PM faz reintegração de posse e despeja 600 famílias de ocupação em Campinas

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Atualizado às 14h15 para acréscimo de informações
 
Jornal GGN – Na manhã desta terça-feira (28), a Polícia Militar realizou uma operação de reintegração de posse na Ocupação Nelson Mandela, no bairro Jardim Capivari, em Campinas (SP). No local, moravam cerca de 600 famílias, que ocupavam o terreno de 100 mil metros quadrados desde julho de 2016.
 
De acordo com o portal G1, em torno de 400 policiais militares, oficiais de Justiça e representantes de secretarias municipais de Campinas foram deslocados para a reintegração. De acordo com a EPTV afiliada da TV Globo, um policial se feriu ao ser atingido por um artefato explosivo, e um helicóptero da PM também participou da ação. 

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A polícia chegou na ocupação antes das 5 h, e foram recebidos com pedras. A PM cercou todos os acessos à ocupação. Os moradores fizeram barricadas e atearam fogo em pneus contra a operação.
 
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Depois de duas horas de negociações entre a polícia, parlamentares e os advogados dos moradores, as famílias começaram a deixar o local com seu pertences pessoais e também a desmontar os barracos. 
 
 
De acordo com Vitor Tonin, estudante que acompanhou a reintegração, a polícia não entrou na ocupação. “[Os moradores]  tiveram a consciência de que era melhor sair com as próprias mãos e evitar um banho de sangue que a PM estava disposta realizar”, afirma, dizendo que a prefeitura de Campinas, de Jonas Donizeti (PSB), não ofereceu qualquer tipo de abrigo para as famílias. 
 
 
A reintegração foi solicitada pela empresa Cerâmica Argitel Ltda, dona da área. Os organizadores afirmam que o terreno não é utilizado há 40 anos, servindo apenas para especulação. Eles também reclamam da omissão da prefeitura em garantir moradia para a população. Segundo os manifestantes, entre os moradores do local estão 282 crianças, 141 adolescentes, 28 gestantes, 24 idosos e cinco cadeirantes.
 
Em janeiro, cerca de 400 moradores da ocupação saíram em passeata e foram até a sede da Prefeitura para pedir que a Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab) ajudasse a convencer o proprietário da área a viabilizar a permanência das famílias no local. 
 
Localizada a cerca de 100 quilômetros de São Paulo, Campinas tinha, no começo de fevereiro, 16 áreas de ocupação e 35 mil famílias na lista de espera da Cohab. 
 
De acordo com a Prefeitura, 450 pessoas famílias foram cadastradas na área. Entretanto, não há nada planejado para abrigar as pessoas que estão desabrigadas. “Não tem uma área pública para abrigar as pessoas que estão lá”, afirmou Wanderley de Almeida, secretário municipal de Relações institucionais. Uma reunião entre a gestão municipal e a comunidade foi marcada para amanhã (28) para discutir ações de auxílio às famílias. 

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2 comentários

  1. É uma das cidades, na qual a

    É uma das cidades, na qual a burgobandidada é uma das mais reacionárias do Brasil, Aqui não se admite nem um tipo de argumento a favor do mais necessitados. Aqui foi uma das cidades que puxou o fascismo de 2014. Aqui se houve desde 2006/07 que o pobre deveria ser proibido de tudo, não devia andar de avião nem frequentar faculdade dos ricos.

    Embora deve ter sido a cidade que mais construi unidades imobiliárias nos governos petistas, e teve o seu aeroporto privatizado em 2012 com ganho operacional de mais de 300% e com 500% de aumento de arrecadação de ISS. Em contrapartida não se conhece uma obra do tucanato construido aqui desde que eles apoderaram do Estado. Mas…

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