André Araujo, o panfletário fala do livro panfletário

Caros geonautas,

Como diz um dos Intérpretes do Brasil, Alfredo Bosi, “nada se entende fora da história”.

Comentário ao post de andré Araujo: Sobre as bases militares dos EUA na América do Sul

Primeiro ponto: gostaria de fazer um elogio ao André Araujo, li semanas atrás um comentário dele, que foi um primor sobre o PT e a estratégia do PT no SFT, absolutamente assertiva, ou seja, estratégia nenhuma (o que pode até ter sido bom, o tempo dirá), pois é um ponto que venho batendo a tempos, mas sobre um projeto de país (o Nassif provocou o André Singer na entrevista sobre o livro dele, e claro, ele disse que tinha sim – virou uma frase monossílaba no governo: “Temos projeto”, mas não explica, por exemplo, “Como a ERA LULA criou o Rockefeller brasileiro do petróleo?) , o PT não tinha projeto de governo quando chegou ao poder, digo mais, se o Lula tivesse ouvido os intelectuais do PT e a pseudo intelectualidade uspiano e do Brasil, ele seria hoje, provavelmente e politicamente falando, mais um “morto-vivo“, como Lech Valesa e FHC, no entanto Lula seguiu seu instinto e intuição de retirante nordestino, de vida sofrida, de líder operário e sindical e se tonou um “mito-vivo“, é a nova intelectualidade e os novos doutores que estão comendo e seguindo a experiência e o aprendizado do operário, como alguem já disse, a pseudo elite brasileiro quer diploma para o status quo e o privilégio, não para cumprir leis, , “Porque o Brasil jamais teve cidadãos. Nós, a classe média, não queremos direito, queremos privilégios, e os pobres não têm direitos. Não há pois, cidadania neste país, nunca houve”. (Milton santos).

Como disse Vladimir Safatle sobre Lula: “… O Lula percebeu que era possível desconcentrar renda e criar um processo de ascensão social sem acirrar de maneira radical conflitos de classe. O tempo mostrou que ele não estava errado”. Revista Carta Capital, edição N:706, 18-07-12, pág. 52-53.

Pela nossa cultura popular, a dupla Alvarenga & Ranchinho cantava em meados do século XX, “se voce ver numa obra 4 ou 5 pessoas trabalhando e um olhando, quem está olhando é o engenheiro“, é a nossa herança aristocrática ainda na estrutura educacional brasileira.

O ex-líder operário que surgiu em 1977, e tempos depois no exercício da presidência, em abril de 2007, no lançamento do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), disse Lula, “Este é o século da elite do saber, e não da elite do berço e do sobrenome”, isso está longe de se tornar realidade hoje, só com a revolução silenciosa que vai acontecer nas próximas décadas, isso se tornará realidade.

O que temos nas universidades?

Temos várias ilhas de excelência nas universidades, mas no geral, ela é uma ilha da fantasia, da herança patrimonialista, da elite(?) que ocupou o lugar da aristocracia, do status quo e do privilégio, não de leis.

Pierre Bourdieu (Mercado dos Bens Simbólicos) definiu claramente como essa herança aristocrática da escola pública na França do século anteriores, permanecia impregnada de aristocracia ainda na República francesa dos anos 50 e 60 do século XX, ou seja, muito menos repúblicana do que se pensava e se dizia, a pseudo nação republicana do “mérito”, e não mudou muito desde então.

O que diria outro Intérprete do Brasil, Raymundo Faoro sobre nossa herança patrimanialista aristocratica-escravocrata?

Faoro, na verdade, já disse, em “Os Donos do Poder” (1958), somos infinitas vezes piores que as repúblicas do Atlântico Norte. Eles bem ou mal, no pós guerra criaram um estado de bem estar social, que se diz hoje em desmanche, mas criaram, nós estamos a mais de 170 anos, para datar o Segundo Reinado de D. Pedro II (1840), e ainda não conseguimos, somos uma “República Inacabada”, que o diga Fábio Konder Comparato, não temos elite, para citar um filho do Brasil, de berço de ouro, Walter Sales: o Brasil não tem elite – responsável pelos destinos do país e cumpridora da lei. Ele tem é oligarquia”. 

Ao contrário do que omitiu Janio de Freitas, Roda Viva da TV Cultura, veja bem, estou falando do baluarte do jornalista da chamada grande imprensa, ele disse que “somos uma sociedade primária”, mas espertamente não disse por quê, somos porque nossa elite estamental e intelectual é primária, predatória, vil, o próprio espírito de vichy françês, entreguista, covarde e canalha.

Segundo ponto: O André é panfletário em sua análise aqui, no meu modesto ponto de vista, porque sua análise é uma visão do passado, ele olha o passado e projeta o passado no futuro, tal qual boa parte da intelectualidade tupiniquim do academicismo, a mediocridade, na essência, por isso que digo-lhe, sem medo de ser feliz, o operário sem diploma, vale mais de mil intelectuais e dois mil políticos juntos nessa nossa república oligárquica.

André e a ciência de retrovisor: “Quantas patentes a China registra por ano? Nem 1% do que se registra nos EUA”.

Fiz uma procura básica na rede, de cara veio o que a intuição dizia: 

HONG KONG | Wed Dec 21, 2011 8:15am EST: http://www.reuters.com/article/2011/12/21/us-china-patents-idUSTRE7BK0LQ20111221).

 

Nos próximos três anos, a expectativa é da China ultrapassar os EUA e o Japão em patentes: “The Thomson Reuters report said published patent applications from China were expected to total nearly 500,000 in 2015, following by the United States with close to 400,000 and Japan with almost 300,000.

Pano rápido, para combater um livro panfletário (não sei se é), não se precisa ser panfletário também.

Brasil: a sociedade afluentes dos trópicos?“, livro que pretendo escrever, mesmo sabendo que, muito provavelmente não verei em vida o fato, mas que acredito que vai acontecer em meados do século, o Brasil vai dar certo, não porque o Caetano quer, ou porque só ele queria, pois a elite rara brasileira, os Intérpretes do Brasil, já dizia isso no final do século XIX, e em toda primeira metade do século XX, de Euclydes da Cunha à Celso Furtado, porque está surgindo um novo Brasil que também quer e deseja, e essa povão nas escolas e nas universidade com 50% para negro e população de baixa renda é uma revolução lenta, como um furo de agulha numa barragem, numa coluna d´água.

Quem viver verá!

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