Carnaval de rua de São Paulo é mais diverso e menos tradicional, por Augusto Diniz

Carnaval de rua de São Paulo é mais diverso e menos tradicional

por Augusto Diniz

A consolidação do carnaval de rua de São Paulo se mostra uma folia marcada pela diversidade de gêneros musicais, com ligação menos estreita às expressões e referências tradicionais da festa de Momo.

Embora no carnaval paulistano existam bandas carnavalescas e grupos afros, alguns antigos outros mais recentes, onde exaltar a herança cultural do carnaval seja algo sagrado, com marchas e sambas predominando no repertório, o que se vê mais por aí são blocos de celebração às diversas divisões da música, seja brasileira ou de fora, com pouca relação ao legado da manifestação popular.

Isso pelo menos chama a atenção para quem acompanhou de perto a ascensão do carnaval de rua do Rio nos idos dos anos 2000, que também possui multiplicidade (como os blocos que só tocam Raul Seixas ou Beatles), mas a predominância é de grupos carnavalescos onde os elementos das escolas de samba e dos cordões carnavalescos são as linhas que comandam os desfiles abertos nas ruas.

No carnaval de São Paulo é possível se deparar com muitos blocos sem acompanhamento de cavaquinho e repinique, dois instrumentos que norteiam o ritmo e a levada dos blocos de rua carioca, mesmo aqueles com viés fora da curva do samba e das marchinhas de carnaval – a parte instrumental tem forte referencial das escolas de samba e antigos cordões carnavalescos; não à toa parte expressiva dos músicos cariocas tem ligação estreita com essas agremiações e seus baluartes.

O carnaval de Salvador também tem um viés disperso, assemelhado ao de São Paulo, mas sua estrutura altamente profissionalizada o coloca em níveis diferentes do carnaval de rua paulistano, ainda que alguns blocos tenham patrocínio para ir às ruas – mas a predominância do caráter amador é visível nas ruas da Paulicéia.

O que se vê no carnaval de São Paulo é uma pluralidade, onde os temas possuem muito pouca ligação com as origens e total liberdade à recriação da festa, com blocos de celebração de Rita Lee e Maria Bethânia a David Bowie e Tim Maia. Há uma conotação forte de comemoração, mas sem preocupação em fazer vínculos históricos da folia.

São Paulo constrói seu carnaval de rua de forma difusa. É provável que isso se intensifique daqui para frente, revelando uma forma de carnaval desvinculada de suas origens musicais.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora