Ao noticiar fim do programa anticrack de Haddad, jornais consultam Dória e não usuários

 
Jornal GGN – O fim do programa Braços Abertos, criado pelo governo Fernando Haddad na capital paulista para o combate ao crack, com o fechamento de hotel que hospedava as pessoas em tratamento e, mais recentemente, o fim da remuneração que recebiam os participantes do programa por trabalhos em serviços de varrição de ruas, jardinagem e reciclagem, impactarão 262 usuários de drogas.
 
A medida do prefeito tucano João Dória foi, após criticar abertamente durante ainda a campanha à Prefeitura de São Paulo, extinguir um dos pilares do projeto de tratamento e de combate ao consumo de crack na cidade. A bolsa de R$ 500 era oferecida, a cada mês, aos participantes que trabalhavam para a Prefeitura, além de receber o direito de moradia em hotéis e alimentação.
 
O programa foi um dos que obteve melhores resultados em todas as gestões da capital paulista para por fim à chamada cracolândia, região da capital paulista que abrigavam, nas ruas, os dependentes da droga. 
 
Nas redes sociais, o ex-prefeito e criador do programa criticou a versão dada pelos grandes jornais, como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. “Os 262 usuários de drogas que perderam seu alojamento, hoje perdem seu trabalho, sem serem consultados. Crueldade sem limites. Folha e Estadão jamais os entrevistaram. Invisibilidade total!!”, publicou Haddad no twitter.
 
A Folha, por exemplo, deu amplo espaço para a visão de Doria e também do governador Geraldo Alckmin sobre a iniciativa de remunerar os participantes sem exigir deles a abstinência. Em maio de 2017, após colocar a polícia nas ruas da cracolândia, Doria acusava o programa de “dar mesada para pessoas comprarem droga”.
 
A reportagem chegou a ouvir o psiquiatra Dartiu Xavier, ex-coordenador do Braços Abertos. Mas a única fala do especialista mencionada pelo jornal foi: “com esse modelo, o problema não é resolvido. Tem que tratar também a exclusão social. É ridículo dizer que o programa continua”, havia afirmado. Nenhum usuário e participante do antigo programa foi consultado pelo diário.
 
 

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