Precisamos de uma vacina contra a variável brasileira do neoliberalismo, por Albertino Ribeiro

É como disse o brilhante economista Luiz Gonzaga Beluzzo: “A única lógica do capitalismo entregue às suas leis de movimento é o excesso”. O referido excesso torna os ricos mais ricos e os pobres evoluem para um estado de miserabilidade aguda.

Precisamos de uma vacina contra a variável brasileira do neoliberalismo

por Albertino Ribeiro

É a mais letal e virulenta. Seus vetores – a grande mídia financiada pelo capital financeiro – são muito eficazes na cooptação de pessoas de todas as classes, levando-as a delírios onde somente um ente (o livre mercado) detém o verdadeiro conhecimento relativo à ciência econômica.

A variante europeia não é muito perigosa, pois na mesma proporção que suas virtudes são estimuladas, seus efeitos indesejáveis são isolados. Os governantes de lá, ao contrário da nossa elite pindorama, sabem muito bem que não devemos deixar o capitalismo entregue às suas leis de movimento. 

É como disse o brilhante economista Luiz Gonzaga Beluzzo: “A única lógica do capitalismo entregue às suas leis de movimento é o excesso”. O referido excesso torna os ricos mais ricos e os pobres evoluem para um estado de miserabilidade aguda.

Se dependesse da nossa linhagem liberal, não existiria bolsa família e nem mesmo auxilio emergencial em plena pandemia; não importando se no DNA de seus pares do velho continente e, até mesmo dos EUA, existam códigos que reconheçam as políticas públicas e sociais como elementos essenciais para garantir a homeostase do próprio sistema (capitalista).

Em 1989, Washington foi o hospedeiro que reuniu funcionários do governo americano e representantes de organismos multilaterais, como FMI e banco mundial, para discutirem a situação econômica e social dos países da América Latina. Naquele ano, chegaram a um velho e atrasado consenso (consenso de Washington) de que os problemas que afligiam nosso continente era fruto da intervenção do estado na economia. Aliás, o tal consenso de Washington deveria chamar-se corona-89.

Destarte, como uma pandemia, inocularam sua cartilha em todo o mundo, principalmente nos países da América Latina que aceitaram suas falácias sem qualquer salvaguarda que pudesse mitigar seus recessivos efeitos colaterais.

Como consequência, a América Latina passou a década de 90 mergulhada em crises cambiais e de balanços de pagamentos. Com o Brasil não foi diferente; nossa economia foi arrasada porque priorizou o tratamento da inflação, administrando um coquetel com altas dosagens de privatizações e apreciação cambial – “A inflação aleija, mas o câmbio Mata”.

O que o torna tão letal?

O DNA da variante contém o mesmo material da tradiçãoescravocrata brasileira onde oinconsciente coletivo agrário e genuflexo nos condicionaà predileção pela teoria das vantagens comparativas. Esse caminho sem volta faz a indústria nacional evoluir a óbito e conduz o Brasil de volta ao modelo agro exportador, reconectando-nos de vez com o ciclo “pré-histórico” ( açúcar, café e, agora, a soja).

Podemos afirmar, com toda a certeza, que sua força não seria tão diferenciada se o seu principal vetor (a mídia agro é pop) não contaminasse, todos os dias, o trabalhador pobre, inoculando neste o ranço ancestral do capitão do mato. Essa talvez seja a arma de destruição mais perversa, pois como uma doença autoimune, leva a classe trabalhadora a aceitar e militar contra a sua própria existência.

Albertino RibeiroTecnologista de Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE. Pós-graduado em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Coordenador sindical da ASSIBGE/MS. Ensaísta

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