqueza mundial virtual é impressionante. Mais de 30 trilhões de dólares evaporaram-se em 2008. Os efeitos dessa redução, e o esgotamento da capacidade do sistema financeiro internacional de continuar se expandindo ad-eternum serão duríssimos para o atual modelo econômico mundial.
    Estamos vivendo o início de um Bear Market proporcional ao Bull que o precedeu. Um movimento secular, não uma simples correção de um ciclo de 4 anos de crescimento.
    Quando milhões de pessoas perdem seus empregos simultâneamente em todo o planeta, quando os bancos centrais do mundo inteiro atuam em conjunto, inflando a massa monetária para tentar compensar os efeitos da contração da riqueza, só estão passando a conta aos trabalhadores e empresas do mundo inteiro dos desacalabros monetários e financeiros de uns poucos. Isto vai de mal pra pior.

  9. Vamos ficar prá trás…
    Vamos ficar prá trás… presos, com uma âncora enrolada no pescoço: H Meirelles e o BC.

    H Meirelles é um irresponsável sem limites.

    Esta estupidez de manter os juros nas alturas pode comprometer definitivamente o futuro do Brasil.

  10. Dou algumas pequenas e
    Dou algumas pequenas e brevíssimas contribuições, como alguém que tem estudado e acompanhado as tendências para o futuro da civilização há mais de 10 anos.

    1. o programa do Bolsa Família precisa ser urgentemente reformulado em algumas de suas diretrizes.

    2. Em torno desse e de outros programas especiais, deve-se formar uma teia de proteção social e profissional, de transição de um mercado para outro, 20 para 21, de uma cultura para outra, industrial para pós-industrial.

    3.Antes de aprofundar alterações na Constituição e na legislação específica, é preciso estudar, propor, simular, formar cenários de alternativas não só para a crise, como para as próximas 2 ou 3 décadas, abrangendo as condições, fatores e formas produtivas globais.

    4. A economia precisará ser muito ágil e flexível, mas para isso deve estar muito bem organizada. Agilidade e flexibilidade são o oposto da precariedade e da improvisação por falta de profissionalismo.

    5. Como disse George Sóros, o sistema financeiro mundial entrou em colapso e está em decomposição, mas ao mesmo tempo se faz a engenharia de outro, ainda pouco definido, mas se vê a mudança radical na decisão européia de regulamentação intensa, em relação à idéia anterior do neoliberalismo. Então, como colocar os Bancos Centrais como esteio da saída para a crise? Eles de fato têm papel estratégico e essencial, mas já são mediadores da crise, e não os artífices das saídas, isto é importante afirmar. Os planos precisam ser traçados por uma network de vários setores.

    6. Uma boa medida “transitória”, para enfrentar os efeitos do pior da crise (mesmo que a crise passe “rapdiamente” e dure apenas de 1 a 3 anos, em seu cerne financeiro, seus efeitos irão durar bem mais), seria a de garantir uma produção maior de alimentos, e dar uma atenção ainda mais especial à infraestrutura produtiva. Um bom momento para se pensar em profundas reformas do sistema educacional, no sistema tributário e nos sistema político.

    Cada vez mais se verá que o Brasil não está fora, nem ao largo da crise, mas bem dentro dela.

  11. Do artigo do Nakano se extrai
    Do artigo do Nakano se extrai que NÃO há mais NENHUMA lógica que sustente a taxa de juros (12,75% de Selic). Ou todos estão equivocados ou o B.C. está certo!
    Parece óbvio que a Selic está fora da curva.
    Quase 800 mil empregos indo para o ralo, só nestes dois meses (dezembro e janeiro)não permite mais barbeiragens.
    A Selic tem que levar uma grande paulada. O B.C. chileno derrubou em mais 4.5% em duas reuniões.
    No Brasil a parada é ainda mais dura, pois estamos falando de um mercado interno de 190 milhões de consumidores. Portanto, NÃO dá para piscar. A cacetada nos juros tem que ser exemplar, baixa de pelo menos 2 pontos , sob pena do Governo Lula amargar uma grave derrota econômica.
    A hora é essa a reunião de março é fundamental para mostrar a inflexão definitiva na política de juros. O Brasil NÃO pode esperar mais.

  12. É, Nakano, como seria bom ter
    É, Nakano, como seria bom ter o Banespa junto à CEF, BB e BNDES para fazer frente ao lockout creditício dos privados não é?
    Fazer o que, se vc foi um dos que defendeu sua venda ao Santander…
    Acredita que a gente ainda pensa que vc poderá prever o futuro da encrenca em que ajudou a nos meter?
    Ainda acha necessário cortar 60 bilhões de gastos, como quando era futura ministro da Fazenda do futuro governo Alckmin?
    A gente imagina o tamanho do buraco em que vc nos teria enterrado…

    Quem falou isso? O Banespa foi inviabilizado em fins de 1994 por uma intervenção do BC. Nakano não tem nada a ver com isso. Quanto a cortar gastos, sendo bem feito é uma virtude.

  13. Nassif,
    a Luiza falou sobre
    Nassif,
    a Luiza falou sobre a privatização do Banco, feita em 20/11/2000, época em que o Yoshi era Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.

    Se não me engano fez parte do acordo com o Banco Central, na época da intervenção no Banespa.

  14. Nassif
    Na época da
    Nassif
    Na época da “intervenção” o Bacen era presidido pelo Gustavo Loyola, que junto com Armínio Fraga(2000), fez parte daquele grupo que iria radicalizar o processo de privatização do patrimônio público e consolidar o neoliberalismo no Estado brasileiro. Segundo a revista “Carta Capital”, a “intervenção”do Banespa aconteceu da seguinte maneira:
    “Investigação
    Carta Capital alveja o pronto-socorro do capital
    Revista conta manobras da intervenção do Banco Central no Banespa
    Jornalismo de investigação? Tem sido uma espécie tão rara na mídia quanto um mico-leão dourado na floresta, mas um exemplar viçoso foi avistado na edição de 7/8 da revista Carta Capital. O editor Carlos Drummond reconstituiu com a minudência de um arqueólogo a intervenção do Banco Central no Banespa, anunciada em 29 de dezembro de 1994, três dias antes da posse do atual governo, e escreveu a reportagem de capa “Caso Banespa, golpe dos tucanos – A história da intervenção mancha a honra do governo federal e põe em xeque o Banco Central”.
    A peça de resistência da reportagem, baseada em depoimentos e documentos fartamente reproduzidos, é uma minuciosa descrição da reunião de 7 de agosto de 1995, na sede do BC em São Paulo, quando foi apresentado o relatório da comissão de inquérito que durante sete meses apurou supostas irregularidades no banco. Com nomes, locais, datas e diálogos, a revista divulgou que naquele dia a comissão anunciou duas decisões: denunciar algumas irregularidades ao Ministério Público e arquivar o inquérito. “O processo tem de ser arquivado porque não há patrimônio líquido negativo e o devedor principal é o próprio governo do Estado, que está negociando com o BC uma forma de amortização da dívida”, receitou, segundo a revista, o funcionário Carlos José Braz Gomes de Lemos, relator da comissão de inquérito. Mas o diretor do BC Alkimar Moura, presente à reunião, achou pouco e aceitou uma sugestão que, segundo Carta Capital, lhe toldou o colarinho: avermelhar o balanço do Banespa.
    O artifício, para fazer a situação parecer pior do que realmente era, foi considerar toda a dívida do governo paulista com o banco como crédito em liquidação. Segundo a apuração de Drummond, o Banco Central praticou uma repreensível “manobra contábil”: no dia da intervenção o Banespa tinha um patrimônio líquido positivo de R$ 1,7 bilhão e a dívida do Estado, no total de R$ 9,4 bilhões, estava em dia, com a exceção de “uma pequena parcela de R$ 25 milhões vencida…”. “Isso significa que, no dia em que se fez a intervenção, não havia passivo a descoberto, ou seja, créditos sem perspectiva de recebimento”, concluiu a revista. Num truque de fazer inveja aos contadores do Banco Nacional, um saldo de patrimônio líquido positivo de R$ 1,7 bilhão foi transformado em patrimônio líquido negativo de R$ 4,2 bilhões.
    A matéria de Carta Capital remete para a superficialidade da cobertura dos grandes assuntos econômicos — a começar pelo mal explicado Proer, um bilionário e perdulário programa de socorro a bancos cujo custo é real para o contribuinte ainda é desconhecido e cuja oportunidade nunca foi demonstrada além de argumentos genéricos como a suposta necessidade de impedir a quebra do sistema financeiro. A experiência mostra que quanto mais complexo e anguloso é o assunto, mais pobre e especulativa tem sido a cobertura da imprensa. Decisões que movimentam bilhões de dólares e mexem no bolso do contribuinte são tomadas cabulosamente, e a mídia, por conveniência ou incompetência, não tem como rotina explicar ao público o que está acontecendo.
    Segundo Carta Capital, a intervenção no Banespa deve ser creditada a disputas políticas e à gula dos bancos privados pela grande fatia do mercado nas mãos do banco estatal paulista. Infelizmente para os leitores, a reportagem não foi desdobrada por outros meios de comunicação, embora faça a ata do que diz ser um dos grandes escândalos financeiros do ano. Alguns jornais deram a palavra ao presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, para ele dizer de passagem que a revista estava mentindo (Estadão, 11/8) ou que o BC iria processar Carta Capital (Folha, 9/8). “…Todas as afirmações feitas têm por base entrevistas, documentos e depoimentos”, desafiou a revista no número de 4/9, e provocou: “Talvez Gustavo Loyola não tenha tanta sorte como imagina e em breve seja convidado a explicar seus atos”. Até o final de agosto não se tinha notícia do processo.
    Número 10, julho-agosto de 1996
    © Instituto Gutenberg

  15. Nassif,

    A descrição de
    Nassif,

    A descrição de fenômenos sempre foi o fundamento básico do pensamento econômico?
    Pra que um analista/investidor dará de graça, aberrtamente a toda sociedade, uma previsão susceptível de se manifestar? E caso for, como aceitar esse ato nobre sem ressalvas? Vc poderá dizer q a comunidade de analistas/investidores, no crivo da questão, preencheria essa lacuna com criticas e aderências, mas é isso q esperamos? Que a solução desta crise, quase de tablóides, venha das previsões descritivas de como era, como está, e como voltaremos ao que erámos? Até agora o q vejo é o mesmo padrão de manada antes de tudo isso e q trouxe os mercados até aqui, e é por aí, pela entrada da crise q todos querem sair. Sorry! Não sei falar de juros, selic, BC, Loyolla, Meirelles, Soros, FED e segue, até NY.

  16. Sem meia palavras e como o
    Sem meia palavras e como o G8 está reunido para dar mais um golpe, vou cantar a bola.

    Mercantilismo, está é a palavra chave para entender as preocupações da reunião em Roma, quem ganha e quem perde com o protecionismo?

    A resposta é o obvio ululante, ganhe quem consegue tapear melhor a outra parte, aquele que consegue posar de mocinho e age como bandido por trás.

    Ninguém, ninguém mesmo acredita que cooperação e boa vontade vão instituir ética e correção neste mercado de marginais que destruíram o sistema financeiro. Nenhum país, que valha o nome vai sacrificar suas elites em nome da ética e da moral, se não fizeram até agora, por que iriam mudar? Este encontro é uma balela, onde o que se escreve não se lê , e o que se lê não se escreve, ou seja não pode resolver nada.

    É preciso encarar os fatos como eles se apresentam, temos duas opções radicais pela frente no futuro próximo, o mundo sofre um cataclismo de proporções gigantescas por volta de 2012 ou não, se sofrer não nos resta muita coisa a fazer e o negócio e viver como se não tivesse amanhã, no outro caso, temos a opção de tentar reverter a tragédia humana provocada pela destruição da confiança do sistema financeiro. Para isto existem , no meu conhecimento, duas alternativas viáveis. Uma é usar as lições da escola Austríaca e implantar uma moeda sonora como referencia das transações financeiras, a outra é usar a saída mágica que venho advogando há mais de 5 anos, fora disto será a catástrofe generalizada.

  17. Luis Nassif,
    Duas observações
    Luis Nassif,
    Duas observações que eu pretendo fazer aqui. Uma diz respeito ao comentário de Pedro Ayres enviado hoje, 22/02/2009 às 17:59. Quando a proposta da reeleição estava sendo encaminhada, eu, contrário a ela, dediquei a fazer um texto planfletário relacionando a série de análises mal feitas em nossa imprensa. Queria demonstrar que a partidarização da mídia tornava as análises que ela fazia inconsistentes e insusbsistentes. Uma referência de análise mal feita era sobre a intervenção no Banespa. O jornal Gazeta Mercantil, na época de propriedade de Hebert Levy que era um grande crítico de Quércia e admirador de FHC, trouxe uma entrevista com um economista israelense (Não sei ao certo) que defendia os governantes que com inflação alta endividavam o seu estado para impulsionar o desenvolvimento econômico. Sobre o Hebert Levy, eu dizia que ele era tanto admirador de FHC e do Plano Real que sempre deixava subentendido nos editoriais do jornal que “FHC (ou o Plano Real) é muito bom, O Plano Real (ou FHC) é bom demais, mas por favor presidente, abaixa o juro”. Bem, além da entrevista, nem no jornal, nem em outros veículos de comunicação, houve maior repercussão da declaração do economista e nem houve vinculação da declaração com a crítica que se fazia a Orestes Quércia e depois a Fleury pela situação do Banespa. De certo modo, a notícia que o Pedro Ayres trouxe poderia ser do conhecimento até de leigos como eu.
    A segunda observação diz respeito à adivinhação sobre o futuro. Ajuntei alguns emails relacionados com uma troca de correspondência entre um grupo pequeno de amigos, colei-os na ordem seqüencial dos emails, fiz uma pequena introdução e um arremate e o encaminhei para o texto aqui no blog intitulado “O neuromagma e a intuição” de 08/02/2009 às 14:32. O Anarquista elogiou bastante o texto, embora confessasse que não o havia lido. Embora minha redação seja enfadonha, não me considero pretensioso em dizer que as vezes eu tenho bons achados. Principalmente quando, pretendendo ser avançado, reconheço que o que eu digo já fora dito há séculos com muito mais estilo, concisão e precisão. Assim recomendo-o como leitura para um melhor entendimento sobre o futuro.
    Não farei a seguir um resumo do que enviei para “O neuromagma e a intuição”, mas sim um resumo de como se capacitar melhor para compreender o que ocorreu e o que ainda vai ocorrer.
    O primeiro passo é não se apressar. Não há motivo para se precipitar e concluir uma avaliação que está em processo de elaboração. Há sempre dados importantes que podem completar a avaliação e que estão já prontos para sair no dia seguinte ou no mês seguinte que em nada justificam a precipitação. Agora, na segunda semana de março, deverá aparecer em expressão numérica o que ocorreu no quarto trimestre de 2008, com a informação sobre o PIB. Qualquer análise que estiver sendo feita ficará muito mais precisa se se aguardar esse pequeno intervalo de tempo. Afinal, como avaliar o futuro se não se sabe com detalhe nem o que ocorreu no passado?
    O segundo passo é não acreditar nos profetas. Vários serão assim nomeados. Paul Krugman se transformou no grande arauto da crise econômica na década de 90 dos países do bloco asiáticos. Vai-se pesquisar na obra dele algum momento em que ele tenha feito essa previsão e não se encontra nada. O que ele diz é que uma economia que cresce com base no aumento de investimento, como era o caso dos Tigres Asiáticos, chegará em determinado momento à exaustão, pois o único crescimento que é contínuo é o que tem como base o aumento da produtividade (Não há nada que impeça que os Tigres Asiáticos tenham esse tipo de desenvolvimento).
    Não se trata propriamente do terceiro passo, mas recomendo como um importante instrumento de compreensão da realidade econômica a leitura do artigo do Paul Krugman, saído no New York Times de 18 de julho de 2008, em intitulado “L-ish Economic Prospects”. Provavelmente daqui uns cinco a dez anos, vão dizer que o Paul Kugman previu a grande crise que iniciou em 2008. Quem o lê com atenção hoje saberá que no artigo mencionado ele apenas avalia que a economia americana estava em recessão e que ela não sairia da recessão de forma rápida. Nas palavras dele: “the prospect for the economy isn’t V-shaped, it’s L-ish: rather than springing back, we’ll have a prolonged period of at best slowly improving perfomance.” A previsão dele nada tinha a ver com a grande crise que ocorreu a partir de setembro de 2008. E o texto dele mostrava a importância das bolhas para a recuperação americana e como não há bolha à vista não há recuperação nas imediações.
    Também não se tratando de um terceiro passo, acho recomendável a leitura do texto do Delfim Netto saído no Valor Econômico de 10/02/2009 intitulado “É o crédito companheiro” e que pode ser acessado no clipping do Ministério do Planejamento. Todo o texto é muito bom, mas o último parágrafo é inigualável e, portanto, merece a transcrição que se segue:
    “O que parece paradoxal, ou pelo menos curioso, é que os mais recentes e sofisticados tratados de política monetária – Woodford, M., ” Interest & Prices: Foundations of a Theory of Monetary Policy ” (2003) e Galí, J., ” Monetary Policy, Inflation, and the Business Cycle: An Introduction to the New Keynesian Framework”, (2008) -, cujos modelos inspiram e orientam os economistas dos bancos centrais do mundo para controlar a inflação e reduzir os ciclos, não mencionem a palavra “crédito”. Talvez seja assim mesmo! Como ensinou o velho Karl, se a aparência fosse igual à realidade a ciência seria dispensável…”
    Um aspecto importante é a data da última obra mencionada, 2008. Não sei se se tratava da primeira edição, mas mesmo no caso de uma nova edição havia tempo para um adendo, e, no entanto, nada se disse sobre o crédito. É fácil concluir que entre os catedráticos e economistas de fama nada indica que houvesse a previsibilidade da crise de setembro de 2008.
    Um terceiro passo é se situar sobre o modelo econômico escolhido. Há que se ter um real conhecimento do modelo que se pensa como o mais ajustado às características do país. Para cada modelo de desenvolvimento econômico um determinado indício tem efeito diverso. Se se pretende ter o desenvolvimento puxado pelo mercado interno, uma desvalorização da moeda nacional pode ser um tiro no pé, pois pode trazer inflação e a conseqüente necessidade de aumentar os juros. Essa mesma desvalorização é um incentivo a mais se o desenvolvimento for puxado pelo mercado externo. A queda do juro favorece o desenvolvimento puxado pelo mercado interno, mas, por favorecer o aumento do consumo, reduz a disponibilidade para exportar e, portanto, dificulta o desenvolvimento puxado pelo mercado externo.
    Um quarto passo é reconhecer que a realidade de um país desenvolvido é bastante diferente da realidade de um país em desenvolvimento. Não há porque imaginar que se devam aplicar no Brasil políticas semelhantes aquelas hoje postas nos Estados Unidos. Elas podem até se assemelharem, mas é preciso ter consciência das diferenças existentes para que não se cometa erros facilmente evitáveis.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 22/02/2009

  18. Creio que precisamos lembrar
    Creio que precisamos lembrar que por mais que o cumpulsório seja liberado se conseguirá apenas compensar em volumes a perda do crédito externo, mas não se conseguirá compensar as condições de juros baixos que eram praticado no credito externo, justamente em função dos juros da Selic que impede que os juros praticados no Brasil se equiparem aos juros praticados no mercado externo, nem para as grandes empresas instaladas no Brasil.

    Outra coisa é que ja se passaram quase meio ano desde da quebra do Lehman Brothers, aguardar mais tempo para afrouxar a política monetária significa mandar milhões de pessoas para o inferno do desemprego e da recessão.

    A ruptura provocada pela quebra do Lehman Brothers foi muito grande o que exige uma resposta na mesma magnitude, o que ainda não foi feito pelos membros do COPOM.

    Trazer os juros da selic para 8% nominais ao ano significa poder trazer os juros da TJLP para 4% anuais, e com o recente aporte dado ao BNDES viabiliza criar uma linha de crédito nas mesmas condições oferecidas pelo crédito externo no período anterior a quebra do Lehman Brothers.

  19. Falar de sistemas é falar
    Falar de sistemas é falar bobagem, pedir que se conheça o sistema é tarefa impossível, logo, não é por ai que a caravana passa. Concluo que existe interesses inconfessáveis por trás dessa requisição, no mínimo para levar a apatia e sujeitar a nação ao complexo de inferioridade.

    Não entro nessa, nem amarrado.

    O sistema é simples no começo, como todo bom sistema que se preze, por isto o mantêm secreto, por que qualquer um consegue implementá-lo. Se o Lula quisesse punha um sistema que trabalhasse a favor do Brasil em uma semana na praça, com um pé nas costas.

    Esta conversa sobre a taxa de juros é , na minha humilde opinião, conversa para boi dormir. Como 97% do credito que rodava nas finanças internacionais teve sua higidez contestada em 15 de setembro de 2008, o que se seguiu foi uma brutal deflação, que vêm fazendo a alegria de todos os populistas pelo mundo. Como a deflação foi cavalar, você pode emitir até o inferno que não vai aparecer inflação no curto prazo, logo o dinheiro que persistiu está valendo como nunca, comprando como nunca e o juros com um dinheiro valorizado tinha de ser negativo, MUITO NEGATIVO.

  20. A crise saindo da esfera
    A crise saindo da esfera econômica e contaminando a esfera geopolítica.

    Se a crise passar da esfera econômica para a esfera geopolítica, diante da suposta ‘fraqueza econômica norte-americana’ poderemos ver algumas outras nações (China, Rússia, Índia, Paquistão, Israel, Irã) tentadas a tomarem atitudes belicistas em relação à suposta defesa dos seus interesses econômicos…o que também servirá para reativar (ao menos momentaneamente) suas respectivas economias.

    Diversos professores que tive no passado, disseram que a maioria das guerras, senão a totalidade delas, teve como pano de fundo interesses econômico-financeiros.

  21. Vejam que interessante,
    Vejam que interessante, exatamente o que estava dizendo no comentário anterior:

    An Impending Geopolitical Earthquake?
    by José Miguel Alonso Trabanco

    The financial and economic turmoil the world is currently experiencing will certainly have many serious consequences beyond those fields. Indeed, its geopolitical fallout could be far more serious than commonly acknowledged and it is an element that cannot be neglected by neither statesmen nor analysts.

    Some scholars frequently hold that politics and economics are somehow separate. Such view is profoundly mistaken because politics and economics are strongly interlinked. Actually, political power and economic wealth cultivate one another. Likewise, economic trouble, more often than not, tends to lead to political trouble and the reverse is equally true.

    Therefore, it is fairly reasonable to assert that this financial crisis will have a major impact on the international system’s balance of power. Some states (including Great Powers) could redefine their priorities. Other states are in a direr situation so they would have to make dramatic adjustments concerning their policies.

    Take the case of the United States. Following the end of the Cold War, the US intended to establish a unipolar era in which its hegemonic position would remain unrivaled (the so called ‘Project for a New American Century’). However, Washington has had to deal with several setbacks and challenges like the rise of other great powers (China and Russia), the proliferation of anti-American regimes (Iran, Venezuela) as well as Washington’s military quagmires (Iraq and Afghanistan). Thus, the position of the US could be weakened as a result of the financial crisis.

    It is unknown at this point if the Dollar hegemony will prevail and remain unscathed. The dollar can certainly survive but its position could be critically eroded. This is extremely important to bear in mind because the Dollar hegemony is one of the twin pillars of American power, the other one being military strength. The US Dollar’s position as the top reserve currency is what has allowed the American economy to finance a huge trade deficit. A byproduct of that is the accumulation of the world’s largest external debt, equivalent to almost 99.95% of America’s GDP (!?). That means it cannot be paid so, what will happen if suddenly America’s creditors decide to collect at least a part of that debt? If the US refuses to pay, how will its debtors react?
    Moreover, the financial and economic crisis might acutely restrict NATO’s operational capabilities beyond its borders. The Atlantic alliance is currently contemplating an increased military presence in Afghanistan. It also seeks to advance further eastward into the Post-Soviet space. However, such agenda could be impeded by other concerns closer to home.

    It turns out that several European States (some with both NATO and European Union membership) are already facing sociopolitical complications that have been triggered by their severe financial and economic difficulties (lack of credit, unemployment, currency depreciation, external debt, GDP negative growth). If their situation deteriorates further, an eventual deployment of NATO troops in one or more of its members’ territory is not unconceivable at all. The official purpose would be the preservation of political stability. The unofficial (and real) goal would be to prevent NATO-friendly governments from collapsing. Iceland, Romania, Hungary, Greece, Poland and even Italy and France are in a particularly dire position. According to Der Spiegel, Britain itself (the very cradle of modern finance) is “on the brink of financial ruin”.

    This scenario can be dismissed as far-fetched but even the American financial sector is under critical circumstances. Like Russian Prime Minister Vladimir Putin recently remarked “… investment banks, [once] the pride of Wall Street, have virtually ceased to exist. In just twelve months, the have posted losses exceeding the profits they made in the last 25 years…”
    The Russian Federation itself is not immune. For instance, the Kremlin’s plans to make Moscow an international financial center do not seem very likely now, due to the ruble’s depreciation. In spite of that, the Russian government knows it has an important capability to maneuver through the crisis. Its main asset is the huge reserves of foreign currency (the third largest in the world) it has amassed during the last years. Plus, Russian energy and arms exports are a reliable source of income.

    Other Post-Soviet States are in a more delicate position. For instance, Kyrgyzstan decided to close the Manas Air Force Base (operated by the US Air Force) in exchange for Russian financial and economic concessions, which means Moscow scored a most crucial geopolitical victory. This teaches a vital lesson: Financial means are very useful to accomplish geopolitical objectives. On the other hand, Ukraine’s economy is rather fragile so Kiev it has been rumored that Kiev could even reconsider its foreign policy in exchange for financial assistance.

    It has to be taken into account hat China possesses the world’s largest reserves of foreign currency so Beijing is not entirely unprotected. However, as a result of the global crisis, the Chinese need to avoid potentially destabilizing political consequences derived from unemployment and overall economic slowdown. Some prominent members of Obama’s administration intend to at least decrease the American trade deficit by pressuring Beijing to revaluate the Chinese yuan but China obviously is unwilling to artificially restrict its exports. This disagreement must not be underestimated because it could fuel dangerous tensions between both great powers.

    It is yet too early to accurately predict the full consequences of the world financial crisis. Nevertheless, it seems that it will spark some unforeseen geopolitical readjustments. The financial system is approaching a most critical turning point and so is the international balance of power.
    ====
    José Miguel Alonso Trabanco is an independent writer based in Mexico specialising in geopoltiucal and military affairs. He has a degree in International Relations from the Monterrey Institute of Technology and Higher Studies, Mexico City. His focus is on contemporary and historic geopolitics, the world’s balance of power, the international system’s architecture and the emergence of new powers.

  22. Luis Nassif,
    Para futuras
    Luis Nassif,
    Para futuras pesquisas deixo aqui indicado que enviei hoje um comentário para texto seu aqui no blog intitulado “As contas fiscais – arrecadação” de 01/04/2009 às11:32 com menção ao texto acima e também ao texto “O neuromagma e a intuição” de 08/02/2009 às 14:32.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 01/04/2009

  23. Luis Nassif,
    Apenas como
    Luis Nassif,
    Apenas como referência para futuras pesquisas, eu menciono meus comentários enviados para esse texto acima intitulado “O desafio de adivinhar o futuro” de 22/02/2009 às 10:00 nos comentários que enviei para o texto no seu blog intitulado “A regra de três do professor de Deus” de 15/04/2009 às 21:00 e também para “A análise de Gustavo Franco” de 17/04/2009 às 11:09.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 19/04/2009

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