Uma conferência para preparar o futuro

Coluna Econômica – 21/05/2010

Ainda não está clara a importância das conferências nacionais que vêm ocorrendo no país há algum tempo. O conceito de conferência foi introduzido pela Constituição de 1988, mas levou algum tempo para pegar. A ideia é juntar os diversos segmentos da sociedade civil com o poder público, para cada um dos temas abordados. Das conferências têm brotado uma enxurrada de propostas, algumas viáveis, outras sonhadoras. Mas, em todos os casos, é um processo de amadurecimento da sociedade civil.

Nas conferências não há espaço para manipulações partidárias. O tema defendido é mais importante do que as conveniências partidárias. Além disso, é espaço para o exercício da convivência democrática, com cada parte aprendendo a dialogar com o lado contrário.

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Na semana que vem, em Brasília, ocorrerá a 4a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. A anterior – em fins dos anos 90 – lançou as bases para a criação dos fundos setoriais de inovação.

O Ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, se disse entusiasmado com a adesão ao encontro. Nos últimos dias, têm havido mais de 500 inscrições por dia, me diz ele. Esperavam 2.500 pessoas participando; vai pasar de 4.500 inscrições.

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Antes da nacional, houve conferências preparatórias em 14 estados e cinco conferências regionais que permitiram levantar uma montanha de idéias e propostas.

O objetivo da atual Conferência – diz ele – será levantar propostas para a próxima década, que sejam ao mesmo tempo realistas e ambiciosas. A palavra de ordem é “pensar grande”. “Ficamos muito tempo tendo que batalhar por migalhas e pensando estreito”, diz ele. “Agora chegou a hora de pensar o futuro de forma ambiciosa: o Brasil já tem condições de dar um salto”.

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A conferência será bem abrangente. Haverá sete sessões plenários abordando temas gerais mais motivadores. A conferência se organizará em torno de quatro eixos.

O primeiro discutirá o sistema científico e tecnológico nacional, os recursos humanos e os modelos de coordenação e de financiamento.

O segundo discutirá o processo de inovação, a chamada “sociedade do conhecimento”, a maneira de melhorar a competitividade e a produtividade da economia brasileira, buscando aumentar o valor agregado das exportações e convencendo as empresas a adotarem a inovação em suas práticas.

O terceiro eixo será o envolvimento da pesquisa nacional com a chamada fronteira do conhecimento, em áreas estratégicas como a especial, a nuclear, a saúde, sempre procurando casar com a sustentabilidade ambiental.

O quarto eixo discutirá a questão do conhecimento aplicado à inclusão social, ao crescimento e à distribuição de renda.

Haverá sete sessões plenárias com temas gerais e sessões paralelas temáticas, com temas como biotecnologia e biodiversidade.

Haverá duas preocupações centrais. A primeira, da produção de conhecimento, fazer a inovação tecnológica entrar na agenda empresarial; a segunda, fazer a ciência brasileira estar mais perto da fronteira do conhecimento.

Clique aqui para baixar a programação

E aqui para os princípios da 4a Conferência

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