Em ato espontâneo, jovens tomam Avenida Paulista contra o golpe

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Do Jornalistas Livres

Por Henrique Cartaxo

Na noite do feriado de Tiradentes, 21 de Abril, um evento do Facebook criado quase como uma brincadeira acabou chamando milhares de pessoas para a Av. Paulista para protestar contra o golpe que está tramitando em Brasília sob a alcunha de impeachment. Diferente dos outros atos do campo democrático, este não foi coordenado por movimentos sociais organizados, sindicatos ou partidos políticos – muita gente, inclusive, participou de um ato contra o golpe pela primeira vez.

A articulação espontânea deste ato nos permite visualizar uma virada importante na luta pela continuidade da democracia em nosso país. Maiara Beckrich, cientista social presente no ato, suspeita que o teor dos discursos da maioria dos deputados que votaram “sim” no último domingo, conferindo admissibilidade ao processo de impeachment, pode ter sido responsável por trazer mais gente paras as ruas do lado democrático:

“Acredito que muita gente que estava em cima do muro, muita gente viu em nome de quem estavam votando aqueles deputados.  Eu acho que essas pessoas que viram o cunho dessas falas também se mobilizaram e perceberam que não podiam estar do lado de lá, tinham que estar desse lado de cá mesmo.”

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Na linha de frente e ao longo de todo o ato, as mulheres eram maioria. Entre jovens, adultas e até senhoras de idade, elas davam o tom das palavras de ordem e demonstravam sororidade com a presidenta Dilma Roussef, muitas vezes vítima de xingamentos machistas. Para elas, muitos dos questionamentos em torno do governo Dilma existem pelo fato dela ser mulher. Mesmo assim, a secundarista Anna Júlia Potye comemora a presença feminista no ato:

“Toda vez que eu venho num protesto e tem um enorme número de mulheres, eu me sinto acolhida, me sinto à vontade num nível que não é compreensível, sabe? Você sente na pele o que é sororidade.”

Ao final do ato, uma grata surpresa. Encontramos a senhora Edíria de Oliveira Silva, ao lado do marido Reynaldo. Aos 86 anos, ela conhece bem a história da política brasileira. Por isso está agora ao lado da democracia e contra o processo de impeachment que sofre a presidenta Dilma Roussef.

“Chateada com a situação. Porque desde que a presidente foi eleita, não deixaram ela governar.”

Edíria diz que se aborreceu com os discursos do deputados que votaram a favor do impeachment no último Domingo: “Eu venho de longa data assistindo política, nunca vi tanta bobagem junta!” Para Eduardo Cunha, o recado é claro: “Que ele caia fora! Suma! Cunha, Temer, Calheiros.”

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Entre feministas, movimento negro, LGBT, indígenas e trabalhadores, o canto é uníssono: Dilma fica, e Cunha sai.

Vídeo e reportagem: Henrique Cartaxo, para os Jornalistas Livres

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18 comentários

  1. Orgulho

    Para quem se sentiu com vergonha alheia ao ver a justificativa do voto SIM na câmara, agora poderá sentir orgulho do Brasil jovem e idealista que ainda poderemos ter no futuro. Sinto muito orgulho desses jovens!

    Eles vão tirar o Cunha e vão acabar com o golpe, contra Globo, STF e quem for…

      • Obrigado

        Obrigado Ana Lu, se você não me lembrar eu não teria nem percebido.

        Já que perguntou, você veja se aprende a ser mais aglomerante que dissociadora e pare de dar votos ao Feliciano e ao Bolsonaro, que debem acompanhar de perto as suas tiradas….

        • Quem dá força a eles, e concorda c/ eles, é vc, cara-pálida

          Seu conservadorismo te cega para o óbvio. Trabalhadores nao muito politizados podem demorar a perceber o significado desse golpe, só depois que começarem a sentir as consequências na pele. Mas mulheres, negros e gays sao perfeitamente capazes de perceber imediatamente os riscos de um governo conservador para eles.

          • Estou tentando, mais você nem deixa…

            Na marcha tinha jovens de todo tipo, inclusive héteros (imagino), e nem por isso a bandeira arco-íris foi colocada na frente. Houve um sentimento plural de sociedade unida e solidaria.

            As pessoas tendem a se unir quando apontam para objetivos comuns. Eu noto em você uma tendência contrária, de desunir e pinçar fatos isolados dentro de grandes metas. Veja por esse ponto de vista.

            Eu aprendi a gostar muito de pessoas diferentes, por exemplo, na última concentração contra o impeachment aqui em BH, quando sai de vermelho, e achei uma maravilha ver raças e gêneros diferentes. Também, a cultura é um tipo de elemento aglutinador que acaba juntando as diferenças. Aqui no blog observo pessoas reconhecidamente Gays, mas com uma visão super holística em relação a estes problemas (e que eu estou aprendendo a respeitar). Não tenho medo em afirmar que possa ter estado muito errado, em momentos anteriores, mas, estou tentando e aprendendo.

            Curiosamente, uma pessoa como você, que até exagera na sua aparente defesa destas minorias, tem conseguido torna-las mais distantes para mim, do que elas realmente são. As suas agressões e ofensas em relação a isso, não colaboram para o objetivo que acha acreditar.

            Poderia ficar indiferente, mas, acredito que você seja uma pessoa do bem e bem intencionada, de modo que não temo me expor aos seus eventuais sarcasmos. Da minha parte, sinto que estou melhorando muito, embora sem precisar da TV ou de modismos para isso, mas apenas o respeito pelas pessoas e, exatamente essas pessoas das fotografias acima, são as que eu quero na companhia de um bar ou numa noite inteira falando amenidades. Gente inteligente e idealista e, perante isso, estou pouco ligando para os detalhes que você levanta, pois o maior respeito está em não levantar diferenças, mas apenas respeitá-las.

            Desculpe a piada boba que aqui farei: parece com o homem do lado da senhora que soltou um pum e, muito educadamente e em respeito às minorias, clama em voz alta: senhores, eu sou defesor das mulheres e, por isso, esse pum da senhora vai pela minha conta!

            Então, amiga Ana Lu, todos aqui no blog viram a força dessa juventude, e ninguém precisou sair em defesa de ninguém. Pelo contrário, são eles que irão salvar a nós e ao país.

          • Nao há pior cego do que aquele q nao quer ver

            Primeiro, nao sao necessárias bandeiras de pano para que se veja a força de dadas motivaçoes. Segundo, elas estao muito explícitas nos discursos de todos os que falaram! Nao se trata apenas de uma “juventude”. Se trata de uma juventude majoritariamente feminina, falando da importância disso; e de uma multidao com grande percentual de negros, sugerindo tb pertencimento às classes populares, o que nao ocorre nas manifestaçoes coxinhas. Só sao “objetivos comuns” por que sao objetivos diferentes, mas respeitados pela corrente progressista da sociedade e pelos governos do PT e pela esquerda em geral, ao passo que correriam sério risco sob o poder dos conservadores. E chamar negros e mulheres de minorias já mostra o seu conservadorismo. Sao maiorias, cara pálida.

          • Não dá…

            Você deve ter mesmo algum problema na vida. Sinto por isso.

            Não voltarei a perder tempo discutindo com você.

          • Mostrando sua baixeza, hem?

            Esse tipo de golpe é conhecido, cara, sempre que uma mulher diz algo que desagrada, tentam atingi-la assim. Nao tem mais credibilidade, sabe? Só mostra a baixeza de quem apela para isso.

  2. Ontem qdo vi isso na Revista Forum me fez bem ao coraçao

    Eu estava desesperada pela falta de manifestaçoes de reaçao até entao. E essa foi LINDA! A quantidade de jovens! E o papel das MULHERES. Ai que emoçao.

  3. Avenida paulista

    Muito bonito esta  manifestação. Espontãnea, com jovens, pessoas de idade, mulheres. O depoimento do casal de idosos é comovente!

  4. emocionante e meio

    emocionante e meio surpreendente a expressividade

    dessa movimentação histórica…

    os jovens deram um banho de democracia e de resistencia ao golpe….

    o fato de ser espontaneo e jovem  ressignifica a questão da resistencia….

    não  é, portanto,  uma resistencia que se diluirá em pouco tempo….

    a juventude indica que a resistencia será permanente e longa…

  5. Não podemos aceitar

    mesmo, esse  impedimento fajuto. Agora o sócio do golpe, o PSDB quer pq quer , que seja um deles a fazer o relatório. Se acontecer, será a repetição da câmara. Ainda bem que os jovens parece que estão percebendo que tinham caído na lábia da rede Globo, ao ver quem ficaria no lugar da presidente Dilma. E até a imprensa internacional tb percebeu, enviando seus repórteres para cá, e não somente repetindo nossa imprensa.

  6. Por mais manifestações em todo o Brasil!

    Espero que hajam muitas e muitas outras manifestações como essa, não só na Avenida Paulista, mas em todo o Brasil, com a presença cada vez maior de pessoas de todas as idades, de todos os credos, de todos os movimentos.

    Tenho ainda uma esperança, a de que manifestações como essa venham a reverter a marcha golpista na arena do Senado. Porém, à medida que fica mais evidente a conivência dos ministros do STF com os golpistas que tomaram de assalto o Poder Legislativo, fico a pensar que após as calendas de maio só nos restem as ruas como espaço de luta.

    Espero também que todos nós estejamos preparados para dias difíceis, muito mais difíceis no caso do golpe se consolidar e do arrocho econômico que virá com Temer/Cunha usurpando o poder. Temos de estar preparados para o primeiro teste da Lei Anti-Terrorismo, que será usada sem escrúpulo algum contra todos os movimentos anti-golpe.

    Lembremos todos de junho de 2013 e do massacre de manifestantes praticados pela polícia militar de todos os estados. Lembremos de como a grande mídia rotulou todos os manifestantes de arruaceiros, justificando a violência policial. Lembremos das vítimas daqueles episódios, sejam aquelas que pagaram com sangue, sejam aquelas que foram presas sem motivo e ainda estão respondendo a processo criminal, enquanto os policiais que perpetraram tais violências permanecem ativos e prontos para novos massacres.

    Minha suspeita mais sombria, e quero estar redondamente enganado!, é que, com a instabilidade crescente em um cenário de aprofundamento da crise econômica sob um governo ilegítimo, os golpistas venham a usar de todos os meios para que as forças armadas, isentas até aqui, tenham de intervir “para restabelecer a ordem pública”, na forma de repressão às manifestações de rua que inevitavelmente surgirão.

    Que venham novas e novas manifestações, mas temos todos de estar cada vez mais alertas!

     

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