A intolerância nossa de cada dia, por Paulo Zapella

Por Paulo Zapella, 

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tava eu pedalando de boa no cantinho da r. groenlândia, no pedaço da última faixa da direita, onde estavam os carros estacionados (ou seja, sem interferir em nada o fluxo das outras faixas [não que eu não possa, ok?]), quando um indivíduo emparelha um fiesta do meu lado e solta “e aí, comunista?”. achei que era piada e ri, até o dito cujo começar a dar pequenas jogadinhas com o carro em cima de mim. não abri a boca, continuei pedalando enquanto o cara começou a se alterar cada vez mais e gritar ‘comunista do caralho, filho da puta, vai andar na ciclovia do haddad, seu merda,’ e etc. achei tão bizarro que não esbocei nenhuma reação. o sr., totalmente alterado, saiu acelerando, e no próximo cruzamento, com a rua mena barreto, atravessou o sinal vermelho (na tampa traseira tinha um peixinho de ‘jesus’), mas ficou travado no trânsito pra cruzar a brigadeiro. sem nenhum esforço eu percebi que iria alcançá-lo, e neste curto período de tempo me perguntei o que eu deveria fazer. bater boca? chamar o cara pra porrada? chutar o carro? resolvi que não, não ia fazer nada. ia passar no canto e seguir meu caminho. no momento em que fui passar por ele, o cara acelera e joga o carro em cima de mim, quase colidindo com o outro que tava na faixa do lado (e provavelmente não entendendo nada). parou o carro atravessado no meio da rua e começou a gritar loucamente de novo “E AÍ, COMUNISTA? E AGORA?”. bom, e agora que eu desviei pro outro lado e segui pelo meio do trânsito onde ele nunca conseguiria me alcançar.

mas e aí? o que vai acontecer com o próximo “””comunista””” que simplesmente passar pelo caminho desse cara? quando a rua estiver livre, quando não tiver mais ninguém? eu posso afirmar que nos 30 e poucos anos que eu tô por aqui, este é o momento histórico mais escroto que eu já vivi. e tem muita gente plantando essas sementinhas de escrotismo diariamente. no facebook, nas conversas de bar, nos almoços de família. parabéns pra vocês, os frutos já estão sendo colhidos. vocês são responsáveis por pessoas como eu estarem sendo gratuitamente ameaçadas e agredidas na rua por “pessoas de bem”.

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