Atores orientais se juntam contra o preconceito

Jornal GGN – Atores brasileiros de ascendência oriental se uniram em um coletivo para denunciar o preconceito e buscar novas oportunidades. Com um mercado restrito a papeis caricatos e estereotipados, eles estão realizando produções independentes para mostrar seu potencial e conquistar seu espaço.

A iniciativa se tornou mais urgente quando a TV Globo escalou o ator ocidental Luís Melo para interpretar um imigrante japonês na sua nova produção, a novela Sol Nascente. Com razão, os atores orientais se sentiram deixados de lado.

É raro que uma produção de teledramaturgia traga a cultura asiática para o centro da trama. Quando isso acontece, a direção escolhe usar um descendente de italianos e índios brasileiros para interpretar um pescador japonês.

Ao invés de boicotar a novela, os atores de descendência asiática criaram o Coletivo Oriente-se. Para mostrar que eles existem e são profissionais qualificados. E quando se trata de retratar a cultura oriental, são a escolha óbvia.

O objetivo final do grupo é que os atores de descendência oriental sejam reconhecidos como brasileiros, totalmente inseridos na cultura nacional. Eles não querem mais ser relegados aos papéis de pasteleiros, feirantes e tintureiros, gueixas e samurais.

Toda semana, o coletivo vai soltar um vídeo novo em sua página do Facebook. Ali, os atores encenarão situações diversas, de um cotidiano tipicamente brasileiro. O primeiro vídeo vai ao ar no dia 1º de setembro.

Os roteiros são originais e foram produzidos pelos representantes do grupo. A produção, a fotografia, a iluminação, a cenografia e a atuação são feitas voluntariamente por profissionais que se identificam com o projeto.

O Jornal GGN falou sobre o assunto com o ator Edson Kameda, membro do Coletivo Oriente-se. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Jornal GGN – A novela da Globo Sol Nascente ascendeu a polêmica sobre o uso de atores brancos para interpretar personagens asiáticos.  A produção fala sobre a imigração japonesa e o protagonista, supostamente japonês, é vivido por um homem caucasiano, o ator Luis Melo. Falta oferta de atores orientais no mercado?

Edson Kameda – Existem vários atores, inclusive no perfil dele. Modéstia à parte, eu teria o perfil. O Marcos Tumura, que é um grande ator de musicais, teria essa pegada. O Ken Kaneco, que foi um dos primeiros atores orientais a aparecer na televisão brasileira também. E tantos outros. 

Mas o grande lance é o protagonista. Estamos falando de Sol Nascente e o protagonista é um ocidental.

Nós não temos nada contra a Globo. A gente sabe que as emissoras de televisão vão pela lógica de mercado. Eles vão escalar atores que tragam Ibope, tragam audiência. É um negócio para eles.

Mas isso acaba passando uma imagem equivocada para o público. Normalmente, quando tem papéis para orientais eles são específicos. Não tem um protagonista oriental. Para se fazer isso, eles dizem que tem que criar um contexto, uma família, que é uma dificuldade.

Mas não é. Nós somos brasileiros como tantos outros. E esse paradigma é que está difícil de ser quebrado.

Qual foi a justificativa da Globo para escalar o Luís Melo para o papel?

Eles não se pronunciaram. Eles dizem que a novela não é sobre o Japão.

O Luís Melo é descendente de italiano com índios brasileiros e está escalado para fazer o papel de um oriental. Eles vão mexer nos traços dele?

Ele tem algumas características de índio, então, tem um olho um pouquinho mais puxado e tal. E a filha vai ser a Giovanna Antonelli, uma filha adotiva.

Existe recursos cênicos, até de roteiro, para justificar esse tipo de coisa. Quanto a isso, cada emissora faz aquilo que acha melhor, não temos nada contra.

Mas esse pensamento de que não existem atores orientais… há que se fazer uma formação também. Essa seria até uma oportunidade para a emissora dar uma preferência para a comunidade. Não foi isso que eles fizeram.

Tem uma preferência pela atriz oriental do que pelo ator? No elenco estão a Miwa Yanagizawa, a Jacqueline Sato e a Carolina Nakamura. Ator mesmo de descendência oriental só o Paulo Chun…

Tem a história nos Estados Unidos das leis antimiscigenação. Então, por muito tempo a indústria cinematográfica baniu atores orientais. As mulheres orientais são exóticas. Então, elas tinham espaço.

Mas o homem oriental ficou sem papel nenhum. Era lei: a mulher branca que casasse com um homem oriental poderia até perder a cidadania. Então, o cinema não poderia utilizar uma cena sensual com um homem oriental, porque essa união não poderia acontecer.

Mas um homem branco com uma mulher oriental tudo bem, porque era exótico. E isso foi prevalecendo ao longo do tempo.

E o Brasil faz igual porque reproduz a cultura norte americana…

É minha opinião. A gente percebe que existe essa exclusão da raça amarela. E no Brasil também houve esse movimento há um tempo atrás. Era matéria no Senado. Eles queriam branquear o nosso povo, e não amarelar.

Esses atores que você citou, são reconhecidos na grande mídia? Têm contratos nas emissoras, têm oportunidades iguais? Ou acabam sendo escalados para papéis específicos, estereotipados, com uma demanda reduzida?

Sempre é uma demanda reduzida. Dificilmente se cria um núcleo nas novelas. Eu já participei da novela Morde e Assopra, eu era pai da protagonista. Mas aí disseram que o Ibope não estava rolando, enfim.

Na verdade, na televisão, quem manda é o diretor. O roteirista é que faz o roteiro interessante. A gente vai lá e cumpre.

Só que para se criar um personagem de relevância dentro de uma teledramaturgia, eles dizem que tem que criar todo um contexto de família. Enquanto que para os outros personagens não é tanto assim.

O asiático tem que ter a árvore genealógica completa, tem que ter uma raiz.

É como se o descendente de japonês não fosse brasileiro…

Exatamente. Como se para colocar esse cidadão oriental na dramaturgia tivesse que justificar demais. Sendo que um ator branco pode fazer qualquer papel.

Ele pode ser descendente de qualquer coisa desde que europeu…

Desde que europeu. E isso deveria ser da mesma forma com negros, com asiáticos.

Quando a Viola Davis ganhou o Grammy, pelo trabalho na série How to get away with murder, ela fez um discurso e disse que não dá para ser premiado por um papel que não existe. O preconceito é meio que o mesmo, não? Vocês não conseguem reconhecimento porque a oportunidade de mostrar o trabalho não está lá para começo de conversa?

Isso. Eles falam que não existe um ator que traga público. Na Malhação, por exemplo, você vê que vários atores ocidentais são formados ali. Fazem a primeira novela, a segunda novela, vai se apresentando ao público e de repente ele está na novela das oito. A gente vê uma graduação, vê uma escola acontecendo dentro das emissoras. Mas para o oriental não tem isso. O jovem ator oriental não tem espaço, não vê pessoas o representando e não se sente estimulado a correr atrás dessa carreira.

Hoje, com a minha idade, na faixa dos 50 anos, eu fui fazer um teste e o produtor falou que estava precisando de mais opções de atores orientais profissionais de 50 anos. Eu indiquei um, dois, três, quatro. Ele não conhecia ninguém. Mas por que não conhecia? Porque o mercado não oferece oportunidade.

Você não vê o ator oriental no teatro também, nem no cinema. Quando vê é muito específico, é o dono da vendinha. Nem ator coadjuvante tem. Existe uma dificuldade muito grande dos roteiristas de inserirem o ator oriental nas tramas com naturalidade.

É estranho porque o descendente de oriental é um brasileiro como qualquer outro. Você não precisa criar todo esse contexto para contar a história dele. Você encontra ele nas ruas todos os dias. Essa é a proposta do Coletivo Oriente-se?

É. O caminho que nós encontramos foi criar nossos próprios roteiros, cotidianos, de qualquer brasileiro, mas apresentado por atores orientais.

Nós gravamos cinco vídeos para o dia do lançamento. Nós vamos lançar no dia 1º de setembro e no dia 31 de agosto vamos fazer um evento de lançamento, aqui em São Paulo, no Centro Cultura B_arco, que fica na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, travessa da Rua Teodoro Sampaio.

Nós vamos passar um vídeo de apresentação, mostrando um pouco de cada ator e alguns sketches.

Vocês tiveram uma preocupação nesses roteiros de colocar os atores para fazer papéis não estigmatizados? De mostrar que o oriental pode estar em qualquer papel como um brasileiro?

A Cristina Sano que é uma das fundadoras e representante do nosso grupo, é a primeira atriz oriental que apareceu na televisão brasileira, e ela tem facilidade de escrita. Então, ela está produzindo a maioria dos roteiros. Retratando a vida do cotidiano do Brasil. Não do Japão, comendo com palitinho, lutado com espada de samurai. É uma coisa do brasileiro mesmo, o cotidiano brasileiro. Para mostrar ao público que nós estamos inseridos, estamos no mesmo sol, no mesmo clima, em cima da mesma terra. Sofremos as mesmas influências políticas, ingerências políticas. Temos o ônus e o bônus de sermos brasileiros. Como todos os outros.

Uma das maiores colônias estrangeiras no Brasil é de japoneses…

Exatamente. A colônia japonesa, e os descendentes de orientais em geral, tem participado em todas as áreas, arquitetura, artes plásticas. Só nas artes cênicas que existe esse débito. E a gente não se sente representado. Quando a gente vê algum personagem oriental na mídia a gente não se sente representado. A gente não é isso que está sendo mostrado na televisão. Todos esses personagens que falam português errado. Com sotaque eu nem acho tão ruim, mas eles fazem questão de falar errado, com erros gramaticais.

Que é a história do flango flito, esse tipo de infantilidade?

Isso. Esse tipo de piada a gente ouvia quando eu era adolescente. A comunidade japonesa está há mais de 100 anos aqui. Dificilmente alguém vai falar errado. E cada vez menos com sotaque. Eu tenho sotaque de paulistano, não de oriental. Se eu morasse no Rio, teria um sotaque carioca. De tão ambientados que estamos aqui. Não somos estrangeiros.

Esse é o ponto. A mídia acaba mostrando a gente como estrangeiro. E quando passa na televisão aberta esse tipo de mensagem, isso começa a criar um conceito equivocado.

Eu já fiz vário papéis. Já fiz um médico em novela, doutor Valêncio, eu achei ótimo. Tinha que dar uma receita sobre diabetes para uma criança. Outro dia eu fiz o empresário japonês que é amigo íntimo do governador. Aí está justificado. Outro dia fiz um pasteleiro, mas com o nome de Josilei, totalmente ambientado, sem sotaque, sem nada.

Mas a coisa do pasteleiro não ofende? Não pega um pouco na generalização?

O que pega é falar errado. É menos aceitável. Porque nós, como atores, estamos fazendo qualquer papel. Pode ser de pasteleiro, feirante, tintureiro. O problema é que na mídia só tem essas oportunidades. Então, o universo do ator oriental fica restrito a isso. Nós somos isso também e muito mais. Somos pessoas normais.

A proposta do Oriente-se é a questão da diversidade, dessa mistura. Outro dia eu fui fazer um comercial de uma companhia de seguros, o cara viu no storyboard e tinha mãe e filho. Ele resolveu colocar uma família. A mãe era loira, o pai era eu e o filho era mestiço. Uma das facetas do Brasil está aí, que é a miscigenação. E isso também não é explorado, não é retratado.

Você já perdeu algum papel por conta da etnia?

Várias vezes. Eu tenho feito diversos testes. Eu vejo um anúncio de “Procura-se ator a partir de 45 anos para determinado papel” e mando meu currículo. “Ah, não é o perfil que nós queremos”.

Tudo bem, existe o biótipo, dependendo da mensagem, mas deveria ser considerado. Às vezes eles falam que perfil oriental não interessa, porque marca muito, porque é diferente. Não somos diferentes.

Se a gente começa a fazer as produções da vida cotidiana, mesmo sendo em vídeos do YouTube, as pessoas vão vendo que é normal. Daqui a pouco tem menos estranheza na grande mídia, na televisão, no cinema.

E esse é o objetivo do Coletivo Oriente-se, então? Mostrar que o descendente de oriental é brasileiro e pode estar inserido em qualquer papel?

O objetivo é a diversidade. A partir do momento que a gente não tiver mais esse problema, a partir do momento que eu conseguir concorrer a um papel normal com qualquer outra etnia, então, o coletivo cumpriu seu objetivo e não precisa nem mais existir. O coletivo existe para deixar de existir. Ele tem que cumprir uma missão, disseminar uma mensagem, tirar essa coisa estigmatizada de que o oriental é diferente dos outros. Não é. Existem culturas diferentes, a cultura árabe é diferente, as culturas africanas são diferentes, a cultura japonesa é diferente, mas aqui no Brasil nós estamos nas mesmas condições.

Em alguns espaços na internet, a escalação do Luis Melo para interpretar um japonês foi chamada de “yellowface”. O blackface é a prática de escalar artistas brancos para interpretar personagens negros, de forma caricata, com as feições exageradas, pintando o rosto. Infelizmente ainda é relativamente comum. Só que o os coletivos negros estão denunciando incansavelmente a prática, que eles consideram racista e excludente, para ver se conseguem acabar com o problema. É a mesma coisa aqui?

Já que você fez essa comparação, nós estamos em um contexto um pouco diferente. Os negros realmente pegaram o mais pesado da nossa sociedade brasileira, trabalharam como escravos, e dentro da sociedade, eles tinham pouca representatividade nas diversas áreas.

No caso dos orientais é um pouco diferente. Os orientais conseguiram se infiltrar na medicina, na advocacia, na política, nas artes plásticas. Dentro da proporcionalidade, existe uma representatividade. Mas nas artes cênicas não tem.

No próprio grupo – a gente se reúne semanalmente – não existe um consenso. Tem gente que acha que sofreu bullying por ser oriental. Eu tenho uma opinião particular. Eu sempre fui um casca grossa. Para mim isso nunca influenciou. Nunca foi barreira para que eu deixasse de ir a algum lugar que eu quisesse ir. Eu sempre fiz ouvidos moucos e fui de qualquer maneira. Mas tem gente que sente mais fortemente. A gente tem que respeitar.

Nós vamos mostrar trabalho. A estratégia que nós adotamos é produzir vídeos e mostrar como que é a gente atuando. De repente eles não gostam, de repente eles gostam. Mas de qualquer maneira não está mais na teoria. Vamos para a prática. Vamos fazer vários vídeos porque aí a pessoa da área assiste e fala “eu posso colocar isso na minha produção”, “eu posso escrever um roteiro para esse tema”.

E tem uma facilidade de os meios de produção estarem mais acessíveis? Vocês conseguem fazer por conta própria, sem depender da iniciativa de uma emissora que tem dinheiro para os equipamentos?

Exatamente. Com o advento da internet, com o YouTube, com o fato de os equipamentos de gravação estarem cada vez mais acessíveis e ter vários profissionais da área de audiovisual se formando e entrando no mercado.

Inclusive, a nossa equipe é formada por pessoas que ainda estão batalhando um espaço no mercado, como cineastas, diretores. Nós apresentamos nossa proposta, nossa causa, e eles toparam. Já formamos duas equipes, queremos formar mais duas. Com diretor, diretor de arte, de cenário, produtor.

Por enquanto nós estamos fazendo cenas mais simples, mas com o tempo isso vai crescendo. No nosso grupo do Facebook nós temos 250 membros mais ou menos. Mas que trabalham efetivamente com maior frequência são 20. Desses, nós temos três representantes que são o Marcos Miura, a Ligia Yamaguti e a Cristina Sano.

E tem uma galera do Rio de Janeiro que está em conexão, com quem a gente vai trocando uma ideia. Temos conexão com o Paraná e queremos ampliar para todos os estados do Brasil.

O coletivo não é para nós. Nós pensamos nos que vêm depois da gente. Para que os jovens que se interessarem pelas artes cênicas tenham um caminho traçado. Para evitar aquela situação de: “Eu quero ser ator. Ah, mas eu sou oriental e não posso”. Não. “Eu sou oriental, quero ser ator e tenho um caminho por onde”.

Se nós construirmos esse caminho, estaremos com o objetivo do Oriente-se cumprido.

Como vocês se financiam? Vocês vivem de trabalho voluntário?

Os atores doam seu trabalho. A Cristina Sano escreve os roteiros. O Marcos Miura também. A Ligia tem o espaço, tem contato com o Centro Cultura B_arco. É tudo cedido. Por enquanto, é tudo na colaboração.

Inclusive, os diretores, os câmeras, não são obrigatoriamente orientais. Nós apresentamos o projeto e eles abraçaram. Voluntariamente.

Às vezes nós precisamos de equipamentos e alguma empresa empresta equipamento para a gente. Às vezes um microfone, uma câmera, iluminação. Esses colaboradores pedem para outros. Existe uma camaradagem nesse meio.

E às vezes a gente pede para o diretor de fotografia fazer a luz e ele tem um amigo que tem a luz e acaba emprestando para fazer o trabalho bonito.

Vamos falar do lançamento. No dia 31 tem um evento e no dia 1º vocês estão no ar no YouTube. O que o público pode esperar? Quantos vídeos novos por mês? Qual vai ser a frequência?

Isso. Dia 1º a gente lança no YouTube. O objetivo inicial, para dar visibilidade, é um vídeo por semana. Nós já temos cinco gravados e estamos correndo para produzir mais quatro para o mês que vem, mais quatro para o outro mês. Quatro vídeos mensais até o final do ano. Uma correria danada, tudo de boa vontade.

Se alguém quiser ajudar como faz?

É só entrar no Coletivo Oriente-se no Facebook ou mandar um email para [email protected]

Mais para frente, nós queremos ser um grupo autossuficiente, até uma opção de trabalho. Por exemplo, se uma produtora quiser uma solução para um trabalho artístico, nós vamos mostrar não só nomes e fotografias, mas também trabalhos feitos. Para eles olharem e poderem avaliar “esse perfil é legal”, “essa impostação de voz é boa para o meu personagem”, “essa relação entre essas pessoas é legal”.

A gente tem que dar material para que os roteiristas comecem a escrever esses papéis. Tem a mea culpa também. Se os roteiristas não escrevem é porque não tem referências. Dificilmente ele vê um ator oriental atuando. Nós estamos alimentando o mercado para que o mercado nos alimente.

Só que é uma dificuldade prática muito grande…

Raramente você precisa ser a força que vai começar a girar essa roda. Geralmente a coisa já está em movimento e você se insere. Se você não é um ator oriental, não precisa fazer esse esforço todo…

Exatamente. Aí é que tá. A máquina está pronta para o ator ocidental. Para o ator oriental só existe a periferia. Nós queremos entrar no centro como eles. Mas como a gente faz isso? Brigando com a Globo? Brigando com a Record? Não é o caminho. Nós optamos por produzir alguma coisa.

Vamos produzir nossos vídeos no YouTube, fazer um lançamento, fazer networking, mostrar sketches de trabalho. Existe uma equipe que está cuidando para buscar incentivos, verbas culturais. Nós temos projetos de fazer um clássico com atores orientais. Não para excluir o resto, mas para chamar atenção em um primeiro momento.

A ideia final é que exista a inclusão. O Oriente-se existe porque existe uma exclusão, hoje, natural. Queremos quebrar isso. A partir do momento que essa exclusão for quebrada, pronto, acabou, nós estamos inseridos no mercado de atores. A partir daí acabou a função social do coletivo.

Ele pode continuar como um empreendimento, uma produtora, como qualquer outra coisa. Mas não terá mais esse cunho de denúncia, de buscar espaço. E quando isso for concretizado nós estaremos satisfeitos.

Talvez não seja na minha geração, talvez seja para as pessoas que estão querendo entrar no mercado agora. Um adolescente que se vê representado no YouTube, na televisão, no cinema, vai poder dizer “Mãe, eu vou querer ser ator”. Hoje, os próprios pais falam “Filho, no seu perfil não dá”.

É uma questão de representatividade mesmo. Se ele vê que existe esse papel…

Isso. E se os pais vêem que existe esse papel, então, tudo bem, eles vão dar a oportunidade para o filho buscar aquilo que ele realmente quer fazer.

Hoje, os próprios pais tentam tirar aquela ideia da cabeça. E não é nem por mal. É porque você vai sofrer, porque não existe espaço. Mas se ele tiver uma representatividade, então, “Tudo bem, filho. Vamos nessa. Você tem meu apoio”. E vão surgir novos atores.

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