Vale, Eletropaulo, Oi: A privatização também fracassa, por André Motta Araújo

No Brasil, privatizações não visam interesse público, mas agradar mercado financeiro. Nos EUA não se são privatizados serviços públicos essenciais. Neoliberais escondem que seus aeroportos, metrôs, represas, serviços de água e esgoto são estatais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por André Motta Araújo

É curiosa a ideia espalhada pelos neoliberais de que privatização é sempre coisa boa. A ideia é uma fantasia, de quem acredita em Branca de Neve.

Muitas privatizações são péssimas para os consumidores, para a população em geral, para o Estado. Causam prejuízo às finanças públicas e nenhum ganho ao Estado, enquanto beneficiam os compradores de primeira e segunda mão e, em um nível mais amplo, o chamado “mercado”, onde todos se lambuzam: bancos de investimento, consultores, avaliadores, advogados, lobistas, em resumo, quem ajuda no processo sempre tira uma lasca dele.

CASO VALE

Um desastre em grande escala. A Vale nasceu privada, pelas mãos do grande (e controverso) financista Percival Farquhar como Itabira Iron. Foi estatizada pelo Presidente Arthur Bernardes e se desenvolveu como empresa estatal, transformada em Companhia Vale do Rio Doce.

Já era uma empresa grande e bem administrada quando foi privatizada de forma irresponsável, porque seu foco era e é uma riqueza mineral do povo brasileiro. Não havia razão alguma para privatizá-la que não fosse ideológica.

Assim, a Vale foi comprada por financistas aventureiros e depois de várias ginásticas especulativas foi parar na mão do Bradesco, banco sem dono que produziu duzentos milionários, diretores que começaram como faxineiros se aposentam com dez fazendas.

Foi indicado para a presidência da Vale um gerente de agência do Bradesco que não tinha a mais remota noção do ramo de mineração. Assim foi o início de uma fileira de CEOS “genéricos”, gente que só conhecia, e mal, números de balanço.

Entre várias barbaridades, sempre cobertas por um lucros estratosféricos de retirar minério que a natureza produziu sem custo para a companhia, esse CEO do Bradesco comprou na China 8 navios de 310.000 toneladas cada que, curiosamente, estavam proibidos de atracar em portos chineses, pelos riscos ambientais de seu tamanho, sendo a China o maior cliente da Vale.

Os primeiros grupos compradores, como em tantos leilões de privatizações, entraram no jogo com pouco é nada e já na primeira virada de troca de ações subiram bilionárias às custas de um patrimônio do povo, mas essa ginástica só é permitida para quem está próximo do poder.

As tragédias das barragens da Vale É FRUTO DA PRIVATIZAÇÃO, do conceito de maximizar o lucro com corte agressivo de custos porque seu único senhor é o acionista. Não há mais nenhum interesse público a preservar, é só lucro e bolsa, no meio do caminho absurdos “bônus” depois de aberrantes honorários de diretoria.

O gerente de agência do Bradesco que virou CEO ficou bilionário e lamentavelmente morreu, ele e a família, em desastre com a queda de seu avião particular. De lá para cá, se sucederam CEOs genéricos e mortes genéricas por corte de custos na manutenção das barragens – o maior desastre mundial de fracasso de uma privatização sob a lógica do interesse público que perdeu muito, em mais de 300 vidas, cidades destruídas, famílias desfeitas. Mas o mercado não tem do que se queixar, a Vale continua queridinha do mercado, mesmo depois de encher um cemitério.

ELETROPAULO

Empresa de distribuição de energia modelo, com funcionários leais e de elevado espírito de corpo, orgulhosos de suas oficinas e serviços de manutenção.

A empresa, quando foi privatizada, tinha 27.000 funcionários, adequados a um universo de 7 milhões de consumidores e uma imensa área de concessão que inclui não só a cidade de São Paulo mas também cidades vizinhas.

Foi privatizada em ótimas condições operacionais e virou uma ruína. Paradas de fornecimento de energia que antes duravam uma, duas ou raramente três horas passaram a ser de 16, 24 horas e, muitas vezes, de até 4 dias, PORQUE se demitiram as ótimas equipes de manutenção treinadas e motivadas e TERCEIRIZOU-SE TUDO.

A Eletropaulo passou a ter pouco mais de 3.000 funcionários para um universo de consumidores que aumentou mais de 25% desde a privatização de 1996. A antiga sede em São Paulo foi trocada por prédios cada vez menores e insignificantes, as grandes lojas de atendimento foram fechadas e milhões de clientes têm que se enfileirar em instalações improvisadas tipo “pé sujo”, indignas de uma empresa importante e uma das maiores cidades do mundo.

Reduzir custos não é tudo, uma empresa também precisa se apresentar dignamente. Hoje a sede é prédio beira de estrada de 5ª categoria em Barueri. Foi o prédio mais barato que acharam para alugar, o sonho deles é terceirizar também o escritório central, ser uma empresa virtual geradora de dividendos, o consumidor que se vire com geradores com velas e baterias.

Comprada por dois bilhões de Reais, a Eletropaulo remeteu em dividendos de mais de 5 bilhões de Reais e foi revendida em 2018 por 8 bilhões de Reais. Um negócio espetacular PARA OS INVESTIDORES, mas o que a população ganhou com isso? A queixa dos consumidores da ELETROPAULO, hoje Enel.

Mudaram o nome para vê ser limpam a reputação. É generalizada campeã nacional em queixas por más condições de serviço. Uma jóia de empresa virou um escombro.

Enquanto a SABESP, até agora estatal, tem excelentes serviços, boas lojas para os consumidores serem atendidos, ao contrário dos cortiços da Eletropaulo, aliás Enel, faz imensos investimentos continuamente, tem reputação mundial por excelência de gestão, mas paira no ar uma ameaça de privatização.

Oi

Privatização escandalosa desde o início, com grupos piratas comprando sem dinheiro (a “telegangue”, expressão de Mendonça de Barros, então presidente do BNDES).

Até o dinheiro do sinal do leiloeiro foi emprestado às pressas pelo BNDES, ninguém pôs dinheiro MAS TODOS SAÍRAM DA AVENTURA COM BILHÕES DE REAIS LIMPOS, os grupos Jereissati (La Fonte), Andrade Gutierrez, Opportunity se lambuzaram em ganhos, sangraram a empresa “privatizada” até a QUEBRAREM.

Não ganharam só eles, ganharam muitos bancos de investimento, consultores, prestadores de serviços com altas comissões, advogados e lobistas, todos se lambuzaram nessa privatização, MENOS o povo brasileiro, que não ganhou nada.

Aos ingênuos que repetem que a privatização da telefonia criou um mundo novo para os consumidores, esse mundo novo NÃO TEM NADA A VER COM PRIVATIZAÇÃO E SIM COM TECNOLOGIA, que existiria com ou sem privatização. FOI O CELULAR QUE REVOLUCIONOU A TELEFONIA E NÃO A PRIVATIZAÇÃO.

PORQUE PRIVATIZAÇÕES FRACASSAM?

Porque eles nunca visam o interesse público. Seu objetivo é AGRADAR O MERCADO FINANCEIRO e não beneficiar a população e PRIVATIZAÇÕES SÃO O PARAÍSO DOS AVENTUREIROS E DOS FINANCISTAS PIRATAS. É um campo de “negócios” para quem tem poder político mas quem paga a conta com preços mais caros, precariedade de serviço, desemprego é sempre a população.

NOS EUA NÃO SE PRIVATIZA SERVIÇO PÚBLICO ESSENCIAL

Os neoliberais escondem que os AEROPORTOS, PORTOS, SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTOS, METRÔS, ÔNIBUS COLETIVOS, REPRESAS, TRENS DE PASSAGEIROS, RODOVIAS, nos Estados Unido são estatais, não são privatizados.

Os AEROPORTOS são estaduais ou municipais. No Brasil vão ser todos privatizados.

Seremos campeões mundiais em privatização de bens públicos, vamos rivalizar com a Rússia, onde as privatizações produziram 300 bilionários que moram em Londres. É o chamado “capitalismo-pirata” que acompanha todo processo de privatização em país mal organizado.

Para justificar as privatizações é essencial divulgar a lenda do BRASIL QUEBRADO, mas vamos deixar essa tema para outro artigo.

AA

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