Painel internacional

Espanha fica tensa com possível rebaixamento do rating

Ontem a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a dívida grega para “títulos podres” e os mercados tremeram. No mesmo dia, reduziu em dois pontos o rating português para ‘A-‘, o que fez com que todos os olhos apontassem para Lisboa como a seguinte peça do dominó em que se joga a sustentabilidade dos países da periferia da zona do euro. A questão que muitos se fazem é como acumularam tanto poder algumas empresas que foram questionadas no verão de 2008, após os seus erros de diagnóstico no colapso do banco Lehman Brothers, dos EUA. “Que algumas agências tentem se estabelecer novamente como executoras da pureza econômica e questionem os pilares que sustentam a nossa economia produz, quando muito, uma certa dose de perplexidade”, disparou ontem a vice-presidente espanhola, ao conhecer os cortes na avaliação dos ratings grego e português. Talvez Maria Teresa Fernandez de la Vega esteja colocando o dedo na ferida, e suas críticas se antecipem a uma queda no rating da dívida espanhola pela S&P. Pablo Guijarro, analista da International Financial, acredita que, caso essa redução ocorra, não deverá ser muito traumática. “Não seria surpresa, porque a própria avaliação da dívida já reconhece esse risco. A S&P advertiu em dezembro passado que isso poderia acontecer, quando publicou uma perspectiva negativa para o nosso país”, diz. Duas das três maiores agências, Moody’s e Fitch, atribuem a pontuação mais alta sobre a dívida espanhola (Aaa e AAA, respectivamente), que representa a mais alta qualidade.
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Portugal sofre o contágio da crise grega
Bolha especulativa em títulos?
Fortes ganhos limitam o contágio da crise grega no mercado
Tarifa bancária evita que contribuinte pague por resgates
– David Leonhardt

Portugal sofre o contágio da crise grega

Portugal se arrisca a tornar a nova Grécia. Com uma carga maior de dívida e uma taxa de crescimento de 10 anos mais lenta que a Grécia, o país mais pobre da Europa Ocidental está sendo punido pelos investidores, enquanto a crise da dívida soberana se espalha. O prêmio de risco sobre os títulos portugueses aumentou neste mês mais que o dobro do que a média do ano passado. Os títulos de troca de crédito por inadimplência de Portugal mostram aos investidores que a classificação de sua dívida é a oitava mais arriscada, pior que Líbano e Guatemala. “Não ignoramos que a situação particular da Grécia tem riscos de contágio, e estamos sentindo isso”, disse o ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos a jornalistas em Lisboa, no dia 22 de abril. “O desempenho dos spreads no mercado revela o risco de contágio”. Ontem a Standard & Poor’s cortou o rating soberano de longo prazo em moedas local e estrangeira de Portugal de ‘A+’ para ‘A-‘, e disse que a perspectiva é negativa. O spread português, o rendimento extra que os investidores exigem para realizar a sua dívida ao invés da equivalente alemã (de menor risco), subiu para 260 pontos base, o maior desde 1997.
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Bolha especulativa em títulos?

Andrew Mellon, o ícone bancário, uma vez famosamente disse: “os homens preferem os títulos.” A implicação é que os títulos, embora talvez menos ardentes que as ações, vão gerar um retorno previsível aos investidores, ao invés de colocar os investimentos em sério risco de comprometimento de capital. Aparentemente a última parte é verdade: os títulos se situam mais acima na estrutura de capital e, portanto, têm uma proteção menor. Caso uma empresa tenha desempenho ruim e suas ações caírem, os acionistas não recebem nada. Por outro lado, se uma empresa não puder pagar os títulos emitidos os investidores podem acabar, ao menos, donos da empresa e seus ativos. As decisões de alocações de ativos são feitas com base em vários fatores. A correta alocação com o timing adequado pode garantir a preservação de capital e seu crescimento para os investidores. Na construção de um portfólio diversificado, uma decisão crítica refere-se à percentagem adequada de atribuição de títulos contra ações ou outras classes de ativos. Os investidores têm efetivamente três escolhas referentes a alocação de títulos, ou renda fixa: títulos do governo (em todos as esferas), obrigações “grau de investimento” e “títulos podres”. Na teoria, o valor do crédito ocorre nessa ordem também, e os rendimentos caem enquanto o valor do crédito sobe. Assim, títulos do governo terão rendimentos mais baixos do que títulos empresariais de duração similar, e vice-versa. De acordo com o Investment Company Institute, os investidores despejaram quase US$ 400 bilhões em fundos de títulos desde o início de 2009, e no total há mais de US$ 2,2 trilhões investidos. Como resultado desse afluxo maciço de dinheiro em fundos de obrigações e compra de títulos pelo governo, no âmbito dos seus programas de flexibilização quantitativa, os rendimentos no mercado de títulos desceram consideravelmente desde a crise de crédito do final de 2008. Assim, dado o afluxo maciço em fundos de obrigações no passado, a questão permanece: Será que estamos em uma bolha de títulos?
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Fortes ganhos limitam o contágio da crise grega no mercado

As consequências da desvalorização da dívida grega para a condição de “deteriorada” seguiam contaminando a confiança do mercado na quarta-feira, com os operadores temerosos de que o contágio da inadimplência da dívida soberana não possa ser contido. O índice acionário FTSE All-World caiu 0,9% e as commodities permaneceram sob pressão, com os investidores reduzindo a exposição ao risco. Mas o euro conseguiu um pequeno salto para fora dos níveis mais baixos em um ano, enquanto o ouro ficou perto de seu ponto mais alto desde dezembro. Outro dia movimentado para os resultados corporativos providenciou globalmente uma corrente de apoio (aos negócios), ao passo que mais companhias entregavam lucros acima das previsões no que se transformou, de um modo geral, em uma temporada estelar de resultados do primeiro trimestre. Isso ajudou a puxar os índices futuros de ativos dos EUA para fora de seus níveis baixos e apontavam que Wall Street começaria o dia em alta. No entanto, preocupações com as dificuldades fiscais enfrentadas pela Grécia e possivelmente em outros países da zona euro, como Portugal, cuja classificação de dívida também foi rebaixada na terça-feira, continuam a surgir em uma base regular.
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Tarifa bancária evita que contribuinte pague por resgates

David Leonhardt
O projeto de lei de regulação financeira no Senado dos EUA tem potencial para fazer muita coisa boa. Mas também tem pelo menos uma grande falha: não seria o suficiente para impedir os contribuintes de pagar a conta de uma crise futura. O que impediria? Um imposto sobre os bancos. O Fundo Monetário Internacional começou a pressionar por uma tarifa bancária, e ela também se tornou parte do debate na campanha eleitoral da Grã-Bretanha. Neste país, no entanto, o assunto ficou para trás por questões como a regulamentação dos derivativos do caso Goldman Sachs. Essas outras questões são importantes, mas não são tão fundamentais para minimizar os danos da crise seguinte. Para entender o por quê, vamos ter um vislumbre do futuro. Imagine que o ano é 2020 e uma grande empresa financeira entra em colapso. O projeto de lei de regulamentação financeira do Presidente Obama, assinado em 2010, foi concebido para lidar com tal problema. Deu aos reguladores algo chamado de “autoridade de resolução.” Eles poderiam intervir em uma empresa agonizante, acabar com seus acionistas, demitir seus principais executivos e mantê-la operacional até que as partes restantes possam ser vendidas de forma ordenada. Agora, em 2020, os reguladores estão se preparando para usar essa autoridade pela primeira vez. Mas como se aprofundam em detalhes, percebem que estão enfrentando uma série de problemas. Um dos maiores é que a empresa tem 70% dos seus ativos no estrangeiro (aproximadamente a fatia do Citicorp no exterior em 2009). Washington não pode simplesmente intervir nos ativos alocados em Londres, Xangai ou Moscou.
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