A morte do professor Benedito Nunes

Da Revista Brasileiros

Fique com Deus!

O adeus a Benedito Nunes

Adriana Klautau Leite

Mais uma manhã de domingo. Assim pensava eu até meu celular tocar, por volta das 10 horas e 53 minutos. Era a minha irmã, no que eu disse: “Oi, Mana! Tudo bem?”.

Do outro lado da linha, com a voz presa na garganta, como um lamento, ela diz: “Mana, o professor Benedito morreu.” Silenciamos as duas. Tentei não entender o que, na verdade, não era para ser entendido: Benedito Nunes havia silenciado para sempre naquela manhã. Sua essência já não fazia mais parte da nossa existência. Um domingo diferente, dia 27 de fevereiro de 2011.

Me lembrei da última vez que disse, ao fim de uma conversa com ele, por telefone: “Professor, fique com Deus!” Imperativo que, certa vez, em uma das nossas entrevistas, ao me despedir do professor, fez a pergunta, de maneira engraçada: “De onde vem esse ‘Fique com Deus?'” Pois, quem sempre ao se despedir, pronunciava a mesma frase, era o seu amigo Haroldo Maranhão, já falecido e que remetia a lembrança do amigo.

ErasEra seu aniversário. Dia 21 de novembro de 2010. No ano anterior, fiz uma reportagem com ele para a Brasileiros, sobre os seus 80 anos de vida e tudo o mais a respeito dele que não estivesse em livro algum.

Falar da presença, entre nós, do professor Benedito, já não é fácil. Imagine falar da sua ausência. Ainda mais para pessoas como eu, que além da admiração, como qualquer um teria pela pessoa do professor Benedito Nunes, tem também o fato de sermos conterrâneos, da amizade construída, do carinho e respeito para com o casal Maria Sylvia e Benedito Nunes. Da gratidão que eu tenho por ele, ao ter me permitido entrar em sua vida, em sua “torre”, conviver a sua rotina, saber do seu passado, dos amigos prediletos, dos desejos alcançados, dos tropeços “acidentais”, das memórias dos livros que leu e dos que fez ou contribuiu, da sua adoração por animais, principalmente gatos e cachorros, das chateações momentâneas, como a longa vida dos carapanãs (mosquitos).

Como disse o professor e crítico literário Antonio Cândido: “Um dos maiores literários brasileiros. A morte de Benedito Nunes abre uma lacuna insubstituível.”

Professor. Então, para não perder o costume: “Fique com Deus!”

– Leia aqui a íntegra da matéria “Benedito Nunes, o iluminista dos trópicos”, da edição 25 da Brasileiros.

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