Livre-arbítrio: um conceito complexo e fundamental, por Marcos Villas Boas

Livre-arbítrio: um conceito complexo e fundamental

por Marcos Villas Boas

O livre-arbítrio é um conceito fundamental para a compreensão de como funciona o processo encarnatório e, assim, torna mais fácil entender o que viemos fazer aqui na carne, ajudando-nos nas tomadas de decisões ao longo da vida, na busca pelo equilíbrio e na conquista da paz interior. No entanto, esse conceito é muito mais complexo do que se pensa, valendo a pena estudá-lo com cuidado.

Como de costume na humanidade terrena, que em sua ampla maioria não sabe ainda lidar bem com a lei hermética da polaridade, as correntes predominantes sobre o livre-arbítrio se limitam a visões extremas. Uma parte entende que temos livre-arbítrio total, podendo fazer tudo o que bem entender, apesar de nem tudo convir. Outra parte sustenta que não temos nenhum livre-arbítrio, pois, se há uma consciência suprema coordenando tudo, esse “tudo” já estaria completamente programado.

Com base na literatura psicografada e no que é apresentado por psicofonia no programa Diálogo com os Espíritos, podemos concluir, mas sem uma ideia final e acabada, que o livre-arbítrio é bem mais complexo. Se há programações para o planeta, para os grupos cármicos e para as pessoas, o livre-arbítrio está longe de ser total, mas, ao mesmo tempo, as programações não são absolutamente fixas, nem completas.

Em se falando da Terra, por exemplo, os espíritos Lúcius e Comandante Lao afirmam, no Diálogo com os Espíritos, que há comandos de seres elucidados que cuidam apenas da evolução do planeta, analisando o que ele está emitindo e, então, agregando a ele vibrações necessárias de acordo com o que está programado, como gerar, por exemplo, a encarnação de seres elucidados num momento em que o planeta necessita de um grande aumento de vibração. Seguem abaixo os diálogos acima referidos:

https://www.youtube.com/watch?v=6UY4iDxB6Ew]

https://www.youtube.com/watch?v=_HH9af3WJ3M&t=660s]

Logo de início, portanto, pode-se dizer que, para além de atos inexequíveis, que o espírito não tem condições de executar, como fazer um planeta sumir, também não há livre-arbítrio completo para atos exequíveis. Esse exemplo extremo de fazer desaparecer um planeta ou uma estrela é utilizado pelo palestrante espírita Haroldo Dutra Dias para deixar claro que não basta o espírito querer algo que ele poderá fazê-lo. De saída, já é preciso excluir aquilo que não está ao seu alcance, que é querer inexequível.

Dentro da mesma linha, um dos espíritos da falange Pai Joaquim de Aruanda, em diálogo muito elucidativo sobre o tema, afirma que, se houvesse livre-arbítrio total, bastaria ao ser humano querer estar em marte e lá ele apareceria, mas isso não é possível. Segue o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=3cku0vjVxYg]

Dentro do alcance do espírito, contudo, também há limitações, pois ele não pode interferir nos planos da consciência suprema, que se manifestam por meio dos espíritos mais elucidados. Pai Joaquim diz o seguinte no vídeo acima: “O seu livre-arbítrio, que vocês têm aqui, é condizente com a situação em que vocês se encontram. É limitado.”

Sobre o tema, também vale muito a pena assistir à série de diálogos com o sábio espírito Pai João da Cachoeira, que começa no seguinte:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=mOVDKyzBY78&t=2s

O preto-velho, que claramente, pelo seu conhecimento e lucidez, é um mestre bastante ascensionado, explica que os encarnados têm apenas uma ilusão de livre-arbítrio. Por outro lado, ele também afirma que há uma programação encarnatória, uma viga mestra de circunstâncias, como resgates, pelas quais o espírito precisa passar, mas os detalhes são definidos pelo próprio espírito, que é um cocriador, uma consciência criada pela consciência suprema com capacidade de redefinir seu futuro.

Não é incomum saber, por exemplo, de casos em que um espírito tinha uma doença programada no seu perispírito, mas que, por conseguir uma elevação de vibração via mudança de pensamentos, sentimentos, emoções e atitudes, pode não precisar passar por aquele carma.  

No caso da encarnação, para os espíritos um pouco mais elucidados, parte do livre-arbítrio se esgota no momento do planejamento encarnatório, pois ele pode pedir, dar sugestões sobre o que quer passar naquela fase de aprendizagem. Depois de escolher seus pais, seu nome e os principais fatos pelos quais irá passar ao longo da vida, o que é feito juntamente com especialistas no assunto, quando em “vida” ele terá menos capacidade de escolha.

Essa visão mais intermediária do assunto, de um livre-arbítrio efetivo, mas condicionado, que preferimos chamar de uma visão complexa, que lida com a paradoxalidade, com a acomodação de ideias aparentemente opostas dentro de um mesmo raciocínio, é confirmada pelo mesmo espírito da falange Pai Joaquim de Aruanda no diálogo acima referido. Ele diz o seguinte:

“O problema é que não está tudo pré-determinado. [… As pessoas acha que a vida é um livro que já tá escrito, e não é isso. Quando a pessoa encarna, ela sabe porque tipo de vibrações ela vai passar, porque tipos de propósitos ela vai passar, ela sabe o nível energético que ela vai enfrentar, e ela não sabe como ela vai fazer isso. Aqui se constrói a história dela”.  

Isso ajuda a explicar muitos aspectos mal compreendidos da encarnação. Há ilusões acerca do que é certo ou errado, por exemplo. Muitos não sabem que, frequentemente, é o próprio espírito quem escolhe realizar determinados atos considerados, pelo homem médio, errados ao longo da vida, para poder passar por aquela experiência, reforçando a ideia de que nada deve ser julgado, pois, afinal, tudo na Terra é experiência e aprendizagem.

Não existe erro do ponto de vista espiritual. É claro que, no âmbito encarnado, as pessoas precisam ser responsabilizadas pelo que fazem na justiça dos homens, mas, sob os olhos do espírito, ela fez simplesmente o que podia fazer de melhor naquele momento. Tudo é para o engrandecimento de todos.

Não há punição do espírito. O carma não é uma sanção por algo feito errado, mas um reajuste para o melhor. Enquanto o espírito dá algo ao cosmo que não vai em seu favor conforme as leis, ele receberá de volta algo de natureza similar para que possa aprender a respeito daquela situação.

Se o espírito for maduro, o carma parecerá mera prova para sua aprendizagem e a dificuldade será somatizada como processo de crescimento, e não somo algo ruim, pelo que se deve sofrer.  Isso é o que explica o mestre ascensionado Hilárion, que muitos dizem ter sido o apóstolo Paulo em uma das suas encarnações, no seguinte diálogo:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=IrBKd8_JmU8

A ideia de que há livre-arbítrio total faz as pessoas crerem erradamente na inexistência de consciências superiores regendo o todo em nome da consciência suprema, podendo levar, por exemplo, a sentimentos como insegurança e medo. Quando se compreende que tudo é coordenado e está sob controle, por mais que pareça superficialmente haver caos, o encarnado pode se manter em paz permanentemente, e essa é a verdadeira fé.

Por outro lado, saber que somos todos cocriadores permite compreender a importância dos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos, na medida em que eles colaboram para construir o que será do futuro. O livre-arbítrio que existe diz respeito especialmente a como iremos nos portar perante às circunstâncias que precisaremos enfrentar segundo decidido por nós mesmos antes de encarnar.

No que toca a pensamentos e sentimentos, o livre-arbítrio é quase total, e eles determinarão gravemente a condição vibratória do espírito, que definirá as suas afinizações, colocando-lhe, portanto, na situações “a”, “b” ou “c”.  

Nesse aspecto, os guias de cada um colaboram para que sejam mantidas condições vibratórias em acordo com o que foi programado para a encarnação, mas é possível desviar completamente da rota, como no caso dos suicídios, que interrompem o processo de aprendizagem prematuramente e, por ferir a lei, aquilo que se programou, geram grande expiação para o espírito após o desencarne.

No diálogo abaixo, o já referido Pai João da Cachoeira deixa muito claro que os guias atuam na vida dos encarnados, mas respeitando bastante o seu livre-arbítrio:

https://www.youtube.com/watch?v=MzopqjK8o-M

No mesmo diálogo, Pai João explica que uma magia, uma intenção direcionada, apenas provocará efeitos se estiver dentro da lei. É por isso que algumas chegam ao seu objetivo e outras não. Aqueles que acreditam poder mudar os desígnios de Deus são apenas arrogantes iludidos, enquanto que aqueles crentes na inexistência de magia são meros ignorantes em fase de aprendizado.

Entender o livre-arbítrio é fundamental, portanto, para compreender as leis que regem a vida no cosmo, facilitando as tomadas de decisão em cada situação. Sabedor de que está tudo sendo coordenado, mas que somos cocriadores, fica mais fácil, por exemplo, saber como se portar perante a corrupção do país. Revoltar-se e lançar mais vibrações negativas para o planeta apenas provocará afinização com essas energias e sofrimento para o espírito.

Ficar em paz não significa, por outro lado, não fazer nada. O espírito sábio mantém sua condição vibratória elevada, mas busca mudar a realidade positivamente por meio da ação efetiva. É o famoso: “fazer mais e falar menos”.  Ele não se debate, não fere consciências, não briga, mas procura elucidar amorosamente os demais, levar à justiça humana aqueles que cometem infrações, mudar as leis quando preciso, transformar as relações sociais corrompidas.

O encarnado sábio é equilibrado no uso do seu livre-arbítrio e tem consciência de que ele é bastante limitado. Busca não somente racionalizar, mas também sentir, intuir, pois, como todos temos os guias de que precisamos, decidir bem significa muitas vezes tomar atitudes incompreensíveis pelos demais, porém que estão dentro do que aquele espírito sente. Como nesse estágio, a maioria dos encarnados ainda é pouco lúcida, é natural que algumas atitudes de um espírito mais desperto causem estranheza aos demais.  

A consciência suprema sabe de tudo o que acontece, mas nem tudo estava já pré-determinado. Há programação encarnatória, mas os detalhes dela vão sendo construídos por cada espírito juntamente com aqueles do seu entorno.

Como se nota, estamos longe de compreender bem o livre-arbítrio, conceito complexo e fundamental, mas, com o conhecimento que já se tem disponível e a partir das nossas próprias experiências e dos nossos sentidos, é possível avançar bastante no entendimento sobre ele de modo a realizar uma transformação interna que se reflita em mudança nas ações. Mãos à obra!    

 

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