A Lenda do Abaeté

Por Luciano Hortencio

Pai Paulo de Oxalá

Localizada no célebre Bairro de Itapuã em Salvador, a Lagoa do Abaeté encobre com suas águas, mistérios que foram venerados pelos índios, antigos escravos e colonizadores europeus. A palavra Abaeté vem da língua tupi e significa “pessoa boa e honrada”. Não confundir com Abaíté que significa “pessoa terrível, ruim”. Ainda pela cultura tupi, Abaeté teria sido um Morubixaba, Cacique (líder, chefe da tribo). Conta a lenda que este Morubixaba foi levado por Uiara (Mãe d’água) para o fundo da lagoa. E que os nativos passaram a ouvir cânticos e vozes vindos do fundo das águas. Por isso, em homenagem ao “Grande e Honrado Chefe”, denominaram a lagoa de “Abaeté”.

Já os antigos escravos diziam que as vozes eram de Janaína, uma sereia dona das águas dos rios, lagos e lagoas que seria filha de Iemanjá.

Para os colonizadores europeus, nas águas do Abaeté havia um palácio encantado onde residia um príncipe com toda a sua corte. Ele era o dono dos peixes e das forças das águas. Este príncipe encantava as pessoas que se aproximavam da lagoa e as carregava para o fundo das águas.

Todas estas historias aumentavam na época o temor pelo banho em suas águas, aguçavam a aura misteriosa e serviam para justificar as eventuais mortes por afogamento que segundo diziam: “aquelas águas engoliam as pessoas em inexplicáveis sumidouros e redemoinhos”.

Esses encantos e lendas já serviram de inspiração para artistas como Dorival Caymmi que na música “A Lenda do Abaeté” exalta os mistérios e encantos, das águas escuras dessa massa de água doce cercada pelas alvíssimas areias e deslumbrantes dunas.

As águas do Abaeté também foram tema de enredo da Mangueira no carnaval de 1973, consagrando a Escola como Campeã daquele ano com o samba “Lendas do Abaeté” dos compositores Jajá, Preto Rico e Manoel interpretado por Jamelão e, tornando-se depois sucesso absoluto na voz de Elza Soares.

Muito visitada e não são raras às vezes todos aqueles que se encontram às suas margens, a passeio ou por simples curiosidade, dizerem ouvir, nas noites de luar, cânticos ritmados ora tristes ora alegres. O Axé da antiga lagoa com suas belezas naturais já foi muito reverenciado pelos religiosos do Candomblé.

 

Com a especulação imobiliária a lagoa que é abastecida por nascentes e não pelo represamento da chuva, como já se acreditou um dia, passou por uma devastação em suas dunas com a retirada descontrolada de suas areias para a construção civil.

Para conter a ação predatória do local e preservar as belezas naturais da lagoa, foi criado o Parque Metropolitano Lagoas e Dunas do Abaeté em 1993, com uma área de 12.000 metros quadrados.

Abaeté também já foi usada por lavadeiras que em suas margens ajudaram a manter vivas, muitas das tradições ancestrais que enriqueceram a cultura de Salvador.

Com suas águas cheias de encantos e magias, a resistente lagoa do Abaeté continua a encantar aqueles quem tem o privilegio de ouvir ou comtemplar seus inspiradores mistérios.

 http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/os-misterios-do-abaete-12642764.html#ixzz43WyZpeRX

 

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Dorival Caymmi – A LENDA DO ABAETÉ – Dorival Caymmi.
Disco RCA Victor 80-0576-A.
Abril de 1948.
Disco constante do Arquivo Nirez.

 

No Abaeté tem uma lagoa escura

Arrodeada de areia branca

Ô de areia branca

Ô de areia branca

 

De manhã cedo

Se uma lavadeira

Vai lavar roupa no Abaeté

Vai se benzendo

Porque diz que ouve

Ouve a zoada

Do batucajé

 

O pescador

Deixa que seu filhinho

Tome jangada

Faça o que quisé

Mas dá pancada se o seu filhinho brinca

Perto da Lagoa do Abaeté

Do Abaeté

 

A noite tá que é um dia

Diz alguém olhando a lua

Pela praia as criancinhas

Brincam à luz do luar

 

O luar prateia tudo

Coqueiral, areia e mar

A gente imagina quanta a lagoa linda é

 

A lua se enamorando

Nas águas do Abaeté

Credo, Cruz

Te desconjuro

Quem falou de Abaeté

No Abaeté tem uma lagoa escura

 

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9 comentários

    • Consolo

      Que bonita homenagem ao Barão do Cocoh! Belas imagens desse Brasil. Gosto muito das imagens dos vaqueiros de norte a sul. Lembro Manuelzão do grande Guima, que ao longo de sua festa, vai refletindo em sua vida e no que seria viver de fato.

      “E a vida, seu Chico?”

      “Eh isto o que se sabe: é consolo, é desgosto. Eh desgosto, é consolo. Eh da casca, é do miolo…”

      Vamos tocando em frente.

      [video:https://youtu.be/-iQxwnfCBDU%5D

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