Feminismo não é uma luta por privilégios, e sim por protagonismo

Por Angelo Italo

Comentário ao post “Sim, o novo feminismo existe!, por Ricardo Cavalcanti-Schiel

É um erro grosseiro classificar o feminismo como um movimento “particularista” ou “chauvinista”. O feminismo reivindica autonomia das mulheres para decidir sobre a pauta e os rumos da luta contra o machismo. A afirmação do movimento feminista como um movimento de mulheres não é um ato de exclusão, mas sim um posicionamento estratégico correto: As mulheres quando se organizam e exercem um protagonismo político é o primeiro passo do processo de emancipação social feminina.

O feminismo não é uma luta por privilégios ou concessões, mas uma luta por protagonismo. As mulheres querem ter o direito de decidir para deixarem de ser cidadãs de segunda classe. A emancipação da mulher não será um conjunto de“concessões generosas” de homens, será uma revolução no processo de tomada de decisão. Ao reivindicarem o direito de decidir, criticar e organizar as mulheres estão afirmando a sua universalidade enquanto sujeitos políticos.

Homens quando criticam o movimento feminista o fazem por medo de perder o privilégio do protagonismo político. Além do medo da mulher livre, muitos homens sentem inveja do protagonismo da luta das mulheres.

A postura dos homens em relação aos movimentos feministas deve ser de solidariedade e de dáalogo. No dialogo nossa postura deve ser escutar e não interferir. Escutar não é uma postura passiva, mas uma postura necessária para nossa aprendizagem. O feminismo luta por mudança, por transformação e estas são possíveis apenas quando os indivíduos e depois a cultura assumem a necessidade de reeducar seus valores.

O feminismo obteve muitos sucessos, mas ainda não rompeu a cultura política da concessão. Os direitos das mulheres conquistados ainda não são expressão de um empoderamento destas, mas são políticas de redução de danos.

Quando homens criticam e difamam o feminismo de forma cínica, eles estão dizendo que até aceitam fazer concessões, mas não aceitam perder o privilégio de decidir o que é certo ou errado para as mulheres.

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