Rocinha: imagens a partir da perspectiva de uma criança

Jornal GGN – Um morador da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, está tentando emplacar, por meio de financiamento coletivo pela internet (crowdfunding), o projeto “Rocinha: imagens a partir da perspectiva de uma criança”. A ideia é realizar um laboratório seguido de uma exposição fotográfica, com fotos da comunidade feitas pelas próprias crianças, expondo a visão dos pequenos sobre sua comunidade, aspectos sociais e realidade econômica. A meta do projeto, em fase de captação no site KickStarter, é de US$ 1.500. Restando 28 dias para o fim do prazo de doações, o projeto recebeu US$ 150.

 
O autor do projeto no KickStarter é Daniel Hoffman, parceiro de Renato da Silva (foto acima), um morador da favela da Rocinha que coordena o site Favela Adventures e lidera o projeto “Spin Rocinha”, em que são realizadas oficinas para repassar aos jovens as habilidades necessárias para trabalhar como DJs em bailes e festas. Também compõem o projeto escolas de música, de surfe, capoeira e iniciativas de apoio às famílias, como uma creche. Todos trabalham como voluntários.
 
O principal objetivo das atividades já realizadas por Renato e do projeto fotográfico em fase de financiamento vai além de gerar novas oportunidades de renda. Ocupando os jovens em atividades educacionais e lúdicas, tenta-se evitar que as crianças caiam nas mãos do tráfico de drogas e da violência, que fatalmente leva os jovens a apenas dois destinos: a cadeia ou à morte.
 
Caso atinja a meta, o projeto será executado da seguinte forma: um grupo de crianças da comunidade vai receber, cada um, uma máquina fotográfica. Eles vão passar por um laboratório de fotografia, onde receberão as instruções sobre o uso dos equipamentos e dicas de como fazer bons registros. Após um tempo determinado pelos organizadores, em que as crianças vão percorrer livremente a comunidade fazendo seus registros, os equipamentos serão devolvidos e as imagens, selecionadas. O material vai compor um blog com uma exposição virtual que levará o mesmo nome do projeto.

 
“Blog vivo”
 
“Este blog vai perfilar as crianças e suas fotos, e será atualizado conforme o programa continue a se desenvolver e expandir. O objetivo final deste projeto não é apenas chamar a atenção para crianças na Rocinha, mas permitir que elas possam ser criativas e explorar o mundo de uma forma que podem não ter imaginado anteriormente. Fornecer uma saída segura e criativa para essas crianças pode tornar-se um passo para impedi-las de seguir escolhas menos produtivas e mais perigosas na vida”, diz o resumo do projeto.
 
“Como as fotografias serão registros do que a criança vê, essas fotos farão parte de um foto-documentário, um blog vivo, que vai abrir o mundo para o que essas crianças veem diariamente. Pode-se imaginar esse blog/documentário como uma série de viver ‘um dia na vida’. No entanto, é muito mais do que isso: a capacidade dessas crianças de ter contato com outras pessoas fora de sua comunidade é limitada, e muitas vezes as suas escolhas na vida também são limitadas. Este documentário e sua participação vão ampliar seus horizontes da mesma maneira que outros projetos que utilizam música, arte e educação ajudaram outras crianças em situações semelhantes”.
 
“Riscos” e recompensas
 
O projeto, contudo, deixa claro que há “riscos” para sua realização. O primeiro deles é que as crianças que participarem do projeto podem não devolver os equipamentos. O segundo é que os registros podem acabar sendo feitos pelos adultos, e não pelas crianças – o que comprometeria a essência da atividade. Há ainda o risco de que as fotos não saiam a contento ou tenham qualidade muito baixa.
 
Para minimizar os riscos levantados pelo próprio projeto, os coordenadores pretendem envolver os pais das crianças nas atividades, colocando-os para participar dos laboratórios e explicando-os do que se trata o projeto. A ideia é repassar aos pais a importância do projeto para seus filhos, de modo que eles contribuam para seu sucesso.
 
Como todo projeto financiado coletivamente pela internet, em plataformas específicas para tal, o projeto “Rocinha: imagens a partir da perspectiva de uma criança” possui recompensas para os colaboradores. Todos vão receber uma cópia do making of do projeto e brindes específicos, de acordo com o valor repassado ao projeto. Os apoiadores nível “bronze” (com repasses de US$ 1 até US$ 24) vão receber, além do making of, o reconhecimento público pelo blog.
 
Os apoiadores “prata” (colaborações de US$ 25 a US$ 49) vão receber uma versão impressa, em tamanho médio, de uma das fotos das crianças – escolhida pelo próprio colaborador. O prazo, neste caso, é fevereiro do ano que vem. Já os apoiadores “ouro” (entre US$ 50 e US$ 100) vão receber uma impressão de alta qualidade, em tamanho grande, de uma das fotos das crianças montada sobre um painel de papelão.
 
“A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Enquanto pode ser descrita como uma comunidade, é conhecida também por sua lamentável história de violência e tráfico de drogas, o que é comum em muitas favelas. Infelizmente, muitas crianças na Rocinha enfrentam opções limitadas, e algumas são atraídas para o mundo do tráfico de drogas, além de enfrentar outros problemas comuns às comunidades de baixa renda, tais como o crime, a violência doméstica e educação pobre”, reitera o projeto.

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