O mapa da crise

Por Gustavo Cherubine

Do Le Monde Diplomatique

A crise financeira sem mistérios

Por Ladislau Dowbor

Tirando a roupa (financeira)

As pessoas imaginam profundas articulações onde, em geral, há mecanismos bastante simples.

Nada como alguns exemplos para ver como funciona. Há poucos anos estourou o desastre da Enron, uma das maiores e mais conceituadas multinacionais americanas. Foi uma crise financeira e um dos principais mecanismos de geração fraudulenta de recursos fictícios, foi um charme de simplicidade. Manda-se um laranja qualquer abrir uma empresa laranja num paraíso fiscal como Belize. Esta empresa reconhece por documento uma dívida de, por exemplo, 100 milhões de dólares. Esta dívida entra na contabilidade da Enron como “ativo”, e melhora a imagem financeira da empresa. Os balanços publicados ficam mais positivos, o que eleva a confiança dos compradores de ações. As ações sobem, o que valoriza a empresa, que passa a valer os cem milhões suplementares que dizia ter.

Os executivos da Enron acharam o processo muito interessante. O setor de produção (que produzia efetivamente coisas úteis) foi colocado no seu devido lugar, e os magos da finança se lançaram no filão que apresentava a vantagem de ser menos trabalhoso e mais lucrativo. No momento da falência, a Enron tinha 1600 empresas fictícias na sua contabilidade. A empresa de auditoria Arthur Andersen não percebeu. As empresas de avaliação de risco não perceberam. A primeira tinha a Enron como cliente de consultoria. As segundas são pagas pelas empresas que avaliam.

Partimos deste exemplo da Enron porque é simples, representa um mecanismo de fraude honesto e transparente. Não viu quem não quis. E também para marcar o que é uma cultura da área financeira, onde vale rigorosamente tudo, conquanto não sejamos pegos. Não é o reino dos inteligentes (tanto assim que quebram), mas dos espertos. E os que buscam produzir bens e serviços realmente úteis são levados de roldão, em parte culpados porque toleraram idiotas disfarçados em magos de finanças e marketing. Qualquer semelhança com empresas nacionais que se lançaram em aventuras especulativas é mera coincidência.

O estopim da crise financeira de 2008 foi o mercado imobiliário norte-americano. Abriu-se crédito para compra de imóveis por parte de pessoas qualificadas pelos profissionais do mercado de Ninjas (No Income, No Jobs, no Savings). Empurra-se uma casa de 300 mil dólares para uma pessoa, digamos assim, pouco capitalizada. Não tem problema, diz o corretor: as casas estão se valorizando, em um ano a sua casa valerá 380 mil, o que representa um ganho seu de 80 mil, que o senhor poderá usar para saldar uma parte dos atrasados e refinanciar o resto. O corretor repassa este contrato – simpaticamente qualificado de “sub-prime”, pois não é totalmente de primeira linha, é apenas sub-primeira linha – para um banco, e os dois racham a perspectiva suculenta dos 80 mil dólares que serão ganhos e pagos sob forma de reembolso e juros. O banco, ao ver o volume de “sup-prime” na sua carteira, decide repassar uma parte do que internamente qualifica de “junk” (aproximadamente lixo), para quem irá “securitizar” a operação, ou seja, assegurar certas garantias em caso de inadimplência total, em troca evidentemente de uma taxa. Mais um pequeno ganho sobre os futuros 80 mil, que evidentemente ainda são hipotéticos. Hipotéticos mas prováveis, pois a massa de crédito jogada no mercado imobiliário dinamiza as compras, e a tendência é os preços subirem.

As empresas financeiras que juntam desta forma uma grande massa de “junk” assinados pelos chamados “ninjas”, começam a ficar preocupadas, e empurram os papéis mais adiante. No caso, o ideal é um poupador sueco, por exemplo, a quem uma agência local oferece um “ótimo negócio” para a sua aposentadoria, pois é um “sup-prime”, ou seja, um tanto arriscado, mas que paga bons juros. Para tornar o negócio mais apetitoso, o lixo foi ele mesmo dividido em AAA, BBB e assim por diante, permitindo ao poupador, ou a algum fundo de aposentadoria menos cauteloso, adquirir lixo qualificado. O nome do lixo passa a ser designado como SIV, ou Structured Investment Vehicle, o que é bastante mais respeitável. Os papéis vão assim se espalhando e enquanto o valor dos imóveis nos EUA sobe, formando a chamada “bolha”, o sistema funciona, permitindo o seu alastramento, pois um vizinho conta a outro quanto a sua aposentadoria já valorizou.

Para entender a crise atual, não muito diferente no seu rumo geral do caso da Enron, basta fazer o caminho inverso. Frente a um excesso de pessoas sem recurso algum para pagar os compromissos assumidos, as agências bancárias nos EUA são levadas a executar a hipoteca, ou seja, apropriam-se das casas. Um banco não vê muita utilidade em acumular casas, a não ser para vendê-las e recuperar dinheiro. Com numerosas agências bancárias colocando casas à venda, os preços começam a baixar fortemente. Com isso, o Ninja que esperava ganhar os 80 mil para ir financiando a sua compra irresponsável, vê que a sua casa não apenas não valorizou, mas perdeu valor. O mercado de imóveis fica saturado, os preços caem mais ainda, pois cada agência ou particular procura vender rapidamente antes que os preços caiam mais ainda. A bolha estourou. O sueco que foi o último elo e que ficou com os papéis – agora já qualificados de “papéis tóxicos” – é informado pelo gerente da sua conta que lamentavelmente o seu fundo de aposentadoria tornou-se muito pequeno. “O que se pode fazer, o senhor sabe, o mercado é sempre um risco”. O sueco perde a aposentadoria, o Ninja volta para a rua, alguém tinha de perder. Este alguém, naturalmente, não seria o intermediário financeiro. Os fundos de pensão são o alvo predileto, como o foram no caso da Enron.

Mas onde a agência bancária encontrou tanto dinheiro para emprestar de forma irresponsável? Porque afinal tinha de entregar ao Ninja um cheque de 300 mil para efetuar a compra. O mecanismo, aqui também, é rigorosamente simples. Ao Ninja não se entrega dinheiro, mas um cheque. Este cheque vai para a mão de quem vendeu a casa, e será depositado no mesmo banco ou em outro banco. No primeiro caso, voltou para casa, e o banco dará conselho ao novo depositante sobre como aplicar o valor do cheque na própria agência. No segundo caso, como diversos bancos emitem cheques de forma razoavelmente equilibrada, o mecanismo de compensação à noite permite que nas trocas todos fiquem mais ou menos na mesma situação. O banco, portanto, precisa apenas de um pouco de dinheiro para cobrir desequilíbrios momentâneos. A relação entre o dinheiro que empresta – na prática o cheque que emite corresponde a uma emissão monetária – e o dinheiro que precisa ter em caixa para não ficar “descoberto” chama-se alavancagem.

A alavancagem, descoberta ou pelo menos generalizada já na renascença pelos banqueiros de Veneza, é uma maravilha. Permite ao banco emprestar dinheiro que não tem. Em acordos internacionais (acordos de cavalheiros, ninguém terá a má educação de verificar) no quadro do BIS (Bank for International Settlements) de Basiléia, na Suíça, recomenda-se por exemplo que os bancos não emprestem mais de nove vezes o que têm em caixa, e que mantenham um mínimo de coerência entre os prazos de empréstimos e os prazos de restituições, para não ficarem “descobertos” no curto prazo, mesmo que tenham dinheiro a receber a longo prazo. Para se ter uma idéia da importância das recomendações de Basiléia, basta dizer que os bancos americanos que quebraram tinham uma alavancagem da ordem de 1 para 40.

A vantagem de se emprestar dinheiro que não se tem é muito grande. Por exemplo, a pessoa que aplica o seu dinheiro numa agência verá o seu dinheiro render cerca de 10% ao ano. O banco tem de creditar estes 10% na conta do aplicador. Se emprestar este dinheiro para alguém a 20%, por exemplo, terá de descontar dos seus ganhos os 10% da aplicação. Mas quando empresta dinheiro que não tem, não precisa pagar nada, é lucro líquido. A alavancagem torna-se portanto muito atraente. E a tentação de exagerar na diferença entre o que tem no caixa e o que empresta torna-se muito grande. Sobretudo quando vê que outros bancos tampouco são cautelosos, e estão ganhando cada vez mais dinheiro. É uma corrida para ver quem agarra o cliente primeiro, pouco importa o risco. E os ganhos são tão estupendos…
A ficção da regulação

A “bolha” imobiliária vinha sendo comentada há pelo menos três anos. Greenspan previa um “soft landing”, ou seja, um esvaziamento suave da bolha, e não o “crash landing” que finalmente aconteceu. É interessante comparar a frase ufanista do FMI em 2002, que colocamos em epígrafe no início deste artigo, com a avaliação bastante mais cautelosa e até alarmante que aparece já em 2005: “Ainda que seja difícil ser categórico sobre qualquer coisa tão complexa como o sistema financeiro moderno, é possível que estes desenvolvimentos estejam criando mais movimento procíclicos que no passado. Podem igualmente estar criando uma probabilidade maior (mesmo que ainda pequena) de um colapso catastrófico (catastrophic meltdown). ”

Em dezembro de 2007, o FMI lança um grito: “Global governance: who’s in charge?” diz a capa da publicação, claramente sugerindo que ninguém está “in charge”, ninguém está regulando nada. “Lax, if not fraudulent, underwriting practices in subprime mortgage lending largely explain the rise in the rate of seriously delinquent loans from 6 percent to 9 percent between the second quarter of 2006 and the second quarter of 2007”. Na época já estimava que o lixo tóxico (troubled loans como era ainda chamado) estava corrompendo (disrupting) o mercado financeiro americano de 57 trilhões de dólares. A culpa recai, segundo o Fundo, sobre a globalização do sistema, abandonando as “local depository institutions [which] make loans” em proveito dos “major Wall street banks and securities firms, which employ the latest financial engineering to repackage mortgages into securities through credit derivatives and collateralized debt obligations”. O uso de paraísos fiscais está igualmente bem mapeado: “Securitization involves the pooling of mortgages into a special-purpose vehicle, which is simply a corporation registered in what is usually an off-shore tax-haven country”. Este e outros canais eram utilizados, segundo o Fundo, “to keep the subprime assets off their books and to avoid related capital requirements”. A expressão “keep off their books” nos é familiarmente conhecida como “caixa dois”. Atribuir a crise ao “pânico” e outras manifestações irracionais não tem muito sentido. O pânico existe, pois as pessoas não gostam de perder dinheiro. Mas tem a sua origem no comportamento fraudulento quando não criminoso das principais instituições financeiras. E sobretudo na ausência de qualquer vontade ou capacidade reguladora do FED e do governo norte-americano.

Quando os pequenos bancos locais se transformam em gigantes planetários, a imprensa apresenta a evolução como positiva, dizendo que os bancos ficam ‘mais sólidos”. A realidade é que ficam mais poderosos, logo menos controlados. No conjunto, o que aconteceu com a globalização financeira é que os papéis circulam no planeta todo, enquanto os instrumentos de regulação, os bancos centrais nacionais, estão fragmentados em cerca de 190 nações. Na prática, ninguém está encarregado de regular coisa alguma. E se algum país decide controlar os capitais, estes fugirão para lugares mais hospitaleiros (market-friendly), em processo muito parecido com os mecanismos de guerra fiscal entre municípios. Nas análises das Nações Unidas, isto é chamado de race to the bottom, corrida para o fundo, de quem reduz mais as suas próprias capacidades de controle.

Lembremos aqui que os gigantes globalizados da finança, os chamados Institutional Investors, constituem um grupo pequeno e seleto. Segundo o New Scientist, 66 grupos apenas gerem 75% das movimentações especulativas planetárias que eram da ordem de 2,1 trilhões de dólares por dia na véspera do agravamento da crise em 2008. É fácil imaginar o poder político que corresponde a esta capacidade de irrigar com dinheiro ou desequilibrar com fugas qualquer economia. Stigliz lembra bem que se trata de um clube de pessoas que circulam alternadamente entre Wall Street, o Departamento do Tesouro norte-americano, o FMI e o Banco Mundial. Paulson, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, na gestão Bush, pertencia à Goldman & Sachs. O mecanismo é familiarmente chamado de “porta giratória”.

Haveria ainda de se considerar o papel regulador das agências avaliadoras de risco. O muito conservador The Economist chega a se indignar com o peso que adquiriu este oligopólio de tres empresas – Moody’s, Standard & Poor (S&P) e Fitch – que “fazem face a críticas pesadas nos últimos anos, por terem errado relativamente a crises como as da Enron, da WorldCom e da Parmalat. Estes erros, a importância crescente das agências, a falta de competição entre elas e a ausência de escrutínio externo estão começando a deixar algumas pessoas nervosas”. O The Economist argumenta também que as agências de avaliação são pagas pelos que emitem títulos, e não por investidores que utilizarão as avaliações de risco, com evidentes conflitos de interesse. O resultado é que “a mais poderosa força nos mercados de capital está desprovida de qualquer regulação significativa”.

A pá de cal na capacidade de regulação veio no final dos anos 1990 quando se liquidou a separação entre os bancos comerciais tradicionais, que tipicamente recebiam depósitos de correntistas e faziam empréstimos locais, e os investidores institucionais. Todo mundo passou a fazer o que quisesse, os intermediários financeiros passaram a ser “supermercados” de produtos financeiros e inclusive grandes empresas industriais e comerciais viraram especuladores.

Nesta discrepância entre finanças globais e regulação nacional, jogam um papel complementar importante os paraísos fiscais, cerca de 70 “nações”, ilhas da fantasia onde frequentemente existem mais empresas registradas do que habitantes, e onde não se pagam impostos nem exigem relatórios de atividades. Estes paraísos exercem hoje o papel que no século 18 desempenhavam algumas ilhas do Caribe que constituíam abrigos permanentes de piratas, onde os produtos da ilegalidade podiam ser estocados, trocados e comercializados. Mudou apenas o tipo de produto, encobrindo não só caixa dois, como evasão fiscal, tráfego de armas e lavagem de dinheiro. Não haverá um mínimo de ordem financeira mundial enquanto subsistirem estes off-shores de ilegalidade.

Leia também:  Crescimento da China expõe falso dilema entre saúde e economia

Circo, cassino, ciranda financeira, estes são os termos com os quais já há tempos especialistas têm designado o carnaval econômico que oportunistas dos mais variados tipos desenvolvem com dinheiro que não é deles – se trata de poupanças da população ou de emissão de dinheiro com autorização pública – e que acaba quebrando não os próprios intermediários, mas pessoas, empresas ou países que produzem, poupam e investem.
O papel dos Estados Unidos

O epicentro da atual crise está nos Estados Unidos, e o eixo desencadeador foi o mercado imobiliário. Mas a diferença relativamente às crises dos hedge funds ou do Long Term Capital Management (LTCM) de poucos anos atrás, é a nova fragilidade dos Estados Unidos. A tradição ideológica exige que se considere os EUA à beira do colapso ou como poderoso bastião do capitalismo, segundo as posições. A realidade é que se trata sim de um poderoso bastião, mas impressionantemente fragilizado.

Os Estados Unidos têm uma dívida pública de 10,5 trilhões de dólares. Como ninguém consegue imaginar o que pode representar tal soma, vale a pena lembrar que o PIB mundial é da ordem de 55 trilhões de dólares. Ou seja, a dívida pública norte-americana representa cerca de um quinto do PIB mundial. É um país que vive acima de suas posses. O American Way of Life é amplamente artificial. Sem falar do conteúdo das atividades: os custos advocatícios empresariais são da ordem de 370 bilhões de dólares por ano, e pode-se duvidar se este aumento do PIB gera qualidade no Way of Life.

O endividamento como nação se reflete na situação das famílias. O americano adulto médio tem oito cartões de crédito, e gasta um terço da sua renda com o pagamento de dívidas. Apresentado no momento da concessão, o crédito aparece como um instrumento de dinamização da conjuntura, pois aumenta a capacidade de compra da família. No entanto, cada dívida significa não só reembolso, como pagamento de juros e, na realidade, o que se consegue com endividamento é uma antecipação de consumo, e não o seu aumento. Quando chega a hora de pagar, o efeito se inverte. Até onde irão as famílias norte-americanas no faz-de-conta de prosperidade?

Os dois endividamentos, público e privado, dependem no caso americano de um desequilíbrio entre importações e exportações, da ordem de 1 trilhão de dólares anualmente.8 Este déficit sistemático levou a um acúmulo de reservas em dólares em particular pela China, que detém curiosamente hoje uma capacidade impressionante de desestabilização do sistema monetário norte-americano. Imagina, comenta informalmente Ignacy Sachs, o Partido Comunista da China salvando a economia americana.

Neste final de 2008, as matrizes norte americanas de multinacionais estão comprando dólares nos mercados do mundo para se recapitalizar, e inúmeras empresas com dívidas denominadas em dólar buscam igualmente a moeda, além de especuladores tentando “realizar” papéis podres transformando-os em moeda real, gerando uma valorização. O médio prazo deste processo é simplesmente um ponto de interrogação, em particular considerando a gigantesca massa de dólares que os EUA emitiram quando estes eram – e ainda são em parte – ao mesmo tempo moeda nacional e moeda-reserva mundial.

O efeito desequilibrador que os Estados Unidos geram no planeta é poderoso, e isto torna as responsabilidades do novo governo eleito muito amplas. Os desequilíbrios monetários e financeiros foram-se acumulando durante as décadas da farra neoliberal, e hoje estão gravadas nas estruturas produtivas. Mais importante ainda, a dinâmica recente de concentração de renda nos Estados Unidos, inclusive com a drástica redução de impostos pagos pelos ricos, geraram uma cultura do lucro fácil e uma estrutura de poder que de tudo fará para manter o sistema. Os ajustes terão de ser profundos.
Quem paga a conta?

A conta da irresponsabilidade norte-americana, devidamente imitada em outros países que até ontem nos davam lições, ainda está por ser apresentada. A curtíssimo prazo, e buscando conter o pânico entre eleitores, os governos dos países mais afetados procuraram tranquilizar os milhões de pequenos depositantes. Neste sentido, vários países passaram a assegurar que no caso de quebra de um banco, por exemplo, o governo ressarciria as perdas dos correntistas até 100 mil dólares, ou até sem limite, segundo os países. O processo é interessante, pois o correntista seria ressarcido do seu próprio dinheiro com dinheiro que pagou para o governo sob forma de impostos. A generosidade governamental escapa à compreensão de muitos, que acham que talvez devessem ser debitados os especuladores que afinal especularam precisamente com o dinheiro dos poupadores.

Mas a grande massa de movimentação financeira foi evidentemente no socorro às instituições financeiras que estão quebrando. Neste início de 2009, a conta dos recursos mobilizados está em cerca de 4 trilhões de dólares. Como o ex-presidente Bush explicou candidamente, isto ia contra as suas convicções, mas como uma quebradeira geral iria prejudicar ainda mais a população, e sendo o bem-estar desta a sua preocupação maior, tinha de mobilizar o dinheiro necessário. Dinheiro público, naturalmente, pois se tratava justamente de não prejudicar os bancos ou seguradoras. Aqui também, para o público, ficou um sentimento profundamente ambíguo: alívio porque a quebradeira seria evitada, ou retardada, mas também a amarga constatação de que se estava salvando especuladores com o próprio dinheiro do público. Na primeira reviravolta do “mercado” após o anúncio dos 700 bilhões do governo americano, quando o mercado se recuperou momentâneamente, houve declarações – lamentavelmente públicas – de especuladores: “The happy days are back”. Já não dizem o mesmo, pelo menos por enquanto. Ponto essencial, é preciso lembrar que os trilhões desembolsados pelo governo não estarão disponíveis para políticas públicas em saúde, educação e assim por diante. Alguém tem de pagar.

Um drama que ainda se desenrola, e de dimensões imprevisíveis, é o dos que pouparam a vida inteira para formar um fundo de pensão, e dos próprios grandes fundos que tinham os seus ativos aplicados em ações que perderam valor. É preciso lembrar que os administradores das grandes instituições de especulação trabalham essencialmente com dinheiro de terceiros, e que têm os seus salários – em geral na faixa de dezenas de milhões ao ano – garantidos, foram os primeiros a saber como realocar o que tinham em opções empresariais. Mas os detentores de ações perderam massas avassaladoras de recursos, mais de 30 trilhões neste início de 2009. Quando uma pessoa tem mil dólares em dinheiro, enquanto não houver um surto inflacionário, tem o seu poder de compra garantido. Mas quando os seus dólares foram transformados em papéis que perderam todo valor, estão arruinados. Muita gente procurou dólares para se livrar de ações de empresas perfeitamente produtivas, e que fazem coisas úteis, buscando a segurança do dinheiro vivo, agravando o processo.

Gera-se assim um amplo efeito multiplicador, em que a irresponsabilidade da especulação financeira atinge áreas de atividades produtivas. Note-se aqui que “especulação” é o termo tecnicamente correto. O inglês não tem, como temos em português, a diferença entre investimento e aplicação financeira. Tecnicamente, o investimento é quando alguém constrói uma fábrica, por exemplo, e com o lucro da produção financiará a restituição do empréstimo e os juros correspondentes. À movimentação financeira correspondeu uma atividade produtiva. No caso da aplicação financeira apenas se transfere ativos financeiros de uma área para outra, não se gera produto ou serviço algum. O Economist, que sempre considerou este último tipo de aplicação como “investment”, e durante décadas declarou que a especulação ajudava na mobilidade dos capitais e, portanto, no seu uso mais produtivo, hoje enfrenta grandes dificuldades para sair da saia justa: não querendo acusar os amigos de sempre de especuladores, passou a chamá-los de “speculative investors”. Os doutores sofistas de tempos passados não inventariam melhor.

Temos assim um processo desequilibrado, em que por um lado os impressionantes avanços tecnológicos permitiram fortes aumentos de produtividade sistêmica no planeta, mas por outro lado a apropriação dos excedentes gerados se dá na mão de intermediários, não de produtores, e muito menos dos trabalhadores. Este desvio das capacidades financeiras, do investimento produtivo para as esferas da especulação, está no centro da perversão sistêmica que enfrentamos.
Especulação e concentração de renda

Num plano mais amplo, portanto, o próprio sistema é desequilibrado em termos de alocação e de apropriação de recursos, mesmo quando não há crise. Marjorie Kelly produziu nesta área um estudo particularmente interessante, intitulado “O direito divino do capital”. Analisando o mercado de ações dos Estados Unidos, Kelly constata que a imagem das empresas se capitalizarem por meio da venda de ações é uma bobagem, pois o processo é marginal: “Dólares investidos chegam às corporações apenas quando novas ações são vendidas. Em 1999 o valor de ações novas vendidas no mercado foi de 106 bilhões de dólares, enquanto o valor das ações negociado atingiu um gigantesco 20,4 trilhões. Assim que de todo o volume de ações girando em Wall Street, menos de 1% chegou às empresas. Podemos concluir que o mercado é 1% produtivo e 99% especulativo”. Mas naturalmente, as pessoas ganham com as ações e, portanto, há uma saída de recursos: “Em outras palavras, quando se olha para as duas décadas de 1981 a 2000, não se encontra uma entrada líquida de dinheiro de acionistas, e sim saídas. A saída líquida (net outflow) desde 1981 para novas emissões de ações foi negativa em 540 bilhões”…”A saída líquida tem sido um fenômeno muito real – e não algum truque estatístico. Em vez de capitalizar as empresas, o mercado de ações as tem descapitalizado.

Durante décadas os acionistas têm se constituído em imensos drenos das corporações. São o mais morto dos pesos mortos. É inclusive inexato se referir aos acionistas como investidores, pois na realidade são extratores. Quando compramos ações não estamos contribuindo com capital, estamos comprando o direito de extrair riqueza”.

Esta forma de drenar a riqueza produzida pelas empresas está baseada num pacto de solidariedade nas próprias corporações, em que os acionistas são bem remunerados pelos seus aportes iniciais, e os administradores levam salários nababescos (na faixa de dezenas e frequentemente centenas de milhões de dólares anuais mais opções). Encontramos aqui a boa e velha mais valia, onde a produtividade do trabalho aumenta de forma acelerada graças às novas tecnologias, mas a participação da remuneração do trabalho declina. O FMI apresenta uma tabela bem clara referente aos países mais desenvolvidos (ver tabela abaixo). Constatamos que a parte da renda destinada à remuneração do trabalho cai sistematicamente entre 1980 e 2005 nos países avançados. É o efeito prático mais direto do neoliberalismo. É interessante lembrar que em 1980 se inicia, com Reagan e Margareth Thatcher, a onda neoliberal. E é bom recorrer a estatísticas do Fundo, pouco suspeito no caso.

IMF, Finance&Development, June 2007, p. 21

A compreensão deste “pano de fundo” é importante, pois não se trata apenas de um sistema bom que entrou em crise por movimentos conjunturais: a financeirização dos processos econômicos vem há décadas se alimentando da apropriação dos ganhos da produtividade que a revolução tecnológica em curso permite, de forma radicalmente desequilibrada. Não é o caso de desenvolver o tema aqui, mas é importante lembrar que a concentração de renda no planeta está atingindo limiares absolutamente obscenos.

Fonte: Human Development Report 1998, p. 37

A imagem da taça de champagne é extremamente expressiva, pois mostra quem toma que parte do conteúdo, e em geral as pessoas não têm consciência da profundidade do drama. Os 20% mais ricos se apropriam de 82,7% da renda. Como ordem de grandeza, os dois terços mais pobres têm acesso a apenas 6%. Em 1960, os 20% mais ricos se apropriavam de 70 vezes a renda dos 20% mais pobres, em 1989 são 140 vezes. A concentração de renda é absolutamente escandalosa, e nos obriga de ver de frente tanto o problema ético, da injustiça e dos dramas de bilhões de pessoas, como o problema econômico, pois estamos excluindo bilhões de pessoas que poderiam estar não só vivendo melhor, como contribuindo de forma mais ampla com a sua capacidade produtiva. Esta concentração não se deve apenas à especulação financeira, mas a contribuição é significativa e, sobretudo, é absurdo desviar o capital de prioridades planetárias óbvias. O cassino tornou-se um entrave central no processo de desenvolvimento em geral.
Os lucros financeiros no Brasil

Finalmente, e antes de entrar nas propostas, um comentário sobre a situação particular da intermediação financeira no Brasil. Basicamente, cinco grupos dominam o mercado. A ANEFAC, Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contábeis, apresenta mensalmente a taxa média de juros efetivamente praticada junto ao tomador final, pessoa física ou pessoa jurídica.

Para pessoa jurídica, os juros anuais se mantêm em 68% durante 3 anos, sendo que os juros correspondentes na Europa seriam da ordem de 3% ao ano. É importante lembrar que neste período a taxa básica de juros Selic caiu de 19,75% para 13,75%, ou seja, 6 pontos percentuais (queda de 30,4%), sem que houvesse redução da taxa média para pessoa jurídica ou para pessoa física no mercado financeiro.

Leia também:  Governo zera imposto de importação de soja e milho

A situação aqui é completamente diferente dos bancos dos países desenvolvidos, que trabalham com juros baixos e alavancagem altíssima. Essencial para nós, é que sustentar no Brasil juros que são da ordem de mil por centos relativamente aos juros praticados internacionalmente, só pode ser realizado mediante uma cartelização de fato. Para dar um exemplo, o Banco Real (Santander Brasil) cobra 146% no cheque especial no Brasil, enquanto o Santander na Espanha cobra 0% (zero por cento) por seis meses até cinco mil euros. Os ganhos dos grupos estrangeiros no Brasil sustentam assim as matrizes. Lembremos ainda que a Anefac apresenta apenas os juros, sem mencionar as tarifas cobradas. Os resultados são os spreads fantásticos e lucros impressionantes que o setor apresenta, sobre um volume de crédito no conjunto bastante limitado (39% do PIB) para uma economia como o Brasil. A intermediação financeira tornou-se assim um fator central do chamado “custo Brasil”, e um vetor central da concentração de renda. Os lucros são tão impressionantes, que ao abrigo deste cartel mesmo grupos de comércio, em vez de se concentrar em prestar bons serviços comerciais, hoje se concentram na intermediação financeira.

Em termos de remuneração do trabalho, o processo no caso brasileiro é bastante mais dramático, pois a queda da participação da remuneração do trabalho na renda nacional, durante o período, foi da ordem de 45% para 35%, o que representa ao mesmo tempo uma queda mais acelerada do que os países desenvolvidos vistos anteriormente e um nível absurdamente baixo. Em período mais recente, apesar dos fortes avanços sociais do governo Lula, menos da metade dos ganhos de produtividade do trabalho foi repassada ao trabalhador.

Os números apontam para o bom momento econômico e social do país. Entretanto, é preciso estar atento para o fato de que o mundo do trabalho ainda não é capaz de repassar ao trabalhador parte significativa dos ganhos obtidos nos últimos anos. A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do IBGE indica, por exemplo, que entre 2001 e 2008, houve aumento de produção física da indústria brasileira na ordem de 28,1%, com ganhos de produtividade do trabalhador de 22,6%. A folha de pagamento por trabalhador, em contrapartida, cresceu, em termos reais, 10,5% no mesmo período de tempo. Por conta disso, o Custo Unitário do Trabalho (CUT) – entendido como a razão entre o rendimento real médio por trabalhador ocupado e a produtividade – apresentou queda de 10,2% no mesmo período de tempo. Noutras palavras, a remuneração dos trabalhadores não tem acompanhado plenamente os ganhos de produtividade da indústria brasileira. Se não são os salários a incorporar completamente os ganhos de produtividade, não podem ser percebidos sinais de pressão sobre os custos de produção, o que poderia sugerir alguma pressão inflacionária. Sem o repasse pleno da produtividade aos trabalhadores, estimula a expansão do estrato superior na distribuição de renda no Brasil.

O Brasil tem evidentemente um grande trunfo na mão, que é a possibilidade de usar os bancos oficiais para reintroduzir concorrência no mercado cartelizado, permitindo ao mesmo tempo dinamizar a economia ao estimular consumo e investimento. Este mecanismo, ao que tudo indica, está sendo progressivamente implantado. O sistema de intermediação financeira dos grandes grupos terá de evoluir para mecanismos de concorrência, inclusive porque a cartelização é ilegal. No curto prazo, no entanto, parece claro que o funcionamento protegido da concorrência de um grupo de gigantes com lucros imensos gera, paradoxalmente, uma situação mais estável do que a da sobre-exposição dos grupos financeiros dos países desenvolvidos. O problema aqui é de que em vez de termos intermediários financeiros que facilitam as iniciativas econômicas, temos atravessadores que as encarecem. A intermediação financeira tornou-se aqui num dos principais instrumentos de concentração de renda e de desequilíbrios sociais.

No geral tanto nos países desenvolvidos, como no Brasil, cada vez mais os lucros corporativos estão alimentando atravessadores financeiros, gerando uma ampla classe de rentistas. A questão, vista do ponto de vista de “quem paga”, tende a deslocar-se, na visão das pessoas, para pensar melhor em “a quem pagamos”. Trata-se de poupanças da população. Este ponto é essencial, pois tratando-se de um cassino gerado com dinheiro da população, proteger os especuladores pode legitimamente ser apresentado como uma proteção à própria população, pois é o dinheiro dela que está em risco. Isto gera, evidentemente, uma posição de chantagem, e uma correspondente posição de poder. E permite deixar de lado o que deve ser a questão central da canalização das poupanças: não se os intermediários estão ganhando ou perdendo dinheiro, mas a que agentes econômicos, a que atividades, a que tipo de desenvolvimento e com que custos ambientais devem servir estas poupanças. Bastará assegurar que não quebre um sistema cujo produto final não está servindo?

Para o Brasil, paradoxalmente, a crise financeira pode representar uma oportunidade. Somos o país da desigualdade. A metade da população ainda precisa ter acesso ao consumo básico diversificado, incluindo nisto não só o alimento e outros bens de primeira necessidade, mas também o consumo de bens sociais como saúde e educação, de infraestruturas sociais como redes de saneamento e redes de banda larga de comunicação e assim por diante. Em outros termos, uma expansão dos programas, em grande parte já desenvolvidos pelo governo, tem a virtude de ao mesmo tempo começar a resgatar a nossa imensa dívida social, e de dinamizar, através da maior demanda agregada (consumo popular e investimento público), as próprias atividades empresariais. Reorientar as nossas capacidades de financiamento cada vez mais neste sentido – ainda que reduzindo a dimensão do rentismo financeiro e das atividades especulativas – faz todo sentido.

As medidas propostas: salvar o sistema ou transformá-lo? Naturalmente, dado o peso político do sistema especulativo mundial engendrado nas últimas décadas, predomina na mídia e nas tomadas públicas de posição a busca de um simples conserto, um “arreglo” como dizem os hispânicos, que permita aos especuladores voltar aos bons dias. Inclusive, quase não se encontram explicações sobre os mecanismos: a mídia se concentra no que se tem chamado de “economia de elevador”, jogando diariamente cifras sobre porcentagens de ganhos e perdas, e entrevistando magos que decifram o futuro dos altos e baixos, sobre os quais em geral não têm a mínima ideia. A palavra chave, que protege o consultor, é sempre que “o mercado está nervoso”, o que implica cientificamente que tudo é possível.

Mas a realidade é que algumas coisas mudaram de forma irremediável, constituindo deslocamentos sistêmicos. Primeiro, há o fato que a credibilidade dos Estados Unidos e o seu papel de liderança planetária, já fortemente abalados pelos golpes desferidos contra as Nações Unidas, as guerras irresponsáveis, o uso escancarado da tortura, e o desprezo geral pela concertação internacional – afundaram de maneira impressionante. Houve um deslocamento geopolítico sistêmico em direção ao mundo multipolar.

Segundo, se já depois do calote de Nixon em 1971, com a desvinculação do dólar da sua cobertura em ouro, já se falava na morte do sistema Bretton Woods, hoje a visão torna-se muito mais ampla, pois houve uma falência generalizada dos mecanismos de regulação que se acreditava serem funcionais. Em particular, a regulação financeira havia sido montada como instrumento destinado a impedir o comportamento irresponsável por parte dos países em desenvolvimento, e a crise surge nos países que se propunham como modelo. Não há instrumentos de regulação multilateral para esta situação. A imagem de um Bretton Woods II, no sentido de uma reformulação sistêmica dos processos regulatórios e das regras do jogo, está no horizonte.

Um terceiro ponto importante, é que diferentemente da crise de 1929, em que cada país se recolheu em posturas defensivas para lamber as suas feridas em mercados protegidos, desta vez há uma atitude concertada e multilateral para se enfrentar a crise. A rapidez com a qual se levantaram recursos para salvar instituições cuja credibilidade é baixíssima, mas cujo poder de estrago é imenso, aponta para uma nova cultura de construção de políticas multilaterais, mas também para o imenso poder político dos especuladores, que tudo farão para conter mudanças estruturais.

Quarto, e particularmente importante para nós, com a reunião do G20 em 15 de novembro de 2008, há pela primeira vez um reconhecimento planetário de que o mundo dito “em desenvolvimento” existe não apenas como fonte de matérias primas e de problemas, mas como fator essencial da construção de soluções.

Finalmente, o abalo planetário da confiança nas instituições financeiras não tem volta, pois são milhões os que foram prejudicados nas suas poupanças ou aposentadorias, e circulam em todos os meios de comunicação as contabilidades duplas, o uso dos paraísos fiscais para fraudar tanto o público como as obrigações fiscais, a falsificação dos dados sobre a situação real das instituições, o compadrio que preside às atividades das agências de avaliação de risco. No caso da Enron, depois da WorldCom e da Parmalat, houve uma ofensiva de propaganda em defesa do sistema, sugerindo a imagem das maçãs podres (bad apples) num sistema saudável. Hoje, esta imagem mudou, e a reconstrução da confiança só se dará no quadro de mudanças sistêmicas. São muitas bad apples. Esta mudança de contexto ainda não chegou a Basiléia.

Não é o caso aqui de entrar no detalhe da enxurrada de propostas que surgem, veremos apenas os rumos gerais. É interessante consultar as 47 propostas elencadas na sequência da reunião do G20 em novembro de 2008, a bateria de sugestões desenvolvidas por Barack Obama para reequilibrar a economia norte-americana (indo bastante além do mercado financeiro), a consulta organizada por Eichengreen a um conjunto de especialistas dias antes da reunião do G20, as propostas preliminares do Comitê de Supervisão Bancária de Basileia. Trata-se por enquanto de propostas, não mais do que isto.

Da mesma forma como Bretton Woods exigiu dois anos de preparação por equipes técnicas, não se fará uma reformulação real em pouco tempo. Trata-se, até agora, de uma ampla lista de idéias. E não devemos perder de vista que os responsáveis (e beneficiários) do sistema jogarão a carta do tempo, esperando que a crise amaine para que nada mude. Elencamos a seguir alguns elementos destas primeiras propostas, sabendo que ainda carecem do arcabouço técnico de sua sistematização e do poder político de sua implementação.

Agrupando as propostas segundo os seus eixos de impacto, as mais significativas vêm na área da governança, já que claramente ninguém estava governando coisa alguma.22 A principal questão envolve a existência ou não de um instrumento supranacional de regulação financeira global, na linha de uma World Financial Organization (WFO) análoga à Organização Mundial do Comércio (WTO na sigla inglesa). Dado o caráter internacional dos processos especulativos, a sua evolução para sistemas racionais de canalização de capitais em função de necessidades reais do desenvolvimento terá de alguma forma ser coordenada ao nível mundial. Na reunião do G20, qualquer opção neste sentido foi vetada pelos Estados Unidos, que colocaram nas resoluções a afirmação de que os problemas serão resolvidos antes de tudo pelos “reguladores nacionais”. Os Estados Unidos assim preservam a sua capacidade de agir mundialmente, mas de se regularem nacionalmente. Com esta visão, evidentemente, simplesmente não haverá regulação.

Sobra então a cosmética relativa às organizações multilaterais existentes. Isto envolve a capitalização do Fundo Monetário Internacional, cujos recursos, da ordem de 250 bilhões de dólares, são ridículos frente à dimensão dos rombos financeiros gerados pelos bancos. Propõe-se igualmente a redistribuição dos votos no Fundo, retirando o poder de veto dos EUA. O BIS deveria também passar a ser administrado de forma mais ampla e receber maiores poderes e assim por diante. Continuamos, no entanto, no quadro destas propostas, com o dilema central: a finança se tornou mundial, mas não há nada que se pareça com um banco central mundial. Fluxos mundiais versus regulação nacional; processos globais versus gestão fragmentada. Who’s in charge?

Neste plano tem sido ainda colocado um argumento central: com a regulação fragmentada atual, qualquer país que passe a exercer algum controle sobre o movimento de entrada e saída de capitais, visando assegurar o seu uso produtivo e evitar os movimentos pró-cíclicos, passa imediatamente a ser discriminado nos movimentos, tanto pelos investidores institucionais como pelas agências de risco. A regulação, nestas condições, ou é planetária ou ineficiente.

Os conteúdos da regulação reforçada proposta são relativamente óbvios, e não muito misteriosos: trata-se antes de tudo de limitar a alavancagem, que atingiu conforme vimos níveis absurdos. Trata-se também de assegurar a transparência dos processos, e de organizar o acesso às informações não apenas individualmente, mas em termos sistêmicos.24 Uma exigência igualmente óbvia é o controle da dupla contabilidade, que se generalizou, bem como o controle dos paraísos fiscais e das fraudes associadas ao “off-shore” financeiro. As agências de avaliação de risco ganhariam um quadro regulatório (“regulatory framework”) e não poderiam ser financiadas por quem avaliam.

Leia também:  PDT recorre ao Supremo para garantir autonomia a estados na compra de vacinas

Este tipo de recomendações constitui uma visão de que o sistema deve se manter, mas a sua governança deve melhorar. O problema básico, naturalmente, é o das próprias condições da governança. O elefante no meio da sala – o que não dá para não ver, e que é grande demais para mover – é o pequeno clube de gigantes mundiais que maneja todo este processo, que desencadeou o caos e que chamamos por alguma razão misteriosa de “forças de mercado”. A delicadeza com que se trata este grupo comove. Na declaração do G20 de 15 de novembro, merece apenas três linhas: “As instituições financeiras também (!) devem arcar com a sua parte da responsabilidade na confusão (turmoil), e deveriam fazer a sua parte para superá-la, inclusive reconhecendo as perdas, melhorando a informação (disclosure) e fortalecendo a sua governança e práticas de gestão de risco”.

Claessens é dos poucos que coloca com clareza a necessidade de “um novo regime para os grandes bancos internacionais”: “One internally consistent approach, perhaps the only one, is to establish a separate regime for large, internationally active financial institutions. This would mean an ‘International Bank Charter” with accompanying regulation and supervision, liquidity support, remedial actions as well as post-insolvency recapitalisation fund in case things go wrong. The idea is that a separate international college of supervisors, with professionals recruited internationally, would regulate, license and supervise these institutions” Em troca destas mudanças, os grupos poderiam “agir livremente”.

No conjunto, é óbvio que um sistema onde um país detém o poder de emitir uma moeda cujo uso é internacional, é estruturalmente desequilibrado. Qualquer proposta de se regular gigantes planetários sem haver um sistema supranacional efetivo é estruturalmente ineficaz. Na realidade, estamos aqui no reino do “wishful thinking”, de propostas destinadas a negociar a transição até sairmos magicamente do fundo do poço, para saudar a volta dos happy days e esperar a próxima crise. A grande incógnita neste início de 2009, é o próximo presidente dos Estados Unidos, que recebe um país profundamente desmoralizado e caótico nos planos político, militar, econômico e sobretudo ético. O caos gerado nesta presidência Bush, em que o poder de fato foi exercido não por um presidente, mas por corporações, políticos corruptos e fundamentalistas religiosos, abre espaço para mudanças profundas. Se as forças que estão se agregando em torno a Barack Obama terão dinamismo suficiente para gerar mudanças institucionais, é um ponto de interrogação, mas em todo caso é um potencial e uma oportunidade. Aliás a crise, ao cimentar a eleição de Obama, algo de positivo já trouxe.
A convergência das crises: um outro desenvolvimento, outras instituições

Tivemos portanto de imediato numerosas propostas de consertos do sistema, sem mexer na sua lógica. A intenção é claramente mostrar que no futuro será diferente, pois teremos governos severos e austeros que cobrarão resultados. Haverá postura e ética no sistema reformado. E os grupos responsáveis por tudo isto, que aliás aparecem tão pouco na mídia quando os dias são bons, passarão a se comportar de maneira socialmente responsável. As propostas surgem mesmo sem muita base institucional ou elaboração técnica, porque uma massa de poupadores no planeta está sendo atingida diretamente – da classe média para cima – pelo derretimento das suas poupanças e das suas esperanças de aposentadoria.28 E na medida em que o caos financeiro gerado pelos especuladores está atingindo os produtores efetivos de bens e serviços, é o povo em geral que passa a sofrer as consequências. Dentro do sistema, há uma clara consciência da volatilidade política da situação. Propostas, em consequência, surgem rapidamente. A sua implementação – a não ser os trilhões demandados pelos grandes grupos – obedecerá a outros ritmos.

O caos sistêmico gerado e a clara perda de governança econômica, frente ao desespero de uma imensa massa de pessoas prejudicadas, estão gerando um novo clima político. Estão se abrindo possibilidades de se colocar na mesa propostas mais amplas no sentido de um desenvolvimento que tenha pé e cabeça. Mais precisamente, gera-se um espaço para que surjam alternativas de desenvolvimento, e para que – não parece um objetivo exorbitante – o nosso próprio dinheiro sirva para fins úteis. Não se deve sonhar excessivamente – muito do espaço político gerado dependerá da profundidade da crise – e esta é uma incógnita. Mas é importante sim organizar alternativas sistêmicas, pois o que estamos sofrendo é uma crise estrutural de curto e médio prazos dentro de um quadro de crises mais amplas que se avizinham, particularmente nos planos social, climático, energético, alimentar, de água e outros.

As propostas que estão surgindo vêm de pessoas como Jeffrey Sachs, que propõe que o uso dos recursos financeiros seja formalmente vinculado à construção das Metas do Milênio. Stiglitz trabalha com uma visão de fazer os objetivos de qualidade de vida nortearem a alocação de recursos, e não apenas o chamado Produto Interno Bruto. Hazel Henderson resgata a importância da taxa Tobin, que cobraria um imposto sobre transações internacionais especulativas para financiar um desenvolvimento socialmente mais justo. Ignacy Sachs trabalha com a visão de uma convergência da crise financeira com a crise energética e a necessidade de repensarmos de forma sistêmica o nosso modelo de desenvolvimento. Não se trata aqui de um idealismo excessivo, e sim de uma apreciação fria dos nossos desafios.

O gráfico que apresentamos abaixo constitui um resumo de macro-tendências, num período histórico de 1750 até a atualidade. As escalas tiveram de ser compatibilizadas, e algumas das linhas representam processos para os quais temos cifras apenas mais recentes. Mas no conjunto, o gráfico permite juntar áreas tradicionalmente estudadas separadamente, comodemografia, clima, produção de carros, consumo de papel, apropriação da água e outros. A sinergia do processo torna-se óbvia, como se torna óbvia a dimensão dos desafios ambientais. O comentário do New Scientist é igualmente significativo:

The science tells us that if we are serious about saving the Earth, we must reshape our economy. This, of course, is economic heresy. Growth to most economists is as essential as the air we breathe: it is, they claim, the only force capable of lifting the poor out of poverty, feeding the world’s growing population, meeting the costs of rising public spending and stimulating technological development – not to mention funding increasingly expensive lifestyles. They see no limits to growth, ever. In recent weeks it has become clear just how terrified governments are of anything that threatens growth, as they pour billions of public money into a failing financial system. Amid the confusion, any challenge to the growth dogma needs to be looked at very carefully. This one is built on a long standing question: how do we square Earth’s finite resources with the fact that as the economy grows, the amount of natural resources needed to sustain that activity must grow too? It has taken all of human history for the economy to reach its current size. On current form, it will take just two decades to double. Fonte: New Scientist, 18 October 2008, p 40.

Estamos aqui entre pessoas que entenderam que se trata de um sistema que sem dúvida deixou de funcionar, e que está portanto em crise, mas que sobretudo é um sistema que quando funciona é inviável. As soluções têm de ser mais amplas. Esta visão mais ampla pode – e apenas pode – viabilizar mudanças mais profundas.

A crise financeira tem esta particularidade de ser pouco transparente em termos de dinâmicas e de soluções, para a população em geral. Não é muito viável se colocar na rua grandes manifestações relativas à mudança dos mecanismos de regulação do BIS de Basileia. A grande defesa do sistema absurdo de especulação que enfrentamos, é que pouquíssimas pessoas entendem o que se passa. Mas se os mecanismos são obscuros, os impactos são visíveis, e estes sim podem mobilizar.

A perda de empregos por parte de gente que estava cumprindo bem as suas funções produtivas, porque uns irresponsáveis gostam de ganhar dinheiro com poupança dos outros, gera indignação. A perda da base de sobrevivência de cerca de 300 milhões de pessoas no planeta que viviam de pesca artesanal, porque grandes empresas de pesca oceânica estão acabando com a vida nos mares, está gerando outra faixa de irritações políticas. O caos climático está trazendo as primeiras amostras do seu potencial, e está gerando outros desesperos, além de tomadas mais amplas de consciência. A contaminação da água doce por excessos de quimização, insuficiências clamorosas de saneamento, e esgotamento de lençóis freáticos, está levando a um conjunto de crises setoriais que envolvem desde a redução da pesca até à tragédia de 1,8 milhão de crianças que morrem anualmente por não ter acesso à água limpa, e à ameaça de regiões rurais que dependiam de uma segunda safra com irrigação.

Não é o caso aqui de fazer um elenco das nossas tragédias. Mas o fato é que, com um pouco de recuo, já não são crises setoriais, e representam sim uma crise mais ampla de governança local, nacional, regional e planetária. Há uma convergência de problemas que se avolumam, cuja sinergia os torna mais ameaçadores, e cuja raiz comum encontra-se ao fim e ao cabo no fato que os nossos mecanismos atuais de governança não são suficientes. Com a globalização, financeirização e oligopolização de grandes eixos de atividades econômicas, o mercado perde de forma acelerada as suas funções reguladoras. E as alternativas, particularmente a capacidade de planejamento e de intervenção organizada, foram desativadas.

Ignacy Sachs resume bem o dilema: que desenvolvimento queremos? E para este desenvolvimento, que Estado e que mecanismos de regulação são necessários? Não há como minimizar a dimensão dos desafios. Com 6,7 bilhões de habitantes – e 70 milhões a mais a cada ano – que buscam um consumo cada vez mais desenfreado, e manejam tecnologias cada vez mais poderosas, o nosso planeta mostra toda a sua fragilidade. A questão básica que se coloca para a reformulação do sistema de intermediação financeira é que é criminoso o desperdício das nossas poupanças e do potencial mundial de financiamento no cassino global, quando temos desafios sociais e ambientais desta dimensão e urgência, e que necessitam vitalmente de recursos.

O desperdício de recursos financeiros nas dinâmicas atuais é avassalador. Segundo as Nações Unidas, “medidos em termos de paridade de poder de compra do ano 2000, o custo de se liquidar a pobreza extrema – o montante necessário para puxar 1 bilhão de pessoas para cima da linha de pobreza de $1 por dia – é de $300 bilhões”.30 A realidade é que a utilidade marginal do dinheiro, em termos de sua capacidade de gerar qualidade de vida, decresce rapidamente quanto mais se eleva a renda. Em outros termos, quanto mais os recursos são orientados para a baixa renda, maior é a utilidade. Em termos prosáicos, rendem mais. Assegurar a renda mínima planetária faz todo sentido, é uma forma simples, com as tecnologias atuais, de multiplicar o valor real dos recursos. Como, além do mais, os recursos que chegam à base da pirâmide são transformados em demanda efetiva, e não em especulação, estimulando portanto a produção e o emprego, é a própria produtividade sistêmica dos recursos que aumenta. A solução que permite enfrentar simultâneamente os dramas sociais, os desafios ambientais e a racionalidade no uso de recursos econômicos está na resposta organizada às necessidades mais prementes da base da pirâmide. Estamos vivendo a era do desperdício. É tempo de orientar os recursos para os seus usos mais produtivos.

As alternativas não serão construídas da noite para o dia. Algumas medidas são óbvias, e já estão sendo amplamente discutidas: controlar os paraísos fiscais, taxar os movimentos especulativos, organizar sistemas de controle e regulação sobre os intermediários financeiros, voltar a separar as atividades propriamente bancárias dos investidores institucionais, criar sistemas locais de financiamento e assim por diante. Mas numa visão mais abrangente, temos de estar conscientes de que estamos enfrentando a construção de uma nova institucionalidade. O planeta não sobrevive – e muito menos o bípede curiosamente chamado de homo sapiens – sem amplos processos colaborativos, visão de longo prazo, planejamento e intervenções sistêmicas. O papel do Estado precisa ser resgatado, já não como socorro de iniciativas corporativas irresponsáveis, mas como articulador de um desenvolvimento mais justo e mais sustentável, e com forte participação da sociedade civil organizada.

Um outro mundo não é apenas possível, é necessário. O desafio para o mundo progressista é aproveitar as janelas de oportunidade que a crise financeira nos abre, para sistematizar uma visão alternativa. Temos de mostrar que uma outra gestão é possível.

Viável? Lamentavelmente, esta não é a questão. As medidas terão de ser tomadas. O aquecimento global, por exemplo, está se dando, e a opção de se queremos ou não enfrentá-lo não está na mesa, e sim o como. A crise financeira representa apenas uma oportunidade – e não uma garantia – para organizarmos uma convergência de forças da sociedade interessadas num desenvolvimento que tenha um mínimo de viabilidade econômica, de equilíbrio social e de sustentabilidade.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

48 comentários

  1. Li este artigo minutos atrás.
    Li este artigo minutos atrás. Comecei e foi Impossível parar de ler.

    Muito interessante!

  2. São esses mesmos que circulam
    São esses mesmos que circulam por Davos.

    Prefiro os que circulam em Belém.
    Obama devia estar em Belém.

  3. Então podemos concluir que é
    Então podemos concluir que é apenas uma reciclagem? Bancar coleta de lixo dos grã-finos com dólares de gente honesta e trabalhadora?

  4. Muito obrigado por ter
    Muito obrigado por ter publicado o texto, Nassif. Chamo a atenção para o trecho em que Ladislau Dowbor fala do mestre:

    “Ignacy Sachs trabalha com a visão de uma convergência da crise financeira com a crise energética e a necessidade de repensarmos de forma sistêmica o nosso modelo de desenvolvimento. Não se trata aqui de um idealismo excessivo, e sim de uma apreciação fria dos nossos desafios.”

    Temos trabalho, mas esse é dos bons!

  5. Nassif, o Prof. Ladislau usa
    Nassif, o Prof. Ladislau usa a web tão bem quanto você.
    Lá, http://dowbor.org/, é possível encontrar de tudo, mas especialmente, destaco o livro abaixo, que pode ser baixado livremente.
    Outro mestre dele é o Paulo Freire. Aliás, é casado com uma filha do Paulo Freire, a Fátima.

    Abraços, Gustavo Cherubine.

    Democracia Econômica: um passeio pelas teorias – Banco do Nordeste do Brasil – Fortaleza, 2007193 p.
    Uma olhada geral na literatura econômica internacional que tem surgido fora da corrente dominante (aquela que bate palmas), buscando soluções efetivas para os dois principais dramas que vivemos: a desigualdade e a destruição ambiental. Apesar da diversidade, aparece um denominador comum que qualificamos aqui de democratização da economia. O texto dialoga com uma síntese extremamente interessante de Celso Furtado, “Em Busca de Novo Modelo”. Porque em busca de novo modelo estamos todos. ISBN 978-85-87062-86-4. Tiragem não comercial, contato: http://www.bnb.gov.br Clique sobre a capa para baixar o livro gratuitamente.

  6. Obrigado Nassif por ter
    Obrigado Nassif por ter trazido à baila o artigo que indiquei. Prometo aos colegas do blog continuar a garimpar textos interessantes. Abraços gerais…..

  7. Parabéns Nassif! Ótimo
    Parabéns Nassif! Ótimo artigo.
    Que tal os leitores do blog organizarem um campanha para que amigos e parentes tenham contato com o Bolg?
    Fica a sugestão.

  8. Excelente artigo do Prof.
    Excelente artigo do Prof. Dowbor. Como é longo, sugiro salvar no computador e ler, pois vale a pena.

  9. Caramba, que artigo, hein?
    Caramba, que artigo, hein? Impressionante.
    Confesso que não conhecia o autor.
    Com certeza ele não é consultado pela nossa mídia para apresentar suas análises demolidoras.

  10. Adorei esta frase: “Partimos
    Adorei esta frase: “Partimos deste exemplo da Enron porque é simples, representa um mecanismo de fraude honesto e transparente.” xD

  11. Fui aluno do Professor
    Fui aluno do Professor Ladislau dowbor na PUC-SP e como sempre ele se mantém brilhante. Ele tem como característica de pensar a economia subordinada ao homem, para servir à humanidade e não ao contrário, o homem para construir lucros fabulosos para uns poucos. O Ladislau está na vanguarda do pensamento econômico, fugindo das baboseiras dos economistas da “Casa das Garças” ou da PUC-RJ e de outras instituições que foram montadas em cima desse modelo neoliberal que agora está ruindo.

  12. Parabéns , texto muito bom,
    Parabéns , texto muito bom, claro e educativo, mas que precisa ser digerido lentamente.

    Seria ótimo se este tipo de informação chegasse a milhões de brasileiros…

  13. se a solução do mapa da crise
    se a solução do mapa da crise for ler essa bíblia( de uma tacada só) acho que que continuará insolúvel.

    Por dois aspectos fundamentais:

    1/ É muita e muita e muita muita linha pra ler.

    2/ quem conhece o mapa,simplifica.

    Foiram escritas mais de 700 linhas pra explica-la.Um recorde pra blog e tbm pra jornais.

    E a crise começa por aí:

    É muita explicação pra NENHUM leitor .

    Será que o cara conhece a palavra SINTÉTICA?

    Antes de explicar a crise, o cara precisa aprender o que significa SINTÉTICO.

    Se ele não conhece nem issso, vai explicar o que? pra quem?

    QUEM GOSTA DE CARTAZ É MURO.

  14. A crise, segundo este
    A crise, segundo este excelente artigo é fruto da loucura do homem, que vive sem visão da relação de interdependencia das atividades humanas, cujo teor se aplica em todos os setores da vida. É tica,ecologia,economia e política, hoje, estão kigados pela palavra sobrevivencia do homem, do planeta e da sua biodiversidade. Ter um modus vivendi com valores que se perpetuam para nossos filhos e netos já foi defendido por um Guerreiro de uma tribo indígena americana. O conceito de balanço ontábil e financeiro já foi ultrapassado como ferramenta de avaliação de uma empresa. Por trás desses balanços contábeis se escondem um mundo de destruição, tambem se escondem todas as formas de destruição do planeta e se justificam guerras e atrocidades com crianças e velhos. É HORA DE MUDAR OS VALORES e paradigmas para um mundo melhor.

  15. NASSA:

    O que
    NASSA:

    O que aconteceu?

    Não dá pra colocar um ””leia mais”.

    Ou vou ter que usar dedal pra passar esta página?

  16. DIAS ATRÁS “EMPRESÁRIOS”
    DIAS ATRÁS “EMPRESÁRIOS” CHINESES QUE ADULTERAVAM LEITE FORAM CONDENADOS A MORTE.
    NOS ESTADOS UNIDOS QUEM PRATICA UM ASSASSINATO É EXECUTADO OU CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA.
    E ESSES ESPECULADORES RECEBEM AJUDA DO GOVERNO QUANDO DEVERIAM MESMO É IR PARA A PRISÃO.
    AFINAL, QUEM É MAIS CRIMINOSO: UM BANDIDO COMUM OU ESSES ASSASSINOS QUE MATAM MILHOES DE CRIANÇAS.
    E ELES NEM PRECISAM SE ESCONDER, TODOS SABEM QUEM SÃO.

  17. Tá na Biblia, o reino do céu
    Tá na Biblia, o reino do céu pertence aos pobres de espíritos.

    Falta explicar para o povo o que é CDO, CDS , CDW e outras coizitas mas.

    O Bill Bonner têm a frase perfeita, “as pessoas acreditam naquilo que elas querem acreditar quando elas precisam acreditar nisto”. É o famoso , me engana que eu gosto em versãozinha chic.

  18. Flavio
    No ano passado, tive o
    Flavio
    No ano passado, tive o prazer de entrevistar o professor Dowbor.Sem dúvida um ótimo pensador da Economia, um acadêmico verdadeiramente de respeito.

    Para analistas, texto produzido pela cúpula do G20 é excessivamente geral
    No último fim de semana, chefes de Estado das 20 principais economias do mundo se reuniram em Washington para tentar chegar a um denominador comum sobre como combater a crise financeira que já está contaminando a economia real. Ao final, foi publicado um documento contendo pontos sobre os quais houve acordo. Mas, na opinião de analistas, o documento é vago e não dá indicações sobre o que será feito de fato para combater os efeitos da crise no médio prazo.

    “Nesse relatório, eles falam basicamente sobre as medidas mais imediatas para evitar um caos total na economia e falam em algumas diretrizes para melhorar o sistema financeiro mundial”, afirma o economista Ladislau Dowbor, coordenador do Núcleo de Economia Mundial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Para ele, o documento se utiliza de adjetivos “positivos mas excessivamente generalizantes, quase tautológicos”.

    “A questão é muito complicada. É difícil que haja solução no curto prazo porque nem mesmo os atores envolvidos têm exata dimensão do tamanho do problema. Sabem que é grave, mas não sabem o quanto. A reunião do G20 foi pouco preparada. Em Breton Woods, equipes técnicas trabalharam por dois anos para chegar em um modelo considerado viável”, pondera. “Seria difícil pensar em um fórum menos preparado e menos adequado a esse tipo de discussão e, a meu ver, ele não decepcionou a expectativa de seus críticos”, diz o economista Fernando Cardim, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    O documento dá a entender que o principal ponto de polêmica foi a intransigência norte-americana sobre a criação de um órgão regulador supra-nacional, proposta endossada pelo bloco europeu, em especial pela França do presidente Nicolas Sarkozy. Mas Dowbor questiona o “cacife” dos Estados Unidos para se impor no fórum: “o dólar é a moeda mundial porque os Estados Unidos tem como lastro seu poder de consumo. Mas isso se torna problemático a partir do momento em que sua economia se encontra fragilizada por déficit das contas públicas, de balança comercial, duas guerras sendo conduzidas simultaneamente, a demanda interna encolhendo”, explica o professor. Isso fica claro no ponto em que o documento reforça que a regulação é, “antes de qualquer coisa”, responsabilidade das agência reguladoras nacionais.

    Mas, sobre isso, a principal crítica dos analistas é o fato de o documento não ir a funda na questão dos paraísos fiscais. Argumenta-se que a existência de lugares onde não há qualquer exigência sobre a origem dos recursos acaba submetendo a regulação à lógica de mercado, com países competindo entre si. Isso dificulta a tentativa de disciplinar o chamado capital especulativo. De acordo com Dowbor, esses recursos chegam a R$ 2,1 trilhões sendo que 75% estão sob controle de 66 grandes instituições financeira.

    “São esses investidores que causam a prociclicidade do sistema, ou seja, aprofundam os movimentos de alta e queda no mercado de capitais. Em muitos casos, esse dinheiro tem origem em atividades ilícitas. Mas não dá para disciplinar isso enquanto houver paraísos fiscais porque quando um país tenta impor mais transparência, esse dinheiro foge para onde há menos regulação”, explica Dowbor.

  19. Flavio
    No ano passado, em
    Flavio
    No ano passado, em novembro, tive o prazer de entrevistar o professor Dowbor.Sem dúvida um ótimo pensador da Economia, um acadêmico verdadeiramente de respeito.

    21/11 – Para analistas, texto produzido pela cúpula do G20 é excessivamente geral
    No último fim de semana, chefes de Estado das 20 principais economias do mundo se reuniram em Washington para tentar chegar a um denominador comum sobre como combater a crise financeira que já está contaminando a economia real. Ao final, foi publicado um documento contendo pontos sobre os quais houve acordo. Mas, na opinião de analistas, o documento é vago e não dá indicações sobre o que será feito de fato para combater os efeitos da crise no médio prazo.

    “Nesse relatório, eles falam basicamente sobre as medidas mais imediatas para evitar um caos total na economia e falam em algumas diretrizes para melhorar o sistema financeiro mundial”, afirma o economista Ladislau Dowbor, coordenador do Núcleo de Economia Mundial da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Para ele, o documento se utiliza de adjetivos “positivos mas excessivamente generalizantes, quase tautológicos”.

    “A questão é muito complicada. É difícil que haja solução no curto prazo porque nem mesmo os atores envolvidos têm exata dimensão do tamanho do problema. Sabem que é grave, mas não sabem o quanto. A reunião do G20 foi pouco preparada. Em Breton Woods, equipes técnicas trabalharam por dois anos para chegar em um modelo considerado viável”, pondera. “Seria difícil pensar em um fórum menos preparado e menos adequado a esse tipo de discussão e, a meu ver, ele não decepcionou a expectativa de seus críticos”, diz o economista Fernando Cardim, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    O documento dá a entender que o principal ponto de polêmica foi a intransigência norte-americana sobre a criação de um órgão regulador supra-nacional, proposta endossada pelo bloco europeu, em especial pela França do presidente Nicolas Sarkozy. Mas Dowbor questiona o “cacife” dos Estados Unidos para se impor no fórum: “o dólar é a moeda mundial porque os Estados Unidos tem como lastro seu poder de consumo. Mas isso se torna problemático a partir do momento em que sua economia se encontra fragilizada por déficit das contas públicas, de balança comercial, duas guerras sendo conduzidas simultaneamente, a demanda interna encolhendo”, explica o professor. Isso fica claro no ponto em que o documento reforça que a regulação é, “antes de qualquer coisa”, responsabilidade das agência reguladoras nacionais.

    Mas, sobre isso, a principal crítica dos analistas é o fato de o documento não ir a funda na questão dos paraísos fiscais. Argumenta-se que a existência de lugares onde não há qualquer exigência sobre a origem dos recursos acaba submetendo a regulação à lógica de mercado, com países competindo entre si. Isso dificulta a tentativa de disciplinar o chamado capital especulativo. De acordo com Dowbor, esses recursos chegam a R$ 2,1 trilhões sendo que 75% estão sob controle de 66 grandes instituições financeira.

    “São esses investidores que causam a prociclicidade do sistema, ou seja, aprofundam os movimentos de alta e queda no mercado de capitais. Em muitos casos, esse dinheiro tem origem em atividades ilícitas. Mas não dá para disciplinar isso enquanto houver paraísos fiscais porque quando um país tenta impor mais transparência, esse dinheiro foge para onde há menos regulação”, explica Dowbor.

  20. parabens ao Sr. (Dr.?)
    parabens ao Sr. (Dr.?) Ladislaw – me desculpe a ignorancia
    realmente um belo artigo
    claro, objetivo e direto, e asim como nosso amigo Ed Fidelis, comecei a ler e não consegui mais parar.
    sempre fico me perguntando, em meus devaneios, sera que a humanidade (nós) temos remedio?
    se vivemos num mundo capitalista, onde as empresas visam o lucro, e claro, tem que ganhar dinheiro mesmo
    se esses ganhos não tem limites, e claro não podem ter mesmo – afinal vivemos num mundo capitalista
    aonde vamos parar?
    é possivel o tal do “desenvolvimento sustentavel”? ou uma hora alguem vai querer ganhar mais que outra e estragar tudo?
    sera o ser humano capaz de dizer – “esse mes ja ganhei o suficiente para viver, agora vou deixar um pouco para o mes que vem……..”
    como os indios sempre fizeram?
    abçs

  21. Marc:
    Marc:

    Ah…vá….

    Um parabéns com chapéu( acento circunflexo) é um sr. PARABÉNS

    Como faço?

    Dou uma de Raul Gil e tiro o chapéu?

    Eu não.

    CONGRATULATIONS!!!

  22. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios informam que o processo de arbitragem e de inflação de bolhas exige muito mais dos operadores financeiros do que simplemente juntar a maior quantidade possível de informações sobre a situação em todos os mercados; também demanda a capacidade de mobilizar vultosos recursos para entrar em qualquer jogo específico de arbitragem, com o objetivo de mudar a dinâmica do mercado em favor do especulador.

    O aspecto notável do modelo de negócios do que os índios chamam Novo Sistema de Wall Street era seu impulso incansável para expandir as Demonstrações Contábeis, maximizando os lados dos ativos e passivos. Os bancos de investimento usavam seus índices de alavancagem como o alvo a ser atingido em todos os tempos, ao invés de como um limite externo de risco a ser reduzido sempre que possível mediante a manutenção de capital excedente. Um recente relatório do FED de Nova Iorque demonstra como essa abordagem mostrou-se poderosamente pró-cíclica numa bolha de mercado de ativos, levando os bancos a expandirem suas tomadas de empréstimos à medida que os preços dos ativos subiam. Na sua ilustração, os autores (Tobias Adrian e Hyun Song Shin) assumiram que os bancos administravam ativamente seus balanços para manter uma alavancagem constante de 10. Suponha que o balanço inicial é como segue: o banco tem 100 em títulos, e financiou-os com um patrimônio de 10 mais uma dívida de 90. Portanto, o índice de alavancagem do banco é de 100/10 = 10.

    Suponha que o preço dos títulos aumente em 1%, para 101. As proporções, então, serão: títulos 101, patrimônio 11 e dívida 90. Assim, sua alavancagem é agora de 101/11 = 9,2. Se o banco ainda vise uma alavancagem de 10, então deverá tomar dívida adicional (d`), para comprar d valor de títulos do lado do ativo, de forma que o índice ativos/patrimônio seja 101+d/11 = 10, isto é d = 9. Assim, o banco assume uma dívida adicional de 9, e com esse dinheiro compra títulos que valem 9. Após a compra, a alavancagem voltou a 10. Assim, um aumento no preço do título de 1 leva a uma posição adicional de 9: a curva de demanda é ascendente (títulos 110, dívida 99 e patrimônio 11). O mecanismo funciona também no sentido contrário. Suponha que ocorra um choque no preço dos títulos, de modo que, agora, o valor da posição em títulos caia para 109. Do lado do passivo, é o patrimônio que sofre o ônus do ajustamento, uma vez que o valor da dívida permanece aproximadamente constante. (títulos 109, dívida 99 e patrimônio 10). Mas, com títulos em 109, patrimônio de 10 e dívida de 99, a alavancagem é agora muito alta: 109/10 = 10,9. O banco pode reduzir sua alavancagem vendendo títulos que valham 9 e amortizando 9 de dívida. Assim, uma queda no preço dos títulos leva a uma venda deles: a curva de oferta é descendente.

    Um mecanismo central por meio do qual os bancos de investimentos podiam responder às elevações dos preços dos ativos era tomar empréstimos no mercado de “acordos de recompra” – ou “repo”. Tipicamente, um banco de investimento deseja comprar um título, mas necessita tomar recursos de empréstimo para tal. No dia da liquidação, o banco recebe o título e, então, o usa como garantia para o empréstimo de que necessita para pagá-lo. Ao mesmo tempo, promete ao emprestador que ele recomprará o título em determinada data futura. Dessa forma, o banco pagará o empréstimo e receberá o título. Mas, tipicamente, os recursos para a recompra do título do emprestador são adquiridos mediante a venda do título a alguém. Assim, no dia da liquidação, o emprestador original do banco de investimento é pago e entrega o título, o qual é imediatamente passado a um novo comprador em troca de dinheiro. Essa espécie de operação de captação no repo pressupõe um surto nos preços dos ativos. Ela respondeu por 43% da expansão da alavancagem entre os bancos de Wall Street, de acordo com o mesmo estudo do FED de Nova Iorque. Os repos têm sido a maior forma de dívida nos balanços dos bancos de investimento em 2007-08.

    Surge a questão da razão pela qual os bancos de Wall Street (seguidos por outros) empurraram suas tomadas de empréstimos para o limite da alavancagem dessa forma sistemática. Uma explicação é a de que eles fizeram isso de acordo com os anseios de seus acionistas (uma vez que haviam se transformado em companhias limitadas). Alega-se que o capitalismo do “valor ao acionista” exige que o índice dos ativos/capital seja maximizado. O excedente de capital reduz o retorno sobre o patrimônio dos acionistas e atua como um dreno sobre os lucros por ação. Mas, existe uma outra explicação possível para as tomadas de empréstimos até o limite da alavancagem: a luta pela fatia de mercado e para a maximização do poder de precificação nas atividades operacionais. Se alguém é um arbitrador especulativo ou um soprador de bolhas de ativos, a escala das operações financeiras é essencial para mover os mercados mediante a mudança dos preços na direção em que se deseja. Na avaliação de qual dessas pressões – poder dos acionistas ou poder dos preços – dirige o processo, devemos notar quão prontamente o Tesouro, o FED e os executivos de Wall Street têm agido para esmagar os interesses dos acionistas durante a crise de crédito e, no entanto, quão decididamente procuraram proteger os níveis de alavancagem dos principais bancos durante a bolha. Por todos os motivos, o Citigroup voltou-se para a maior expansão do balanço e da alavancagem para as atividades operacionais em virtude não da pressão dos acionistas, mas da chegada ali de Robert Rubin, após sua posição frugal como Secretário do Tesouro.

  23. Fiquei estarrecido. E olha
    Fiquei estarrecido. E olha que apenas dei uma “passada de olhos” sobre o texto. Porém ela é suficiente para indagar: por que os “analistas” escolhidos pela grande (?) mídia jamais mencionaram a importância da distribuição de renda para o fortalecimento do PIB? Não dá para inferir que, embora a maioria tenha consciência desse fato (efeito do aumento da demanda no desenvolvimento do país), eles produzem essas análises para seus “patrões” com o objetivo de salvar a pele. Isto não corresponde a, no mínimo, deslize profissional ou, quem sabe, desonestidade intelectual? Abs, Rildo.

  24. Mais um ponto.

    Ele fala em
    Mais um ponto.

    Ele fala em Caos sistêmico, mas não diz que sistema.

    Minha conclusão sobre o Caos sistêmico é diferente da dele.

    Começa antes, quando se estabelece o que é dinheiro ? E segue até a alavancagem do sistema financeiro com a emissão de contratos impossíveis por parte dos emprestadores do sistema fracional de reserva. Sem isto é impossível se entender o que está acontecendo e a vai acontecer.

    A explicação dele é doce e fácil de engolir, mas é falsa e esconde o acordo que está regendo o sistema.

  25. Pensando alto…

    Se eu
    Pensando alto…

    Se eu entendi bem o quadro traçado pelo Dowbor, uma posível saída (e talvez a única a médio e longo prazo) seria fechar o capital das empresas, esitirpando a parte financeira… certo?

    Como isso seria operacionalizado é uma outra história, mas a mais evidente seria via nacionalização, não? (pelo menos é o que está circulando como a possibilidade nos EUA)

    Em relação aos setores “produtivos” que já estão pra lá de contaminado via financeirização (e.g. GM dos EUA, Ford dos EUA, etc.), não seria mais barato deixar falir e usar o possivel dinheiro da salvação para abrir uma nova companhia de capital fechado???

    O que você acha a respeito disso Nassif?

  26. Sem querer babar ovo, mas é
    Sem querer babar ovo, mas é impossível conter-me: S E N S A C I O N A L !!

    Foi o melhor texto sobre a crise que eu li até hoje. Parabéns ao Dr. Ladislau Dowbor.

  27. E “investment grade” deveria
    E “investment grade” deveria ser chamado o que?

    Speculative grade?

    Valeu a pena a corrida para atingir tão importante status?

  28. Prezado Nassif e
    Prezado Nassif e comentaristas
    Em minha opinião este é um artigo interessante, porém com um certo otimismo em relação aos processos políticos e jogos de poder , nos bastidores das nações do planeta .A formação de um governo unificado para o planeta ainda é uma “quimera distantede ser alcançada através do simples contrato político de boa vontade entre os povos , e sem levarem consideração os interesses individuais das sociedades políticas ( Para um Americano vendo um brasileiro perder a sua aposentadoria por quebra de fundos de pensão nesta crise, certamente será humano e pensará : Meu Deus que tragédia…. Mas de verdade ,antes ele do que eu ! (Fatores Nacionais são fortes Vínculos da ação puramente econômica- Protocolo de Kioto). Este é o grande desafio desta crise ,que apesar de ser clássica nos seus sintomas econômicos (perdade dinheiro -diminuição do “PIB”, etc), ela traz em suas origens internas toda uma nova dinâmica ideológica de relacionamento humano (computadores pessoais-WEB , QI emocionais-Espertesa ,em detrenimento da competência técnica, autoritarismo ditatorial de governos democraticamente eleitos em países de primeiro mundo,etc) ;com caracterizações ainda muito difusas e que precisam serem melhor estudadas (parece mais uma epidemia biológica pandêmica com um novo Vírus- A doença da Roubalheira Louca, onde até os governos blefavam discaradamente e criminosamente!-Por Qûe ?.

  29. É engraçado ver como a
    É engraçado ver como a imprensa esconde dos paulistas que a Elektro (distribuidora de energia que era a distribuição da CESP e entregue a preço vil pelos tucanos nas privatarias) foi um dos poucos ativos que restaram da ENRON. E assim, graças aos tucanos, hoje os consumidores paulistas trabalham para pagar suas contas de energia com o dinheiro sendo mandado para os EUA para tapar o rombo da roubalheira “honesta” da ENRON! E gera emprego lá nos EUA. Sem contar com a Telefónica de España, que presta um péssimo serviço e manda o lucro pra Espanha!

    E os paulistas continuam manipulados pela imprensa, não sabendo de nada das privatarias dos Srs. Covas, Alckmin e Serra, que trouxeram bilhões de prejuízo a esse povo.

    Por isso o Jornalista Paulo Henrique Amorim (com “J” maiúsculo, como Nassif e Mino Carta) define muito bem a imprensa como PIG (Partido da Imprensa Golpista): A imprensa PIG é porca e é golpista, sendo o maior golpe o de esconder dos leitores-eleitores a verdade das privatarias tucanas!

    A cada eleição a PIG faz um “auê” com falsos dossiês e falsos grampos e distrai muito bem os eleitores paulistas da verdade que deveria realmente interessar na hora do voto: votar num honesto que lute para manter saudável o crescimento do Estado e do Brasil. Tristemente a PIG manipula muito bem os paulistas! Deveriam ter o melhor voto do Brasil, pois são os mais ricos da nação, mas votam muito mal…

    E o caso da escandalosa entrega de 1/3 da CEMIG pelo Eduardo Azeredo em Minas? Azeredo continua lá, senador (sic) até hoje e nada da imprensa criticar esse cara. Nem uma vírgula sequer, com todos os processos que ele tem nas costas! É um escárnio Azeredo continuar “senador” e a imprensa continuar quietinha, fingindo-se de morta.

    Vale lembrar aos leitores que quando a negociata foi desfeita pelo honestíssimo governador ITAMAR FRANCO, a imprensa malhou-o com pseudo-argumentos absurdos. Até a coluna do Gilberto Dimenstein saiu com uma asneira das grandes da Andréia Veiga e até hoje o Dimenstein não pediu desculpas ao Itamar. Não perco mais tempo lendo Gilberto Dimenstein, pois suas teses provêm do vazio!

    E assim continua a maravilha tucana de entregar… E esconder… Com ajuda do PIG!

    A ENRON foi o paradigma das falcatruas financeiras escondidas e elogiadas pela imprensa. Os paulistas são o paradigma do voto manipulado!

  30. “Aqui do Alto Xingu, os
    “Aqui do Alto Xingu, os índios informam que o processo de arbitragem e de inflação de bolhas exige muito mais dos operadores financeiros do que simplemente juntar a maior quantidade possível de informações sobre a situação em todos os mercados; também demanda a capacidade de mobilizar vultosos recursos para entrar em qualquer jogo específico de arbitragem, com o objetivo de mudar a dinâmica do mercado em favor do especulador”:

    Aqui da minha chiqueiresima mansao de lago achamos que voce acaba de descrever perfeitamente a malicia pre-planejada. Quem tem acesso aas informacoes deixa milhoes passarem fome intencionalmente. Provado again and again, over and over, de novamente e de novamente.

  31. Prezado Nassif,

    Uma análise
    Prezado Nassif,

    Uma análise dura e contundente da podridão que é o mercado financeiro nacional e mundial.

    Uma triste comprovação do comprometimento da grande mídia com um sistema que se apropria criminosamente da riqueza gerada com tanto esforço e risco de quem verdadeiramente produz.

    Mais uma vez você se destaca pela capacidade de informar com independência.

    Parabéns.

  32. “Um mundo novo é possível e
    “Um mundo novo é possível e necessário”
    Usando a frase mais falada nos últimos dias,desde a posse do Pres.Obama,”Yes,we can” eu lí e relí a matéria do Ladislau Dowbor,no Le Monde,colocada aqui pelo amigo Gustavo Cherubine,que mostra o ponto de vista mais coerente possível deste professor,que mostra em palavras claras que estamos diante das melhores possibilidades de “virarmos a mesa”e entrarmos numa nova era,aonde a ciranda financeira dê lugar ao velho e bom método de produzir e explorar nossas potencialidades com afinco. Foi preciso que a quase totalidade das casas bancárias tradicionais e centenárias,quase fossem fechadas, colhidas que foram pela má administração dos seus “sábios”para que os governos dos seus países de origem,resolvessem colocar um cabrêsto nos seus comandos,para manter a confiança dos investidores e não deixar que toda uma cartilha ortodoxa de administração financeira caísse no descrédito.
    A oportunidade de darmos a volta por cima e ressurgir das cinzas está aí,e em alguns países,cujos governos eram tachados de interventores no mercado financeiro,e nos quais o baque foi menor,neste particular o Brasil é citado como exemplo,é aproveitar os ventos bons que estão para chegar e entrar numa nova era.

  33. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios acrescentam que a inclinação pela escala e pela crescente alavancagem levou a um outro aspecto básico do Novo Sistema de Wall Street: o impulso para a criação e a expansão de um sistema bancário sombra (paralelo). Seu aspecto mais óbvio eram os novos bancos sem nenhuma supervisão, e, acima de tudo, os fundos de hedge. Estes não tinham nenhum papel funcional – eram simplesmente bancos de operações livres de qualquer controle regulatório ou de exigência de transparência em suas arbitragens especulativas. Os grupos de participação privada (private equity funds) também têm sido, em essência, bancos sombras (paralelos), especializados na compra e venda de empresas. Os Veículos de Investimentos Especiais (SIV) e condutos são parte similar desse sistema. Nas palavras de um diretor de supervisão do banco central da Espanha, esses SIVs e condutos “eram como bancos, mas sem capital ou supervisão”. Contudo, como uma reportagem do Financial Times observou: “Nas últimas duas décadas, a maioria dos órgãos reguladores incentivou os bancos a transferirem seus ativos para fora dos respectivos balanços registrando-os no SIVs e condutos”.

    O sistema bancário somra (paralelo) não competia com o sistema bancário supervisado: era um rebento seu. Os últimos agiam como corretores e operadores em primeira instância (“prime brokers”) daqueles, auferindo vultosos lucros em suas atividades. Esse aspecto cada vez mais central das atividades oficiais dos bancos era, na realidade, uma forma de expandir maciçamente seus balanços e a alavancagem. Para recorrer aos bancos de Wall Street para financiamento, os fundos de hedge tinham que dar garantias: mas, por meio de uma prática conhecida como rehipotecação, uma parcela desses ativos dados em garantia podia ser usada pelos “prime brokers” como sua própria garantia para captar seus próprios recursos. O resultado foi o auto-financiamento de vultosas atividades rentáveis dos “prime brokers” por parte dos bancos de Wall Street, numa imensa escala, sem o comprometimento extra do próprio capital: uma forma engenhosa de aumentar enormemente seus índices de alavancagem. O debate sobre se a desregulação ou a re-regulação no sistema finaceiro tem ocorrido desde os anos 1980 parece deixar de perceber que houve uma combinação de sistema bancário regulado e liberado (paralelo ou sombra), funcionando dinamicamente em conjunto.

    O sistema bancário sombra (paralelo) não se refere apenas aos agentes institucionais, como os fundos hedge, mas também às práticas e produtos que permitiram aos bancos expandir o grau de alavancagem. Desde o final dos anos 1990, uma parte crescentemente importante desde lado do sistema bancário sombra (paralelo) tem sido o mercado de balcão de derivativos de crédito, notadamente as obrigações de dívidas com garantias (CDO). O atrativo mais óbvio dele é a arbitragem regulatória que oferece, permitindo aos bancos expandir a alavancagem. Tradicionalmente, os bancos têm que garantir suas operações de crédito e tais seguros envolvem a oferta de garantias. O atrativo das CDOs repousa no fato de que, como produto de balcão sombra (paralelo), elas não exigem o comprometimento de parcelas de capital como garantias e, assim, facilitam maior alavancagem. A expansão das CDOs começaram a atingir grande escala depois que os especialistas em derivativos do JP Morgan Chase persuadiram a AIG a começar a garantir as CDOs em 1998.

    As CDOs foram também uma solução inteligente para os problemas de alavancagem. Ao adquirirem grande quantidade de empréstimos securitizados e assim expandindo enormemente seus balanços, os bancos deviam aumentar sua base de capital. Mas as CDOs afamadamente juntavam dezenas ou centenas de tais empréstimos, de qualidade muito variada, permitindo aos bancos aumentar a própria alavancagem. Tipicamente, as CDOs eram avaliadas pelas agências de classificação de risco, mediante o pagamento de uma comissão, e, em seguida, eram classificadas com um triplo A pela mesma agência, com o pagamento de uma segunda comissão. Tais classificações permitiam que as exigências de capital dos bancos fossem minimizadas. Esses empréstimos securitizados — principalmente do mercado imobiliário, mas também dos cartões de crédito e dos financiamentos de veículos – ofereciam aos investidores taxas de retorno bem mais altas que as que poderiam obter nos mercados monetários. O aspecto crucial desses assim chamados “títulos estruturados” não era que eles eram empréstimos securitizados: esses, em princípio, podiam ser perfeitamente seguros; afinal de contas, uma obrigação é, na realidade, nada mais do que um empréstimo securitizado. Mas, as obrigações tinham uma fonte nitidamente identificável, um operador econômico cujo risco de crédito e capacidade de fluxo de caixa podiam ser avaliados; também tinham preços claros no mercado secundário de obrigações. No entanto, os produtos misturados nas CDOs provinham de milhares de fontes não identificáveis, cujos níveis de crédito e fluxos de caixa eram desconhecidos; eram vendidos no mercado de “balcão” sem que houvesse um mercado secundário para determinar os preços e, pior ainda, sem que houvesse um mercado organizado para minimizar o risco da contraparte. Portanto, para resumir, na melhor das hipóteses, eram extremamente arriscados porque mais ou menos opacos a quem os adquiria. Na pior das hipóteses, revelaram-se um negócio fraudulento, de modo que poucos meses antes do fim de 2007 as parcelas de dívida supostamente super garantidas e de primeira classe dentro de tais CDOs tinham sido rebaixadas ao status de lixo.

    As restrições legais sobre alavancagem tinham sido removidas por meio de políticas públicas. Hank Paulson obteve notável sucesso nessa área em 2004 quando, como Presidente do Goldman Sachs, liderou a campanha de Wall Street para obter da SEC o abrandamento da assim chamada “regra do capital líquido”, que restringia a alavancagem dos grandes bancos de investimento. Daí em diante, as instituições ficaram livres para decidir por própria conta a respectiva alavancagem na base de seus modelos de risco. O resultado foi a rápida elevação dos índices de alavancagem dos grandes bancos. O importante é que isso lhes permitiu transferir sua base de capital para novas atividades, como as CDOs, as quais, posteriormente, tornaram-se componentes expressivos de suas atividades operacionais.

  34. A indigena explicação dos CDO
    A indigena explicação dos CDO está muito boa, mas na verdade, o que eu mais gosto é do CDW , os derivativos sintéticos.

    Se voces acreditarem em mim, a explicação é de perder os últimos fios de cabelo, eu tenho não sei em que arquivo e é em Inglês, se insistirem eu ponho.

    Agora este pessoal que explica a tecnicia fica vermelho é quando se fala das fraudes, como os FTD .

    No mais uma opinião muito pessoal, o jogo jogado está sendo ganho pelo que tem a mão mais forte, e não saiu uma linha ainda fora do script. Tirando os meus posts ninguém parece se importar.

    Não se enganem, não sou o único que sabe e este negócio de UM ganhar e muitos perderem não costuma acabar bem.

    Olho vivo !!!!!

  35. A explanação do Ladislau
    A explanação do Ladislau Dowbor, condiscente com muitos autores a respeito das orígens e mecanismos da crise atual, supõe, de forma um tanto cándida, que a saída desse emaranhado de instituições públicas e privadas, sustentadas por um arcabouço legal e técnico, que demandou décadas de planos e movimentos por parte de essas 66 instituições que controlam mais de 70% dos movimentos financeiros mundiais, está nas mãos da classe política que chegou ao poder financiada justamente por essas 66 instituições, e dos técnicos instalados na máquina pública, que são os mesmos que montaram o atual arcabouço.

    A crise é muito mais ampla que financeira e econômica, o sistema político obviamente também está em crise, mesmo que tente aparecer aos olhos da mídia, controlada pelo mesmo poder econômico, como o possuidor da solução, quando na verdade, ele criou as causas do problema.

    A promiscuidade das relações entre o poder econômico e político é clara. O poder econômico apropiou-se da “maquina de fazer dinheiro”, isto é, do controle dos bancos centrais, da emissão de moeda e das políticas monetárias do sistema fiduciário. Por isso a inflação dos ativos durante décadas. Por isso a concentração da renda. Por isso a subjugação do mundo inteiro às dívidas públicas, que pesam sobre a população, retirando recursos no presente e hipotecando o futuro.

    A reforma do sistema monetário, bancário e financeiro internacional não virá da livre e espontánea vontade dos governantes. Acreditar que a China comunista, um país onde se mata e tortura como método represivo do estado, e onde não há liberdade de expressão, ou os EUA, detentores da máquina suprema de fazer dinheiro, vão colaborar desinteresadamente para desmantelar o atual sistema, também me parece ingênuo demais.

  36. Aqui do Alto Xingu, os índios
    Aqui do Alto Xingu, os índios resolveram resumir a ópera. Observam que, em todas as crises financeiras, o contribuinte sempre foi convocado, ao final, para pagar a conta, sob a forma de desemprego, rebaixamento dos salários, perda de produção, de arrecadação, inflação, etc. etc.. A atual crise financeira global, a esse respeito, não traz nenhuma novidade. É como se um especulador gigante tivesse comparecido ao caixa do Tesouro, sacasse trilhões de dólares para especular no que quizesse, com a condição de, se desse certo, ele ganharia, se não, simplesmente declararia falência e iria embora… e dane-se o contribuinte. Ou seja, se a especulação der certo, ele ganha; se der errado, sai impune. Não por acaso, tem até um ditado norte-americanos sobre isso: Cara, eu ganho; coroa, voce perde. No caso, até nós perdemos…

  37. A lógica reversa também pode
    A lógica reversa também pode ser usada.

    O povo só existe para o especulador poder jogar. E ai não faz sentido reclamar que a conta sobra para o contribuinte.

  38. OK , ainda não achei o post
    OK , ainda não achei o post dos derivativos sintéticos, mas a The Economist trás uma matéria esclarecedora.

    Enfiar a cabeça na areia e fingir que isto não existe , como o artigo do Ladislau Dowbor, é pura besteira.

    Edmund Phelps, who won the Nobel prize for economics in 2006, is highly critical of today’s financial services. “Risk-assessment and risk-management models were never well founded,” he says. “There was a mystique to the idea that market participants knew the price to put on this or that risk. But it is impossible to imagine that such a complex system could be understood in such detail and with such amazing correctness…the requirements for information…have gone beyond our abilities to gather it.”

    Every trading strategy draws upon a model, even if it is not expressed in mathematical symbols. But Mr Phelps believes that mathematics can take you only so far. There is a big role for judgment and intuition, things that managers are supposed to provide. Why have they failed?

    mais aqui,

    http://blogln.ning.com/profiles/blogs/derivativos-e-magica-uma-uniao

  39. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome