Depois de longa investigação, MPF denuncia invasores da terra indígena Marãiwatséde

 
Jornal GGN – Depois de dois anos e meio de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, a partir da decisão da Justiça que reconheceu o território dos índios Xavante, no Mato Grosso do Sul, 13 invasores da área de 165 mil hectares foram denunciados pelo MPF. 
 
O órgão aponta as sucessivas reinvasões da terra indígena Marãiwatséde, ocorridas depois da operação da Força Nacional para retirada de todos os não-índios da área demarcada pela Justiça como território tradicional do povo Xavante.
 
De acordo com o MPF, eles cometeram oito crimes: invasão de terras públicas, resistência, associação criminosa, incêndio, roubo, corrupção ativa, incitação ao crime e crime de dano. 
 
“A investigação comprova que os treze denunciados integravam uma organização que cometeu os crimes na tentativa de impedir o trabalho da Força Nacional para retirada dos invasores do território indígena. A investigação apreendeu recibos de aluguel de ônibus contratados para levar pessoas para dentro da terra indígena, no que se transformou em foco de resistência à desinstrusão”, revelou o MPF.
 
Em uma das ocasiões, explica a denúncia, a sede da Funai foi invadida, os servidores expulsos e o prédio foi incendiado. Na tentativa de impedir a efetiva posse da terra pelos índios, também ameaçaram lideranças da região do Araguaia que apoiavam os índios, servidores da Funai, indigenistas, integrantes da Prelazia da Igreja Católica em São Félix do Araguaia, além dos próprios indígenas.
 
Cooptados pela organização criminosa, grupos populares de pequenos produtores e famílias  humildes invadiam as terras indígenas, levando todos os seus pertences, com o transporte, alimentação, apoio logístico, lonas e toda a estrutura paga pelo grupo criminoso que, em troca, lhes prometia glebas de terra no interior da área dos índios. 
 
“As manifestações e os crimes dela decorrentes foram efetivamente orquestrados, coordenados, financiados estimulados pela associação criminosa da qual fazem parte todos os denunciados, conforme comprovado nos autos e cabalmente demonstrado na análise de cruzamento de ligações telefônicas”, disse a denúncia do MPF.
 
As investigações ainda revelaram que o grupo criminoso impedia a saída dessas pessoas da área, ameaçando queimar veículos e gado de ex-posseiros que tentassem sair da região.
 
Depois de sucessivas derrotas judiciais, a Associação dos Produtores Rurais de Suiá-Missú (Aprosum) passou a incentivar abertamente a prática de ações criminosas para impedir a desintrusão. 
 
Leia a denúncia na íntegra:
 

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5 comentários

  1. “Maldito seja o latifúndio”.

    Demorou. Que termine a miséria material e espiritual dos índios. Os latifundiários, além de ladrões de terras, são muito violentos. O bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, com mais de 80 anos e doente com Parkinson, foi ameaçado de morte, dessa vez seriamente, e teve que sair da região. Nem na ditadura haviam conseguido isso.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=QMusz5anP6o%5D

      • Não é não, porque os índios

        Não é não, porque os índios não são proprietários de suas terras. Pra quem apoia ladrões de terras e assassinos (sendo que estes não são do MST mas os ruralistas em questão), índios não servem pra nada, né, então as terras em que vivem são “improdutivas”. Vá apoiar ladrão e assassino noutra paróquia, alianca, por favor.

  2. A coisa não bem assim, mas

    A coisa não bem assim, mas não importa muito a população perdeu e vão sofrer as consequencias por  deixar as raposas cuidando do galinheiro.

    Temos quatro grupos disputando.

    Os indios pobres, pequeno produtor rural pobre, “indio rico”, “expertos ricos”.

      Oportunistas ganharam a luta, os dois grupos de pobres vão sofrer.

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