Antes de ser campeã, Portela viveu o submundo das escolas de samba, por Augusto Diniz

Antes de ser campeã, Portela viveu o submundo das escolas de samba

por Augusto Diniz

A despeito da vitória da Portela no carnaval do Rio e sua importância para o mundo do samba, a agremiação de Oswaldo Cruz viveu no ano passado o submundo das escolas de samba.

Seu então presidente, Marcos Falcon, foi assassinado a tiros em setembro, em seu comitê de campanha – o dirigente era candidato a vereador do Rio. Quase um mês depois, um dos suspeitos da morte do ex-PM Marcos Falcon foi preso acusado de chefiar um grupo de milicianos.

O ex-presidente da Portela entrou na lista dos políticos assassinados no período pré-eleitoral na Região Metropolitana do Rio de Janeiro – mais de dez mortes já haviam sido contabilizadas. A situação fez com que, na época, o TSE pedisse a investigação da Polícia Federal dos assassinatos em série e a presença das Forças Armadas no dia das eleições. O sociólogo José Claudio Souza Alves, uma das referências no estudo da violência urbana no Rio, atribuiu os assassinatos a disputa por território de grupos paramilitares.

Outro caso do submundo das escolas de samba vivido pela Portela em 2016 diz respeito à briga na final da escolha do samba-enredo que ia para a avenida, em meados de outubro. A confusão  levou a expulsão de Noca da Portela da Velha Guarda da escola.

O samba em que Noca participava perdeu a final ao receber apenas cinco votos dos jurados – o samba campeão teve 42 votos. Outros integrantes do samba perdedor também foram punidos – o cantor Diogo Nogueira fazia parte do grupo de Noca, mas não foi penalizado.

O imbróglio mostra o quanto a disputas de samba-enredo são tensas até para figuras ilustres do carnaval, como Noca, um dos baluartes da escola. Noca da Portela, com mais de 60 anos de carreira, tem várias músicas de sucesso, já ganhou alguns sambas-enredo e possui seis discos solos gravados.

Mesmo com a queda acentuada de venda de CDs dos sambas-enredo das escolas de samba e da baixa execução delas no rádio (em relação ao passado), compositores levam ainda a ferro e fogo a disputa, visando espaço e visibilidade num mercado restrito – e, claro, retorno financeiro.

Os gastos elevados, com contratação de torcida organizada e forte trabalho de relações públicas, pressionam os envolvidos na disputa de tal maneira, que até cenas constrangedoras ocorrem.

Semanas antes do carnaval, um compositor de outro samba que também perdeu na final (três sambas-enredos foram à final na Portela), fez um desabafo no portal SRzd, especializado em carnaval.

Segundo ele, a Portela não pagou um tostão, como sempre fazia, as parcerias finalistas na escola por conta da confusão ocorrida. Isso estava lhe trazendo dor de cabeça sem fim, pois o endividamento para levar o samba à disputa chegou a níveis insuportáveis.

A história ganhou ares dramáticos no SRzd. A matéria relata tudo que ocorreu no dia da disputa final do samba da Portela ano passado e pode ser lida aqui

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