Os fatores das mortes nas estradas

(Atualizado às 11h42)

Estradas federais têm 175 mortes no feriadão, diz a PRF.

Mortes nas estradas no feriado caíram 18% em relação ao carnaval

Todo feriadão é a mesma coisa: manchete contabilizando o record de mortes nas estradas brasileiras.

Esta notícia estarrece a todos.

Eu e minha mulher fomos testemunhas de alguns graves acidentes neste fim-de-semana, desses que fizeram parte desa estatística.

Planejamos uma viagem à Arrail D’Ájuda, BA, partindo de Vitória, ES. Fomos desaconcelhados por vários amigos, pelo perigo desta “aventura”. Mas não somos motoristas de fim-de-semana, estamos sempre na estrada, acreditamos saber o que estamos fazendo.

Como adicional a nossa rotina, passamos a contabilizar o porque de tantos acidentes.

Embora tenhamos opiniões divergentes sobre alguns pontos, eu particularmente nomeio quatro fatores preponderantes para esta carnificina: o motorista, o veículo, a estrada e por fim a fiscalização.

O fator motorista

NaovNão devemos imputar somente aos motoristas a culpa pelos acidentes nas estradas. Mas parte da culpa é deles também. Dirigem com irresponsabilidade, que eu atribuo a ignorância do risco que está correndo. Na estada, a maioria não sabe sequer para que serve aquelas faixas amarelas ao longo da via. Não acredito que saibam. Se soubessem, teriam que admitir que são uns suicídas. Raros são os que obedecem a sinalização horizontal. Praticam uma roleta russa, ao ultrapassar em curva, com dupla faixa amarela pintada no alfalto. Eu dirijo cerca de 2000Km por mês em estrada. Vejo isto a todo momento.

Quando o tráfego começa a ficar pesado por conta de um caminhão pesado subindo uma rampa em baixa velocidade, começa o descalabro. Muitas ultrapassagens que eu declino de fazer, preferindo esperar por um momento mais seguro, mesmo estando montado num SUV com mais de 400HP, capaz de alcançar 220Km/h, um louco motorista, dentro de uma perereca 1.0 sem potência e torque, segurando o volante com a mão direita e a esquerda pendurada para fora da janela, tenta ir onde não deve. Resultado: não consegue ultrapassar o comboio e quem vem em sentido contrário vai parar no acostamento, para não causar um sério acidente. As vezes não dá e lá vai mais um acidente acontecer e a engrossar a estatística.

É uma verdade: filas de muitos carros correndo a mais de 80Km/h mantendo uma distância de uns 2 metros entre si. Isso eu vejo toda hora. Estes motoristas não se dão conta que não irão conseguir parar a tempo de evitar uma colisão.

O fator veículo

É um outro vilão nesta história. Com excessão do Mercedes Classe C, produzido em Juiz de Fora, MG até dezemmbro de 2010, e vendido também do mercado brasileiro, NENHUM outro aqui fabricado e vendido no Brasil, possui os requisitos para homologação na Europa, nos Estados Unidos ou Canadá. Como já disse o ex-presidente Collor, são todos carroças. As montadoras sabem disso, a Anfavea, também o INMETRO mais ainda, e mesmo assim o governo permite que estas máquinas mortíferas sejam vendidas por aqui.

Estes carros são uma arma na mão de motoristas citados acima. Não possuem controle de frenagem, de tração e de estabilidade. Estes mesmos requisítos são mandatórios quando são exportados para outros países. A estes mesmos veículos, são imcorporados adicionais para serem aceitos no mercadio exterior. Mas aqui, são lixo.

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Isto sem falar nos carros com 20, 30 e até 50 anos de fabrcação que ainda circulam por estradas cuja velocidade máxima permitida pode alacançar 110Km/h. Veículos que não possuem nenhuma tecnologia embarcada que possa oferecer a mínima segurança ao seu condutor e aos outros dentro a estrada, circulam livremente.

O fator estrada

Dentro dos limites do Espírito Santo, a BR101 apresenta razoáveis condições de tráfego, embora algumas quilométricas retenções provenientes da existência semáforos ao longo da via, onde deveriam existir um viaduto ou rotatória (como em Fundão em na Serra).

O mesmo não se pode dizer da BR101 na Bahia. Em alguns trechos, torna-se intrasitável, pelo números de crateras existentes.

Vizsualizei diversos engaventos envolvendo vários veículos, vítimas de um carro que freiou bruscamente ao deparar-se repentinamente com um enorme buraco após uma curva. Alguns buracos são tão grandes que vão de lado a lado da estrada, sendo impossível desviar-se deles. Não há menção ao fator estrada como responsável pelos acidentes. Isto é uma irresponsabilidade do DNIT na Bahia: não é possivel que a direção do órgão na Bahia desconheça a situação deste trecho da estrada. 

O fator fiscalização

O estado que registrou o maior número de mortes foi a Bahia (25), onde EU constatei a total inexistência de fiscalização. Só posso falar do que fui testemunha: fiscalização ao longo de TODA a BR101 no estado da Bahia não existe. Nem na ida nem na volta, sequer uma viatura policial circulando foi vista. Nos postos da PRF, agentes bonachões sentados lá dentro. Nos acidentes ao longo da estrada, muitos curiosos locais ajudando as vítimas. Nenhuma viatura policial. Seja por falta de efetivo, por falta de dinheiro para o combustível, por negligência… não importa o motivo. PRF na Bahia não existe. Coibir ultrapassagens pelo acostamento de carretas com toras de madeira subindo vagarosamente íngremes ladeiras, não é feita porque não existe policiamento em nenhum ponto da estrada. Qualquer afirmação governamental contrária a este relato será mentirosa.

O coordenador-geral de Operações da PRF, Inspetor Giovanni de Mambro diz ao G1 que“Nossa estrutura de transporte rodoviário é da década de 1980. Rodovia segura não é rodovia sem buraco. É uma rodovia duplicada, sinalizada, com menos curva, viaduto, túnel. Não tem como se colocar toda a culpa no usuário. É uma série de fatores que têm que se analisados” É a autoridade declarando a incompetência do governo em gerir esta segmento. 

O comando da operação fez ainda críticas em relação à falta de infraestrutura do sistema rodoviário brasileiro, que contribui para a insegurança nas estradas. O inspetor Giovanni Di Mambro afirma que falhas de engenharia são fatores que contribuem para a violência nas estradas. Fonte; http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/04/numero-de-mortes-nas-estradas… É o “fator estrada“ao quel me referi neste texto.

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Na mesma reportagem do G1 consta a informação de que durante o feriado religioso, mais de 28 mil motoristas fizeram o teste do bafômetro. Desse total, 309 foram presos em flagrante e encaminhados a delegacias. Outros 754 foram reprovados no teste por ter ingerido bebidas alcoólicas antes de dirigir. ONDE? Em São Paulo? Pode ser. Na Bahia, motoristas dirigem portando latas de cerveja numa das mãos enquanto a outra segura o volante. Alguém aqui no blog “acha” que eu estou mentindo? Lei Seca na Bahia é piada. Ainda não chegou lá. Alguém aqui no blog tem notícia de fiscalização da Lei Seca na Bahia? 

Como resolver?

Um bom tema para o debate aqui no blog

Tenho minha opinião. Gostaria de debatê-las, sem “achismos”, o que o Brasil pode fazer para deter este genocídio.

O fator o motorista: campanha educativas de alto impacto. Isto é uma coisa que o governo sabe fazer. As campanhas de prevensão elaboradas na área de saúde são um bom exemplo disto.

O fator veículo: adequar a legislação aos padrões internacionais, tornando os veículos que se fabrica aqui e vendidos aqui mais seguros.

O fator estradaPRIVATIZAR, onde for possível. É um fato que onde a estrada está privatizada as condições são melhores. Embora em muitas delas são estejam de forma ideal, estão muito melhores do que as administradas pelo DNIT. Aponto como exemplo a BR101 entre a Ponte Rio-Niterói e a divisa com o Espírito Santo. Circulando neste trecho a cada quinze dias, razão pela qual comprei um SUV depois de perder algumas rodas e pneus por conta do péssimo estado desta rodovia, hoje tem seu leito sem buracos, “pintado” de lama asfáltica, sinalização horizontal e vertical em toda sua extensão, equipes de apoio e socorro aos motoristas, lombadas eletrônicas em locais de perigo. Embora seu traçado continue o mesmo e a duplicação prometida ainda não tenha sequer começado, o estado atual deste trecho em nada se compara ao que era. Não vou nem citas aqui as novas estradas paulistas ou a Nova Dutra.

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O fator fiscalização: a PRF está desmantelada, sem efetivo e inoperante. Seria um absurdo pensar em privatizar também a fiscalização, criando “milícias” para as estradas. Mas o controle eletrônico é uma forma comprovadamente eficaz de fiscalização.

Adequar a lei em função do bem estar coletivo. Retroagir como foi feito, permitindo a venda de bebidas alcoólicas ao longo da rodovia, para que não sucumbam as churrascarias de beira de estrada, que continuam vendendo bebidas por conta de recursos judiciais é um absurdo.

Rigor, tolerância zero, seria o ideal. Recursos existem: é só aplicar de forma correta os provenientes dos impostos sobre os combustíveis e não desviá-los para pagar os rombos do governo. Parece utopia, mas deveria ser assim.

Está aqui um bom tema para debater.

Por Paulo Athaydes

Convenientemente ou não, foi esquecido de mencionar o fator comum em praticamente todos os acidentes do dia a dia e feriadões: Ônibus e caminhões.

Os motoristas “profissionais” dirijem todos os dias por essas estradas e por cansaço, estresse, saco cheio, irritação, e tudo mais, dormem ou se arriscam demais ao dirigir.

É só observar as manchetes e verificar que as maiores carnificinas são proporcionadas pelo encontro dessas bombas voando a 100km por hora de encontro a barrancos, ribanceiras, rios, veículos e outras bombas.

Os nossos motoristas ditos profissionais são isentados diariamente pela mídia e pela Polícia Rodoviária, que só tem olhos para a velocidade excessiva dos veículos de passeio, que resultam em gordas multas para os incautos.

Já levei dezenas de multas pela velocidade “excessiva” de 105 Km em uma rodovia privatizada e com 5 pistas bem asfaltadas.

Se velocidade fosse a única causa dessa carnificina diária, então a Europa seria a campeã mundial.

Não se pode culpar exclusivamente as estradas pois mesmo no Brasil temos algumas (poucas) excelentes estradas e os acidentes continuam.

Parece óbvio que é mais do que necessário atacar todos os problemas, mas primeiro é essencial estabelecer que todos os motoristas devem ser re-educados e responsabilizados.

Será que existe alguma estatística disponível relacionando nº de acidentes e nº de mortes com o tipo de veículo envolvido (caminhão, ônibus, veículo de passeio) ?

Outro relacionamento possível é quanto ao nº de multas aplicadas, para motoristas profissionais e outros.

Poderia apostar, baseado apenas na minha enquete pessoal, como o maior nº de acidentes envolve motoristas profissionais enquanto o maior nº de multas envolve motoristas não profissionais.

Concordam?

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