Rafael Correa critica decisão da ONU sobre Chevron

Por Marco Antonio L.

Do Vermelho

Correa: Decisão da ONU sobre Chevron pode remeter ao colonialismo

O presidente equatoriano, Rafael Correa, criticou a manobra da empresa petrolífera multinacional Chevron para que o Estado não a sancione pelos danos irreparáveis causados no meio-ambiente e o pagamento de uma multa de US$ 19 bilhões. A empresa recorreu ao tribunal arbitral das Nações Unidas (ONU).

“Isso é escandaloso, isso deveria tirar o sono de todos os equatorianos, esse é o grande desafio que a América Latina tem. No interior dos nossos países as coisas estão mudando. Os seres humanos estão mandando no capital, mas no nível planetário, o capital ainda predomina, sobretudo o capital destas transnacionais”, ressaltou Correa durante uma conversa com jornalistas.

O mandatário disse que a Chevron foi às Nações Unidas invocando um tratado de proteção recíproca de investimentos, mas com o detalhe que a Chevron (que comprou a Texaco e a Texaco é acusada pela população amazônica), saiu do país em 1992 e o tratado de Proteção entrou em vigor no ano de 1997. “Este é um caso inédito, absurdo, aberrante que é inaceitável”, afirmou.

Ressaltou ainda que o tribunal arbitral se qualifica como competente e ordena que a sentença seja suspensa, como se o presidente pudesse dizer à Justiça: suspenda as sentenças. “Aqui há um estado de direito com divisão de funções”, argumentou.

União latino-americana

Em declarações dadas nesta quarta-feira (27), Correa sustentou que o Equador “nunca se colocará de joelhos, muito menos diante de uma multinacional prepotente”.

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Correa opinou que uma possível suspensão da sentença significaria um retrocesso do direito internacional, que comprometeria a soberania nacional, ao nível do colonialismo europeu que a América Latina viveu no passado.

Por isso, advertiu que recorrerá à união da América Latina para defender o Equador, e disse que espera especificar reuniões com a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e à União das Nações da América do Sul (Unasul) para tratar do tema.

Explicou que essa multinacional tem participações e investimentos em vários países da América do Sul, que também têm sido afetados.

Por isso, uma América Latina unida “será vital para lutar contra o capital financeiro e o neocolonialismo”, sublinhou o presidente.

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