Quase metade da população ativa trabalha de forma informal

Levantamento do IBGE mostra que cerca de 38,8 milhões de cidadãos atuam sem carteira assinada, por conta própria sem registro ou ajudando a família

Foto: Jorge Araujo/FotosPublicas

Jornal GGN – Mais uma vez os números do mercado de trabalho brasileiro apontam aumento no nível de informalidade, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) trimestral contínua, elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ao todo, cerca de 38,8 milhões de brasileiros estão trabalhando sem carteira assinada, por conta própria sem registro ou apenas ajudando a família – um total que representa quase metade da população economicamente ativa do país, em um sinal claro de precarização de mão de obra.

Mesmo com uma mão de obra cada vez precária, governo e economistas celebraram a queda discreta da taxa de desocupação de 11,8% entre junho e agosto para 11,2%. Em relação ao trimestre anterior, foram cerca de 785 mil pessoas ocupadas a mais no mercado de trabalho.

A queda na taxa de desemprego foi acompanhada por aumento de 1,1% na geração de empregos com carteira de trabalho: ao todo, foram 378 mil pessoas a mais com carteira, totalizando 33,4 milhões de trabalhadores nessa categoria. No confronto com o trimestre de setembro a novembro de 2018, houve expansão de 1,6% (acréscimo de 516 mil pessoas).

Segundo a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, o resultado confirma a sazonalidade esperada para essa época do ano e que foi retomada desde 2017. “Ficamos dois anos, em 2015 e 2016, sem ter a sazonalidade já que não havia geração de postos suficiente para atender à demanda por trabalho. Agora, o comércio mostra movimento positivo no trimestre fechado em novembro, o que achamos que está relacionado às datas comemorativas como Black Friday e a antecipação de compras de final de ano”, disse, em nota publicada no site do IBGE.

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O total de trabalhadores por conta própria ficou em 24,6 milhões de pessoas, um novo recorde na série histórica e com crescimento nas duas bases de comparação: 1,2% (mais 303 mil pessoas) frente ao trimestre móvel anterior e 3,6% (mais 861 mil pessoas) em relação ao mesmo período de 2018.

Ao longo do período, a categoria dos empregados sem carteira de trabalho no setor privado – que chegou a 11,8 milhões de pessoas – ficou estatisticamente estável tanto em relação ao trimestre anterior como ante 2018.

“Esse movimento da carteira é positivo, mas não é suficiente para uma mudança na estrutura do mercado de trabalho. A despeito dessa reação, durante todo o ano houve crescimento nas categorias relacionadas à informalidade, como conta própria e empregado sem carteira”, disse Adriana Beringuy.

Uma das consequências do alto nível de informalidade do mercado brasileiro pode ser visto no nível de renda. De acordo com a pesquisa, o rendimento médio real habitual foi de R$ 2.332 no trimestre fechado em novembro, sem variação significativa em nenhuma das bases de comparação. Já a massa de rendimento real habitual (R$ 215,1 bilhões) cresceu nas duas comparações: 2,1% frente ao trimestre anterior e 3% frente ao mesmo trimestre de 2018.

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1 comentário

  1. Ouvi há muito tempo de um membro de sindicato que a eleição de Bolsonaro levaria às pessoas a se mexer de algum modo.
    Ele só esqueceu de combinar com o Bolsonaro, diga-se de passagem.

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