A morte de Antonio Feio

Hoje estou um pouco mais triste. A hora do almoço fiquei sabendo da morte do actor português Antonio Feio. O actor faleceu, esta quinta-feira 29/07, pelas 23.25 horas, no Hospital da Luz, em Lisboa vítima de um cancer do pancreas diagnosticado em março de 2009 que o actor nomeava o bicho. Nascido em Moçambique no ano de 1954 Antonio Feio tornou-se conhecido do grande público pela Conversa da Treta, uma peça de humor onde dois portugueses toscos Toni e Zezé, este último vivido pelo actor José Pedro Gomes, entabulam um diálogo pleno de tiradas engraçadas que fizeram milhares de portugueses rirem. “Se pudesse matava o bicho a rir” foi com bom humor que enfrentou a luta contra a doença. Assisti aos Globos de Ouro, uma espécie de Óscar português, no qual ele foi homenageado.

Na hora dos agradecimentos não deixou por menos: Quero agradecer ao povo português e ao meu pâncreas por este prémio. Graças ao meu pâncreas agora sou convidado para tudo e mais alguma coisa. Cheguei mesmo a ser capa de revista com o titulo: O pâncreas da treta. Segundo o actor Virgilio Castelo o grande mérito de António Feio foi trazer teatro de qualidade ao grande público. Segundo ele antes de António Feio havia a ideia de que o teatro para o grande público era de má qualidade. Durante todo o dia de hoje as TVs homenagearam o actor. No momento em que escrevo a SIC esta a repetir uma recente longa entrevista que ele deu ao programa Alta Definição.

Acho que foi sua última entrevista. Nela o repórter abordou todos os assuntos. Seu inicio de carreira – a entrevista foi realizada no teatro onde ele começou – seus dois casamentos, suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, e como não podia deixar de ser, a doença. Num dado momento perguntou-lhe sobre Deus António Feio, com a calma que lhe era peculiar, disse que a a doença não o levará a mudar de opinião. Era ateu convicto. Depois de falar como buscava força interior para seguir completou o raciocínio assim..Agora entregar a minha vida a Deus, isto é que não. Ele tem muito o que fazer e pelos vistos não tem feito grande coisa. Feio era despido de qualquer estrelismo uma pessoa simples, destas com que a gente logo se simpatiza. Simpatizei-me com ele desde a primeira vez que o vi.

Não cheguei a assistir a Conversa da Treta no teatro mas vi o Filme da Treta, muito bom. Aliás, acaba de estrear aqui em Portugal Contra a Luz, seu último filme. Se calhar vou ver. Ao final da entrevista do Alta Definição  à pergunta do sobre se tinha urgência de fazer as coisa disse ele que não, nunca tivera urgência mas que agora a doença o obrigava a isto e completou com uma frase que dizia mais menos isso: A vida é tão curta. Em respeito ao tempo não o percam com coisas que não valem a pena. Não deixe de fazer de falar o que tem de feito e falado. Não deixem de amar. 

A vida é mesmo uma treta. O grande teatro perde um actor e a constelação das pessoas que marcam a diferença ganha mais uma estrela.

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