Estudantes vão à escola de roupas pretas como sinal de resistência após vitória de Bolsonaro

Por Debora Fogliatto

No Sul21

Em pelo menos três escolas de Porto Alegre, estudantes foram às aulas usando roupas pretas na manhã desta segunda-feira (29) como forma de demonstrar que se opõem à eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como próximo presidente do Brasil. Os alunos dos colégios Aplicação e Bom Conselho também levaram faixas e placas, enquanto no Marista Rosário eles fizeram um ato simbólico dando as mãos e formando um grande círculo no pátio da instituição.

Os protestos ocorreram de forma orgânica, segundo o estudante do Bom Conselho José de Almeida Lemos, de 15 anos, que conta que na noite de domingo (28) começaram a circular fotos nos stories do Instagram sugerindo que quem havia ficado triste com os resultados usasse roupas pretas para ir à escola. Por isso, um grande número de estudantes acabaram aderindo ao chamado.

De acordo com José, os professores da escola não se manifestaram de forma contrária ao protesto, nem a coordenação. “Tiveram dois alunos, eleitores do Bolsonaro, que tiraram fotos no momento que estava ocorrendo o protesto e encaminharam para a coordenação. A coordenação não procurou ninguém que estava protestando pra falar sobre o assunto”, contou.

Além das vestimentas, os estudantes do Bom Conselho também levaram uma faixa escrito “resistência” e bandeiras LGBT. Também havia bandeiras do movimento no Rosário, onde os estudantes entoaram “seremos resistência”. No Aplicação, eles tiraram uma foto com cartazes que formam as palavras “ele não”.

A educação tem sido um dos campos de mais disputa nessas eleições, assim como na política em geral nos últimos anos. Em todo o país, defensores do programa Escola Sem Partido ganham espaço e influência, alegando que há “doutrinação política” ocorrendo nas escolas. Durante a campanha, diversas instituições de ensino tiveram seus banheiros pichados com dizeres preconceituosos, especialmente racistas, e a Universidade de Brasília chegou a ter livros de direitos humanos de sua biblioteca rasgados.

Ao mesmo tempo, as escolas e universidades também se transformaram em espaços de resistência e luta contra a ameaça de um governo autoritário. Na última semana, diversos campi chegaram a ser invadidos por policiais federais e militares por supostamente terem recebido manifestações de cunho eleitoral. Em Porto Alegre, uma faixa foi tirada da Escola Estadual Padre Reus na semana anterior, e um evento pela democracia foi transferido para o Viaduto Brooklyn após ser proibido de ocorrer de Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

No Ceará, um professor de uma escola em Fortaleza foi criticado por defensores de Bolsonaro e acusado de “doutrinação comunista” após exibir o filme “Batismo de Sangue”, que conta a história de dois freis católicos torturados durante a ditadura militar por se oporem ao regime. Mas nesta segunda-feira, o professor foi saudado por seus estudantes, que lotaram os corredores do colégio aplaudindo o docente quando ele chegou à instituição.

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