Happiness, indústria cultural e promessa de felicidade no capitalismo

Por Carlos Norberto Souza

O curta de animação Happiness (2017), do ilustrador e animador inglês Steve Cutts, mostra o cotidiano frenético de uma população de ratos antropomorfizados (ganharam características humanas) em uma sociedade contemporânea, urbana, consumista e individualista.

Em uma cidade superpopulosa, como nossas metrópoles ou megalópoles, os ratos são arrastados por um fluxo caótico que parece levar a lugar nenhum, conforme letreiros de trânsito e do metrô informam (“lugar nenhum”, em inglês, nowhere), onde a competição é incitada ao extremo, o que leva ao isolamento social e ao individualismo — qualquer semelhança não é mera coincidência.

Esta cidade fictícia é bombardeada pela publicidade, que oferece a promessa da felicidade, mas que na verdade é um simulacro de felicidade, frágil, superficial, incompleto, passageiro. Neste contexto, o consumo desenfreado é a busca da realização desta promessa.

Somos como ratos fazendo girar a roda do capitalismo? Ou a imagem mais exata é a de um labirinto (que o vídeo sugere a 1,2 minuto), de onde não conseguimos sequer ver o lado de fora, muito menos achar a saída. Este labirinto é conformado pela ideologia das classes dominantes que condiciona nossa visão de mundo, valores, comportamentos, opiniões, identidades, as relações sociais.

Faço referência ao filósofo alemão Karl Marx, que propugnou que a ideologia dominante de todas as sociedades divididas em classes sociais antagônicas é a da classe detentora dos meios de produção de riqueza — da classe dominante, portanto. Na sociedade capitalista, a burguesia é hegemônica. Além disso, a classe burguesa (ou as frações dela) também é proprietária dos meios de produção ou reprodução simbólica, ideológica e cultural, que servem para justificar e legitimar esta hegemonia. 

Temos aqui o ponto de contato com a Indústria Cultural, que surge com o nascimento da sociedade moderna, no bojo da Revolução Industrial, e com as transformações na produção e transmissão dos meios simbólicos. Ou seja, ela é parte intrínseca do processo de consolidação e expansão do capital pelo Globo.

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