Mulheres no mundo: Presentes!, por Cristiane Alves

Mulheres no mundo: Presentes!

por Cristiane Alves

No início da história da humanidade as sociedades eram matriarcais. Não se trata de espelhar a sociedade patriarcal pois que são estruturas sociais distintas.

Na sociedade matriarcal a organização social é horizontal, igualitária, todas as funções são igualmente importantes. No patriarcado existe a dominação masculina em estamentos verticalmente constituídos.

Muitos pensadores da Sociologia se dispuseram a compreender e explicar essas duas estruturas sociais ao longo da História, o fizeram Durkheim, Marx e Weber. Aqui apenas uma consideração breve, porquanto nosso foco é muito mais atual.

Importa saber que em sua gênese, as sociedades eram compostas por clãs nômades coletadores. Com a advento da agricultura e do cultivo de animais e plantas surgiu também a propriedade privada e com ela a necessidade de preservar e ampliar. Nesse momento surge o exército, seja, indivíduos responsáveis e especialistas em proteger a propriedade privada do clã.

A propriedade privada e a especialização da atividade de defesa deram a sentença de exterminio do matriarcado, uma vez que este não comporta a verticalização de papeis sociais.

Etimologicamente as palavras patriarcado e matriarcado advém do grego “arché”, palavra que possui dois significados: dominação e princípio. Os estudiosos do patriarcado preferem atribuir a ele o sentido de dominação, e esta talvez seja a causa de desacreditarem na possibilidade de sociedades matriarcais, porque buscavam sociedades lideradas por mulheres, como base no poder de dominação, o que não é real. Os estudos recentes sobre matriarcado utilizam o segundo significado, traduzindo a palavra como “genitoras do começo”.

Este paradigma permite pensar nas mulheres como mães tanto em sentido biológico como cultural, enquanto criadoras do início, do começo. Mulheres são detentoras do poder de criação (gestar, parir) que é superior ao poder masculino de dominação, caracteristico do patriarcado.

O papel feminino na sociedade foi sendo mitigado à medida que a divisão social e territorial do trabalho foi se consolidando. Lembrando que tudo em função da manutenção e da garantia da propriedade privada. Do mesmo modo a divisão social vai se especializando quanto mais se separa o trabalho intelectual do trabalho físico, essa é a gênese das classes sociais.

Eis o motivo de a mulher ter sido privada da intelectualidade até nossos dias. A mulher não pode competir em força, haja vista que homens são biologicamente beneficiados nesse sentido. Mas intelectualmente mulheres são tão competentes quanto os homens. Então, pela força, homens têm oprimido as mulheres, numa tentativa de frustrar seu papel na sociedade.

Não sem motivo, portanto, vimos nos últimos tempos o aumento da misoginia, não tanto em números, mas em divulgação, o que podemos relacionar à comunicação rápida e globalizada.

Candidatas e eleitas tem sido alvo de ações propositalmente pensadas para lhes diminuir frente aos homens em papel semelhante. Dos EUA à Rússia, debates eleitorais têm mostrado a ação opressora dos homens sobre as mulheres estruturalmente orquestrada.

No Brasil não é diferente. A mulher no papel mais importante politicamente, eleita por voto popular por duas vezes, Dilma Rousseff, foi alvo de constantes agressões midiáticas que inflamaram um levante misógino onde sua competência técnica foi menos atacada que sua moral.

Recentemente a pré canditata à presidência da república, Manuela D’Ávila foi alvo da mesma violência. Truculência gratuita não dispensada aos pré candidatos masculinos anteriormente intrevistados.

Por felicidade, maior do que sorte, temos que a dominação não é poder maior que a criação. Por essa felicidade vemos mulheres se saírem tão admiravelmente bem em ocasiões e lugares onde a dominação tenta lhes calar e anular. Nossa reverência à Manuela D’Ávila por sua excelente atuação frente ao fascismo do programa Roda Viva.

A tristeza é ver que quando a dominação patriarcal não consegue calar a mulher através da anulação é a truculência física que impera. Essa é nossa referência à vereadora carioca Marielle Franco.

Quando não nos calam nos matam e, mesmo nos matando o corpo, por não nos calarem, nos difamam, uma segunda morte.

Mulheres no mundo: Presentes!

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