Demolição de imóvel pela prefeitura deixa três feridos na cracolândia

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Foto: Eduardo Ogata/Secom
 
Jornal GGN– Durante a demolição de um imóvel por uma escavadeira da prefeitura, uma parede caiu e deixou três pessoas feridas na região da chamada cracolândia, no centro da cidade de São Paulo. Segundo a Folha de S. Paulo, as vítimas tiveram ferimentos leves. 
 
De acordo com testemunhas, o equipamento da prefeitura estava se preparando para demolir o imóvel com moradores ainda dentro de uma das pensões da alameda Dino Bueno. Às 14h, estava marcada a ida do prefeito João Doria (PSDB), que iria acompanhar as demolições.
 
Demolir pensões e outros imóveis faz parte da ação da gestão municipal após uma operação policial realizada no último domingo, que “acabou” com a cracolândia, segundo a prefeito. 

Ainda de acordo com a Folha, um major dos bombeiros das nove equipes que foram deslocadas para atender à ocorrência não soube dar detalhes sobre o que aconteceu. Felipe Sabará, secretário de assistência social, também não tinha informações. “Não sei o que aconteceu, nem sei se aconteceu alguma coisa. Só sei que os bombeiros estão aqui”, afirmou. 
 
Além das demolições, a prefeitura começou a fechar estabelecimentos comerciais, colocando muros na porta de bares. Ao menos dois proprietários disseram que seus bares foram lacrados antes que pudessem retirar seus pertences. 
 
“Um guarda entrou, disse que eu não tinha extintor e, por isso, seria fechado. Não deram tempo de eu tirar nada”, disse a comerciante Magnólia Porto Coutinho, que possui um bar na rua Helvétia.
 
“O guarda só disse assim: ‘se vira’. Eles acham que todo mundo aqui é bandido, é viciado,. Não é assim, aqui também tem gente honesta e trabalhador”, reclama a comerciante, que pagava R$ 900 de aluguel. 
 
No local existem diversas pensões, e os moradores ainda não sabem se continuarão lá ou se serão despejados. 
 
A Defensoria Pública do Estado de São Paulo enviou advogados para a cracolândia. “Até o momento não foi informado para a Defensoria qual será a política habitacional direcionadas a essas pessoas”, disse Rafael Faber, do núcleo de habitação e urbanismo da Defensoria.  “Do dia para noite começam a fechar todos os comércios da região. São pessoas que estão estabelecidas há muito tempo”, afirma. 
 
Junto com o Ministério Público de São Paulo, a Defensoria vai abrir um inquérito para apurar a ação do último domingo e averiguar se houve desvio de função na atuação da Guarda Civil Metropolitana.
 
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