Lula e o caso da iraniana

Da Folha

Entidades estrangeiras elogiam intenção de Lula de dar asilo a iraniana

DE SÃO PAULO

O Comitê Internacional contra Execuções e o Comitê Internacional contra Apedrejamento saudaram a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de oferecer asilo à iraniana condenada à morte por apedrejamento.

Em nota conjunta, as organizações afirmaram que “quaisquer novas ações para salvar a vida da iraniana e reuni-lá à filha são bem-vindas”. O texto reitera a necessidade de um esforço para acabar com os apedrejamentos e execuções.

Sakineh Ashtiani já recebeu 99 chibatadas como punição por manter “relacionamento ilícito” com um homem.

No evento em Curitiba neste sábado, Lula disse que vai telefonar ao líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para conversar sobre o assunto. “Se vale a minha amizade com o presidente do Irã e se ela estiver causando incômodo lá, nós a recebemos no Brasil de bom grado”, afirmou.

A declaração de Lula atende o movimento mundial que luta para salvar a vida da iraniana e livrá-la do apedrejamento. No Brasil, internautas criaram a campanha “Liga Lula” numa tentativa de sensibilizar o presidente brasileiro a exortar o líder iraniano a libertar Ashtiani.

O presidente brasileiro foi criticado ao chamar as tentativas de “avacalhação”. “Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo o pedido que alguém pede de outro país (…) É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes daqui a pouco vira uma avacalhação”,

ENTENDA O CASO

Mãe de dois filhos, Ashtiani recebeu 99 chicotadas após ter sido considerada culpada, em maio de 2006, de ter uma “relação ilícita” com dois homens. Depois, foi declarada culpada de “adultério estando casada”, crime que sempre negou, e condenada a morte por apedrejamento.

O anúncio de que a aplicação da pena poderia ser iminente despertou uma grande mobilização internacional, e países como França, Reino Unido, EUA e Chile expressaram suas críticas à decisão de Teerã. O governo islâmico disse então que suspenderia a pena, até segunda ordem.

CAMPANHA

Um abaixo-assinado aberto há cerca de um mês na internet deu impulso mundial à campanha pela libertação da iraniana.

O documento conta com mais de 114 mil assinaturas, a maioria sem valor real, como pessoas identificadas apenas pelo primeiro nome, manifestações políticas como “E agora Lula?” e piadas como “Pica Pau”.

A lista, contudo, tem também assinaturas verídicas de célebres brasileiros –Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Farshad Hoseini, diretor do Comitê Internacional contra Lapidação e autor do documento, explica que a ideia é que a pressão internacional chegue ao governo iraniano.

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