Projeto de Doria vai exigir abstinência de dependentes químicos

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Foto: Juarez Santos/Fotos Públicas
 
Jornal GGN – O projeto Redenção, elaborado pela gestão do prefeito João Doria (PSDB) para tratar dependentes químicos, exigirá que os pacientes sejam “ex-viciados” para que eles sejam encaminhamento para vagas de emprego.
 
O Redenção substitui o programa De Braços Abertos, da gestão de Fernando Haddad (PT), que tinha como principal objetivo a redução de danos. 
 
As diretrizes do projeto foram anunciadas ontem (26) e preveem “ações programáticas, como criar rede de moradias monitoradas no município e uma rede de residências terapêuticas para a continuidade do tratamento”, segundo o texto de divulgação. 
 
De acordo com a gestão municipal, os usuários que ficam nos hotéis do De Braços Abertos serão transferidos para a nova dinâmica proposta, sem explicar como será feita a transição. 

 
A prefeitura afirma que realizou 33.782 abordagens na unidade emergencial de acolhimento, o Atende, desde o dia 21 de maio, data da megaoperação policial realizada na região chamada de cracolândia, no centro da capital paulista. 
 
Na ocasião, o prefeito disse que, primeiro, houve uma “ação preventiva” para prender traficantes, e que depois seria realizada uma segunda ação de “acolhimento daqueles que são psico-dependentes”.
 
A prefeitura tentou realizar internações compulsórias, mas a medida foi questionado pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público, e acabou sendo vetada pela Justiça. 
 
Outra unidade do Atende começará a funcionar na Praça Júlio Prestes e poderá atender 140 pessoas. Também terá início nesta semana o Projeto Mães da Luz, que irá dar orientações para os familiares do dependentes químicos. 
 
Campanha publicitária
 
Além destas ações, a gestão Doria irá lançar uma campanha com o slogan “Crack: a melhor saída é nunca entrar”, ao custo de R$ 4,9 milhões. A campanha, que será veiculada em jornais, pontos de ônibus e salas de cinema, foi criticada por responsabilizar somente o usuário pelo problema do crack.
 
“É a miséria que faz alguém chegar à Cracolândia e não necessariamente o crack. E a exclusão social é o principal problema de quem só encontra nas ruas alguma inclusão”, escreveu a jornalista Flávia Martinelli, dos Jornalistas Livres. 
 
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