Painel internacional

EUA e Brasil divergem na crise de Honduras

A disputada eleição presidencial em Honduras provavelmente deixará Washington contra o Brasil, potência emergente da América Latina, sobre o reconhecimento do vencedor da votação promovida pelos líderes do golpe (de Estado) de junho. O líder da oposição conservadora, Porfirio Lobo, ganhou facilmente a eleição no domingo, mas vai lutar para obter o reconhecimento na América Latina, onde muitos governos de esquerda vêem as eleições como um prego no caixão do presidente deposto Manuel Zelaya. Os Estados Unidos tentaram e falharam na restituição de Zelaya, um esquerdista, reintegrado (ao país) e agora aparentemente resignado em apoiar a eleição como o melhor caminho para Honduras sair do impasse político e isolamento diplomático. O Departamento de Estado dos EUA considerou a votação “um passo adiante necessário e importante” após a chegada dos resultados no domingo, mas não diz se Washington irá reconhecer explicitamente a vitória de Lobo sobre o candidato do partido governista Elvin Santos. O Brasil, que está cada vez mais flexionando seus músculos enquanto sua economia se torna mais poderosa, se recusa a reconhecer a votação. “O Brasil manterá sua posição, porque não é possível aceitar um golpe”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo.
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Banco central dos Emirados Árabes prepara plano de emergência
Economia da Índia cresce 7,9%
Pedido de valorização do yuan é “injusto”, diz Wen Jiabao
O imperativo dos empregos – Paul Krugman

Banco central dos Emirados Árabes prepara plano de emergência


O banco central dos Emirados Árabes Unidos instituiu um mecanismo de emergência no domingo para apoiar a liquidez bancária, na primeira resposta política aos problemas da dívida de Dubai, que ameaçava paralisar a concessão de empréstimos e inviabilizar a recuperação econômica. Dubai abalou o mundo financeiro em 25 de novembro, quando disse que iria pedir aos credores da Dubai World, o conglomerado por trás de sua rápida expansão, e da Nakheel, construtora de ilhas em forma de palmeira, que concordassem com a paralisação de bilhões de dólares de dívida, como o primeiro passo para que a reestruturação (da dívida). Como resultado, os bancos enfrentam grandes perdas e os riscos de que os depositantes atemorizados pudessem correr para sacar dinheiro do sistema ameaçando os (mercados de) empréstimos interbancários, com a segunda maior economia árabe continuando a enfrentar uma recessão este ano. “Isso pode amparar um pouco o mercado, mas não acho que é suficiente”, disse Shawkut Raslan, diretor da corretora Prime Emirates. “Acho que alguns estrangeiros vão tirar seu dinheiro do país e outros terão medo de colocar recursos nesses mercados”.
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Economia da Índia cresce 7,9%

A economia da Índia se expandiu no ritmo mais rápido em um ano e meio enquanto a produção saltou, dando ao banco central espaço para retirar mais medidas de estímulo. O Produto Interno Bruto cresceu 7,9% nos três meses até 30 de setembro em relação ao mesmo período do ano anterior, após ganhar 6,1% no trimestre anterior, disse hoje o gabinete de estatísticas em Nova Deli. Isso foi mais do que todas as estimativas de uma pesquisa de 22 economistas da Bloomberg News, onde a previsão média era de 6,3%. As ações e a rúpia ampliaram os ganhos, com relatórios assinalando que a economia pode estar suficientemente forte para resistir à remoção das políticas pró-crescimento, como defendido pelo presidente do Banco Central, Duvvuri Subbarao, na semana passada. A indústria transformadora avançou 9,2% no último trimestre, o maior desde junho de 2007, com empresas que incluem a Mahindra & Mahindra Ltd., registrando vendas mais fortes.
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Pedido de valorização do yuan é “injusto”, diz Wen Jiabao

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao rejeitou como “injustos” os pedidos para que o yuan se valorize, e os dirigentes europeus reconheceram que não conseguiram mudar a posição do país sobre a sua moeda. “Alguns países agora estão pedindo pela apreciação yuan, enquanto impõem o protecionismo comercial na China, o que é injusto e atualmente limita o nosso desenvolvimento”, disse hoje Wen em entrevista coletiva na cidade chinesa de Nanquim. Na crise financeira, “um yuan estável é útil para o desenvolvimento da economia chinesa e a recuperação econômica do mundo”, acrescentou. Autoridades europeias indicaram ontem que não conseguiram convencer a China a afrouxar os controles sobre o yuan, que protege os exportadores chineses da desvalorização da moeda dos EUA e torna os produtos da região do euro relativamente menos competitivos. O euro subiu cerca de 20% contra o dólar desde 18 de fevereiro, comprometendo a recuperação da região da pior crise desde a II Guerra. O yuan está efetivamente atrelado ao dólar. “A China ainda não está convencida da recuperação global no próximo ano”, disse Ben Simpfendorfer, economista do Royal Bank of Scotland, em Hong Kong. “Se a recuperação global não vem, então uma moeda estável será fundamental para dar algum apoio para os exportadores”.
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O imperativo dos empregos

Paul Krugman
Se você está procurando emprego agora, suas perspectivas são terríveis. Há seis vezes mais americanos buscando trabalho do que há vagas abertas, e a duração média do desemprego – o tempo médio que o candidato gasta à procura de trabalho – é mais do que seis meses, o nível mais alto desde 1930. Você poderia pensar, então, que fazer algo sobre a situação do emprego seria a grande prioridade política. Mas agora que o colapso financeiro total foi evitado, toda a urgência parece ter desaparecido do debate político, substituído por uma estranha passividade. Há uma sensação generalizada em Washington, que nada mais pode ou deve ser feito, que apenas devemos esperar que a recuperação econômica chegue aos trabalhadores. Isto está errado e inaceitável. Sim, a recessão provavelmente acabou no sentido técnico, mas isso não significa que o pleno emprego tenha virado a esquina. Historicamente, as crises financeiras têm sido normalmente seguidas não apenas por recessões severas, mas pela recuperação anêmica; são geralmente anos antes que a queda do desemprego (volte) para alguma coisa parecida com os níveis normais.
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