Para pesquisador, desigualdade no Brasil é prejudicial para democracia

Jornal GGN – Marcelo Medeiros, pesquisador do IPEA e professor da Universidade de Brasília, tem desenvolvido um trabalho com outros dois pesquisadores utilizando uma metodologia que combina cifras do imposto de renda e pesquisas domiciliares, e que mostra que a desigualdade de renda ficou estável entre 2006 e 2012. Ele afirma que houve diminuição da desigualdade entre os grupos mais pobres, mas insuficiente para mexer na distribuição de renda total, “pela magnitude em que a renda é concentrada nos mais ricos”.

Em entrevista à versão brasileira do El País, Medeiros afirma que a concentração de renda afeta a política: “se o dinheiro está muito concentrado, a capacidade de influenciar a política é excessivamente concentrada”. E também diz que o nível de desigualdade no Brasil é tão alto que chega até a prejudicar a economia.

Do El País

 
Economista diz que nível da disparidade desequilibra jogo político e piora e economia
 
O economista e sociólogo Marcelo Medeiros gosta de ser didático nas explicações. Foge o quanto pode da polarização política da moda para falar de um assunto delicado: a trajetória dos índices de desigualdade no Brasil, especialmente na última década. Professor de sociologia da Universidade de Brasília e pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), subordinado ao Governo Federal, Medeiros tem longo percurso de estudo do tema. Mais recentemente, abriu caminho no Brasil, junto com orientandos que ele prefere chamar de colegas, para o estudo da disparidade de renda com base nos dados do imposto de renda, tal qual o economista francês Thomas Piketty.

 
Na entrevista abaixo, ele comenta um trabalho conjunto com Pedro Ferreira de Souza e Fabio Castro que apontou a estabilidade da desigualdade entre 2006 e 2012, usando a metodologia que combina cifras do imposto de renda e pesquisas domiciliares. A pesquisa não foi divulgada pelo IPEA durante as eleições presidenciais —uma das narrativas principais do Governo é sobre a queda da pobreza e da desigualdade no período. Foi uma pequena crise na instituição e o veto à pesquisa foi parar na representação do PSDB que acusa Dilma Rousseff de ter “abusado do poder político” durante a disputa eleitoral. O ação ainda está em curso. “Eu pedi demissão do cargo que eu ocupava, em uma coordenação de estudos do IPEA. Foi um pedido simbólico, porque acho que o IPEA tem o dever de fornecer continuamente informação ao público sobre os resultados dos estudos que produz para a sociedade”, ele resume. Na conversa, ele fala ainda com entusiasmo do trabalho de Souza, que produziu série inédita da desigualdade entre 1927 e 2013 no Brasil, e diz que uma reforma tributária é “imperiosa” se o Brasil quer levar a sério seu futuro.
 

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