O Comedor

 

Paulo Magno vivia às voltas com desculpas esfarrapadas e saias justas com suas tantas amantes. Era um bon vivant, não se importava com isso ou, ao menos, era o que sua tranquilidade denotava. Ria pelos corredores, contando suas peripécias e também como sua habilidade, sua malandragem o livravam de situações difíceis com suas tantas mulheres.

 

Eram tantas as amantes a quem fazia juras de amor que mais parecia deboche. Chegava até mesmo a prometer casamento, noivado, fidelidade, amor eterno, enfim, tudo o que fosse necessário para conseguir seu intento: comer mulheres. Fingia ser gentil, fingia se importar, até claro, levar a mulher para a cama. Depois, bastava que ela saísse da sua frente para respirar aliviado e procurar os verdadeiros amores da sua vida: seus amigos de faculdade.

 

Paulo Magno esbanjava sorrisos, abraços afetuosos, gargalhadas, elogios, beliscões e tapinhas na bunda dos amigos, a quem chamava, quase invariavelmente de “seu viado”. Em seu círculo de amizades masculinas os integrantes gostavam mesmo é de um bom bate papo na fila do RU. Nada de leituras (a não ser as fáceis e prazerosas) ou discussões “profundas”. Nesse sentido, eram parecidos com as mulheres de Paulo Magno. Deste modo, o “Terrível”, como era conhecido entre eles, era admirado por todos, era o centro das atenções. Sua habilidade em pegar mulheres constituia um ideal entre os colegas. Suas histórias, muito apreciadas, narravam a experiência de um expert, sendo encaradas como aulas.

 

Suas amantes eram conhecidas, nestas rodas, como vagabundas, cachorras, etc. Durante esses diálogos, palavras como amor, paixão, namoro, casamento, quando pronunciadas, carregavam tom irônico. Algumas mulheres amavam Paulo Magno, sobretudo as mais inseguras, as mais carentes, as mais ingênuas, claro… antes de tornarem-se suas vítimas. Depois de descobrirem o tipo de homem com quem haviam se relacionado, passavam a odiá-lo profundamente. Algumas, cronicamente inseguras e dependentes dos homens, acabavam tendo recaídas, muitas vezes.

 

Tudo eram prazeres na vida de Paulo Magno, mas eis que surge, devastadora, Paloma! Caloura, ninfetinha de seus dezenove anos… ninfetinha não! Para este Don Juan da Várzea, Paloma era uma deusa, saída de uma capa da Playboy. Ousada, arrojada, independente, queixo empinado e um milhão de homens atrás. E… dando mole! Sim, um sorriso maroto dado de soslaio, na saída do laboratório de informática, aguçou o espírito canino de nosso protagonista, que estufou o peito, afiou as unhas e partiu para o ataque.

 

A garota de sorriso ingênuo e cândido correspondeu ao assédio. Logo estavam nus em frenética atividade. Foi uma noite memorável. Paulo Magno nem quis que Paloma fosse embora, sentiu até uma ponta de tristeza ao despedir-se da moça. Paloma, por seu turno, nem achou grande coisa o tal do Paulo Magno.

 

No dia seguinte, à noite, estranhando não ter recebido qualquer telefonema de Paloma, nosso Don Juan da Várzea se banhou, se perfumou, se penteou e correu ao telefone, pigarreando para preparar a voz de radialista com que costumava falar ao telefone com as mulheres. Paloma, uma inveterada colecionadora de transas, desde o ensino médio, usava a lógica que diz que figurinha repetida não enche álbum e, mais do que tudo, odiava os metidos a garanhão. “Quem? Paulo Magno? Ah! Claro, lembro!” Agiu friamente e pediu que ele não mais a procurasse, alegando ter um namorado.

 

O fato foi desmentido no dia seguinte, quando um dos amigos do círculo de Paulo Magno chegou empolgadíssimo com a história da aventura sexual da noite passada com Paloma. “Não pode ser!!” – pensou, arrogantemente nosso galã de outdoor da AVON. À inusitada notícia segue-se outra ainda mais incrível: Paloma havia feito um mènage a trois com dois outros integrantes da confraria, aliás… dois calouros e… poderia se dizer, para estupefação geral, que até mesmo entre estes, os sortudos eram os mais novos e menos viris.

 

Aos poucos o prestígio de nosso protagonista, sua autoconfiança, sua cabeça sempre erguida e altiva deram lugar a um homem de comportamento taciturno, desconfiado e inseguro. Havia virado alvo de olhares compadecidos, irônicos, risos de escárnio e deboche escondidos. Até que, numa noite, após semanas de abstinência sexual forçada, de levar seguidos foras de todas as mulheres que abordava, a mais esquálida, inibida e desprezada das mulheres do curso, após uma noite carnal na companhia de Paulo Magno, declara:

 

– É… até que seu desempenho não é tão ruim, nem seu pinto tão pequeno quanto dizem!

 

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