Estudantes da UFRN criam plataforma para monitorar violações de Direitos Humanos nas redes sociais

Estudantes de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desenvolveram um portal de informação e monitoramento em perfis interativos nas redes sociais, a ‘Plataforma DHM’.

da Agência Saiba Mais

Estudantes da UFRN criam plataforma para monitorar violações de Direitos Humanos nas redes sociais

Em razão da ausência de iniciativas públicas ou privadas que fiscalizem a violação dos direitos humanos na internet, estudantes de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desenvolveram um portal de informação e monitoramento em perfis interativos nas redes sociais, a ‘Plataforma DHM’. Através do site e de uma conta no Instagram, de mesmo nome, dois estudantes se dispuseram a educar os internautas e recolher as denúncias feitas, que serão entregues ao Ministério Público do RN. A expectativa da dupla é de também firmar parcerias com outros órgãos do estado que trabalhem na área.

Durante a pesquisa de trabalho de Gabriela Gavioli e Mika Hakkinen Rodrigues, ambos de 21 anos, os estudantes monitoraram dois perfis de muita influência e com grande volume de publicações no Rio Grande do Norte. A percepção era de que as redes ultrapassavam limites éticos e de responsabilidade com a informação:

“Observando esse tipo de perfil de notícias nós nos questionamos como era possível alguém publicar aquele tipo de coisa e aquilo não ser errado ou ninguém intervir. Eram publicações absurdas, sem lado humano e que não prestavam nenhum tipo de serviço. Na medida em que fomos fazendo o trabalho, surgiu a ideia de se criar uma plataforma onde as pessoas pudessem ir fazendo as denúncias depois de entenderem um pouco mais sobre assunto”, explica Gabriela.

Baseados em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, que apontam a presença dos smartphones em 90% dos lares brasileiros e que 69% da população no Brasil considera esse tipo de aparelho a principal ferramenta de acesso à internet, a dupla acredita que a maneira de se informar também tem passado por mudanças. Entre elas, a de que os jornais têm dado espaço aos perfis informativos. Nesse sentido, antes mesmo de exibir o protocolo da denúncia, a dupla optou por esclarecer quais direitos podem vir a ser violados dentro de uma notícia:

“Quando acontece a publicação por parte desses perfis e ela traz algum tipo de violação, o usuário que recebe essa publicação geralmente vai concordar. Mesmo que aquilo seja uma violação de direitos humanos, só por estar postado em um perfil informativo, aquele pensamento todo é validado e depois revalidado pelos comentários dos usuários nas publicações. Então, os impactos são tanto individuais como coletivos quando a gente pensa que todos os preconceitos continuam sendo repassados”, esclarece Mika.

 

De forma pedagógica, a plataforma mostra que pelo menos dez direitos podem ser violados com base nos princípios éticos da noticiabilidade. São eles: o desrespeito à presunção de inocência; incitação ao crime e à violência; incitação à desobediência as leis ou às decisões judiciárias; exposição indevida de pessoa(s); exposição indevida de família(s); o discurso de ódio e preconceito; a identificação de adolescentes em conflito com a lei; violação do direito ao silêncio; tortura psicológica e tratamento desumano ou degradante e incitação ou crime contra a honra.

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