Campanha de financiamento coletivo pretende levar xilogravuras a comunidades quilombolas

Foto: Reprodução/ Site Solidário 

Jornal GGN – O financiamento coletivo é a aposta do artista Evandro Angerami, em parceria com a diretora de arte Julia Paranaguá,  para levar  à Chapada da Diamantina, região serrana do centro bahiano, um projeto de arte-educação a comunidades quilombolas. A expedição, que pretende influenciar a geração de renda nos quilombos por meio da xilogravura, está marcada para o início de 2018 e a arrecadação de fundos segue até o dia 28 de dezembro deste ano.

“Trajetórias”, é o nome do projeto que pretende passar por quatro quilombos dos municípios de Lençóis e Rio de Contas. Eles são: Remanso, Iúna, Bananal e Barra do Brumado. Em quatro semanas, a expedição prevê a realização de oficinas de pintura para crianças e a criação de murais em cada comunidade. A aposta principal é a capacitação de jovens e adultos em xilogravura, com o ensino de técnicas de impressão e composição visual.

“Os temas para a elaboração desses trabalhos são sempre escolhidos pelos próprios quilombolas. Para além das questões práticas, o projeto pretende reafirmar suas raízes culturais, fortalecendo a autoestima de cada um desses indivíduos, produtores de uma cultura riquíssima”, afirmou Angerami.

No final das oficinas as prensas de xilogravuras serão doadas às comunidades. “Trejetórias” tem o intuito promover a geração de renda nos quilombos e que essas comunidadades, além de preservar a memória e os saberes tradicionais, possam vender as gravuras aos turistas que viajam à região da Chapada da Diamantina, hoje considerada o principal polo turístico não litorâneo da Bahia.

“A Chapada Diamantina é um dos principais polos de ecoturismo do país e, ainda assim, muito pouco de toda riqueza gerada em torno disso é revertida a essas comunidades quilombolas, que hoje se encontram em uma situação de vulnerabilidade econômica e social”, disse o artista.

O projeto é um inspiração de Evandro Angerami, que por sempre gostar de pintar ao ar livre, realizou diversas viagens com telas, tintas e pincéis na bagagem. Em 2014, em uma temporada com índios Kayapós, na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros (GO), Angerami sentiu que a comunidade tinha interesse por suas artes e pintou na frente de todos uma paisagem. Essa foi a semente de uma série de oficinas que se desenrolaram desde então.

“Trajetórias” traz a parceria da diretora de arte e também pesquisadora cultura Julia Paranaguá que, além do trabalho com os índios Kayapós, esteve ao lado de Angerami no quilombo Mumbuca, no Jalapão (TO) e em São Gonçalo do Rio das Pedras (MG).

“Essa expedição não tem qualquer caráter assistencialista. Vou muni-los de recursos materiais e técnicos, sim, mas para que desenvolvam ali uma economia criativa a partir de um conhecimento que já têm. É sempre uma relação muito intensa de troca. A cada uma dessas imersões, meu trabalho enquanto artista plástico se transforma”, diz Angerami.

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Financiamento coletivo

A expedição Trajetórias está prevista para o início do próximo ano. Entretanto, a realização da expedição depende do sucesso da campanha de financiamento coletivo que os artistas estão promovendo no site Solidário. Na página do projeto, há uma relação descritiva de todos os custos que terão – não apenas com a viagem, mas também com a compra de materiais como tintas, telas, pincéis para a promoção das oficinas, além, de é claro, com a compra das prensas de xilografia que serão deixadas para as comunidades.

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