O lucro da escravidão, por Jamil Chade

Mesmo sem mar, a avaliação é de que a Suíça lucrou com a escravidão entre a África e as Américas entre os séculos XVI e XIX.

Jornal GGN – Iniciativa é lançada na Suíça para pressionar para que se avalie o papel do país na economia escravocrata e reparação às famílias das vítimas ou economias por esta atuação. O registro é feito por Jamil Chade, na Folha. O articulista relata a formação do Comitê Suíço de Reparação da Escravatura (SCORES) no final do ano passado, que procura entender o papel exercido por seus nacionais e que, eventualmente, se negocie reparações. Isso é algo inédito na história da escravidão.

Mesmo sem mar, a avaliação é de que a Suíça lucrou com a escravidão entre a África e as Américas entre os séculos XVI e XIX. A partir desta afirmativa, o grupo insiste que isso ‘exige reconhecimento e reparação imaterial e material’.

A posição do governo é de que a Suíça jamais foi uma potência colonial e não reconhece a responsabilidade. Já Hans Fässler, líder do grupo, afirma que empresas, cidades e mercenários foram beneficiados pelo esquema e mesmo soldados suíços foram enviados ao Haiti para ajudar franceses na repressão a escravos revoltados.

O trabalho, num primeiro momento, ficará focado no tráfico de pessoas para o Caribe. Já existe, em andamento, iniciativas para uma negociação com os europeus para que reconheçam sua participação e façam um pagamento diante dos benefícios que tiveram em cima do trabalho escravo.

O pesquisador admite que não é fácil calcular sofrimento humano e tantos milhares de mortos em três séculos, mas estima uma participação entre 4% e 5% dos europeus na escravidão da região. Isso significa centenas de milhares de escravos ao longo de mais de 200 anos.

Para que tais entendimentos sejam realizados, Fässler entende que o primeiro passo é de que os países do Caribe tomem a iniciativa de entrar em contato com o governo suíço para início de diálogo.

A temática já está evoluindo na Suíça nos meios políticos. Neste ano, será criado bloco parlamentar para debater o tema.

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