Vítimas da ditadura: para não esquecer, por Marcelo Auler

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Foto: montagem Marcelo Auler

Do blog do Marcelo Auler

Para não esquecer! Para não repetir!

por Marcelo Auler

Há 53 anos o Brasil ingressava em um período duro, iniciava uma ditadura civil-militar que perdurou 21 anos. Tudo feito em nome do combate ao comunismo e à corrupção. Mas, na verdade, os interesses era muito maiores e as consequências foram desastrosas, dolorosas, trágicas. Pelos dados da Comissão Nacional da Verdade, foram 434 mortes e desaparecimentos. Entre essas pessoas, 210 são desaparecidas. A estes dados acrescente-se milhares de presos e torturados, cujas sequelas ficaram para o resto da vida, e ainda as famílias de todos eles, que jamais voltaram a ter sossego, mesmo quando conseguiram reencontrar os sobreviventes de toda esta barbárie.

Grave, ainda, é o fato de os responsáveis por estas mortes, torturas, sevícias e outras atrocidades terem – e estarem, aqueles que ainda sobrevivem – conseguido se livrar de qualquer punição ou responsabilidade. Mesmo estando provado que cometeram crimes hediondos, puníveis nos países civilizados, onde jamais seriam beneficiados por uma anistia.

Mas, tão grave quanto, é constatar que grupos de verdadeiros porras loucas estão hoje pedindo a volta de militares e de uma intervenção, que nada mais é do que a volta da ditadura. Verdade que ainda são poucos, mas não menos verdade que esses grupos estão, a cada dia, diante do impasse que o golpe do impeachment colocou o país, recebendo nos adeptos. Em geral pessoas que não viveram ou não conhece o que realmente se passou nos porões da ditadura civil-militar e não têm noção que, depois que se apoderam do poder, ditadores – assim como os golpistas atuais – dele não querem apear.

Por tudo isso, mais do que nunca, é preciso Jamais Esquecer! Até para que, não se repita novamente. Lamentavelmente, a tragédia que nos levou aos tempos duros e escuros, passou em brancas nuvens na chamada grande imprensa. Nada se falou a respeito, deixando cair no esquecimento o golpe militar que a chamada grande imprensa ajudou a instalar, assim como ajudou no golpe do impeachment que nos relegou este governo ilegítimo.

Com o objetivo de não deixar cair no esquecimento e não voltemos a ter que viver  em uma ditadura, o blog traz dois depoimentos de combatentes e vítimas daquele período sombrio. Ambos interligados, a partir do momento em que passaram a viver em Volta Redonda (RJ). Dom Waldyr Calheiros (1923-2013), que ali chegou como bispo diocesano em 20 de outubro de 1966.

Já a Estrella D’Alva Bohadana (1950-2015), natural de Manaus (AM) escolheu morar em Barra do Piraí, por militância política. Foi estudar arquitetura na cidade, mas com o intuito de ficar próxima do eixo operário no entorno de Volta Redonda, com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e de Barra Mansa com a Votoratin, cimentos, sem falar nos ferroviários de Barra do Pirai. Seu interesse era instruir politicamente a classe operária, mas foi em Volta Redonda que ela encontrou “solo propício” com a proliferação dos movimentos jovens da igreja, dos sindicatos e os comunistas. Para eles era importante a informação que ela trazia.

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