“Não pode ser do jeito que os manifestantes querem”, diz Haddad

Do Jornal GGN – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse na manhã desta segunda-feira em entrevista ao programa Bom dia SP, que a olítica para os transportes não pode ser do jeito que os manifestantes querem que aconteça. “Precisa haver diálogo e eles tem que conhecer os gastos que temos e de onde precisaríamos tirar dinheiro para que a tarifa do transporte fosse reduzida”, explica.

O saldo do quarto dia de protestos encabeçado pelo Movimento Passe Livre foi de mais de 200 detidos e diversos manifestantes e jornalistas feridos. Haddad lembrou que na manifestação anterior (terça-feira, 11), foram divulgadas cenas de policiais agredidos. “São Paulo convive bem com manifestações pacíficas e protestos, mas com nenhum tipo de violência”, afirmou ele.

Com relação à tarifa, ele disse que a prefeitura fez o possível para que o aumento da tarifa fosse o menor possível. “Se fossemos dar um reajuste de acordo com a inflação acumulada, esse valor iria para 3,40”, diz. Para fazer com que o preço ficasse abaixo, foram redirecionados investimentos no valor de 600 milhões de reais de outras áreas. “Com isso conseguimos que o reajuste fosse melhor e bem menor que a inflação. Nenhum prefeito fica feliz de reajustar a inflação porque isso mexe no bolso do trabalhador”, aponta.

O prefeito de São Paulo reconhece que ainda há muito a ser feito e concorda que os investimentos nos transportes devem ser feitos de forma urgente. Disse ainda que a prefeitura quer estabelecer um diálogo para mostrar o que vem sendo feito. “No primeiro ato, que foi na prefeitura, nós tínhamos uma comissão esperando a constituição de uma comissão de negociação que não foi formada e os manifestantes não quiseram nem entrar na prefeitura para estabelecer o diálogo”, comenta. “É preciso que haja esclarecimentos.”

De acordo com Haddad, há um longo trajeto para que a melhora da qualidade do transporte seja possível. “A melhora da qualidade do transporte vai se fazer em uma mesa de negociação com os devidos esclarecimentos”, aponta. “Não podemos iludir a respeito da possibilidade de zerar a tarifa, como se isso fosse possível do dia para a noite envolvendo 6 bilhões de reais em investimentos.” O que, de acordo com ele, retiraria recursos de outras áreas que também são prioridade da prefeitura.

Haddad explica, ainda, que a prefeitura não pode se submeter à um jogo de tudo ou nada. “Não pode ser do jeito que eles querem, é preciso estabelecer um diálogo”, enfatiza. Ele diz que é importante que os manifestantes conheçam o orçamento municipal e saibam quais seriam as áreas que perderiam investimentos, caso a tarifa seja reduzida. “Precisamos dialogar com toda a sociedade, e não com 2, 3 ou 4 mil que estão nas ruas”

E finaliza: “nenhum prefeito gosta de ver violência. Os custos estão ai, os reajustes estão ai. Os prefeitos não tem fonte alternativa de financiamento para aumentar ainda mais os subsídios que no caso de são Paulo ovão superar mais de um bilhão de reais”.  

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