Sobre Lawrence Summer

Por Ricardo Carvalho

Trecho da minha dissertação:

[…] o que fica explícito no memorando, citado pela mesma autora, datado de 12 de dezembro de 1991 e enviado à equipe de comando do Banco Mundial pelo seu economista-chefe Lawrence Summers. Nesse documento ele escreveu: “Aqui entre nós, o Banco Mundial não deveria encorajar uma maior migração das indústrias sujas para os LDC (Less developed countries, ou países menos desenvolvidos)?” Este executivo indicava que esta transferência de poluição para o Terceiro Mundo fazia sentido econômico; segundo ele portadora de uma “lógica impecável”, e que deveria ser “enfrentada de frente” com fundamento em três pontos: (1) as mortes e doenças provocadas pela poluição são mais baratas em países que praticam menores salários; (2) esses países normalmente são ainda pouco poluídos – ou em suas palavras: “sempre pensei que os países da África são extremamente subpoluídos, a qualidade do seu ar provavelmente é vasta e a poluição ineficientemente baixa se comparada a Los Angeles ou Cidade do México”; e, finalmente, (3) é possível que, em função da pobreza, esses miseráveis não possam se preocupar com problemas ambientais – segundo ele é óbvio que a preocupação com um agente que provoca uma probabilidade de câncer de próstata por milhão será muito maior num país onde as pessoas vivem o suficiente para ter câncer de próstata do que noutro onde a mortalidade de crianças com menos de cinco anos é de 200 por mil.

EsseEsse memorando torna-se ainda mais assombroso caso se considere que, quando foi escrito, a ONU, componente político da mesma estrutura de governança a qual pertence o referido banco, organizava junto a outros organismos internacionais e governos a conferência do meio ambiente no Rio de Janeiro em 1992. Espantosa também a constatação que salta do documento de que a lógica da economia liberal hegemônica valoriza diferentemente a vida de uma pessoa dependendo da sociedade em que ela vive e se manifesta. Uma vida vale mais no Norte rico que no Sul pobre. […]

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Esta é uma das visões econômicas desse senhor! Tem gente que gosta! Aquela “você vai acabar dando dinheiro àquelas pessoas de qualquer maneira!’ E a irmã gêmea dela disse: ‘Não, Ruthie! O papai já deu dinheiro a eles antes e eles desperdiçaram, então temos que tomar muito cuidado!”, conta rindo. 

É pra rir, ou pra chorar??

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