Memórias da Ditadura, um especial nos 50 anos do Golpe Militar

Jornal GGN – Preparamos uma série de reportagens e artigos, inéditos ou publicados, que traçam um pequeno perfil dos idos de 1964 até 2014. Cada item carrega uma enormidade de significados para os brasileiros calados por um regime que não escolheram, vitimados por uma repressão violenta, destituídos de seus direitos e de seus sonhos. Personagens trazem, às páginas da nossa história, seu quinhão de participação nesses anos duros, anos de chumbo. E cada um deles nos relembra um período que não deve mais se repetir. Cada entrevista, uma aula, e cada aula um alerta aos tantos jovens que não viveram esse período.

Almino Affonso

O ministro do Trabalho de João Goulart resgata os principais fatos que antecederam o golpe militar de 1964, numa verdadeira aula de história com direito às curiosidades de bastidores que só um dos homens próximos a Jango, como Almino, poderia revelar. Durante a entrevista exclusiva ao GGN, o ex-deputado federal reconstrói a conversa com Leonel Brizola a respeito da Frente Ampla Parlamentar. O fracasso do grupo suprapartidário e daria a governabilidade necessária a João Goulart também foi determinante ao sucesso do golpe.

Almino Affonso: Crise política do governo Jango levou Brasil ao matadouro

 

Bernardo Kucinski

Bernardo Kucinski, considerado um dos mais experientes e respeitados jornalistas do país. Físico de formação na USP, ele foi levado para o jornalismo a convite do amigo Raimundo Pereira, editor do Amanhã, já em meio à ditadura militar. Autor de dossiê sobre as torturas, apresentado a Médici, responsabiliza a mídia pelo recrudescimento das perseguições.

Kucinski, das lutas jornalísticas às denúncias sobre tortura

 

Urariano Mota

O jornalista e escritor Urariano Mota relata o que viu e viveu nos anos de chumbo, no Recife. São duas entrevistas, duas abordagens sobre o mesmo tema. Na primeira, o jornalista fala sobre o papel da imprensa e de seus profissionais naqueles anos.

Urariano Mota: “Almas socialistas estão sem descanso”

Na segunda entrevista, o escritor traz os tempos tenebrosos com seu livro “Soledad no Recife”. A obra descreve a passagem da militante paraguaia pela capital pernambucana, durante o governo de Médici. Soledad Barret foi assassinada no caso conhecido como a Chacina da Chácara São Bento.

Urariano Mota: “Reconstruí Soledad com guerreiras da luta”

 

Marcha da Família

Também determinante ao sucesso do golpe foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A primeira edição do evento reuniu cerca de 500 mil pessoas só na capital paulista. A saída de Jango do poder e a extinção de tudo que poderia ser classificado como uma ameaça comunista viraram a bandeira dos populares que saíram às ruas por provocação dos setores conservadores da sociedade civil. Cinco décadas depois, em março de 2014, uma nova marcha é convocada, mas nem 1% do volume registrado em 64 atendeu ao chamado dos neo-reacionários – sinal de que o sentimento golpista e antidemocrático ficou para trás.

Marcha da Família: o aval civil ao golpe militar de 1964

 

Crianças da ditadura

Filhos dos ativistas políticos que caíram nas malhas da ditadura relembram sua infância roubada pelo medo, pelos destratos, pela solidão. São adultos que carregam marcas do que aconteceu com seus pais, ou pior, do que lhes aconteceu. São somente alguns relatos dos tantos ocorridos pelo país.

Crianças da ditadura, crianças da solidão

 

Dilma Rousseff

A presidente não dá entrevistas sobre o tema. E não dá por não ter condições de atender às centenas de pedidos que recebeu neste momento de lembranças pelos 50 anos do Golpe Militar. Ela foi protagonista, sofreu três anos nos porões e cadeias da ditadura. E não abriu mão de sua história e suas crenças. Sem aprofundar em sua biografia, três momentos de sua vida foram separados, para ilustrar o ontem e o hoje.

Dilma Rousseff, em três momentos emblemáticos contra a ditadura

 

Adriano Diogo

O presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo ‘Rubens Paiva’, Adriano Diogo, em entrevista ao Jornal GGN foi questionado se as CVs seriam uma forma de o governo pedir desculpas e reconhecer o que houve nesse período de nossa história. E ele respondeu que não, não acha que isso basta. “Eu acho que só vai haver desculpas e perdão do estado brasileiro na hora que os corpos em sepultos forem devolvidos para as famílias. Eu acho que só vai haver desculpa do estado brasileiro a hora que abrir os arquivos militares e diplomáticos do Itamaraty. Eu acho que, no momento, não tem nenhuma desculpa a ser pedida. Tem que pedir desculpa pelo o que não foi feito. Pela omissão. E daqui a pouco não vai ter nem pra quem pedir desculpa, porque os familiares estão morrendo, as testemunhas.”

“Perdemos o medo!”, diz Adriano Diogo

 

Aloysio Nunes

Em 31 de março de 1964, o senador Aloysio Ferreira Nunes (PSDB) era um jovem estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Simpatizante da linha de pensamento esquerdista, aprofundou a militância política no Partido Comunista Brasileiro e posteriormente na Ação Libertadora Nacional. A trajetória do tucano cruzou com a de guerrilheiros como Carlos Marighella e Joaquim Ferreira Câmara, ambos assassinados pelas forças de repressão. Aloysio, que também pegou em armas, se exilou na Europa, onde teve oportunidade de estudar o comunismo. Acabou se afastando da ALN e desacreditando na alternativa socialista para o Brasil. 

Aloysio Nunes: da extrema esquerda na Ditadura à cúpula do PSDB

 

Saturnino Braga

Aluno de Celso Furtado na Cepal, ingressou na vida politica em 1960, não chegou a ser cassado pelo regime militar, mas teve a sua candidatura impugnada na reeleição de deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro em 1966. Anos mais tarde, eleito senador pelo MDB, fez parte de uma bancada histórica no senado com Paulo Brossard, Marcos Freire, Itamar Franco, Orestes Quércia e Franco Montoro. Bancada que teve o primeiro foco e objetivo de resistência politica a ditadura. Ele acompanhou de perto e foi figura chave das transformações que afetaram o Brasil nas últimas cinco décadas.

Saturnino Braga e a resistência política contra a ditadura

 

Francisco Tenório Júnior

Aos 33 anos, o pianista carioca Francisco Tenório Júnior, o Tenorinho, era um famoso músico de bossa nova e jazz quando sumiu misteriosamente em Buenos Aires, na Argentina. Hospedado em um hotel daquele país, por estar em turnê com Toquinho e Vinícius de Moraes, ele saiu na noite de 27 de março de 1976 para comprar cigarros e nunca mais voltou. Naquele ano, o Brasil já vivia uma ditadura e e Argentina estava às vésperas do golpe de Estado, contra Isabel Perón.”Meu pai era um cara de esquerda, mas não tinha atividade política. Talvez eles [militares] tenham feito alguma ligação entre ele e um primo-irmão, que era militante e vivia na clandestinidade”, disse Elisa Cerqueira, sua filha. O Procurador argentino diz, em minidocumentário, que ele pode ter sido sequestrado por engano.

 

 

 

 

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