O engenheiro dos ‘sistemas inteligentes’

Do Portal Luís Nassif

Do Blog de joao carlos pompeu

O Engenheiro Chinês da AVIBRÁS

A notícia da volta da Avibrás que lhes adianto, não foi nenhuma granja estatal de aves, mas sim, foi uma empresa que cresceu na ditadura militar fabricando equipamentos de alta performance que voavam pelos ares como é próprio da natureza das aves, trouxe a lembrança de que conheci na boêmia de sampa, no final dos anos 90, um engenheiro eletrônico sino-brasileiro formado no ITA que, nos the 80’s club, trabalhou na Avibrás numa sigla da empresa, se me recordo, algo como “sistemas inteligentes de ogivas”… só me lembro bem que havia na sigla a palavra… inteligentes!

Gostava de ouvir os causos etílicos do chinês, à época, já desligado da empresa. Na Avibrás costumava viajar a trabalho para o Oriente Médio. Diversas vezes para o Iraque. Viagens que no meu imaginário esfumaçado pareciam cenas só lidas e assistidas em histórias de espionagem da guerra fria ou nos romances tipo John le Carré.

Suas missões para o Oriente árabe eram ricas de escalas e rotas pela Europa de destinos cruzados que somente lhe eram revelados em cima da hora ou durante o périplo secreto a serviço, se, na Inglaterra, de Vossa Majestade…

Nessas viagens de traje executivo, eu percebi que ele era uma espécie de engenheiro de alta especialização com estafeta (de pasta de couro à mão) de confiança da organização corporativa. Tanto na ida como na volta, obrigatoriamente, fazia rotas e escalas em algumas cidades suíças… Algumas vezes, em outros pequenos estados europeus tipo paraíso fiscal. Dizia que era para fazer coisas rápidas e burocráticas da empresa…

Ele, Ele, na verdade, dizia muita coisa… mas, bebum! sabe como é que é: tem que se dar um desconto… Quando mais alto da conta paga regiamente contava aventuras com lindas mulheres na companhia de colegas, compradores, oficiais, lobbystas e sei lá quem mais… Gostava de se programar com morenas voluptuosas mandonas e ruivas; ruivas branquelas com pintas. Sei lá das taras do china… Eu somente viajava na sua companhia loquaz (dizem que os chineses são os italianos asiáticos…) como se eu estivesse na leitura ou no filme de uma intrigante aventura de romance corporativo de espionagem e belas mulheres e paraísos de diversos tipos.

No Iraque da época, costumava ter uma estadia mais longa na companhia de altos militares e homens do governo. Às vezes, rumavam para uma zona deserta (desculpem a redundância) de segurança máxima voando e comendo poeira bíblica por entre pedras dos caminhos da mesopotâmia – um dos berços da civilização – para realizarem testes e exibições de mísseis e equipamentos bélicos. Dizia que houveram vezes em que lá estava a presenciar os testes, o ditador Saddam Hussein e que ele, agora em traje de engenheiro de campo, tinha que dar explicações técnicas às perguntas do ditador iraquiano e do seu staff.

Vira-e-mexe, à mesa de bar, revoltava-se, com olhos brilhantes e a boca ávida, a história de uma paradisíaca comemoração no máximo de luxo, elegância e safadeza da Paris dos ricos negócios internacionais (e das longas estadias sabáticas do mestre Chico), por conta de um milionário contrato da sua empresa Avibrás com o beligerante governo do Iraque. Contava de coisas finas de comidas e iguarias, vinhos e flûtes, massagens e dengos, prazeres de uma única vida do engenheiro chinês… e, claro, lindas mulheres que só muita grana, no caso, dinheiro vivo corporativo (ainda não havia essa coisa de cartão corporativo), pode possuir para realizar as fantasias e as taras do oriente… por uma eterna e única mil e uma noites de tempos de sonhos e jardins suspensos parisienses do meu amigo de bar chinês. (nos cassinos e boates e prisões e templos do mundo é proibido perceber a passagem do tempo…).

Bem, certo ou errado – tanto faz como fez – que depois o ditador Saddam, como é típico do caráter de todo ditador imperial, seja ele compadre ou não, imbuído da velha retórica ideológica e religiosa do poder absoluto (em nome do pobre povo de Deus…) deu um espetacular calote no contrato bélico da Avibrás e do governo brasileiro. Mas isso já é outra história que não foi comemorada… é óbvio.

Era um china porreta de bom e amigo! Montou de graça e rapidinho meu primeiro computador. Um avião de veloz! By ITA made in China. No entanto, perdi seu contato nas quebradas… e muito tempo depois, soube que emigrara para o Canadá onde, como sabemos, tem uma grande colônia chinesa. Soube também que foi para lá trabalhar, devidamente legal, com computação e programas de alta performance digital… e, deduzo eu, algum tipo de sistema canadense ou corporativo global inteligente… e inovador.

Como já disse, o engenheiro sino-brasileiro, amigo de copo, tinha formação de alto nível tecnológico de custo alto para o país que quer ser inovador e inteligente (veja bem: o país e não os pais ou mesmo a mãe-China ou mesmo o anfitrião legal! canadense)… lá no ITA, dos bravos militares brasileiros, e que, um belo dia… pegou o avião pro Norte…

Veio à mente a velha canção do mestre Caymmi: “Peguei um ITA no Norte.”

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